Notas iniciais
Esta é minha primeira fic então..espero que gostem!
Vleeu,
Laurinha XD

Era mais uma segunda-feira chata, eu tinha fugido da escola e estava em sozinha casa pintando, minha mãe estava trabalhando então não teria problema. Essa era minha décima nona falta da escola contando com as vezes que fugi no meio da aula pulando a janela do primário e as vezes que nem sequer sai da cama depois do meu alarme tocar. Eu pensava na vida, nos meus amigos, no universo, em cada pincelada era um pensamento diferente, até que minha mãe chegou.

Ouvi ela batendo a porta como sempre fazia, mas com mais intensidade, ela subia as escadas batendo os pés como se quem matou seus pais estivessem em meu quarto. Abriu a porta e gritou:

- Eu estava no trabalho e a secretária da diretora ligou, disse que não compareceu nas três últimas aulas, você pode me dizer onde estava?

- Aqui, eu saí da escola depois da aula de artes, só fui pra isso. — eu a respondi calmamente.

- Sofia, essa é sua décima nona falta, você vai ser expulsa com ou sem uma vigésima falta- ela gritava muito alto, mas eu nem ligava, só queria continuar pintando em paz — olha para mim que estou falando com você — "gritando, na verdade" acrescentei na minha mente — larga esse pincel, Sofia! — ela bateu na minha mão e jogou o pincel no chão.

Eu a olhei com raiva e corri até a janela, tentei abri-la para fugir, mas estava trancada.

- Eu a tranquei antes de sair hoje, sabia que você uma hora tentaria fugir por aí como sempre faz. — ela andou até a mim batendo os pés e agarrou meu pescoço — Por que não me obedeceu e saiu da escola sem autorização? — gritou balançando meu pescoço.

- Porque...eu...odeio...aquele...lugar! — gritei com dificuldade enquanto ela sacudia meu pescoço.

- Então vou te levar para um lugar que você vai amar! — minha mãe gritou e me largou- Um lugar cheio de gente parecida com você!

Ela pegou uma mochila no canto do quarto que estava enterrada em uma pilha de roupas sujas, abriu o guarda roupa e jogou um vestido, um pijama e um All Star Preto dentro da mochila. Eu fiquei onde ela me largou ao lado da janela, de braços cruzados e pescoço vermelho com a marca de seus dedos. Quando terminou de fechar a mochila após jogar escova de dente e pente dentro dela pegou meu braço direito e me puxou até onde o carro estava estacionado, me empurrou pra dentro do banco traseiro e entrou jogando a mochila no meu rosto.

O carro começou a andar e eu coloquei musica no meu celular, liguei meus fones de ouvido e escorei a cabeça na janela do carro, aquela raiva da minha mãe, o pescoço doendo e a vontade de voltar para o meu quarto e simplesmente me deitar e ficar lá por horas encheu a minha cabeça e acabei dormindo com o fone no ouvido tocando e a pergunta na minha cabeça "Onde ela estava me levando?".

Paramos perto de uma colina, eu tinha acordado com o barulho da porta se fechando, os fones que estavam mudos meu deram a impressão que dormira durante uma viajem de 4 horas já que minha playlist acabara.

Minha mãe me puxou pra fora do carro e começou a falar um pouco mais calma do que estava mais cedo:

- Você é uma meio sangue. Tipo, uma filha de um deus — eu já havia lido sobre mitologia grega e tal, mas...puts! Ela estava doida! Completamente.

- Você esta brincando, não é? — eu ria alto e chorava de rir.

- Cala a boca, garota — ela me bateu com a mochila — isso é sério, eu tenho que te contar antes de subir essa colina — ela suspirou — seu pai é um deus olimpiano, não um morto enterrado em um cemitério! Deus, ele deve ficar vermelho de raiva toda vez que o chamo de defunto! Mas, o caso é que ele é um idiota que me largou com você, essa garota mimada e metida que não me obedece nem pra ir pra escola! — minha mãe voltou a gritar — Agora, você vai ficar mofando aqui, onde merece, só espere respostas minhas se for pegar o que ainda ficou no seu quarto, pedir dinheiro para se sustentar porque é lei e se for o convite do seu enterro!

As lágrimas que se acumularam nos meus olhos escorreram e meus joelhos bambearam, eu cai de joelhos com as mãos no rosto molhado de lágrimas. Minha mãe me pegou pelo braço e me levantou com força.

- Você vai subir aquela colina, atravessar a barreira entre aquele pinheiro e não vai sair de lá, — eu nunca lhe obedeci em toda a minha vida, poderia me largar dela e sair correndo, mas meus joelhos ainda estavam fracos junto às lágrimas escorrendo com soluços — você nunca me obedeceu, mas agora eu sei que vai, porque se voltar eu juro que vai ser pior.

Ela largou meu braço e jogou a mochila em cima de mim, eu agarrei a mochila e subi a colina correndo, mas quando a ouvi abrindo a porta do carro eu a gritei:

- Mãe!- minhas lagrimas escorriam e meus joelhos ainda estavam bambos, eu só queria deitar, só queria uma pessoa que me abraçaria, diria "está tudo bem" e me daria um beijo na testa — Eu te amo — disse baixo como se ela estivesse a centímetros de distância, ela entendeu minha frase lendo meus lábios, mas somente entrou no carro, bateu a porta novamente e arrancou com o carro.

Subi a colina correndo sem parar, foi muito desgastante já que minha cabeça doía, meus olhos estavam cheios de lágrimas, os joelhos estavam fracos e tudo à minha volta girava como se tivesse para desmaiar. Eu me deitei logo depois do pinheiro que minha mãe me apontara, o solo me acolheu e eu chorei com os braços enlaçados em volta do rosto, as últimas coisas que ouvi antes de adormecer em um sono tão profundo quanto um desmaio foram:

"Quem é ela?" "O que faz aqui?” “Como atravessou a barreira?"

Notas finais
Curtiu a fic? Comente aai oq achou e vleeu!