Eu sempre vou te achar.
10 Um licor de canela - parte 1
Notas iniciais

Eu ainda tentava recuperar o folego, esse tempo todo eu achei que ela não me amava, imaginei ela recebendo as cartas e as jogando fora, mas ela nunca as recebeu. Eu ainda tentava achar uma lógica para tudo que estava acontecendo e Hermione ainda estava em choque sentada na cama.
—Você.... Você me escreveu por todo esse tempo. — ela diz saindo do transe e se levantando — Eu pensei que você tinha me esquecido, que tinha encontrado alguém melhor. — se vira para mim — Mas você ainda me amava e pensava em mim.
—Eu não amava, ainda amo e agora eu percebo que esse sentimento nunca mudou. — digo o que me coração está gritando no meu peito desde o momento em que a reencontrei.
Vejo seus olhos brilharem com as lagrimas que descem pelo seu rosto, ela vem em minha direção e sem nenhum preparo vejo seus olhos se fecharem e sinto novamente o toque de seus lábios. Nesse momento eu só consigo corresponder e abraça-la com todo cuidado do mundo, pois meu maior medo é tudo ser um sonho e ela se desfazer no ar.
Após o beijo ficamos abraçados com as testas coladas sentido a respiração desregulada de ambos, eu só sinto que não quero solta-la, vejo seus lindos olhos abrindo e aquele sorriso que faz com que meu coração erre uma batida.
—Eu tenho algo para você — ela diz com um sorriso saindo do meu abraço.
—Só fique aqui — lhe peço, mas ela se afasta até a porta com um sorriso de quem vai aprontar.
—Espere só um pouquinho ok? — ela diz e sai pela porta, o que me resta é sentar e esperar.
Após alguns minutos ouço passos no corredor, ela entra no quarto e fecha a porta, mas continua com uma mão para trás como se escondesse algo.
—Acho que você se lembra disso. — ela diz trazendo a mão para frente me mostrando uma garrafa de licor de canela.
—Como eu poderia me esquecer? — digo enquanto ela se aconchega ao meu lado na cama, abrindo a garrafa e tomando do gargalo.
Flashback
13 anos antes
“-Os gêmeos precisa entender que eu faço isso para o bem deles. — meu pai diz furioso no andar de baixo.
—Me explique, como eles vão entender que é para o bem deles se você não os escuta? Você só impõe o que quer sem se importar ou entender o que eles sentem. — minha mãe dizia e pelo tom embargado de sua voz em alguns instantes estaria chorando.
—Eles estarão de volta em alguns dias, devem ter ido para casa de algum amigo ou de alguma namorada, fique tranquila. — meu pai dizia se sentando ao seu lado.
—Como quer que eu fique tranquila se eu não sei onde meus filhos estão? — mamãe dizia se levantando — Não consigo ter esse nível de frieza, mas saiba que se eles não voltarem será sua culpa e eu não irei te perdoar. — ao dizer isso começou a subir as escadas quase descobrindo o meu esconderijo.
Quando finalmente me sinto seguro ao entrar em meu quarto, me deparo com um montinho em minha cama, me aproximo levantando o cobertor e me deparo com olhos que brilhavam ainda mais por causa das lagrimas.
—Eles nunca mais vão voltar? — Gina me perguntava sussurrando.
—É claro que eles vão voltar, vem cá. — digo lhe puxando para o meu colo para ficarmos abraçados.
—Mas já faz uma semana. — ela diz se aconchegando — Eles estavam tão bravos quando foram embora.
—Eles só estão de cabeça quente, eles nunca se viram presos em um escritório e você sabe disso. Eles só estão dando um tempo para eles e para o papai se acalmarem, daqui a pouquinho eles voltam. — digo lhe apertando porque também quero acreditar em minhas palavras. — Vão chegar abrindo a porta em um estrondo como sempre e aquele quadro feio que a tia Muriel deu vai cair no chão, vão abraçar a mamãe e serem sarcásticos com o papai, você vai abrir a boca a chorar fazendo o Fred te mimar como sempre enquanto o George tirar algo da sua orelha e eu vou dizer que nem senti saudades e eles vão me zoar dizendo que conseguiram me ouvir chorar de onde eles estavam.
—Você jura? — diz me estendendo o dedo mindinho.
—Você não acha que esse tipo de juramento muito infantil para uma pessoa de doze anos? — digo tentando te tirar uma risada.
—Você tem quatorze e faz isso com a Mione e o Fred e o George com dezessete ainda fazem isso comigo, eu acho que o juramento de dedinho atravessa gerações então anda rápido — ela diz rindo e quase esfregando o dedinho na minha cara.
—Não gostei desse raciocínio — digo fechando a cara, mas enlaçando seu dedo com o meu. — Agora vai dormir, está tarde mocinha.
—Posso dormir aqui hoje? — me pergunta já deitada do meu lado e com os olhos fechados.
—Não acho que tenho muita escolha né? — digo me aconchegando ao seu lado.
Momentos depois Ginervra já estava dormindo esparramada em minha cama enquanto eu estava sentado no telhado olhando para o céu e me perguntando se meus irmãos iriam realmente voltar, até que vejo um pontinho pulando a cerca branca da minha casa e acenando para mim. "
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