Eu sempre vou te achar.
8 Entre as flores
Notas iniciais

Flashback
9 anos antes
" Quando cheguei ao povoado eu fiquei maravilhada, tudo era tão lindo, as cabanas, a estrada de pedras, as arvores e as flores, o ar era tão puro que eu tinha que me recriminar, eu não estava a passeio, eu precisava vender o casarão para poder voltar para a minha família. Caminhar pelas estreitas ruas me davam a sensação de ser a própria Bela de A Bela e a Fera, o cheiro de pães frescos, as crianças brincando, era tudo maravilhoso, porém me esqueci da parte do filme em que todos da aldeia se demonstravam preconceituosos e de cabeça fechada, já recebia olhares estranhos por ser nova por ali, mas tudo piorou quando pedi ajuda para encontrar o endereço de onde meu tio-avô residia.
' — Você é a herdeira do casarão?'
' — Já senti o mau agouro ao te ver chegar.'
' — Provavelmente é uma bruxa.'
' — Tenho dó de você por estar fadada a viver naquele lugar amaldiçoado.'
Essas são apenas algumas respostas que recebi antes de me darem as costas.
Me sentei no banco da pracinha deixando minhas malas aos meus pés para por meus pensamentos em ordem, ate que uma garota loira de olhos incrivelmente azuis sentou ao meu lado.
—Então você é a mais nova bruxa da cidade?- perguntou sorrindo — E ainda facilita o trabalho dos aldeões se sentando na praça? Esta esperando eles montarem a fogueira? Por acaso vai ajuda los a acender o fogo?
— VOCÊ ESTA FALANDO SERIO?- pergunto me levantando do banco em panico, porem ela cai na gargalhada.
—Não creio que você caiu nessa- diz se recompondo e limpando as lagrimas nos cantos dos olhos — Não fazem mais isso no presente, mas isso não quer dizer que não faziam no passado, prazer Luna. — diz se levando e estendendo a mão na minha direção.
— Hermione.
—Venha comigo querida bruxinha, eu te mostro o caminho para o seu novo covil.- ela diz gargalhando as minhas custas "
"A cada dia que eu abro os olhos me sinto mais agoniada, nunca gostei de estar sozinha, de dormir sozinha ou de comer sozinha e aqui a coisa que mais faço é estar sozinha, eu odeio ficar sozinha, principalmente ficar sozinha nesse lugar enorme e empoeirado, sinto que tenho mais coisas a adicionar a minha lista do ódio:
— Odeio esse lugar.
—Odeio esses corredores escuros.
— Odeio essa poeira que ataca minha rinite.
— Odeio esses quadros de pessoas que provavelmente estão mortas e me assustam.
—Odeio esse silencio.
— Odeio os rangidos.
— Odeio quando desço para comprar algo e as pessoas me olham com fogo nos olhos.
—Odeio essas pessoas da vila que me odeiam.
— Odeio não conseguir vender essa merda, pois todos nesse lugar juram que satanás mora no meu porão.
—Odeio sentir falta das piadas sem graça de Gina.
—Odeio não receber os abraços da Harry.
—Odeio ainda mais não sentir os beijos e a proteção que o Rony me transmitia"
"Eu sempre sonhei em ser professora, mas nunca gostei de primeiros dias de aula e agora é ainda mais difícil quando as pessoas acham que você faz parte de uma ceita, mas eu não tenho muita escolha ao dar de cara com a loira sorridente e o cara estranho que ela chama de namorado.
—Pronta para se transformar em uma professora, querida bruxinha?- pergunta Luna enlaçando um braço no meu.
—Já disse para parar de me chamar assim- resmungo.
— Eu acho super original- diz Neville concordando com Luna como sempre e olhando em transe completamente apaixonado pela a namorada, as vezes da vontade de pisar no pé dele só para ver o que acontece...."
" -Hoje o dia vai ser diferente, hoje o dia vai ser diferente, hoje o dia vai ser diferente..... — cantarolo com fé que algum Deus ira ouvir minhas palavras e transforma las em verdades.
Ontem me peguei pensando que já tem um ano que estou aqui, eu nunca irei conseguir vender isso e sair daqui, Rony já deve ter seguido em frente pois algumas garotas sempre viviam atras dele e eu não recebo nenhuma noticia de ninguém, todos os dias eu me levanto e corro ate a caixa do correio e não encontro nada além de contas, nem uma mísera carta deles, provavelmente já me esqueceram e colocaram outra pessoa em meu lugar.
Continuo a descer as escadas repetindo o meu mantra ate que quando chego no térreo vejo a sombra de alguém passando pela janela da sala, meu coração chega a boca, a voz de Luna me vem a mente dizendo "Bruxinhaaaaa, minha querida bruxinhaaaa...." será que eles finalmente decidiram dar um basta nessa historia de Bruxa e vieram me buscar para me por na fogueira? EU NEM SOU BRUXA .... igual a um terço as pessoas que já foram queimadas por bruxaria.
Sigo me esgueirando ate a cozinha, pego a primeira coisa que vejo e me sinto pronta para o perigo que me espera do outro lado da porta, a pessoa para e bate duas vezes e eu mais que depressa abro a porta com uma mão e o acerto com a frigideira que eu fritei ovo ontem, olho para fora e encontro um homem loiro caído no chão com a mão na testa que provavelmente formara um galo.
— PORQUE VOCÊ FEZ ISSO?- ele grita me olhando com raiva.
—SE ACHA QUE PODE FAZER CHURRASQUINHO DE MIM, SAIBA QUE NÃO SERA TÃO FÁCIL- digo apontando a frigideira para ele.
— Eu só vim saber se você está precisando de um jardineiro.- ele diz se levantando — E qual é essa de churrasco?
Talvez eu tenha levado as brincadeiras de Luna a serio de mais, mas ninguém sobe aqui em cima então não faz mal a minha preocupação.
— Porque você não bateu na porta da frente? E porque eu precisaria de um jardineiro?- digo cruzando os braços, e ele apenas aponta a nossa volta.
— Misericórdia — falo com as mão tampando a boca chocada.- Esse lugar parece abandonado, daria certinho como cenário de filme de terror.
— Eu posso dar jeito para você, se quiser é lógico. — ele diz dando um leve sorriso."
"Termino minha limonada, pego a jarra junto com dois copos e sigo para fora, de cenário de filme de terror para bosque encantado, assim que caracterizo meu atual jardim.
— Toma — digo estendendo o copo em direção a Cómaco Mclaggen que esta sentado na grama fazendo coroas com flores.
— Obrigada, faltam cinco — diz tomando um gole — Tenho certeza que nesse festival as pessoas vão parar de te chamar de bruxa.
— Tem certeza que isso vai funcionar?- digo pegando uma das coroas.
— Absoluta — ele toma a coroa das minhas mãos e encaixa na minha cabeça — Quem sabe você não se transforma em fada?
— Prefiro bruxa, me dá um ar de má- digo tentando fazer uma gargalha macabra.
— Vamos fingir que sim.- ele diz revirando os olhos"
"Eu não sei quando as coisas ficaram serias, eu vivia sozinha aqui depois que Luna começou a trabalhar na delegacia do pai e eu só encontrava algumas pessoas no curso de pedagogia, começou com o trabalho dele de jardineiro, fizemos amizade e conversavamos para passar o tempo.
Eu queria tirar esse aperto do meu peito, esse aperto que eu sentia ao não encontrar nenhuma carta de Rony ou de meus amigos, a cada dia eu me sentia mais sozinha e amarga, eu queria tirar esse nó da garganta que eu sentia ao me deitar, quando eu imaginava Rony com outra garota que não era eu, beijando e fazendo ela suspirar como fazia comigo. Quando dei por mim, estava aos beijos com Córmaco em baixo do gazebo reformado, começou com leves beijos, as coisas foram ficando serias e depois de um tempo me vi andando de mãos dadas com ele pelas ruas principais.
Eu me sentia horrível por usar Córmaco desse jeito, por muito tempo eu imaginava Rony em seu lugar, comparava seus beijos e seus toques, mas Córmaco sabia disso, sabia que eu não o amava do mesmo jeito que ele me amava e ele não se importava contanto que pudesse estar ao meu lado.
Ele me incentivava a esquecer todos, dizendo que o que eles fizeram comigo, me abandonando, foi maldade e que eu deveria apaga los da minha memoria, então coloquei na cabeça que eu não podia continuar me remoendo pelos cantos.
Quando vi, estava no alto do penhasco vestida de noiva prestes a me casar....
Porém não era o noivo que eu queria na minha frente"
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