Eu sei o que aconteceu semana passada.
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Mais um dia. Uma nova vida. Um novo corpo. Já me acostumei a isso. Não vejo mais Rhiannon, não me reencontrei com o reverendo Poole, nem com Nathan, muito menos Justin. Estou do outro lado do mundo agora, vivendo como sempre vivi, sem interferir.
Hoje estou no corpo de Oliver Queen. O celular toca, e surpreendo-me comigo mesmo quando decido atender.
— Alô?
— Eu sei de tudo.
— Sabe? Sabe do quê?
— Eu sei de tudo, de tudo. Não adianta negar.
Quando a voz diz isso me lembro do que aconteceu sete anos antes, quando o reverendo Poole disse que sabia de tudo. Decido arriscar e perguntar:
—Quem você é?
—Você sabe.
—Eu sei?
—Sabe.
Eu não sabia. Não reconhecia a voz, era diferente a tudo o que já tinha ouvido, uma voz tão alegre, bela, feminina. Quem poderia ser? Poole? Rhiannon? Nathan? Justin? E se é algum deles, como conseguiram esse número? Como sabiam que eu estaria nesse corpo. Fiquei em silêncio, esperando.
—Eu sei o que aconteceu semana passada. O que você fez foi grave.
Fiquei pasmo. Como assim? Eu tinha feito algo grave? Como a pessoa sabia? O que foi que eu fiz?
—O que eu fiz? Poderia me contar? Não sei do que você está falando.
—Ah, você sabe sim, não preciso contar, uma coisa dessas não se esquece tão facilmente.
Vasculhei a mente de Oliver, tentando achar algo, alguma informação que me desse uma dica do que ele tinha feito, se é que ele fez alguma coisa. Já estava ficando desesperado, estaria eu no corpo de um assassino? Um foragido? Ou ainda pior, estaria eu no corpo de um político corrupto?
Não conseguia achar tais informações, algo estava acontecendo, precisava saber o que era.
—Quem está aí?
Escutei risadas.
Mais risadas.
O que estava acontecendo? Por que diabos ela estava rindo?
—Está rindo porquê?
Percebi tarde demais. Tinha acabado de cair num trote. Quem estava do outro lado não parava de rir. Ela então disse:
—Você caiu.
—Percebi, muito engraçado. – Ri sarcástico — Vou chamar a polícia.
Desliguei o telefone. Não chamei.
Entretanto eu fiquei pensando. Eu ainda não tinha entendido essa natureza humana que os levava a querer rir de coisas bobas assim. Será que isso os deixava mais felizes?
O que levara ela a me ligar? A passar esse trote? Precisava descobrir porquê. Peguei o celular e decidi ligar de volta.
A chamada caiu na caixa postal.
Olhei para o celular na minha mão, porque não tentar ligar de novo? Será que conseguia passar um trote em quem me passara um trote?
Disquei o número e esperei ela atender. Deu para ouvir do outro lado da linha. Não era a que tinha me passado o trote, reconheceria aquela voz em qualquer lugar.
—Olá, quem é?
Era Rhiannon.
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