Notas iniciais
Eu estive tão envolvida nessa história por tanto tempo, que fico meio sem ar em ver ela realmente criando algo, e também me assusta, porque é meu primeiro romance erótico real oficial haha. Ok, vou parar de ser estranha, estou postando pelo celular, se houverem erros temo que só serão corigidos quando eu tiver tempo então... boa leitura.

Certo... eu não posso negar que já disse coisas piores e que fui muito mais direta a ponto de não dizer palavras e demonstrar fisicamente algumas vezes, no entanto, está situação estava fora do meu alcance, pois se tratava de franqueza, do tipo inofensiva, nada parecido com minha ousadia depravada de sempre.

Se não estivesse tão encabulada com tudo, eu provavelmente teria tirado proveito da situação e construído um esquema de beneficio mutuo rapidamente, infelizmente, para minha surpresa, eu, uma vadia de primeira, estava totalmente vulnerável.

Depois de guardar o violão ele cruzou os dedos e os estralou num único movimento, seu rosto se tornando um lago límpido e claro, ele estava totalmente confortável, enquanto eu estava procurando uma forma de não sair deslizando pelo banco até me encolher o suficiente para desaparecer.

Dá onde tinha saído essa criatura?

Meu cérebro parecia mingau, as palavras só derretiam sem cerimônia quando eu tentava formar uma frase, era muito difícil tentar dizer algo, imagina decidir entre ser gentil ou rude com aquele estranho ousado e maravilhoso, que estranhamente possuía olhos azuis muito familiares, olhos que me atormentaram por muito tempo...

Minhas mãos estavam suando frias.

Eu estava de volta ao corpo daquela garotinha ingênua e assustada, tentando não deixar meus pesadelos me consumirem ou meus sentimentos profundos caírem por um garoto bobo que tinha me tratado mal.

Pelo amor de Deus, eu não era esse tipo de garota!

Não tinha criado todo aquele pseudo de vadia louca e fria para apenas sucumbir nesse momento pelo mesmo tipo de pessoa que vem me aterrorizado e fascinando durante anos a fio.

Ah droga!

Eu era esse tipo de garota...

Acho que eu estava meio que pirando, pois minha respiração saiu meio descompassada e meu coração só estava se acelerando mais, eu pisquei meio apavorada e olhei ao redor antes de decidir encarar o rosto dele com uma expressão emburrada, eu tinha acabado de achar algo que me faria falar: desconfiança.

— Eu conheço você?

Como se nem tivesse se dado conta da minha pergunta ele apenas sorriu brilhantemente e apoiou uma de suas pernas no joelho, suas mãos se pendurando preguiçosamente na canela estendida.

— O que você achou da música?

Minha boca caiu aberta... e eu não me importei nem um pouquinho, estava totalmente esbabacada, não tinha como isso estar acontecendo, mesmo.

— Você...você não pode estar... falando sério?

Meus olhos ficaram parados sobre seu rosto enquanto minhas palavras sem folego o atingiam, se era possível minha boca se escancarar mais era porque eu não estava preparada para sua próxima constatação nada convencional.

— Deixa eu ver... você sempre foi o tipo que corre atrás das coisas que não tem, e quando algo vem até você, se sente intimidada.

Podia sentir o sangue subindo para minhas orelhas e bochechas, uma coisa que não acontecia há mais de cinco anos, eu estava corando, um garoto estranho estava me fazendo corar pela coisa mais simples e boba de todas, e sim, diabo, eu estava mais intimidada do que já estive antes, e não fazia ideia do porque estar me sentindo tão puritana repentinamente. Junto com meu sangue quente eu senti um ímpeto de rebeldia fisgar meu estomago, então com desgosto e bravia eu empinei meu queixo e apertei a mandíbula.

— Nada que vem fácil é duradouro.

Seus olhos escureceram com o tom da minha voz, fiquei encantada com o movimento de suas mãos se flexionando, ele inspirou pelo nariz e deixou seu sorriso desvanecer.

— Você não sabe disso, nunca se deixou abrir.

Meu corpo tremeu com a onda de irritação, grande parte dela por suas palavras serem tão verdadeiras e a outra parte dela era apenas irritação por estar reagindo daquela forma a um garoto que não fazia sentido nenhum, afinal, eu estava dentro de um trem, indo para a casa do meu pai, tentando controlar meu egoísmo bobo, e agora aparecia este cara estranho vindo em minha direção, para adivinhar coisas profundas e doloridas sobre mim...?

Isso não fazia sentido nenhum, eu não tinha que aturar isso.

— Você... você não sabe nada sobre mim.

Uma expressão quase belicosa apareceu em seu rosto, seus dentes apertaram-se sobre o lábio inferior carnudo e vermelho, ele parecia estar satisfeito com a minha reação raivosa, como se tivesse finalmente conseguido algo.

— Eu acho que sei sim...

Seus olhos não deixam os meus, uma profundida distante assumindo todo aquele brilho genuíno dos seus olhos azuis, a forma como ele estava me olhando fez algo quente e indesejado descer por meu ventre, isso não era hora de sentir desejo, ainda mais por um cara louco como esse. Endireitei minha postura e desviei meus olhos para a janela, tentando absorver qualquer coisa da paisagem, de preferência algo bem irritante para poder me dar gás o suficiente para me livrar daquela pessoa linda e inconveniente.

As ondas ainda faziam cócegas abaixo da minha cintura, isso porque eu podia sentir os olhos dele queimando sobre mim. Era como se algo físico exigisse minha atenção.

Tão inquietante...

Me levantei de supetão em direção ao corredor, mas fui impedida pela mão morna dele tocando meus dedos com carinho, quer dizer, parei por isso e pela corrente elétrica estranha que subiu pelo meu braço fazendo cada mínimo pelo se levantar, se eu fosse esperta e forte já teria me livrado do toque, mas acontece, que eu sou mais carne do que espirito, então no momento que a corrente elétrica chegou ao meu ventre e fez aquelas coisas maravilhosas, tudo que eu pude fazer foi fechar os olhos, corar profusamente e então olhar sem folego para o cara que estava segurando minha mão.

Se eu achava que estava desestabilizada é porque não estava sob a pele dele, que parecia no momento a coisa mais sensual do mundo com aqueles olhos azuis semicerrados que pareciam estar queimando como chamas azuis, sem contar seus lábios entreabertos de uma forma pecadora.

Eu tinha acabado de ser atingida pela maior bola de tesão de todas.

Eu ofeguei com o movimento rápido e prático que ele fez para puxar minha mão levando meu corpo a pesar para um lado e então não sei de que forma não desastrosa eu não tinha caído sobre minha bunda ao invés de ter sentado ao seu lado, na verdade, praticamente colado ao seu quadril, meu rosto estava perto o suficiente do seu para sentir sua respiração fresca com cheiro de menta.

— Não vá.

Ele disse apenas isso, um sussurro rouco, olhos sobre os meus lábios.

Eu já estava praticamente de quatro mesmo.

Senti minha cabeça assentir languidamente enquanto meus próprios olhos faziam uma varredura apreciativa por seu rosto.

Ele era um anjo da luxuria, só podia ser, como algo tão bonito e sedutor podia ter sido feito?

Quer dizer, o cara tinha aquela pele branca perfeita entre o pálido e cremoso, com pelos negros sombreando seu queixo num cavanhaque moderno, aquelas bochechas com vincos perfeitos e suaves para seu rosto meio bruto e quadrado... eu falei do cabelo dele? Gente, eu acho que estava apaixonada pelo seu cabelo, ele era raspado dos lados quase de forma superficial e tinha volume no topo, em ondas perfeitas e bem alinhadas, como o cabelo de um astro de cinema.

Eu nunca tinha encontrado alguém tão bonito na vida.

Tudo que eu havia pensado de ruim antes? De improvável e estranho sobre toda essa... coisa que estava acontecendo?

Bem, digamos que meus hormônios de adolescente tinham tomado sua decisão e jogado todo argumento negativo para o alto, eu estava totalmente no plano de ficar quietinha e só olhar para ele até que desse a ordem para arrancar as roupas.

Só conseguia pensar... ME FODA.

— Não vou transar com você.

Espera... o quê?

Acho que a expressão poderia ter sido “balde de água fria”, mas não, estava mais para como uma facada no meu orgulho nada sútil.

Rejeição... eu estava sendo rejeitada.

Eu inspirei pelo nariz de forma aguda quando ele apertou minha mão e proferiu as palavras de forma tão sucinta e séria, a dor que se espalhou pelo meu peito me fez sóbria o suficiente para me afastar dele no banco e me lembrar de como ele se tornava não tão perfeito quando abria a boca e falava algo como aquilo.

Dessa vez quando eu me levantei e fui em direção ao corredor ele não me interrompeu, então eu marchei até o banheiro e só percebi que tinha caído numa emboscada quando cheguei ao final do corredor e vi um braço masculino passar por cima do meu ombro para abrir a maçaneta e empurrar a porta aberta, e então um corpo estava me empurrando para dentro. Minha respiração saiu num guincho enquanto eu me pressionava contra a parede e escutava a porta sendo trancada.

No momento em que levantei os olhos para ele nem tive a chance de protestar, pois ele já estava todo contra mim. Seu corpo era maior do que eu tinha percebido, e estava se pressionando todo contra o meu corpo pequeno contra a parede, suas mãos pressionadas ao lado da minha cabeça, meu primeiro instinto foi colocar minhas mãos contra seu peito e empurrar, afinal, eu não era tão vadia assim, quer dizer, o cara tinha acabado de me rejeitar e agora achava que podia concertar a situação com uma rapidinha no banheiro do trem?

E só para deixar registrado, por que diabos o banheiro de um trem era tão espaçoso???

— Saia de perto de mim!

Tentei por força em meus braços para afasta-lo, mas tudo que consegui foi prender eles contra nossos peitos enquanto ele avançava mais, podia sentir seus olhos me procurando enquanto eu tentava desviar o rosto.

— Olhe para mim.

Sua voz era baixa e estranhamente tímida, quase como se ele estivesse pedindo desculpas, pena que para a má sorte dele que eu estava no meu módulo “vadia diz não”, apertei minha mandíbula e respondi entre dentes com um humor acido e raivoso.

— Desculpe senhor “não quero trepar”, mas a vadia aqui está dizendo não!

Ele se afastou com um suspiro cansado, aproveitei a brecha para livrar meus braços e no momento seguinte meus pulsos estavam sendo presos por uma mão gigante acima da minha cabeça, ofeguei surpresa e então mal respirei quando sua outra mão ergueu minha perna direita e a segurou ao redor do seu quadril, a pressão que ele pós sem seguida entre minhas pernas quase me fez cair sobre minhas pernas.

Ele tinha acabado de se esfregar em mim... sério.

Meus olhos se arregalaram com o movimento intenso do seu quadril contra meu centro fazendo cada terminação nervosa do meu corpo queimar com o volume que tinha acabado de ser pressionado contra mim.

Então seu rosto mergulhou entre meu pescoço e ombro e ele beijou molhado e quente seu caminho até a minha orelha, sua respiração acelerada deixando um caminho de fogo por onde passava, meus olhos se fecharam e se pressionaram com força quando ele fez mais um movimento nos prensando contra a parede, minha respiração quebrou entre um ofego e um gemido de desespero.

Quando mordiscou o meu lóbulo me senti quase no limite, mas então com um beijo doce debaixo da minha orelha ele parou com seu movimento e ficou respirando forte até estabilizar sua respiração e conseguir falar.

— Eu disse que não ia, agora... mas, isso não significa que eu não vá em outro momento... acho que você pode sentir o quão forte é o meu querer.

Meu corpo todo se arrepiou violentamente com a promessa em suas palavras, ah caramba, eu podia sentir muito bem o quanto ele queria, e podia apostar que eu tinha praticamente me ensopado toda com essa pequena demonstração. Continuei de olhos fechados enquanto ofegava com a boca entreaberta, eu estava meio envergonhada com minha resposta ansiosa e não me sentia segura em olhar para ele, então só esperei enquanto sua mão abaixava minha perna devagar e então seguia seu caminho da minha perna para o meu braço, cada uma das suas mãos tomando um dos meus pulsos, abaixando meus braços em direção ao seu peito, ele se afastou e ficou rente a minha frente.

Então começou a dar beijos delicados em cada um dos meus pulsos, como beijos de desculpa pela forma rude que os tinha segurado. Minhas pernas tremiam o suficiente para me deixar preocupada e indiferente a como seus beijos tinham feito meu coração meio que derreter um pouquinho mais.

Ele não soltou meus braços quando terminou de beija-los, apenas os levou para cima e os colocou sobre seus ombros, eu deixei minhas mãos quietas sobre sua jaqueta, mas podia sentir quão musculoso ele era, em seguida suas mãos deslizaram por meu pescoço e subiram por minha mandíbula, os dedos resvalando sobre minha pele arrepiada, ele segurou meu rosto assim.

— Agora, antes que eu perca meu controle e haja como um babaca de novo, eu gostaria de ver esses olhos lindos de novo... mas se você não o fizer, eu acho que nós teremos um momento longo aqui dentro e então ambos vamos ter problemas com nossos egos.

Eu inspirei tentando normalizar minha respiração depois de seu sussurro confidente, meu cérebro era mingau novamente, eu não fazia ideia do que ele tinha acabado de dizer.

— Eu não entendi...

Seu riso foi confidente, como se ele soubesse como eu estava me sentindo. Suas mãos deixaram meu rosto para acariciar meu cabelo para trás das minhas orelhas, sua respiração soprou minha franja da minha testa.

— Eu quero dizer, que pretendo prolongar isso entre nós, e não estou a fim de estragar tudo tendo que te dar um beijo de raiva.

Certo... então estava acontecendo algo... será que eu queria mesmo que acontecesse algo?

Meus olhos se abriram instantaneamente quando um pensamento sério passou rapidamente pela minha cabeça, meus olhos estavam meio embaçados e lacrimejantes, tive que piscar algumas vezes antes de ver realmente seus olhos e rosto, queria não ter olhado, pois assim que consegui vê-lo um sorriso rasgou em seus lábios e fez meu coração pular ansioso.

— Seus olhos ainda são esfumaçados.

A observação alienígena e fora de hora me distraiu o suficiente da minha percepção, eu escanei seu rosto a procura de uma resposta, mas tudo que encontrei foi uma expressão de familiaridade.

— Humm, pois é, são cinza, da mesma cor, de quando eu nasci, acho...

Como se acordasse de um devaneio ele lambeu os lábios e franziu o cenho, eu fiquei ocupada acompanhando o movimento de sua língua enquanto ele se restabelecia.

— Vejo que não sou o único tentando evitar problemas.

Notas finais
Ok, tô bem nervosa, me digam o que sentiram sobre esse capítulo pleaaaase!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.