Depois do beijo de Daiki eu fiquei confusa e com medo por ele me conhecer tanto, mas depois dali eu fiquei ainda mais decidida. Queria Daiki só pra mim e faria de tudo para consegui-lo. Fiquei ainda mais ocupada com as sessões de fotos e os treinos para o próximo jogo. Jogaríamos com o colégio Lanytsu, porém o time um que foi escalado. Fiquei chateada, não chamaria a atenção de Daiki na quadra, mas eu esperava chamar de outras formas. As revistas pelo menos!

– Hanako-chan! – O Fotógrafo sorria.

Abri um sorriso e pus a mão na cintura. O tema era verão e eu estava vestindo um short jeans, blusa estampada e sandálias. Meu cabelo estava preso em um rabo de cavalo com as pontas levemente enroladas. Ouvíamos os flashes e Sumiko me fitava com cara de tédio.

– Certo. Arigatou, Hanako-chan! – O fotografo sorriu.

– Arigatou! – Cantarolei.

Peguei minha bolsa em cima da mesa e fui em direção a Sumiko, que estava com a mesma expressão.

– Vamos? – Sorri.

– Por que eu estou aqui? – Ela perguntou desanimada.

– Porque vamos sair juntas. – Disse. Começamos a andar.

– Por quê? Quer me matar escondida por causa daquilo?

– Não, palhaça. Só sair mesmo. – Ri – E você podia ter se vestido um pouco melhor.

Você é modelo, eu não. – Ela disse com os braços cruzados.

Sumiko estava vestida com um tênis simples, short jeans largo, blusa escura e um blusão aberto com as mangas dobradas até os cotovelos. Ela ficava com as mãos nos bolsos quase o tempo todo. Saímos da agência e fomos em direção ao comércio. Eu falava com ela, dizendo que ela poderia fazer um corte diferente no cabelo ou se vestir com outro tipo de roupa, algo mais feminino. E ela... Se estressou.

– Qual o seu problema? – Ela exclamou – Eu sempre me vesti assim.

– Só estou comentando. – Dei de ombros – Você é bonita, mas...

– Sou masculina?

– Não. – Deixei uma risada escapar – É que assim não vai atrair a atenção dele.

– “Dele”? – Ela torceu a expressão – Não sou eu que estou apaixonada. É você! Foi mal por estragar tudo na saída, mas não me castiga assim não, tá? – Ela ria sarcasticamente.

– Você não estragou tudo. – Deixei escapar um sorriso.

– Como assim? – Ela perguntou desconfiada.

– Depois que eu fui embora, Daiki me seguiu. – Sorri marota.

Ela franziu a testa em dúvida e logo abriu um sorriso maroto.

– Você beijou ele! – Ela exclamou.

– Cala a boca! – Eu ri tampando a boca dela – Ele me beijou.

Ela falou algo mais, mas eu não entendi já que tampava a boca dela. Abaixei a mão e a olhei.

– Safada. – Ela disse com uma risada marota.

– Mas não foi lá essas coisas.

– Por quê? Ele é ruim?

– Não. – Ri – É que foi só um beijo. Isso não prova se ele se apaixonou por mim.

– Mas ele te beijou! Isso prova que ele queria te beijar! – Ela exclamava indignada – Você quer o que?! Uma declaração?!

– Não, mas... Isso não significa que ele é só meu.

– Hanako, ele não é um cachorro. – Sumiko franziu a testa.

Eu dei gargalhada.

– Hai. – Assenti.

Viramos a esquina e eu abri um sorriso.

– Seijuro! – Exclamei e dei um aceno, correndo na direção dele.

– “Seiju...”? – Ela me olhou em dúvida até ver Akashi.

Sumiko paralisou na calçada. Eu me aproximei de Seijuro e me virei em direção a ela.

– Sumiko! – Acenei para ela vir.

Ela fez uma expressão de tédio e nervosismo ao mesmo tempo. Com certeza estava me xingando mentalmente, o que me fez rir quando pensei no assunto. Começamos a andar e Sumiko nem olhava na cara dele. Eu queria muito rir. Fomos a uma lanchonete e ela não dizia quase nada, mesmo com Akashi tentando puxar assunto. Eu dava algumas cotoveladas de leve nela, o que a fazia franzir o cenho com raiva de mim. De repente eu levantei.

– Aonde você vai? – Ela perguntou nervosa.

– Esqueci que tenho que fazer uma coisa pra minha mãe.

Ela fez uma expressão de quem com certeza me xingava mentalmente.

– Bom lanche. – Cantarolei e deu uma batida leve no ombro de Akashi, que deixou um riso escapar.

Tive quase a certeza de que Sumiko suava frio. Eu fiquei impressionada no dia da saída, ela sentiu vergonha em conversar com Akashi e havia principalmente ficado interessada nele! Eu não fiquei com raiva dela pelo o que ela fez – não muita... – mas precisava me vingar de alguma forma. E que melhor vingança seria se não ela sair com o garoto que ela gostava e que morria de vergonha? Não seria algo ruim pra Sumiko, ela sairia com Akashi e eles conversariam. Talvez isso até daria uma brecha para um próximo encontro, mas sinceramente eu amei me vingar dela e ver aquela expressão cheia de vergonha e nervosismo. Nunca a vi assim e estava me deliciando com a cena. Queria ter aproveitado mais, mas Akashi havia me pedido para eu sair depois de alguns minutos.

Eu deixei uma risada escapar e tampei a boca com a mão.

– Ela vai me matar. – Sorri.

...

Ganhamos o jogo contra Lanytsu com uma diferença boa. O time rival era muito bom e elas também eram nocivas, mas claro que Sumiko era mais. Chiharu e Akemi fizeram dupla para os passes, Hina fazia as cestas no garrafão, Takara passava a bola para Sumiko, que passava direto por todas elas. Fiquei impressionada, elas ficaram muito boas. Takara não parecia muito bem, ela estava jogando todos os jogos e parecia estar se cansando muito rápido. Kotori-senpai percebeu e a substituiu pela Jun. Estávamos no vestiário depois do jogo.

– Você está melhor? – Setsuko perguntou, se trocando.

– Hai. – Takara disse se sentando – Só um pouco cansada. Senpai disse que vai pegar mais leve comigo. – Ela deixou uma risada escapar – Gomen...

– Uh? Por quê? – Perguntei.

– Eu não tenho tanta resistência assim.

– Ah, pára baka! – Sumiko pôs o braço ao redor do pescoço dela – A gente ganhou, deu certo!

Takara sorriu.

– Nee, Sumiko. – Eu cantarolei e olhei para Jun, que não entendeu.

– Que? – Ela cruzou os braços, ainda estava com raiva de mim.

– Como foi com Akashi?

Depois que eu disse aquilo pareceu que os ouvidos de todas ali ficaram atentos.

– Sumiko! – Jun cantarolou com um sorriso maroto.

– Cala a boca, você gosta do Kagami. – Sumiko falou.

Jun corou.

– Não gosto não.

– Mas ficaram de papinho na lanchonete. – Ela balançou as mãos.

– Ele estava sentado na minha frente! – Ela deixou escapar uma risada indignada.

– Mas ele já estava ali e você sentou na frente dele quando chegou. – Sumiko ria – E por que estamos falando da gente? – Ela me olhou.

Arregalei os olhos, balançando a cabeça. Ainda não queria contar!

– Aomine beijou Hanako! – Ela exclamou apontando pra mim.

Pus a mão na frente do rosto. As meninas ficaram boquiabertas.

– Ia esconder isso da gente?! – Setsuko exclamou rindo.

Suspirei.

– Não... Foi depois que eu saí. – Disse envergonhada.

– Eba! – Akemi cantarolou.

– Ah, pára! – Exclamei rindo e indo em direção à porta.

– Ah, pára você! – Sumiko dava gargalhada – Vai embora já?

– Tenho que chegar cedo em casa.

– Mentira! – Ela exclamou cantarolando.

Eu fui embora rindo, elas não existiam! Peguei o ônibus e fui para casa pensando em Daiki. Queria vê-lo logo, perguntar por que ele me beijou daquela vez. Talvez se ele dissesse o porquê eu poderia dar o próximo passo. Desci do ônibus e caminhei em direção a minha casa. Sorria me lembrando do beijo, mas meu sorriso desapareceu quando vi Daiki e Satsuki conversando na frente da nossa casa. Satsuki me viu e acenou sorrindo, Daiki se virou e me viu.

– Como foi o jogo? – Ela perguntou animada.

– Bom. Ganhamos. – Eu disse, passando direto por eles.

– Hanako. – Daiki me chamou.

Passei pelo portão.

– Fala.

– Uhm... Parabéns. – Ele disse sem jeito.

– Arigatou. – Eu disse e subi as escadas, entrando em casa.

Satsuki ficou confusa e se despediu de Daiki, entrando em seguida. Eu subia as escadas para o segundo andar quando Satsuki entrou e fechou a porta.

– Hanako. O que houve?

– Hum? – Parei e me virei para ela – Tudo bem. Por quê?

– Hum... Dai-chan estava te procurando, eu tinha acabado de chegar e ele me viu de costas, pensou que eu fosse você. Por que entrou? Ele queria falar com você.

– Ele me deu parabéns. Não era isso? – A olhava sem expressão.

– Hanako... – Ela disse surpresa, não entendia.

Suspirei.

– Gomen. – Disse, percebendo o que eu estava fazendo – Só quero ficar sozinha um pouco, tá?

– Uhm... Hai.

Me virei e subi as escadas, me trancando no quarto em seguida. Eu não odiava minha irmã, mas sentia tanta raiva de mim por não conseguir fazer Daiki gostar de mim! Fiquei com raiva dele um pouco. Ele disse que sabia que eu não gosto de ser confundida com ela, mas ele mesmo o fez... Eu sei que talvez não fosse culpa dele, mas mesmo assim eu fiquei com raiva. Eu queria ser alguém que ele gostasse, alguém que ele não confundisse! Eu queria que ele gostasse de mim!