Eu quero te tocar...
1 Quero te tocar...
Notas iniciais
Era mais uma manhã normal de treinamento no time da Raimon. Kirino estava bebendo um pouco de água e guardando seus pertences em sua mochila. De repente ouviu uma voz familiar e levemente irritante.
– Tenma-kun! — Kariya parou ao lado do mencionado.
Olhando-o de costas, o rosado não pôde deixar de notar que o menor estava com a camisa fora do lugar e que deveria avisá-lo, para puxá-la um pouco mais.
– Hey, Kariya! — Kirino chamou. — Sua camisa está um pouco fora do lugar, você não deveria arru-... — e tocou-lhe no ombro para lhe chamar a atenção.
A reação do azulado não foi uma realmente esperada pelo maior. Kariya se assustou com ao ser tocado por Kirino, mesmo com algo tão simples. Ele arrumou sua camisa, pegou suas coisas e saiu rapidamente da presença do rosado.
O que deu nele? — Kirino havia percebido que o pequeno estava lhe evitando ultimamente. Ele sempre se assustava quando o maior falava com ele, ficava agitado em sua presença e sempre furava os passes, dando a desculpa que não estava prestando atenção. – Será que por acaso ele havia aprontado alguma coisa? Feito algo ruim? - Kirino decidiu falar com Kariya, e descobrir o motivo dele estar fazendo isso.
– Kariya! — O mencionado teve outro sobresalto, mas parou para ver o que o mais velho queria com ele. — Será que, depois da aula, podemos conversar um pouco?
– Er... Não vou poder, Kirino-senpai... — ele hesitou por um momento. — E-eu estou com algumas tarefas do colégio para fazer e estou sem tempo para...
– Por favor... serão apenas cinco minutos, prometo.
Kariya não tinha como recusar. Kirino era teimoso e não ia desistir tão fácil de falar com ele. Talvez alguns minutos não iriam fazer mal.
– Está... bem... — ele desviou o olhar para esconder seu desconforto.
– Obrigado Kariya. — Kirino sorriu satisfeito por conseguir convencer o amigo à falar com ele.
~~~~~~~~~~~ À tarde ~~~~~~~~~~~
Quando os membros do clube de futebol foram embora, a sede do clube ficou vazia. Era o lugar perfeito para Kirino poder conversar à sós com Kariya. Sentaram-se em um dos sofás. O azulado mostrava-se inquieto.
– Então... do que queria falar? — Perguntou o menor. — Poderia ir rápido? Tenho mais o que fazer!
Kirino ignorou a última frase do garoto, pois já sabia que ele tentaria se esquivar da conversa, como andava fazendo. Ele respirou fundo e procurou ter paciência.
– Kariya... ultimamente você tem me evitado muito...
O menor desviou o rosto para esconder o seu constrangimento. Seu rosto estava ganhando um tom rosado...
– P-por acaso eu te fiz algo para você me evitar?
Kariya queria terminar aquela conversa pois não estava se sentindo muito à vontade naquele assunto. Ele se levantou e pegou sua mala.
– Que eu me lembre, você não me fez nada... — Ele tinha dez segundos para pensar numa desculpa descente. — Eu nem havia percebido que estava te evitando. Talvez tenha sido esse seu lado surpreendentemente feminino que me fez afastar... — Essa doeu até mesmo no próprio Kariya. Como ele poderia dar uma desculpa tão estúpida? Ele se virou e se preparou para sair.
– FEMININO?! — Kirino ficou de boca aberta com a desculpa esfarrapada do menor. Era óbvio quer ele estava mentindo apenas para não lhe falar o verdadeiro motivo por trás daquela ignorância. Ele cerrou o punho, tentando recuperar o seu controle e dar uma boa resposta.
– Kariya... bem... eu só... — Dois segundos para pensar em alguma coisa. — Não sabia que você pensava esse tipo de coisa ao meu respeito... me desculpe...
Kariya sentiu um aperto em seu peito e um peso na consciência ao ver uma lágrima se formar em um dos olhos de Kirino. Como ele podia ter falado aquilo para o amigo? Tinha que ser muito estúpido... ele continuou andando em direção à saída.
– Mas Kariya! Não pode continuar me evitando assim, e só por causa de uma besteira! Isso não está certo! Você está me ouvindo, Kariya??!!
O mencionado apenas acelerou o passo. Kirino não ia desistir...
– Não me diga que já tem que ir!
Kirino pegou no ombro do menor, fazendo-o ter a mesma reação daquela manhã, mas dessa vez, seguido de um grito e um tombo. O rosado acabou caindo em cima de Kariya, o prendendo no chão. Conseguiu ver o seu rosto, que agora estava completamente vermelho. Kariya sentiu um desconforto. Ele sabia o que estava acontecendo no momento, e agora ele precisava sair dali antes que Kirino soubesse também.
– Isso doeu...! — Kariya reclamou. — POR FAVOR, SAIA DE CIMA DE MIM! — Ele falou, com o rosto vermelho.
Kirino se preparou para sair de cima do amigo, pedindo desculpas, mas pensou... se ele deixasse Kariya ir, ele não iria contar a verdade. Ele precisava muito saber porque o menor lhe evitava, para que eventualmente resolvessem esse problema. Ele pressionou os braços de Kariya contra o chão.
– Desculpe Kariya, mas você não sairá daqui sem me dizer o que quero ouvir.
– O QUÊ? — Ele teve mais um sobresalto. A última coisa que ele queria era ficar ali. — NÃO! Me deixe ir... — ele tentou sair e consegui livrar um dos braços, mas Kirino o segurou.
– É inútil Kariya... se não me dizer a verdade, e tentar sair, irei te prender novamente! Me diga, por favor... o que há de errado com você? Por que me evita?
Kirino era a teimosia em pessoa e não iria desistir mais. O constrangimento de Kariya não o comovia de jeito nenhum. Num reflexo, o azulado lhe deu um golpe com a cabeça e conseguiu afastá-lo, fazendo-o cair para trás. Se levantou rapidamente e pôs a pasta em frente ao corpo.
– E-eu não tenho nada para te dizer, senpai! Me deixe em paz!!
Ele tentou sair correndo, mas Kirino segurou seu tornozelo, fazendo-o cair de bruços no chão. Ele se colocou novamente em cima de Kariya e segurou seus braços de novo.
– AAAARGH! ISSO É PERSEGUIÇÃO!! ME DEIXE IR!!
Kirino riu. Parece que o jogo havia virado, não é mesmo? Agora Kariya sabe que não é só ele que pode perseguir e pressionar os outros por um pouco de diversão.
– Te deixarei ir quando me disser a verdade.
– Kirino-senpai... me solte, por favor! — Kariya estava prestes a chorar, tentando, em desespero, se soltar dos braços do rosado.
Enquanto Kariya tentava se livrar, acabou levando a mão de Kirino que o segurava para entre as suas pernas sem querer. Ao sentir o que havia acontecido ali, Kirino entendeu todo o motivo do constrangimento e desespero do amigo minutos antes. Mas agora a vez de ficar envergonhado foi de Kirino, enquanto Kariya entrava em pânico pelo maior ter percebido o que houve com ele.
Ele teve mesmo uma ereção? — Kirino ficou mesmo surpreso... ele não esperava por isso... Enquanto isso Kariya queria cavar um buraco ali mesmo para enfiar a cara nele e nunca mais sair. Num reflexo, ele deu uma cotovelada em Kirino para afastá-lo.
– ME LARGA!!! — E caiu de joelhos, virado de costas para Kirino, com as mãos em cima daquele "acidente", completamente envergonhado, e já deixando algumas lágrimas caírem.
– Kariya... — O maior sentiu pena ao ver que o azulado estava tão incomodado com aquilo. — Agora você não pode mais me esconder a verdade... te imploro... me diga.
Vendo que ele estava certo, acabou pro dizer a verdade. Engoliu em seco e, ainda de costas para o mais velho, começou a falar.
– M-me desculpe... por isso... — Ele enxugou algumas lágrimas — À princípio... eu gostava de ver você, estar com você... você me fazia feliz... eu tinha sentimentos por você... mas, isso começou a acontecer, de uma forma estranha, eu queria te tocar, e desejava que me tocasse... e desde que comecei a pensar nessas coisas, tudo ficou estranho demais para mim... e eu já não podia ficar mais ao seu lado sem uma dessas coisas estranhas acontecer. — soluçou — Se eu não podia mais estar com uma pessoa que eu amo, nem sequer poder mais falar com ela diretamente... então, tive que me afastar de você... te evitar. Eu.. não tinha a intenção de magoar você, Kirino... por favor... me deixe sozinho.
Isso... Kariya, você... — Ele colocou a mão no ombro do amigo.
– NÃO ME TOQUE!! — Kariya falou, com os olhos cheios de lágrimas.
Kirino não pôde deixar de ficar surpreso e comovido... ele queria contar que gostava muito dele também... que sua presença o fazia feliz... que também o amava... Mas Kariya ainda estava agitado e confuso... para que eles pudessem se falar, ele precisava tranquilizar o menor.
– Kariya, olhe para mim. Eu preciso te falar uma coisa.
– Não senpai! Vá embora, por favor...
Vendo que não conseguiria convencê-lo, foi até ele e o pressionou no chão.
– Deixe-me te tranquilizar dessa vez, Kariya. Você está muito confuso e dessa forma não conseguiremos nos falar.
– Eh? O que que dizer, senpai?!
Kirino não disse nada. Ele segurou o braço de Kariya e abriu o zíper da calça do amigo, e pegou no seu membro, começando a fazer movimentos com ele, deixando Kariya muito mais constrangido que antes.
– S-Senpai... não...
Embora Kirino não fosse a pessoa mais tranquila naquele momento, mas se não acalmasse o menor e o deixasse ir, nada voltaria a ser como antes, e eles iriam se separar completamente, de um jeito ou de outro.
Kariya não sabia o que sentir naquele momento. Por um lado, ele estava sendo tocado por Kirino, o que queria o tempo todo... mas por outro lado... ainda estava completamente envergonhado. Ele não queria deixar Kirino perceber que ele até estava gostando daquilo. Ele queria resistir, e colocou a mão no peito do rosado, como se pedisse para ele parar. Por fim, acabou não resistindo ao seu amado e deixou que Kirino o tocasse.
Kirino procurou ser suave e compreensivo, para não deixar Kariya ainda mais constrangido do que ele já estava. Quando viu que ele estava se acalmando e se deixando levar, sentiu certa satisfação, pois sabia que ele estava se sentindo bem, mesmo com ele. Percebeu que ele se agarrou em seu peito, e estava gemendo baixinho... de um jeito quase impossível de se ouvir.
Kariya acabou ejaculando de uma forma tímida, devagar, pois ainda estava constrangido. Kirino segurou a mão que ele colocou em seu peito, acariciando-a com os dedos, como se dissesse "fique calmo, vai ficar tudo bem".
De repente, a ficha caiu para Kariya. Ele havia sido tocado por outra pessoa, por um amigo. Seu rosto estava vermelho, ele não consegui conter mais lágrimas e se encolheu no canto, abraçando seus joelhos.
– Agora está mais tranquilo? — o rosado lhe perguntou.
– Eu... quero morrer! Senpai... isso só piorou tudo.
– Kariya, se acalme. Eu te entendo... eu também gosto de estar ao seu lado, te ver sorrir, você me faz feliz e... eu... também te amo... Quando você me evitava, eu realmente fiquei muito triste. Te suplico, não me evite mais...
– Então.. eu posso olhar pra você com esse tipo de pensamento? — Ele enxugou uma lágrima.
– Você acha que esse é um sentimento ruim?
Resposta afirmativa com a cabeça.
– Honestamente, eu não sei lhe dizer se é ruim ou não... mas... se fosse ruim... Se eu não me importasse com você, nem estaríamos aqui. E eu não teria feito aquilo por você.
Kariya levantou a cabeça dos joelhos e Kirino enxugou uma lágrima dele.
– Acho que, por outro lado, não precisamos de uma resposta agora mesmo. Poderemos buscar uma resposta juntos, o que me diz? — ele estendeu a mão para Kariya.
O pequeno refletiu por um momento, e acabou lhe dando a mão. Kirino o puxou para perto, encostando os lábios nos dele. Foi algo gentil, suave por parte de Kirino, o que foi retribuído. Não tiveram pressa, e nem demoraram tanto, pois o ar se fez necessário. Quando os lábios se separaram eles ainda permaneceram abraçados, Kariya escondeu o rosto no peito de Kirino.
– Masaki-chan... — Kariya estremeceu ao ouvir seu primeiro nome ser mencionado por Kirino.
– Sim, R-Ranmaru-senpai... — Ele falou, baixo.
– Nunca mais me abandone, está bem?
– Tá bem.... ♥
FIM!
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