Eu queria um amigo

1 Capítulo único


Notas iniciais
Essa história foi minha participação na tag da escrita, lá no Spirit, e o tema era "Você é diferente de um jeito bom".

Eu sempre via as outras crianças andarem felizes e rindo, mas eu era criança e nunca tinha vontade de rir.

Os outros sorriam e se divertiam, mas eu nunca consegui sorrir; As vezes eu tentava treinar na frente do espelho, mas minhas bochechas doiam e eu logo desistia.

Eu queria ser como as outras crianças.

Eu queria rir, sorrir e me divertir como todo mundo fazia.

Por que eles conseguiam sorrir e eu não conseguia?

O que eles tinham que eu não tinha?

Eu pensava nisso noite e dia... Até que um dia eu percebi...

Eles tinham animais de estimação. Todos eles tinham. Era disso que eu precisava!

Esperei ansioso pelo Natal e, quando ele veio, escrevi uma carta para o Papai Noel:

"Papai Noel, eu kero un bixo pra se meu amigo. Craig"

Meus pais levaram pro correio e eu passei a contar os minutos pro dia 25.

Minha família inteira veio comer em casa na véspera. Eu só queria ganhar meu bichinho. As horas foram tediosas, mas quando estava perto da meia-noite ouvi sinos tocarem do lado de fora, no meu jardim.

Corri pra ver na janela e vi ele, Papai Noel, chegando com seu saco de presentes nas costas.

Minha mãe abriu a porta e eu fui encontra-lo pra pegar meu presente. Parei e estendi as mãos ansioso pelo meu cachorrinho ou gatinho, mas invés disso recebi uma caixinha azul escuro bem pequena.

Tirei a tampa e vi... Um rato?

Papai Noel riu e me disse que não era um rato, mas sim um porquinho da Índia.

Pra mim ainda parecia um rato. Eu não gostei.

Ninguém me deixou devolver o rato pro Papai Noel, então eu tive que deixa-lo morar no meu quarto.

Todos os dias eu via o ratinho dentro das gradezinhas. Todos os dias eu desejava mais ter um cachorro.

Todos os dias eu via o ratinho dentro das gradezinhas. Todos os dias eu desejava mais ter um gato.

Até que um dia eu não vi o ratinho dentro das gradezinhas.

Eu nunca ria ou sorria mas aquela também era a primeira vez que eu chorava.

Meus pais vasculharam a casa inteira mas não encontraram nada. Eu tinha perdido meu único quase amigo.

Dois dias se passaram e eu continuava encarando a gaiola vazia em cima da minha cabeceira. Eu queria meu porquinho de volta. Sem ele era como se meu coração pesasse cada vez mais.

Então eu ouvi o barulho de isopor.

Fui até minha bancada, seguindo o tímido som e vi, em cima da minha maquete do sistema solar, o porquinho.

Então você também gosta do espaço?

Eu não tinha ganhado um cachorro ou um gato, eu tinha ganhado um roedor. Ele era diferente do que eu tinha pedido, mas me dei conta de que talvez esse diferente fosse de um jeito bom...

E por algum motivo, naquela hora, minhas bochechas doeram.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!