Eu por você, você por mim
3 Morreu?
Notas iniciais
O sol estava entrando pelo janela da sela, León caído com seu rosto sangrando, enquanto eu, estava do lado de fora apenas olhando e rindo. Eu ria descontroladamente e falava repetitivamente " você vai pagar caro pelo o que me fez! ", e voltava a rir novamente.
Agora já estava deitada no sofá com uma bebê de uns três meses em cima de minha barriga. León adentrou no local e sentou ao meu lado e ficava massageando meus cabelos.
— Bom dia meu amor, dormiu bem? — Ele dizia sorrindo e em seguida dando um beijo na criança que estava deitada em minha barriga.
Acordei em um pulo, dei um grito abafado quando senti minha perna queimar. Foi apenas um sonho, porém confuso, por que eu sonharia que estava feliz por León estar preso e depois sonhar que tinha uma vida com ele? Essas perguntas ecoaram na minha mente pelo resto da manhã.
Todos almoçavam em silêncio, só se ouvia os barulhos dos talheres. Até que Diego quebra o gelo.
— León, o que foi cara? Está muito pensativo. — Diego disse, todos os olhares que se direcionavam a mim foi para o León.
— Nada, estou normal. — León disse levando o copo de suco a boca.
— Teu cu! — Brodwey disse. — Você está assim há horas, o que foi?
— Só estou preocupado com uma coisa, nada demais. — León suspirou fundo.
— O que é? — Dessa vez foi Francesca em que perguntou.
— Eu fiz uma coisa e me arrependi, foi isso. — León abaixou a cabeça, provavelmente envergonhado, ele nunca se arrependia do que fazia, e eu tinha certeza que isso não tinha nada haver comigo, era algo muito pior.
— León. — Francesca o chamou. — O que você fez?
— Eu... É... — León começou a gaguejar, só que o interrompi com um grito. Todos me olharam. Uma enorme dor invadiu meu útero, era como se fosse uma cólica só que bem pior. — Vilu, o que foi?
— Nada. — Eu disse gaguejando por conta da dor.
A dor que antes estava forte, foi amenizando aos poucos, eu soava frio, a essa altura Francesca já estava do meu lado com um copo da água e com uma aparência preocupada. Agora eu tive certeza, León me machucou na hora em que apaguei, não era a primeira vez em que senti isso, nem a segunda. Já se passaram uma semana e essa dor me atormenta várias vezes todos os dias, tento esconder do pessoal, sempre que sinto a dor saio de perto.
— Vilu, me escuta, o que foi? — Fran disse me entregando o copo da água e prendendo meu cabelo.
— Não sei, só uma dor, nada demais. — Bebi um gole da água. — Eu estou bem Fran, não se preocupe.
— Bem? — Diego disse indignado. — Você está pálida e suando frio? Me diz aonde que você está bem? — Diego me olhou sério, eu não queria contar o que realmente estava havendo comigo. — Vamos te levar ao médico.
— Não! — León praticamente gritou. — Ela disse que ta bem, então não há necessidade, se ela piora levamos. — Ele disse, nervoso? Nunca o vi assim, mas ele não estava nervoso de bravo, parecia que ele fez algo, e eu realmente gostaria de saber o que é.
— Tá legal León, o que você aprontou com ela? — Diego disse se levantando e cruzando os braços.
— Eu? Nada, quer dizer... — León deu uma pensada. — Tá legal, olha eu conto pra vocês, só não agora tá legal, e essas dores ai não é culpa minha.
— E é de quem então? — Eu disse abaixando a cabeça, era vergonhoso admitir que o cara que eu amo me obrigou a ficar com ele. — Não é culpa de ninguém aqui, só sua. — Deixei uma lágrimas escorrer pelo meu rosto.
— Violetta, eu não quero falar com você agora tá legal. — Ele disse saindo para fora da casa.
O resto do dia passou tenso. Fran estava comigo no quarto, eu não disse nada a ela, apenas chorava, e só eu sabia o peso que tinha aquelas lágrimas, cada gota era uma magoa diferente, eu não sei se conseguiria olhar pro León da mesma forte que olhava. Ela estava massageando meu cabelo e repetindo '' eu te entendo tá? Já passei por isso ", mas ainda assim as lágrimas desciam descontroladamente sobre meu rosto. Até que a porta abre e León aparece.
— Posso falar com ela Francesca? — León disse entrando e parando a nossa frente.
— Não Fran, fica aqui comigo. — Eu disse a segurando quando ameaçava se levantar. Eu estava com medo.
— Vilu, acho melhor vocês conversarem sozinhos. — Ela disse se levantando e indo até a porta. — Quando terminar de conversarem me grita.
Após o momento em que Francesca saiu, sentei na cama e me encolhi no canto da parede, León sentou na ponta da cama e ficou me olhando um bom tempo.
— Não vou te fazer mal Violetta. — León abaixou a cabeça e começou a olhar em volta do quarto. — Lembro do dia em que você estava na favela, era véspera de ano novo, você estava com um tiro no braço, você estava com tanto medo dava pra ver em seu olhar, que nem está agora. — Ele abaixou a cabeça. — Você sabia que aquele dia foi um dos melhores? Por um momento me senti uma pessoa boa te ajudando...
— León... — León me interrompeu.
— León nada, olha o que eu fiz com você, você anda sentindo dores todos os dias por minha culpa, e eu sei que você nunca vai me perdoar, e também sei que quando você tiver a oportunidade de ir embora daqui você vai. — Ele se levantou e foi até aonde havia muitas fotos e no meio delas ele pegou uma nossa. — Foi esse dia que você disse que me amava, como um amigo claro, foi esse dia que senti algo por você, não sei se é amor de amigo ou de família, só sei que é amor e você mesmo me disse, quando se ama não faz o que eu fiz com você, mas eu te amo, então por que fiz aquilo? — Ele me olhou, seus olhos estavam com lágrimas.
— Você não me ama. — Eu disse com a voz falha. — Desde o dia em que te falaram que eu matei a mulher que você amava, Lara, você ficou com ódio de mim, já ouvi você dizer com o Diego isso León. — Lágrimas já escorriam de um jeito inexplicável pelo meu rosto. — E você quer me ver sofrer igual sofreu por ela, mas ai é que tá León, não matei ela.
— E como eu posso ter certeza isso? — Ele disse me olhando, o olhar de arrependimento já foi para raiva. — Como vou saber que não foi você que atirou nela?
— Você pode não saber, mas eu sei, não fui eu, e você prefere acreditar em qualquer pessoa menos em mim. Então agora te pergunto, que amor é esse? Mistura de ódio e amor? Isso não existe. — Disse abaixando a cabeça.
— É, talvez não exista mesmo, deve ser coisa da minha cabeça. — Ele colocou a foto no lugar e se virou pra mim.
— O que você fez comigo? — Eu perguntei me levantando. — Por que eu ando sentindo tantas dores?
— Vai ficar pior Violetta, muito pior, essas dores não são nada perto do que está por vim, já fiz e agora não tem como voltar atrás.
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