Eu odeio amar você
2 Capítulo 1- Festa
Notas iniciais
Semanas planejando esse aniversário, era o evento mais badalado em que muitos dos artistas e famosos estavam presentes.
Coloquei um terno preto sobre a camisa semiaberta branca, observei meu reflexo, perfeito, você está impecável.
Eu havia estado todas as noites no clube, fora uma semana agitada, e não seria diferente na que se seguiria.
Mas hoje meu foco era totalmente para a minha festa, amanha os jornais e revistas não falariam de outra coisa, e isso me deixava uma responsabilidade fodida.
Sai do meu cômodo passei pelo amplo corredor, verifiquei se todas as alas estavam fechadas, não queria olhares curiosos em minha vida pessoal.
Desci as escadas apressadamente, o grande salão ficava ao lado direito passando pela ampla sala de musica, sim um passa tempo para minha distração.
Fechei as portas que davam a cesso a essa ala e segui, a musica já estava começando, e assim que eu chegasse teria de enfrentar os flashes e cumprimentos de muitos presentes.
Assim que entrei no amplo salão, os olhares se voltaram em minha direção, pela quantidade de pessoas presentes e as que ainda estavam por vir, essa festa seria grandiosa, superando a do ano passado.
− Parabéns – Alice estendia uma pequena caixa em minha direção – espero que goste.
− Os presentes estão sendo entregues para um funcionário...
−Não, eu mereço te dar isso pessoalmente. – ela envolveu seu braço ao meu – vamos abra.
Mesmo com relutância abri o pequeno embrulho revelando uma chave.
− O que é isso? – sorri em sua direção – chave de um caro que não é.
Observei o pequeno metal em minhas mãos com um numero preso em plástico.
− É uma chave de um armário de rodoviária.
− O que eu quero com um armário desses? – gargalhei intensamente.
− Na hora certa você vai querer
− Porque não agora?
− Esse é o começo do presente, daqui seis meses eu lhe direi que armário ela abre, pois se abrir agora nem dará valor ao que tem no armário.
− Você é louca, mas estou acostumado. – guardei a pequena chave em meu bolso descartando a caixa. – vamos dançar.
Ao som de uma musica lenta envolvi a cintura fina de Alice.
− Está faltando um pouco de carne aqui.
− Tem modelos que matariam por um corpo assim. – ela disse sorrindo quando eu a rodopiei com facilidade – mas isso é privilégio de poucos, e olha que eu como muito.
− Não entendo essa fissura de mulheres que querem parecer esqueleto.
− A indústria da moda é como uma relação sadomasoquista, as grandes marcas são sádicos, querem somente ferrar com você, e os masoquistas são todos que aceitam essa situação.
− Você não está de toda errada – concordei, mesmo não gostando da comparação
− Você deve entender bem disso. – parei e a encarei, o que ela sabia?
− O que quer dizer com isso? – exasperei.
− Você, esteve no meio de toda essa loucura, deve saber como é, agora já está ai com a vida ganha e mesmo se engordar vinte quilos ainda terá trabalho.
− Não é bem assim.
Quando a musica chegou a seu final eu deixei a pista segurando na mão de Alice, os jornais já nem especulam mais sobre essa amizade, apesar de sites ainda falarem coisas irrealistas, mas não deixarei de ser o que sou por tabloides.
− Você não iria trazer um casal de amigos? – lembrei
− Trouxe, mas acho que você já os conhece, assim que encontra-los eu faço a apresentação formal.
Alice saiu como sempre parando para conversar com cada conhecido, e como ela conhecia todos, eu poderia imaginar que demoraria a voltar.
Alice fora o pouco contato que mantive de minha antiga cidade, ela havia deixado Forks antes do que eu, e desde que nos encontramos nunca mais nos separamos.
Eu não gostava de visitar meus pais, preferia pagar para trazê-los aqui sempre, hoje infelizmente nenhum deles estava presente, tiraram mais uma de suas luas de mel, com meu dinheiro é claro.
Caminhei entre as pessoas cumprimentando a todos. Minha ansiedade estava aflorada, cheguei ao jardim ao lado da piscina e minha irmã estava sentada próxima a beirada.
− Você está estonteante Rose – ela girou seu corpo escultural e me encarou
− Obrigada! E você está maravilhoso como sempre. – Havia certa falsidade em suas palavras.
Minha irmã nunca me perdoava pelo fato de que eu sai de Forks e a deixei sozinha com os pais, e ela atribui a perca de oportunidades a isso, mas atualmente estamos nos suportando, ela está vivendo em minha casa.
− Verificou se tudo está bem trancado? – ela me encarou
− Como sempre eu não sou descuidado
Rose sabia de todos os detalhes de minha vida secreta, ela mesma tinha seus segredos e era minha sócia em meu negocio noturno.
− Edward! – a voz conhecida me fez girar para encara-lo
− Emmett! – envolvi o grandalhão em um abraço forte. – quanto tempo!
Corrigindo, eu tinha uma única amiga, mas na classe masculina aquela que você tem uma cumplicidade ainda maior, era Emmett, porém ele viaja constantemente o que nos afastou.
− Cara, consegui estar aqui pelo menos para seu aniversário.
− Isso é maravilhoso! – dei dois socos em seu ombro – temos de marcar muita coisa meu amigo, quanto tempo irá ficar?
− Consegui um contrato, acho que ficarei um tempo em campanha antes de fazer alguma viagem.
Assim que encerrei o assunto com Emmett e minha irmã resolveu se infiltrar na conversa eu caminhei para mais longe de todos próximo as arvores que rodeavam a propriedade.
Peguei do bolso interno de meu paletó o maço de cigarro e acendi um. Puxei a fumaça toxica para o pulmão e sentia o alivio da nicotina em meu sistema nervoso, maldito vicio! Mas foda-se um dia eu vou morrer e sei que vou para inferno, vamos aproveitar então.
Entre as tragadas eu observa ao longe a festa, a musica animada me dava vontade de dançar, traguei mais o cigarro.
Escutei alguns galhos se quebrando, girei meu corpo e encarei a figura feminina a minha frente, eu não poderia acreditar na visão.
Seus cabelos estavam diferentes do que lembrava, os antes castanhos sem vida e sem graça pendiam em grandes ondas sobre o ombro esquerdo, com leves reflexos dourados. Seus lábios estavam envoltos de um batom vermelho intenso, e seus olhos, mesmo carregados na mascara eram os mesmos verdes claros.
− Isabella – minha voz saiu como um sussurro.
− Edward – ela sorriu e Deus, que sorriso, eu me lembrava do momento em que eu me encantei por ele – parabéns!
− Obrigado! – soltei um pigarro – a que devo essa honra? Está bem longe de casa.
− Na verdade, estou ao lado de minha casa.
−Como?
−Me mudei essa semana para a mansão ao lado. – sim eu tinha visto que teria vizinhos novos, mas em uma cidade tão grande isso era um detalhe que se passava desapercebido.
Como uma Swan estava morando em uma mansão? Ela era nada mais que a filha do chefe de policia, a não ser que...
− Isabella! – uma voz masculina me fez imediatamente encarar o cara loiro. – enfim te achei, Alice esta desesperada atrás de você!
− Mike, olhe a educação querido, cumprimente o aniversariante. – ela o chamou de querido?
Mike Newton?
− Olá cara! Quanto tempo. – estendi a mão em sua direção.
− Sim, muito, cinco anos para ser mais exato.
− Seremos vizinhos, veja que coincidência, mesmo em uma cidade como essa.
− Como isso se deu? – perguntei espantado – vocês estarem aqui?
− É tudo graças a esse tesouro de esposa – ele segurou o ombro dela em um sinal de possessão, eu identificava esses sinais de longe – meus pais morreram, assumimos a loja, e Bella se tornou uma ótima economista e investidora, ela me ensinou muito e nesses cinco anos conseguimos investimentos que dão lucros sem esforço.
− E porque estar aqui? – estava a ponto de me mudar se fosse o caso, minha ex e o cara que eu odiava no colegial, Bella você não poderia arrumar ninguém pior.
− Um sonho de Bella, ela queria e resolvi ceder a esse capricho.
− Vejo que Edward já encontrou meu casal de amigos. – Alice chegou a nosso lado.
Maldita hora que ela decidiu traze-los a festa, olhar para Isabella era como ter a culpa estampada em minha cara, eu praticamente a abandonei com promessas que nunca cumpri.
Resumindo, Isabella e Mike Newton estariam agora ao meu lado, por um breve momento a ideia de uma súbita viagem não me pareceu tão louca assim.
Mike a levou pelo braço e eu acompanhei Alice, agora a pista estava mais cheia, observei Mike praticamente colar em Isabella.
− O que está acontecendo Alice? – perguntei raivoso.
− Não gostou da surpresa?
− Você manteve contato com ela? – perguntei
− Alguns e mails – ela deu de ombros – éramos amigas lembra, desde o jardim de infância.
− Sim, mas achei que assim como eu você estava totalmente em sua vida aqui. – ergui os braços em protestos. – pensei que fossemos amigos, e amigos não escondem nada um do outro.
− E sim, mas eu gosto dela – ela se virou em minha direção – Não sou a única que guardo segredos aqui!
Ela saiu pisando duro.
Dei meia volta voltando às arvores e acendendo mais um cigarro. As tragadas me acalmavam.
− Pode me emprestar o fogo? – Isabella estava atrás de minhas costas, inferno!
Girei em sua direção, isso explicava porque dela estar nas arvores aquela hora.
− Pegue! – estendi meu isqueiro em sua direção .
− Obrigada! – ela tragou o cigarro de uma forma sexy
Que merda Edward cala essa boca mental, ela não é sexy, ela é a garota que você abandonou sem dó nem piedade e agora esta casada.
Pior ela não serve para você, nuca serviria, Bella é o tipo de garota que almeja as flores, e eu sou o cara que ofereço os espinhos, talvez eu tenha lhe feito um bem enorme.
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