Sara recostou-se no sofá da sala de descanso do laboratório e fechou os olhos, esperando que o remédio para enjoou que comprara a caminho dali, fizesse efeito. Sentia-se tão cansada que não demorou para adormecer. Acordou assustada algumas horas depois, olhou no relógio. Droga! Levantou-se e foi para o necrotério, no caminho passou no banheiro e lavou o rosto, precisava ajudar a processar as evidências do caso. Abriu a porta do necrotério e deixou-a aberta, ficando por perto para respirar o ar do corredor. Dr. Robbins estava ali preenchendo os relatórios.

- Olá Sara. Está melhor?

- Sim — respondeu sem graça. — Já fez a autópsia do corpo encontrado no deserto?

- Há algumas horas. Finn acompanhou.

- Claro. Eu tomei um remédio e acabei pegando no sono. Estava tão cansada.

- Tem sentindo isso com frequência? — perguntou curioso.

- O que?

- Cansaço, enjoou, vomito, tontura...

- Sim, eu comi alguma coisa que não me fez bem e nas últimas semanas tenho me sentido assim. Deve ser algum tipo de intoxicação alimentar. Vou procurar um médico.

— Eu sugiro um obstetra.

- Como? — perguntou confusa. — E por que eu...

- Por que você está com todos os sintomas de um gravidez — disse interrompendo-a. — Se me disser que sua menstruação está atrasada, terei quase certeza.

Sara ficou imóvel. Oh Deus! Grávida? Como não pensou nisso antes? Mas ela voltara a tomar anticoncepcionais assim que saía do hospital, a não ser que... Sim! Só podia ser isso. Os antibióticos que o médico receitara haviam anulado o efeito do anticoncepcional. Então, uma única palavra explodiu em seu cérebro como um relâmpago. Gil. Se a gravidez se confirmasse, como contaria a ele? Não havia conversado sobre esse assunto. Nunca sequer cogitaram essa possibilidade. O Dr. Robbins percebeu a expressão assustada dela e praticamente adivinhou seus pensamentos.

- Não se preocupe com isso, Sara. Gil vai adorar ser pai.

Sara saiu do necrotério um pouco atordoada com toda aquela situação, apoiou-se na parede do lado de fora, tentando pôr os pensamentos em ordem. Concluiu que não conseguiria esperar até ter uma consulta com um médico para confirmar a gravidez, demoraria muito, precisava da resposta imediatamente. Sabia o que fazer para resolver aquele impasse, embora fosse contra as regras do laboratório, faria o exame ali mesmo.

Passou pelo vestiário, tirou uma amostra de seu sangue e foi para a sala de análises. Hodges estava lá, não queria que fosse ele a analisar seu sangue, mas não tinha outro jeito, tinha que tirar aquela dúvida da cabeça.

- Olá Hodges — disse ela.

- Olá Sara. Como vai? E como está o Grissom? Sabe, você parece muito bem, apesar das olheiras e da palidez, o casam...

- Hodges — interrompeu Sara. — Poderia me fazer um favor?

- Ah, mas é claro. O que deseja?

- Analise essa amostra para mim — disse entregando a amostra a ele.

— É do seu caso no deserto?

- Não, é outro... caso — respondeu não entrando em detalhes.

- E o que quer que eu descubra com esse exame, exatamente?

- Faça uma análise completa, inclusive para gravidez.

Ele ergueu a sobrancelha e olhou-a desconfiado, perguntou:

- De quem é o sangue?

- Sem perguntas, Hodges, por favor. Quando estiver com os resultados me ligue. Obrigado — saiu da sala rapidamente e foi para a sala de evidências, encontrou Morgan lá, analisando as rupas da vítima.

- Oi Sara. Como está?

- Melhor, obrigada. Precisa de ajuda?

- Sim, por favor. Ainda temos muitas evidências para processar.

Elas trabalharam conversando sobre o caso até Morgan ser chamada na balística. Algumas horas depois, Sara não suportava mais esperar e se encaminhou para a sala de análise, no meio do caminho seu celular tocou, era uma mensagem de Hodges avisando que os resultados estavam prontos. Chegou lá em trinta segundos e ele se admirou com a rapidez dela.

- Nossa! Estava esperando atrás da porta? — zombou ele.

- Os resultados, por favor — disse estendendo a mão e ignorado a brincadeira dele.

Ele lhe entregou a folha com os resultados dos testes e Sara olhou direto para o qual mais lhe interessava. POSITIVO. Seu coração falhou uma batida. Oh Deus! Estava grávida! Precisava sair dali antes que se desmanchasse em lágrimas na frente de Hodges. Virou as costas e saiu deixando ele falando sozinho.

- Ela esta ficando igualzinha ao Grissom com essa mania de sair sem dizer nada. Mas de quem será esse sangue? — falava ele sozinho. — Tenho um jeito fácil de descobrir.

Ele pegou uma amostra do DNA do sangue e colocou no sistema, esperou pela busca e logo o nome e a foto estamparam-se n tela do computador. Sara Sidle.

- Mas essa é uma novidade que todos precisam saber — disse ele para si mesmo, indo em direção a porta, parou de repente. Não daquela vez ficaria de boca fechada e deixaria eles contarem ao pessoal, fingiria não saber de nada, afinal, Grissom e Sara mereciam a alegria de eles próprios darem a notícia.

Sara chegou em casa e foi direto para o banheiro, precisava de um banho quente e algumas horas de sono para assimilar tudo e contar sobre a gravidez a Gil. Ela passou a mão sobre o ventre, sob a água, nunca pensou em ser mãe, sua própria mãe não fora um bom exemplo, e assim que ela entrara na escola suas bonecas foram trocadas pelos livros, nos quais saciava sua ânsia pelo conhecimento, havia momentos que pensava não ter instinto materno.

Mas agora que sabia que havia um pequeno ser crescendo ali, em se ventre, uma parte sua e outra de seu amado marido, sentia-se completamente feliz. Já o amava. Imaginou como seria o bebê, será que teria cachinhos dourados e olhos azuis brilhantes como os de Grissom? Esperava que sim, seria maravilhoso. Não sabia cm Gil reagiria a notícia da gravidez. Ficaria feliz? Sara só tinha certeza de uma coisa, ele não a abandonaria, era cavalheiro demais para deixar sua mulher com um filho seu nos braços. Talvez não soubesse lida com a situação no início, mas ele se adaptaria e seria um pai maravilhoso.

Desligou o chuveiro, enxugou-se e oi para o quarto, deitou-se sob as cobertas e adormeceu em seguida ainda imaginando como seria seu pequeno anjinho.