Eu não te entendo

1 O começo do fim


Notas iniciais
Contém algumas palavras de baixo calão, eu perdi um pouco a linha no final, não procurei um beta reader, pois não era algo para atrair leitores e começar minha 'carreira' como escritor. Um desabafo.

Tudo começou quando nos entramos na faculdade. Eu, em minha área de conhecimento predileta, química, porem em uma modalidade diferente da esperada. Ele, em engenharia, pois era o que o pai queria. Passamos a morar em cidades diferentes, ambos longe dos pais e amigos, cercados de completos desconhecidos.

Eu voltava para casa todo fim de semana, mas quase nunca saia, tinha de ficar em casa cercado por livros, se não didáticos, de ficção. Ele vinha para casa somente aos feriados, coisa que não acontecia com frequência, ficávamos sem nos ver por quase 2 meses seguidos, mas quando acontecia, sempre era para irmos a churrascos e festas regadas a álcool. Porém, como tudo mais na vida, os padrões funcionam até certo ponto. Um dia ele me manda uma mensagem falando que um parente havia se acidentado, vitima de um atropelamento de carro aonde o veiculo em questão estava sendo usado para fugir de um assalto, e que estava voltando pra casa para partilhar da dor dos entes. Diferente de mim, cujo qualquer coisa parece afetar profundamente, a ele, nada parecia atingir, pois mesmo com a noticia do falecimento do primo, ele não conseguiu chorar, e isso magoava-o, pois ele se sentia culpado por isso.

Esses eventos podem não ter nada em comum, mas digo a vocês que foram eles que incitaram o desastre que estava por vir.

Nas ditas festas que íamos, havia álcool, amigos e musica, ou seja, o ambiente perfeito para perder o controle e tomar um porre. Eu já era experiente no quesito beber, graças a isso sabia me controlar e quando ia passar mal, assim evitando-o. Já ele, parecia fazer o exato oposto. Sabia quando iria passar mal, mas continua a entornar litros e mais litros de vodka goela abaixo. No final da noite, quem cuidava dele era eu, pois meus amigos haviam se cansado de avisa-lo e portanto não ajudaram-no. Já perdi a conta de quantas vezes tive de me afastar dos grupos de amigos para levar ele até o banheiro, ou já zelando por ele enquanto passava mal. Mas, como disse, isso já aconteceu diversas vezes, então, qual o diferencial daquela noite? O que havia de diferente era o fato de que eu estava acompanhado de alguém, que viria a ser meu namorado alguns dias depois. Meu amigo não saia de perto de mim, e parecia ficar me encarando, tanto que quando ele começou a vomitar, não queria me deixar sair de perto dele, mesmo que fosse para buscar agua para ele. E o fazia com vontade, segurando firme em meu pulso e se aproximando ainda mais de mim. Eu deixei que o fizesse, pois ele se encontrava bêbado e provavelmente não se lembraria do ocorrido. Em algum momento ele adormeceu, e assim também fui eu.

Para minha surpresa, no outro dia eu questionei-o do ocorrido e ele disse se lembrar, enrubescendo-se enquanto admitia e vacilando na voz. Deixei passar, pois pensei que ele sentia vergonha do fato.

Quando eu comecei a namorar, ele ficava jogando indiretas constantemente, perguntando como estava a vida de comprometido. Ela estava péssima, pois eu não consegui mantê-la por mais de uma semana devido a culpa crescente que eu sentia.

Passados alguns dias depois, começaram a acontecer contatos físicos que de primeira pareciam ser acidentais e portanto sem significado. Outro engano meu, pois a frequência com que aconteciam só aumentava. Era um encostar de ombros, pernas, braços, um abraço aqui, outro ali. Pouco a pouco nossa intimidade crescia, tanto verbal quanto física. Falávamos de tudo, sobre quando ele queria saber se havia algo de errado com sua genitália, com seu físico, sua saúde e curiosidades com relação a sexo e experiências com pessoas. Foi mais ou menos nessa época que ele me contou que era assexuado, mesmo já tendo beijado duas garotas em festas que fomos. A noticia foi um choque, mas de certa forma foi bem recebida, pois explicava o porque de não havermos dado certo no começo.

Era comum muitos de nossos amigos, ou pessoas que conhecíamos a pouco tempo falarem que formávamos um bonito casal, e que ficávamos bem juntos. Muitas vezes acontecia de amigos ficarem brincando, falando que já havíamos nos beijado e tido relações. Ele ficava acanhado quando isso acontecia e respondia que na verdade éramos só amigos, mas isso mexia comigo. Chegamos a ficar alguns dias sem falarmos direito, com ele evitando olhar diretamente para mim, por causa disso, até que eu sem querer acertei o motivo e ele confessou. Disse que ficava imaginando como isso seria, caso acontecesse, que eu seria a primeira opção dele para se relacionar com um homem, mas que isso não aconteceria porque me via apenas como amigo.

Teve uma vez que fiquei com muitos ciúmes dele, pois havia feito uma nova amizade e havia me apresentado a pessoa. Eles conversavam como se fossem amigos de tempos, apesar de se conhecerem a pouco tempo, eu não consegui aguentar e explodi de ciúmes. Foi nossa primeira briga. Chegou a render uma semana sem conversarmos, até que não consegui mais e me desculpei. Ele chegou a me ligar antes mesmo de ler a mensagem e eu cheguei a chorar ao telefone.

Passado esses últimos eventos, o festival da carne, o carnaval, havia chegado. Durante todos os dias fiquei sem ingerir álcool, mas me diverti da mesma forma. Em um desses dias ele passou da conta novamente, e, como de costume, sobrou pra mim. Ele ficava segurando em mim pra não cair, se escorava de formas inconvenientes, e quando eu tentava passar o braço para dar apoio ele recuava. No caminho pra casa, nos paramos num ponto de ônibus pra descansar um pouco, e ele começou a cantar Lepo Lepo ainda escorado em mim, mesmo sentados. Quando já íamos continuar, ele me pede pra dormir com ele e dar banho nele. Brincando, eu disse que só o faria se ele não estivesse de cueca branca. Pra que, eu me pergunto até hoje. Ele abaixou a bermuda mostrando a cueca e falou "sem problemas, ela não é" dando um sorriso de lado. Porem quando chegamos na casa dele, ele me dispensou, falou que estava bem e que era pra eu ir embora.

Passaram-se alguns meses, as mesmas coisas continuavam a acontecer com ele bêbado ou sóbrio, e cada vez que acontecia eu me sentia pior, como se quisesse dizer algo mas não tivesse coragem para tomar a iniciativa. Até que, chegou o dia em que tudo ia acabar, a ultima briga, o ultimo contato físico.

Era uma reunião de poucos amigos na casa dele, mas com bastante comida e bebida, os pais dele haviam viajado, então a casa era nossa. Alguns shots de vodka depois, deu fome, e ele resolveu fazer macarrão. Eu comecei a comer, tava bom apesar dele insistir de que tinha colocado muito alho e que a salsicha estava vencida, até que ele puxa o garfo da minha mão e começa a comer do meu prato. Bem anormal, isso nunca tinha acontecido antes, mas eu deixei passar. Mais tarde deu sono e fomos dormir, enquanto os outros ainda estavam na piscina bebendo. Eu deixei na cama de casal dele junto com ele, e tentei dormir, até que sinto que ele estava um pouco próximo demais e que começa a encostar em mim de novo. Resolvi testar minha sorte e passei meu braço pelo tronco dele. Ele deixou, dormimos assim quase a noite toda, até que em dado momento ele pede calmamente pra eu ir pro outro lado e volta a dormir. Eu não disse nada, tava meio quente mesmo. Na manhã seguinte, quando levantamos ele mal falou comigo então resolvi ir pra casa.

Mais tarde no mesmo dia, uma amiga liga pedindo companhia pra levar o irmão na rodoviária, eu aceito e me arrumo, mas quando chego no carro me deparo com ele sentado no banco da frente. Não me cumprimentou, não olhou pra mim, então fiz o mesmo. Comecei a conversar com o irmão da minha amiga pra diminuir o clima pesado, mas não adiantou muito. Mesmo quando já estávamos voltando para casa ele não disse nada. No outro dia pela manhã descubro que ele contou pra essa mesma amiga que eu 'tentei' dormir de conchinha com ele. Pff, como se tivesse sido de conchinha que havíamos dormido, e como se ele não tivesse deixado acontecer. Mesmo quando ele falou para eu ir pro outro lado da cama, eu pensei que ele so estava cansado de deitar daquele jeito. Acontece. Mas ele disse de forma como se eu tivesse forçado, e ele recusado. Quando ela me contou isso, fiquei transtornado e puto, ele já estava me ignorando mesmo e agora eu sabia o motivo, nem se quer tentou conversar comigo, porra, eu não sei se ele via isso como amizade ou algo mais, e ainda faz isso comigo. Foi a ultima vez que vi ele desde então.

Notas finais
Bom, é isso, se quiser dar sua opinião sobre o que eu fiz de errado, ou o que aconteceu, ou o que pode vir a acontecer, pode falar, sou todo ouvidos, porque isso aconteceu a pouquíssimo tempo e ainda não superei, pq nos eramos muito amigos e krlh, eu já não to aguento ficar sem falar com ele
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!