O dia amanheceu no acampamento. Nico não conseguira dormir. Os pensamentos perdidos, a felicidade e a angustia que ainda sentia estava ali com ele na solidão do chalé de Hades.

Nico se levantou do beliche, Hanzel ainda dormia. Naquele dia eles iriam embora. Ele observou a garota dormindo, gostava muito de dela, perderá Bianca e ainda sentia muito a sua falta, mas Hanzel protegia e amava Nico tal como Bianca, e por isso ele se sentia em casa quando estava com ela.

Alguém bateu a porta e Nico foi rapidamente abri-la, com medo que a próxima batida acordasse Hanzel. Quando abriu deu de cara com um Frank sonolento.

– Bom dia, cara — disse ele se espreguiçando.

– Oi, cara. Entra aí, mas faça silencio.

Frank entrou e foi logo até o beliche de Hanzel, ele acariciou seus cabelos e comentou:

– Ela dorme como um anjo...

Nico levantou o indicador e o levou até a boca como se fosse vomitar.

– Ah, para com isso, di Angelo — queixou-se Frank em tom baixo — duvido que se fosse Percy aqui deitado você estaria babando...

– Aposto que eu não — disse Nico num tom serio — Talvez ele é quem estaria babando, literalmente — Nico conseguiu dar uma risadinha.

Um silencio se instalou no chalé. Depois de um tempo Nico perguntou:

– Como está Annabeth?

– Já a vi pior. Ela vai melhorar. Sabe, eu não sou especialista em amor, mas sei que quando se ama alguém a unica coisa que queremos é estar com ela. Percy e Annabeth já não tinham mais essa vontade, esse amor. Percy mostrou que o ama de verdade. Como por exemplo ontem a noite, em que ele saiu gritando pelo acampamento todo que o amava — Frank sorriu.

Nico se lembrou da noite anterior quando fechou a porta de seu chalé após se despedir de Percy. O garoto gritava a plenos pulmões como um louco: "NICO DI ANGELO, EU AMO VOCÊ!". Nico se aqueceu com aquela lembrança e seu coração se encheu novamente de felicidade.

– Deve amar — sorriu Nico meio tímido.

– É cara, num tem jeito, vou ter que acordar ela. Já está ficando tarde — disse Frank mudando de assunto e chacoalhando Hanzel delicadamente. Como ele conseguia aquilo com aquele tamanho todo, Nico não sabia.

****

Depois do café, os quatro já estavam com as malas prontas e se despediam de todos no topo da colina. Reyna viu Nico parado bem distante do amontoado de gente ao redor deles , e veio até seu encontro:

– Acho que nos veremos depois, certo?

– Não está com raiva de mim? — Nico levantou uma sobrancelha, confuso.

– Claro que não... — ela pensou melhor — acho que um pouco, mas estou com mais raiva de mim do que de você.

– Ah...

– Porque eu amo você. Mas você nunca poderá responder a esse sentimento, Nico. Hoje eu entendo. Tive esperança até ontem, mas definitivamente, eu aceito que esse amor jamais poderá acontecer.

Nico não sabia o que dizer. Aquilo era demais para a cabeça dele. Como nunca percebera?– perguntou-se.

– Me desculpe, Reyna.

– Não, pare com isso. Mas quero que prometa uma coisa.

– O que quiser...

– Que vai ser para sempre meu amigo.

– Eu prometo. Juro pelo Estige.

Reyna abraçou fortemente o garoto.

– Fique bem.

– Você também.

Eles se afastaram e ela seguiu colina acima. Nico permaneceu ao pé da colina. Não tinha coragem de olhar nos olhos de Annabeth, e ela possivelmente não queria vê-lo. Como já se despedira de Hanzel e Frank, ele se virou e caminhou até a arena.

Os borborinhos dos gritos do pessoal na colina o seguiram, mesmo que a certa distancia. Quando entrou na arena, tudo estava vazio. Sentou-se e observou o vazio. Will... era a unica coisa que podia pensar no momento. Enquanto não conversasse com ele, Nico jamais poderia seguir em frente como desejava.

Um barulho tirou Nico de seus pensamentos, olhou para a entrada da arena e viu Will parado, encarando-o. O garoto se aproximou de Nico e sentou-se ao seu lado. O filho de Hades não sabia o que sentir. Lagrimas ardiam em seus olhos, toda a angústia e a preocupação queriam transbordar.

– Me desculpe — Will estava com a voz embargada — eu não queria que tudo isso acontecesse. Fui fraco , não entendi que seu amor nunca pertenceu a mim...

– Will, onde você estava esse tempo todo? — Nico o cortou. As lagrimas agora escorriam pelo seu rosto.

– Por aí... Doeu demais ouvir Percy dizendo que te amava — Nico o olhou acusadoramente e Will confessou — Sim, eu ouvi os dois naquela noite, ouvi tudo... mesmo.

Nico se sentia péssimo.

– Mas hoje entendo, seu coração é de Percy Jackson, e o coração dele é seu. Me desculpe, Nico. Eu fui fraco, como disse, eu quero você feliz. Foi lindo o que vivemos nesse pouco tempo. Mas como dizem: foi bom o suficiente para ser inesquecível. E sinceramente eu jamais vou te esquecer. Mas quero que seja feliz, pequeno. Eu amo você.

Nico agarrou Will, deu um abraço tão apertado que até os pequenos e finos braços doeram. Os dois choraram abraçados. Nico era extremamente grato por Will ter o salvado daquele pesadelo. Mas não podia negar que amava Percy. Queria Will feliz.

Eles se afastaram e sorriram um para o outro.

– Vou ter mais pedidos de desculpas para fazer — Will bagunçou o cabelo do garoto — Vou primeiro em Percy, e depois um pedido coletivo de desculpas. Venha, quero você lá.

E então, os dois saíram, lado a lado, para a área do chalés.