Notas iniciais
Olá meu povo!
Olha eu aqui novamente.
Eu sei que tenho uma história pra terminar, porém, ela me exige muito mais energia pra escrever do que uma mais "universo alternativo". Eu prometo que não estou desistindo dela, eu apenas preciso de mais tempo pra formular tudo que quero escrever, já que estou lutando pra ser o mais fiel possível ao seriado.

Essa história aqui é mais leve, e consequentemente diferente do que se passa realmente na série. Ela acontece após o sequestro do Nick, e já começamos com um cap "quente" entre nosso casal.

Um viva ao GSR que pode voltar em CSI: Vegas.

Capítulo 1

O jeito como você passa seu dia é o jeito como passa a vida.

A Livraria dos Achados e Perdidos, de Susan Wiggs.

Seu peito se encheu com o ar frio da noite, e um suave arrepiou subiu por sua espinha, sentindo suas roupas encharcadas grudarem em seu corpo como uma segunda pele. Grissom olhou para céu negro que retumbava acima de sua cabeça, mostrando seu glorioso poder, até mesmo em uma cidade no meio do deserto. Sorriu. A vida continuava, afinal. Porém, havia muito mais que enchia seu peito naquela noite, pois nunca fora tão claro o que ele deveria fazer sobre o que sentia.

Seu time estava de volta, e aquele era o primeiro caso que todos trabalhavam juntos. Nick ainda estava de licença na casa de seus pais, mas em menos de duas semanas ele estaria de volta. No entanto, não era esse o fato responsável pelo sorriso leve em seus lábios. A poucos metros de onde se encontrava parado, colocando vários sacos de provas em seu carro, Grissom pode avistar Sara conversando com Greg, os braços abraçando o próprio corpo, tentando se proteger do vento gelado. Nada melhor do que um DB no meio de um beco nas extremidades de Las Vegas, em uma madrugada chuvosa e fria. Ele podia identificar uma pesada sombra ao redor dos olhos da mulher, mesmo àquela distância, mesmo que ela tentasse disfarçar com seu doce sorriso de dentes separados.

Ele viu quando Greg ergueu os braços e deu um rápido abraço em Sara, e aparentemente sussurrou algo engraçado perto de seu ouvido, pois uma suave gargalhada se desenhou em suas expressões. Então o jovem se retirou e no mesmo instante o sorriso sumiu. Grissom acompanhou quando ela tentou afastar algumas mechas de seu cabelo molhado do rosto, viu quando seus lábios pareceram tremer antes de formar uma fina linha de tristeza. Não fique triste, Sara. O pensamento veio tão rápido, quanto os olhos da morena ao seu encontro. Ela sorriu para ele, algo mais genuíno do que o sorriso direcionado para Greg. Ele merecia isso? Sorriu de volta, acenando com a mão para que ela viesse até ele.

Quando ela se aproximou, seus lábios já estavam mais suaves.

— Você vai ficar doente – ela disse, suas palavras saindo baixas e tremidas com o vento frio.

— E onde está seu guarda chuva? – ele arqueou um pouco as sobrancelhas, esperando que ela entendesse a provocação.

— Oh, eu desisti dele quando começou a ventar – seus braços se fecharam mais ainda ao redor do corpo – coletar evidências com uma mão em tempo ágil antes que a chuva acabe com tudo e segurar um guarda chuva é quase impossível.

— Então porque você não entra no carro e me deixa aquecê-la? – as palavras saíram, sem malicia a princípio. Apenas depois que viu a expressão engraçada no rosto de Sara que pode entender seu conteúdo. Mas não se importou, e nem tentou concertar, pois se ele pudesse, faria exatamente aquilo, e não como um bom amigo. Você está caminhando por essa ponte, eim? Sua consciência estava brincando com ele, ou seria seu coração?

Sara deixou um pouco de confusão e diversão se infiltrar em seu rosto, mas acenou positivamente e foi para o lado do passageiro, entrando no carro. Grissom estava certo, ela pensou, dentro do carro estava muito mais quente e aconchegante. Viu quando o supervisor fechou o porta malas e foi para o lado do motorista, entrando rapidamente e esfregando uma mão na outra quando já sentado.

— Melhor? – ele lhe lançou um sorriso desafiador.

Ela arqueou a sobrancelha esquerda – Pensei que fosse você a me aquecer e não o carro.

Ponto. Ela havia ganhado aquela rodada. Mas esperava não ter ido longe demais com seu comentário. Nos últimos tempos eles haviam alcançado um nível de serenidade e companheirismo que não desfrutavam a muito tempo, e definitivamente ela não gostaria de afastá-lo.

— Oh, muito direta a senhorita – ele sorriu – mas eu ainda não terminei.

— Não?

Então ela viu quando Grissom se moveu e levou sua mão esquerda até o rosto dela. Seu coração disparou, sem saber o que ele estava fazendo.

Ele afastou uma mecha de cabelo molhado do rosto da mulher, se divertindo com o pânico que brilhou em sua íris.

— Não – afastou a mão para segurar no volante, a outra ligando o carro – Porque não tomamos um café depois do turno?

Sara soltou um bocado de ar que nem sabia estar segurando. Seus nervos se acalmaram lentamente. O que ele estava fazendo?

— Sara? – ele chamou, preocupado que a havia assustado de mais com seu movimento.

— Ahm, claro, seria ótimo.

Sara pode ver quando ele sorriu, mas manteve sua atenção na estrada. Ele estava flertando com ela? Não, definitivamente não. Grissom e ela eram apenas amigos, ele já deixará isso claro em vários momentos, e ela aceitou, seguiu em frente. Mesmo que o sentimento ainda estivesse ali, a amizade entre eles era tudo que poderiam ter.

Tudo estava diferente nos últimos tempos. O sequestro de Nick abalou a todos. A eminência da morte era algo que até mesmo para eles que lidavam com isso todos os dias era complicado de encarar tão de perto. Nunca esperamos realmente que algo assim aconteça conosco, ou com alguém que amamos. Mas aconteceu, e foi como um soco no estômago, como um bebê recém nascido abrindo os olhos pela primeira vez e descobrindo a realidade rasgando seus olhos sensíveis.

O relacionamento deles também mudou. Aos poucos a tensão que os cercava foi se dissipando, e as trocas de indiretas foram sendo substituídas por comentários alegres e a antiga conexão de pensamentos. A amizade que nasceu em San Francisco foi renascendo aos poucos, e a companhia um do outro foi se tornando essencial. Nenhum dos dois ousaria admitir isso, quanto mais dizer em voz alta, mas a presença um do outro se tornava cada dia mais urgente e necessária. Grissom ainda podia sentir o calor por trás dos olhos de Sara, quando ele a pegava olhando para ele, ou quando depois de um longo turno eles terminavam em um café qualquer rindo de como ambos trabalhavam demais. E Sara podia ver algo diferente por trás da imensidão azul que eram os olhos de Grissom. Era despretensioso, cada encontro parecia ser uma ironia do destino, onde nenhum dos dois planejava estar mais tempo um com o outro. Mas agora os cafés eram quase uma realidade diária, e assustadoramente, a necessidade em saber mais um sobre o outro. Amigos. Eles eram bons amigos redescobrindo o encanto da companhia um do outro. Só. Nada mais.

Grissom olhou brevemente para seu lado direito, encontrando o perfil de Sara concentrado em algum ponto fora da janela, suas expressões um pouco mais duras do que segundos antes. Ele não queria mais ser apenas um bom amigo. Olhou para frente novamente e sentiu seus punhos se fecharem no volante. Ele havia decidido que não evitaria mais seus sentimentos, e quando se deu conta que a mulher ao lado não existiria para sempre, teve certeza do que precisava fazer. Ainda era vivida a imagem de Adam Trent segurando Sara em seus braços e ameaçando cortar seu pescoço. Ela era a coisa mais importante de sua vida, e quase a perdeu, num piscar de olhos. Ela era importante para ele e ela nem mesmo sabia disso. Alguns cafés após o turno não estavam mais sendo o suficiente. Ele sabia que aquilo soava tão hipócrita quanto um alcoólatra que não admite ser viciado. No fim das contas, ele foi o único a dizer não para ela. Foi ele quem a afastou, quem disse não ser possível, quem teve medo e se rendeu a ele. Mas os sentimentos continuaram ali, fazendo seu coração coçar, e a cada dia que ele a via e entendia como estava perdendo tempo, foi se tornando mais fácil permitir-se sentir.

Devido a forte chuva, Grissom decidiu-se por colocar seu carro na parte coberta do estacionamento. Ao entrar, optou propositalmente por estacioná-lo mais afastado da entrada para o laboratório, ficando contente pelo local escuro e quase completamente vazio. Voltou sua atenção para Sara, que o encarou.

A perita percebeu o comportamento diferente do homem, porém se conteve de fazer grandes indagações. Ele a estava encarando.

— O que? – ela perguntou um pouco incomodada com os olhos atentos de seu chefe.

Ele gostaria de poder afagar seu rosto e abraçá-la, agora. Gostaria de poder beijar seus lábios e descobrir qual era a sensação de tocá-la tão intimamente. Mas e se ela o rejeitasse? Nos últimos dias eles haviam se aproximado consideravelmente, porém Grissom já não percebia mais a mesma intensidade nos olhos de Sara. Eles transpareciam pura resignação. Talvez ela houvesse seguido em frente, talvez não pensasse mais nele como algo além de um bom amigo.

— Pensei em comprar o nosso café e levar até o seu apartamento, assim você tem tempo para um banho quente.

— Oh – Ele ainda está pensando sobre o café.

— Ahm... Uma hora após o turno deve ser suficiente. O que acha?

— Tudo bem – ela sorriu.

Nenhum dos dois se moveu. Grissom mexeu um pouco desconfortável em seu assento, olhando pelas janelas do carro para ter certeza que não havia ninguém por perto, logo voltando sua atenção para Sara.

— Tudo bem, Grissom? – ela começou a se preocupar. Ele parecia nitidamente incomodado, e havia uma expressão diferente em seu rosto.

Toda confiança de minutos atrás se esvaiu. Flertar era muito mais fácil quando não se tinha realmente intenção de concretizar palavras. Mas agora, e agora? O que ele queria com aquela situação? Ambos em um carro de vidros escuros, na parte mais isolada do estacionamento. Tudo que ele queria era beijá-la.

— Grissom?

— Eu não... Eu não tenho certeza – Não tem certeza? Não seja idiota. Pensou em repreensão a si mesmo. Por que aquilo estava sendo tão difícil? Ele se lembrava bem de outros momentos com outras mulheres. E ele sempre teve o controle da situação, sempre soube o que fazer, sem medo ou insegurança alguma.

Mas aquela não era qualquer mulher.

Sara ficou em silêncio, com olhos confusos, nenhum sorriso.

Após o que pareceu uma eternidade de contemplação, Grissom fechou os olhos e sorriu, depois respirou fundo e tornou a abrir os olhos. Sara continuava ali, diante de si, sem entender, com os braços cruzados ao redor do corpo, cabelos molhados e desgrenhados, lábios levemente pálidos, sem sombra de sorriso.

Elevou sua mão esquerda uma segunda vez naquele dia, mas não para afastar alguma mexa de cabelo rebelde, e sim para contornar o rosto da mulher a sua frente com a ponta dos dedos. Com o indicador levemente flexionado, fez um caminho suave pelo rosto de Sara, descendo por sua mandíbula e chegando até o queixo. Retirou a mão.

— Eu prometi que iria aquecê-la.

Os olhos da morena continuaram triste quando respondeu: — Não esperei que fosse verdade... Normalmente... – seus lábios estamparam um sorriso triste – Normalmente são apenas palavras.

Ela precisava dizer aquilo. Era a verdade. Tudo que dizia respeito ao relacionamento deles, nunca passou de palavras. Todo o flerte, ou até mesmo a confissão de Grissom no caso Debbie. Palavras. Nenhuma ação ou possibilidade.

Ele pode sentir o peso daquela confissão. Sara não estava tentando desafiá-lo, ela estava apenas sendo sincera. Seus comportamentos nos últimos tempos deixavam claro todo o cansaço que ela sentia com as idas e vindas entre eles. Aquilo precisava de um fim.

— Chega de palavras — Grissom elevou dessa vez suas duas mãos, segurando o rosto de Sara carinhosamente – elas nunca foram meu ponto forte.

Então ele se aproximou lentamente de seus lábios, dando tempo para que Sara pudesse se afastar, se assim ela preferisse. Ela não se moveu, apenas trocou o sorriso triste por um mais divertido.

Primeiro seus narizes e testa se tocaram, e somente depois, muito lentamente, seus lábios. Ambos podiam sentir seus corações doerem no peito, e toda uma adrenalina correndo por seus corpos. Então eles aprofundaram o beijo, e finalmente depois de tanto tempo eles puderam provar do gosto um do outro. Grissom passou um de seus braços pelo corpo de Sara, a segurando em um abraço, enquanto a outra mão continuava posta em seu rosto, com dedos enfiando em seu cabelo. Sara o abraçava de volta, com a mesma urgência de quem se agarra aos últimos instantes de vida.

Lentamente foram desaprofundando o beijo, e Grissom passou a depositar pequenos beijos sobre os lábios de Sara, depois pelo queixo, seguindo pela extensão do rosto. Eles estavam de olhos fechados, e quando finalmente pararam e se olharam, eles não sabiam o que dizer ou fazer. Em um ímpeto, Sara o abraçou, recostando seu corpo no dele, sentindo-se completamente segura e quente.

Se não fosse pela posição e local em que estavam, eles poderiam permanecer nos braços um do outro por horas. Mas alguém poderia aparecer, e eles já estavam se arriscando demais. Se afastaram do abraço, e perceberam que ambos estavam sorrindo. Não passou despercebido por Grissom que os olhos de Sara estavam levemente marejados.

— Nosso café ainda está de pé para depois do turno?

Essa era a forma dele dizer que ela não precisava se preocupar. Ele não estaria voltando atrás. Eles precisavam seguir em frente. Juntos.

— Se você está dizendo.

— Estou.

Sorriram.

Descarregaram o carro em silêncio. Era reconfortante o som de seus passos no piso seco do estacionamento, o barulho do plástico dos vários sacos de provas. Era reconfortante a presença um do outro.

Entraram no laboratório, obtendo alguns olhos curiosos em suas direções.

— Aparentemente está chovendo lá fora.

— Você jura, Hodges? – Sara não pode evitar o tom de ironia que pingou de sua voz.

— Você não tem nenhum material para analisar? – Grissom se virou, tentando desviar do obstáculo em seu caminho.

— Na verdade já terminei tudo o que tinha pra fazer – sorriu triunfante – ao contrário de outros técnicos que deixam o serviço se acumular.

Sara suspirou impaciente, seguindo Grissom para a sala de provas.

— Ele definitivamente tem uma queda por você – Sara disse, ao entrar na sala de provas com Grissom.

— Ele apenas gosta de atenção.

— Da sua atenção – Sara corrigiu.

— Bom... – colocou tudo que tinha em mãos sobre a mesa – Não é nele em quem minha atenção sempre está – suas palavras foram suaves.

Sara sorriu.

— Acho que deveríamos nos trocar – ele apontou para as roupas molhadas – ou vamos pegar um resfriado.

Dizendo isso saiu da sala, deixando um Sara contemplativa para trás.

Grissom, Grissom, o que você está fazendo? Ela se perguntou, balançando um pouco a cabeça para afastar a confusão de pensamentos. Levou a mão até a boca, contornando os lábios com os dedos, relembrando o beijo de minutos antes. Tudo não parecia ser real. Por tanto tempo imaginou como seria beijá-lo, tê-lo em seus braços, e de repente aquilo se tornava realidade, quando menos esperava.

Resolveu que se trocar era a prioridade naquele momento. Ainda faltavam 2 horas para o fim do turno, não poderia ficar com as roupas molhadas até chegar em casa. Entrando no vestiário, pode ver um Grissom completamente seco bem diante os seus olhos. Os cabelos ainda estavam levemente úmidos, as bochechas um pouco coradas.

— Você é rápido – ela disse.

Ele simplesmente deu de ombros, sorrindo levemente. Estava muito fácil sorrir naquele dia.

— Sara? Onde você – Greg entrou no vestiário, um tom de voz urgente.

— Algum incêndio, Greg?

— Oi chefe – o jovem mexeu desconfortavelmente no lugar – acho que não tenho boas notícias.

— O que houve? – perguntou Sara.

— Mark Johnson pagou a fiança e está sendo liberado.

— Nós já sabíamos que isso poderia acontecer, Greg – Grissom disse.

— Brass esta com ele agora – o CSI continuava inquieto sobre as próprias pernas – ele tratou Catherine como... como...

— Uma puta? – Sara usou as palavras, e seu rosto permaneceu impassível.

— Um pouco menos educado ainda – Greg suspirou – E ele falou sobre você, Sara...

— O que ele disse? – Grissom não gostou daquela informação.

— Ele disse que faria ela pagar – seus olhos estavam visivelmente nublados por preocupação.

Uma risada amarga veio da morena. As bolsas escuras ao redor de seus olhos pareceram se intensificar novamente.

— Nós temos todas as evidências contra ele – Grissom disse, sentindo a tensão que emanava de Sara – Ele não tem nenhuma chance no tribunal. Vamos ser pacientes.

Sara se virou e foi para o seu armário, sentindo um gosto amargo descer por sua garganta. Pegou roupas limpas e o fechou. Grissom e Greg apenas a seguiram com o olhar.

— Sara, acho melhor você não ficar sozinha enquanto ele estiver solto – a voz era de Jim Brass, entrando no vestiário e pegando o fio da conversa.

— Eu estou bem – ela disse.

— Olha, Sara – o capitão não parecia aberto a negociações – esse cara é visivelmente um lunático, ta legal? – procurou nas expressões de Sara alguma concordância, mas ela manteve seu rosto neutro – ele direcionou ameaças claras a você. O cara tem dinheiro e nenhum amor as mulheres, quanto mais para uma que pisou no calo dele –

— Fico feliz em saber que acertei – ela disse entre dentes.

Brass olhou exasperado para Grissom, que fechou os olhos brevemente e respirou fundo.

— Sara – o supervisor começou a dizer, mas ela interrompeu.

— Eu vou ficar bem – virou-se em direção aos banheiros – ele não é tão estúpido ao ponto de ir atrás de mim, isso só iria condená-lo mais depressa.

— Certo, mas não significa que não pode tomar mais cuidado – disse Brass.

— Eu sempre tomo cuidado.

A imagem de Mark Johnson dançou em sua cabeça, e sentiu seus punhos se fecharem ao redor das roupas que segurava.

— Agora se não se importam, eu gostaria de me trocar.

Trancou-se em um dos banheiros do vestiário, sem se importar com o que Grissom, Brass e Greg poderiam pensar.

— Grissom, estou preocupado – disse o mais novo CSI.

— O garoto está certo, Gil – Brass passou a mão pelo rosto, tentando afastar um pouco do cansaço – aquele desgraçado saiu daqui gritando aos quatro ventos que iria acabar com a vida de quem o colocou na cadeia.

Grissom suspirou pesadamente, sentindo toda a leveza de minutos antes de esvair, sendo substituída por algo terrivelmente assustador. Era o velho medo.

— Sara não é boba – ele realmente esperava que ela não agisse como uma – até conseguirmos ir a julgamento, vamos ficar atentos, não podemos simplesmente colocar um policial na porta dela até isso acontecer.

— Gostaria de fazer isso.

— Não podemos fazer isso baseado em ameaças de corredor, e sabemos que Sara não iria aceitar, Jim.

— Não é mais sobre o que ela aceita – dizendo isso o capitão se retirou do vestiário com uma visível carranca.

Greg olhou para Grissom, sem saber mais o que dizer. Então virou-se e seguiu pelo corredor.

O supervisor noturno fez o mesmo, indo para seu escritório. Deixou-se cair desleixadamente sob sua cadeira e sentiu o cansaço do dia se arrastar por seu corpo. A imagem de Mark Johnson proferindo ameaças contra Sara surgiu diante seus olhos. Seu estômago embrulhou violentamente. Se soubesse que aquela atribuição de tarefas levaria a isso, jamais teria colocado Sara como responsável pelo caso de Julia Johnson.

Julia fora encontrada morta em seu quarto. A polícia havia sido acionada por seu marido, Mark Johnson, que afirmou tê-la encontrado quando voltou do mercado. A mulher havia sido estrangulada, e tudo indicava que era por alguma espécie de fio. Durante a autópsia várias contusões foram atestadas por Doc. Robbins, deixando claro que ou a mulher lutava boxe nas horas livres, ou era o saco de pancadas de alguém. Grissom podia imaginar como foi para Sara lidar com isso, sendo quase que obrigada a se lembrar de seu passado. Ele ofereceu para atribuir o caso a outra pessoa, mas ela se recusou. Então as evidências foram sendo analisadas, e tudo apontava para o marido abusivo. Eles precisavam apenas da arma do crime. Durante o interrogatório foi quando tudo ficou pior.

— Vamos lá Mark, nós sabemos que foi você – disse Brass, andando ao redor da mesa onde Mark estava sentado e com as mãos apoiadas, encostando o corpo na beirada, olhando diretamente nos olhos do homem.

— Meu cliente já disse tudo que sabia – o advogado de Mark disse.

Sara olhou friamente para ele, o nome era Steve, imaginando como alguém poderia escolher trabalhar defendendo assassinos e dormir a noite.

— Vamos recapitular, Senhor Johnson – ela começou, sua voz baixa e fria – Você disse que estava no mercado, quando chegou e deu falta de sua esposa, então subiu as escadas e a encontrou morta sobre a cama.

Mark não disse nada, mas olhou diretamente para Sara.

— Sabe o que é mais interessante nessa história, Mark? – Brass colocou a mão sobre a mesa, batucando levemente com os dedos – é o seu álibi, ele não bate com essa sua historinha.

— Já disse que estava no mercado – Mark estava calmo, sorrindo para Sara.

— Parece que você vai muito no mercado, especialmente quando sua esposa sofre alguma queda e vai parar no hospital – Sara estava perdendo a paciência – ou até mesmo quando ela aparece morta.

— Sua esposa era lutadora de box? – Brass se levantou de onde estava encostado, voltando a andar pela sala – porque encontramos umas marcas interessantes no corpo dela... Ficamos pensando quem foi o responsável.

— Todo mundo precisa de correção as vezes.

— Cale a boca, Mark – repreendeu Steve.

— Oh, é assim que chamam agora? – Sara soltou uma risada escarnada, sentindo todo seu corpo tremer de raiva – eu já ouvi isso antes, uma correção... – ela disse, lembrando-se de seu pai e sua mãe.

— Você parece o tipo que precisa de uma – ele disse para Sara, sorrindo diabolicamente.

— Escuta aqui, seu imbecil – Sara bateu as suas mãos na mesa, erguendo levemente o corpo em direção a Mark – caso não tenho percebido ainda, sua situação não está legal, nós descobrimos uma falha no seu álibi, e havia sinais de luta no seu corpo e pedaços de pele embaixo das unhas de Julie – ela apontou um dedo para o homem – você esta ferrado, e vai ser eu a responsável por te ver apodrecer na prisão.

Brass colou uma mão no ombro esquerdo de Sara, em um sinal para que ela se acalmasse e voltasse para seu lugar.

— Acho que não posso ser mais claro que a minha colega – Brass disse.

— Você não tem nenhuma prova contra mim – Mark, levantou-se, sem se importar com seu advogado protestando para que ficasse quieto – a única prova que vejo aqui é de uma puta precisando de um bom trato.

— Mark – Steve alertou.

Sara levantou abruptamente de sua cadeira, mas Brass segurou seu braço, impedindo que a mulher fizesse qualquer besteira.

— Você está enganado, temos o suficiente para te mantermos aqui – Brass puxou Sara para a porta – Pode prendê-lo – o capitão disse para o policial parado na porta.

— Você vai se arrepender disso, sua cadela – Mark passou por Sara, sem tirar os olhos dela.

Grissom sentiu seu corpo começar a doer. Talvez uma gripe o tenha pegado.

Ele precisava conversar com Sara, convencê-la de não ficar sozinha, redobrar a atenção. Mark Johnson era o tipo de cara idiota que não pensa muito nas consequências de seu comportamento, tanto que sua esposa estava morta. Um típico abusador. Ele iria conversar com Sara mais tarde sobre isso.

Deus, tanta coisa que preciso dizer.

Mas ele seria capaz? O que ele planejava realmente? Ele só iria levar o café e conversar sobre coisas aleatórias, ou iria falar sobre como a curvatura do seu sorriso o deixava tonto, ou como seus olhos eram a única prisão que gostaria de estar? Ele seria capaz de falar sobre como ela o deixava apavorado, de como o que ele sentia podia ser mesmo amor? Daqueles que você nunca vai conseguir esquecer. Seria ainda tempo? Ele não estava atrasado demais? E se ele não fosse o suficiente? O que ele tinha realmente para oferecer?

Mas eles haviam se beijado. Grissom sorriu com a lembrança. Aquilo havia sido impudente, mas nunca ficará tão feliz por correr um risco. Tudo o que sentiu apenas com o toque de seus lábios... Se antes ele tinha dificuldade em falar sobre seus sentimentos, agora ele sentia ser praticamente impossível. Tudo que ele podia fazer era rezar para que Sara visse verdade nele. Afinal, palavras não eram mesmo o seu ponto forte.

O turno acabou com um Grissom incrivelmente angustiado em seu escritório, sem conseguir realmente fazer muito do seu trabalho. Olhou para os vários relatórios atrasados sobre sua mesa, casos para revisar e avaliações para fazer. Ele não tinha mais tempo, precisava passar em algum lugar para comprar o café e tomar um banho antes de ir.

Aquele não era o primeiro café da manhã que ambos compartilharam, mas seria o primeiro no apartamento de Sara. Tentou se lembrar qual a última vez ficou sozinho em um apartamento com uma mulher que estava indiscutivelmente atraído, tomando café, sem a desculpa de trabalho. Tentou se lembrar de qual a última vez que realmente se sentiu como agora, e não conseguiu. Eram pavorosas as cambalhotas que seu estômago estava dando, e como seu coração parecia mais agitado do que quando andava nas maiores e mais temíveis montanhas russas existentes. Quando percebeu, estava diante o espelho no vestiário do laboratório avaliando suas roupas e seu físico.

— Espelho, espelho meu, existe alguém mais Grissom do que eu?

Grissom se virou para ver Brass, olhando divertido para ele.

— Algum problema, Jim?

— Não, nenhum. Só fiquei me perguntando por mais quantos minutos você vai ficar se admirando na frente desse espelho.

Grissom fingiu não escutar, e dando de ombros fechou seu armário e foi até a porta.

— Você precisa de algo? – ele questionou novamente, pois o amigo ainda se encontrava impedindo a saída.

— Catherine e eu estamos saindo para o café da manhã, o que acha?

— Eu não posso – disse simplesmente, esperando que o homem entendesse e saísse de sua frente.

— Você passou perfume? – Brass chegou o nariz um pouco mais perto do amigo, inalando um pouco mais do cheiro que veio do supervisor.

— Não.

— Não? – Brass riu – Tudo bem, direi a Catherine que você já tinha outros planos pro café da manhã.

Revirando os olhos com impaciência, e checando as horas em seu relógio de pulso, Grissom passou pelo amigo na porta, sem se importar em dar qualquer tipo de explicação. Ele ainda precisava passar em algum lugar para comprar o café. Ele estava atrasado.

///

Sara andou pelo apartamento ansiosamente, como se estivesse perdida ou sem lugar. O que era aquilo, afinal? Eles iriam tomar o café da manhã em sua casa, simples. Mas ele flertou com você, e depois te beijou. A mulher foi até a cozinha e encheu um copo com água, sentindo o líquido gelado descer por sua garganta, tentando acalmar seus nervos. Eles estavam indo tão bem, se divertindo juntos, trabalhavam em equipe como ninguém. Era uma sintonia incrível. E Grissom estava tão diferente, ele até parecia o cara de San Francisco, que quase a beijou depois do seu último dia de seminário.

Olhou para suas roupas e decidiu que estavam boas. Um jeans velho acompanhado de uma camiseta simples com um enorme moletom da época da faculdade. Aquilo não era um encontro para grandes pompas. Passou a mão nervosamente pelos cabelos, sentindo os dedos frios arrepiarem sua pele. Então escutou leves batidas em sua porta. Checando o relógio, ainda faltavam 5 minutos.

Você está adiantado, Grissom. Um sorriso bobo se formou em seus lábios. Foi até a porta, e sem checar quem poderia ser, abriu-a.

As coisas aconteceram muito rápido, e tudo que Sara pode ouvir foi a voz fria de Mark Johnson entrar em seus ouvidos antes que ele a segurasse e tampasse sua boca com um pano.

— Bons sonhos, cadela.

Suas mãos foram de encontro as de Mark, mas antes que pudesse realmente lutar, perdeu a consciência.

Notas finais
Inclusive povo, se alguém souber de grupo GSR (se isso ainda existir) eu queria muito participar hehe ou podemos criar um hehehe eu preciso ficar divagando sobre essa nova notícia, e ficar teorizando sobre o que já passou.

Espero que tenham gostado do cap, logo tem mais!

xoxo