Eu no seu lugar
14 Reforçando as regras
Ok, talvez isso tenha sido uma péssima ideia. Muito, muito ruim mesmo. Uma coisa era se fazer de bobo e andar pelos arredores tentando achar uma criança parecida com a das fotos, outra coisa é invadir uma propriedade (abandonada, mas ainda assim é invasão) que estava interditada não faz muito tempo. Eles até podem ser heróis provisórios à paisana no momento, mas não existe uma explicação que justificaria a presença deles nesse prédio legalmente. Uma pena que Ochako se deu conta disso um pouco tarde demais, quando o Bakugou simplesmente foi entrando, anunciando que ele iria em frente, ela poderia acompanhá-lo ou esperar do lado de fora, “tanto faz pra mim”.
Mas é mentira, e Ochako sabe que “tanto faz” coisa nenhuma. Ele tá entrando sozinho em território que, até duas semanas atrás, era inimigo, com experiência mínima com a Gravidade Zero, fora a ansiedade de poder recuperar o próprio corpo caso o garoto esteja aqui. O Bakugou é lendariamente conhecido pela inteligência e raciocínio apurados, mas o que ele tem de esperto, tem de impulsivo, e Ochako nunca deixaria um colega se arriscar tanto e sozinho, então, mesmo ciente de todas as consequências caso algo aconteça, ela o seguiu escuridão adentro.
— A gente pode até olhar, mas duvido achar alguma coisa. — ele reclama em um sussurro, a voz ecoando um pouco pelos corredores escuros — Esse moleque tem que ser muito burro pra ficar no mesmo prédio sabendo que tem gente atrás dele.
— Não é questão de burrice, ele deve estar super assustado, seria natural que ele ficasse no local mais familiar possível. — ela explica pacientemente — Bakugou-kun, não esquece que a gente tá lidando com uma criança.
— Eu sei, Carinha de Lua, eu sei! — ela não sabe como, mas parece que ele praticamente rosna com essa resposta. Pro azar dele, ela não tem um pingo de medo.
— Eu só tô falando porque lembra aquele dia na academia quando a Eri-chan veio te cumprimentar? Você ficou olhando pra ela como se ela fosse um bicho estranho! Não pode ser assim, ainda mais com crianças frágeis e traumatizadas.
— Tsk, eu podia ter tratado a pirralha como uma princesa, não ia fazer diferença, sabe por quê? Ela percebeu que a gente tá trocado! — bom, isso é verdade… por sorte, ninguém levou a garotinha a sério, mas ainda assim, ele podia pelo menos ter se esforçado pra não ser tão… ele — E qual é da menina unicórnio? Porra, ela nunca foi em um Hanabi! Que criança é essa que nunca viu um fogo de artifício?
— Ah, é… uma história bem longa e complicada, agora que ela está sob custódia da U.A. que tá começando a ter uma infância normal… — Ochako explica, sentindo uma dor no peito só de lembrar — Eu te conto tudo outra hora, enfim… “menina unicórnio”, Bakugou-kun? Por causa do chifrinho dela? — ela sorri um pouco.
— O que que tem isso?
— Nada, nada! Eu só achei bonitinho o apelido… — Ochako se segura pra não rir. Na verdade, a maioria dos apelidos dele são ridículos ao invés de serem realmente ofensivos, mas ao ponto de ser fofo? Não, peraí, ela… realmente achou “fofo” algo que o Bakugou disse? Nossa, essa coisa de troca de corpos tá deixando ela doida…
— Bonitinho… vai se foder, Uraraka! — ele parece concordar que essa é uma palavra que não combina com ele. Momentos depois, Bakugou de repente para de andar — Vamos nos separar pra gente agilizar essa porra, você checa esse andar, eu vou subir pro terceiro. Se eu achar alguma coisa, te dou um toque, você faz a mesma coisa. Se não achar nada, volta pra esse mesmo lugar aqui em meia hora. Entendeu?
— Entendi, mas… será que é mesmo uma boa ideia a gente se separar, Bakugou-kun?
— Hã? É lógico que sim, porra! Assim é mais rápido! — ele diz como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Não vai me falar que você tem medo do escuro, Bochecha!
— Claro que não, seu besta! — ela responde tão naturalmente que quase não percebeu que o chamou de “besta” — E se aparecer alguém? Alguém do laboratório procurando o menino? E se a gente precisar lutar?
— A gente luta, ué. — ele provavelmente está dando de ombros — Eu dei uma coça no Meio a Meio esses dias, posso dar porrada em qualquer um.
Bom, tecnicamente, foi um empate, mas… ainda assim, o Bakugou tem manejado a individualidade dela com muita habilidade. Ele é afobado e meio irresponsável, mas não é errado dizer que tem feito um progresso absurdo em pouquíssimo tempo. E isso a faz se sentir… inferior. O Bakugou é um gênio e todo mundo sabe disso, mas ele é mesmo tão superior assim que consegue usar a individualidade dela melhor que ela própria? É assim que vai ser até que eles consigam destrocar? Ele transformando as habilidades dela no que ela apenas conseguiu sonhar até hoje, e ela evitando conflitos pra não ter que usar a individualidade dele, com medo de fazer alguma besteira? Não, não pode ser assim! Ela pode fazer melhor, independente do corpo em que habite.
— Sim, você tá certo. — Ochako jura ouvir um barulhinho de surpresa vindo dele, talvez chocado por ela simplesmente concordar sem discutir como eles normalmente fazem para tudo — Qualquer coisa, me dá um toque! — ela dá um leve tapinha no ombro dele e vira à esquerda.
***
Katsuki odeia ter dúvidas. Qualquer decisão que não seja tomada com 100% de certeza não é uma boa decisão, disso ele nunca teve dúvida. Outra coisa que ele odeia é estar errado, o que não costuma acontecer frequentemente, e que só torna isso uma merda ainda maior. Por isso que, quando ele vira à direita e olha pra trás, incapaz de enxergar qualquer coisa, que dirá a Cara de Lua, Katsuki tem a sensação de que talvez… só talvez… separarem-se não foi, assim, a melhor ideia do mundo.
Mas… foi necessário! Duas pessoas são muito mais rápidas que uma, fora que… ele não sabe o que tá acontecendo, mas ficar perto dela e ouvi-la falar o faz querer socar a própria cara pra ver se ele toma tino e para de agir igual a um idiota. Porra, nessas duas horas que eles tão andando juntos, ela já falou do merda do Deku, chamou Katsuki de “bonitinho”, e depois de “besta” quando ele a provocou. Como… caralhos ela consegue deixá-lo tão perdido sem um pingo de esforço? Não, ele precisa focar e achar alguma pista, não dá pra ficar perdendo tempo com as besteiras dessa menina e como elas sempre o pegam de surpresa!
Porque, querendo ou não, a Carinha de Lua tá certa em se preocupar com a possibilidade de lutar, todo o treino que eles fizeram até agora com as individualidades um do outro foi feito em um ambiente seguro e supervisionado, se desse merda, seria fácil consertar. Agora, saírem sozinhos no escuro, sem saberem o que podem encontrar por aí, com uma individualidade com a qual eles não cresceram e tão usando só há duas semanas, é pedir pra tomar uma coça, ou coisa pior.
Mas como Katsuki odeia estar errado, não dá pra simplesmente dar meia volta, seria o mesmo que admitir que foi uma bosta de ideia. Agora só dá pra seguir em frente mesmo.
Os corredores do prédio são amplos, com grande espaçamento entre as portas, segundo as informações fornecidas pela agência da Ryukyu, a propriedade pertenceu a um grande grupo farmacêutico antes de eles mudarem de sede, então era uma escolha óbvia para montar a porra de um laboratório clandestino. As crianças usadas nos experimentos foram selecionadas aleatoriamente em casas de abrigo e orfanatos, ou compradas em organizações especializadas em tráfico humano, todas com 4 anos de idade ou menos, mas algumas já estavam sendo testadas há quase um ano. O pivete da individualidade estranha de troca de corpos deve ser um desses, ele parecia ter uns 5 anos e já sabia disparar seu poder pra atacar e se defender.
Katsuki checa sala por sala, todas vazias, os poucos barulhos são os dos próprios passos e de goteiras pingando nos cantos. Tsk, perda de tempo do caralho.
Até chegar na sexta sala à direita, a única desse andar que parece não estar completamente vazia. Ele olha pra trás ao ouvir alguns ruídos, como passos de pés bem pequenos, passos de um pirralho, talvez?
Há restos de comida e embalagens rasgadas, assim como papelão espalhado de uma maneira que parece ser uma tentativa de cama. Os passinhos? Um maldito de um rato pegando migalhas da comida abandonada.
Aproximando-se do futon improvisado de papelão, ele vê uma pequena pilha de jornais amassados e traz o celular mais para perto, lendo as manchetes da primeira página empilhada. Nada de importante. Mas ao olhar melhor, Katsuki nota a foto no canto: um velho usando um jaleco posa ao lado de um moleque. Um moleque magrelo, extremamente parecido com fedelho que fez essa merda.
Quando pega as outras páginas, porém, é que ele nota um facho de luz raiar no corredor. Provavelmente uma lanterna. Não pode ser a Carinha de Lua, porque ela não trouxe uma. Puta que pariu!
Sem nem pensar, ele recolhe os jornais e os enfia na mochila com pressa, depois toca o próprio ombro pra levitar até o teto. Alto o suficiente pra não ser notado, ele saca o celularzinho merda dela e começa a digitar nessa porra de teclado.
“tem alguém no prédio vaza daí”
***
Ochako anda de fininho, duvidando muito que teria alguém à espreita, mas nunca se sabe, né? Ela tem a sensação de ter ouvido vozes, mas… deve ser só impressão, certo? Não é possível que tenha alguém que não seja a criança. Os heróis investigando o caso devem estar seguindo outras pistas que parecem mais pertinentes, e os responsáveis pelo laboratório devem achar que o garotinho não está mais aqui, já que vieram verificar isso na mesma noite sem encontrarem nada. Mas… se eles não acharam naquele dia mesmo, por que ela e o Bakugou achariam o garoto aqui duas semanas depois? Ochako fecha o punho em frustração, será que a brilhante ideia dela no fim foi só uma grande perda de tempo? Bom, logo mais ela vai descobrir quando se encontrar com o Bakugou, ele vai jogar na cara dela se esse for o caso.
Quase que por invocação, o smartphone dele vibra, e ela abre a mensagem.
[16: 38] Garota_Infinito: tem alguém no prédio vaza daí
Ochako sente um calafrio descer pela espinha. Sem titubear, ela digita rapidamente: “E você?”
Segundos que mais parecem horas se passam até que o smartphone vibra com uma resposta.
[16: 40] Garota_Infinito: eu me viro
Não é hora pra isso, mas ela revira os olhos e bufa. É tão óbvio que essa seria a resposta dele! Garoto irresponsável e arrogante, ughhh! Ochako sai correndo da sala, sabendo que é uma ideia bem estúpida, mas já prosseguindo com ela e ligando para o Bakugou.
“O que você quer, porra? Já saiu?”
“Claro que não! Eu não vou sair sem você, seu idiota! Me fala exatamente onde você tá!”
“Porra, você é uma i-”
“Sem perder tempo, onde você tá, Bakugou?”
“Tsk, terceiro andar, sexta sala à direita da saída pra escada.”
“Ok. Você viu quem é? É adulto?”
“Eu só vi um facho de luz de lanterna e ativei a Gravidade Zero pra me esconder no teto.”
“Certo… Bakugou-kun, eu preciso que você me escute e faça o que eu falar, sem reclamar! As janelas tão cobertas por um tipo de cortiça, não deve ser difícil de quebrar se você socar, eu vou fazer o mesmo aqui. Quando você quebrar, você flutua pra fora do prédio pela janela e cancela a Gravidade Zero em si mesmo. Eu vou usar as explosões pra te pegar antes de você cair lá embaixo.”
“Você tá maluca!? O filho da puta que tá aqui vai ouvir a porra da explosão lá f-”
“Confia em mim!”
Ochako soa tão decidida que parece que é o próprio Bakugou falando.
***
A imbecil desliga o telefone, e Katsuki decide que vai matá-la depois. Agora, ele realmente precisa sumir daqui, e como não dá pra sair pelo corredor, ele tem que fazer o que a Uraraka disse. Ignorando a náusea crescendo no estômago, ele se esgueira pelo teto até chegar à janela e, depois de tatear a tampa de cortiça, procurando por algum ponto mais frouxo, ele a esmurra com tudo, contorcendo-se para terminar de abrir o buraco com chutes. Os golpes em si causam barulhos que ecoam pela sala, mas só ele escuta, porque um barulho muito mais alto invade o prédio; um barulho muito familiar de explosão. Puta que pariu, que diabos essa menina fez?
Mais barulhos de explosão eclodem simultaneamente, e Katsuki tá começando a entender o que tá rolando. Ele sai pelo buraco na janela, notando que ela já fez o mesmo e o olha do andar de baixo, a algumas janelas à sua esquerda. Quase em perfeita sincronia, ele junta os dedos, cancelando a Gravidade Zero, e ela ativa explosões para se mover em diagonal e encontrá-lo no ar, abraçando-o como ela fez daquela vez no terraço, puxando-o para baixo. As explosões dentro do prédio ainda podem ser ouvidas enquanto ela mantém uma mão apontada para baixo, criando pequenas explosões apenas para segurá-los no ar por mais algum tempo.
— Agora a gente vai cair, quando eu der o sinal, você ati-
— Que mané sinal, Uraraka, eu sei o que fazer! — ele se ajusta sob o abraço firme dela, ambos olhando pra baixo enquanto esperam o momento certo pra ele ativar a gravidade em ambos e impedi-los de espatifarem no chão, o que ele faz quase com perfeição. Quase, pois os dois acabam um em cima do outro quando ele desativa o poder dela mais uma vez, em segurança, no chão firme abaixo deles, vários metros a frente do prédio.
Katsuki caiu por cima, apoiando-se nos ombros dela para ficar de joelhos sobre ela.
— Você trouxe minhas granadas pra essa porra de encontro. — ele diz, meio sem fôlego. Ela parece meio perdida, tanto que nem o questiona sobre a palavra "encontro".
— Eu coloquei elas na mochila com o coração na mão sabendo que era errado, mas… acabou sendo útil pra distrair do barulho das explosões aqui fora, e a gente ainda ganhou tempo, né? — ela sorri sem jeito — Eu usei uma em cada sala, tem problema? Não é difícil pra você fazer essas granadas, né?
— Não, não tem problema, Carinha de Lua. — ele… suspira ao encará-la de cima.
Essa menina é completamente maluca, e ele deve ser um idiota por achar essa maluquice dela… muito foda.
Katsuki quase deixa escapar um sorriso quando ela assente com a cabeça firmemente e o encara de volta, mas antes que ele possa, uma voz feminina os interrompe:
— Ei! Ei! Uraraka-chan! Quanto tempo, hein, Uraraka-chan? Quem é o seu amigo, Uraraka-chan? Foi ele quem explodiu as salas lá dentro, foi?
Uma garota de cabelos azuis e compridos, usando um uniforme quase tão justo quanto o da Cara de Lua pousa do lado deles. Em sua cabeça, dois chifres em forma de espiral despontam, assim como em seus braços. Katsuki não tem ideia de quem seja essa daí, mas ela conhece a Uraraka, e, porra, ele é a Uraraka, então… fodeu!
***
Ochako se levanta com a ajuda da Nejire-senpai, completamente congelada de tensão. Eles estão ferrados, abriram fogo contra um herói, e a heroína em questão é conhecida dela, não tem como isso ser pior, tem?
— Como vai? Faz tempo que a gente não se fala, né? — a senpai pergunta pro Bakugou, mas ele também tá perdido, com uma expressão indecifrável. Que droga, ele não a conhece, não é? — Ei, ei, Uraraka-chan, o gato comeu sua língua, foi?
— A-ah, Cara de Lua, então essa é a senpai com quem você fez estágio que você tava me falando! Qual… qual era o nome mesmo? — Ochako tenta dar aquela forcinha, querendo soar o mais natural possível, mas provavelmente ela só soa como uma idiota mesmo.
— Hado Nejire, prazer te conhecer! — ela oferece a mão pra ela apertar entusiasmadamente — Quando a gente conheceu a sua classe, você tava de castigo, né? Mas eu te conheço, eu te vi na TV, você é o kohai que teve que ser amarrado no pódio do Festival Esportivo, né? E que foi raptado pela Liga dos Vilões ano passado, né? — Ochako nem precisa olhar pra saber que o Bakugou deve estar se segurando pra não berrar.
— É. — é tudo que ela responde, apertando a mão da senpai.
— O que você tava fazendo lá? — Bakugou pergunta, finalmente recuperando a voz.
— Eu? Patrulha! Sabiam que teve uma grande missão aqui há alguns dias? A Ryukyu-san tem mandado uma pessoa da agência por semana pra checar o local! — ela responde simpaticamente, e, com uma inclinada sutil na sobrancelha, muda de tom — Mas eu é quem devia perguntar isso, não é? O que os dois estavam fazendo ali? E por que vocês explodiram as salas? Vocês sabiam que é ilegal usar a individualidade assim, sabiam?
— Mesmo se for legítima defesa? — Bakugou retruca, e Ochako quer matá-lo.
— Hum… — a senpai põe a mão no queixo como se estivesse pensando — Só se vocês tivessem sido atacados, né? Mas eu não os ataquei, eu não tinha porque fazer isso, a não ser que vocês estivessem fazendo o que não deviam, né? E aí? O que vocês tavam fazendo, hein?
Ochako sabe que vai ouvir aos montes quando eles ficarem sozinhos, especialmente depois de ela ter dado chilique, como o Bakugou mesmo diria, sobre tomar cuidado para que não pensem que eles são mais que amigos, mas agora só tem uma resposta que ela pode dar que não os colocaria em maus lençóis, ou… em lençóis um pouco menos piores, por assim dizer.
— O que… o que você acha que a gente tava fazendo sozinhos e no escuro de um prédio abandonado? — ela cruza os braços, tentando parecer segura e sentindo o olhar arregalado do Bakugou. A senpai parece igualmente surpresa, mas logo abre um sorriso enorme — Você deu um puta susto na gente e-
— E o Bakugou-kun aqui agiu por impulso. Você sabe, né, senpai? Você lembra como ele foi raptado? Ele… tem um pouco de… trauma do escuro e tal, por isso que ele agiu tão violentamente, eu… peço desculpas por ele, você não se machucou, né? — agora Ochako é que tá chocada quando o Bakugou se aproxima e agarra o braço dela. Ele tá… colaborando com a mentira? E sendo convincente ao se passar por ela?
— Tsk, eu não tenho… trauma porra nenhuma, C-Cara de Lua! — ela entra no jogo na melhor forma que consegue, perguntando-se de repente se o Bakugou falou isso porque… ele realmente tem algum trauma por conta daquele sequestro…
— Vocês vieram bem longe da U.A pra namorar, hein? — a senpai sorri maliciosamente, e Ochako quer morrer — Dois queridos kohais meus se divertindo não é algo que eu preciso relatar pro meu superior, né?
— Faça o que você achar melhor, senpai. — o Bakugou blefa.
— Uhum! Eu vou liberá-los, mas com uma condição! — ela levanta um dedo, indicando o número 1 — Faltam só uns minutinhos pra minha patrulha terminar, que tal a gente ir dar um rolê no shopping?
— Hã? — ela e Bakugou perguntam ao mesmo tempo.
— Vai ser divertido, não vai? Vai! Então deixa só eu trocar rapidinho e a gente pode ir, ok? Vamos lá, kohais! Atrás de mim!
E mesmo que nenhum dos dois tenha ideia do que acabou de acontecer, ambos sabem que não têm saída: eles precisam seguí-la se não quiserem ter problemas sérios não só com a escola, mas com a lei.
— Tsk, você só conhece gente maluca, Bochecha! — ele resmunga quando eles caminham desconfortavelmente atrás da senpai.
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