Eu no CHB
8 O jantar
Notas iniciais
POV/Bia
Seguimos Think até clareira – onde por incrível que pareça tocava uma música suave em português, um jazz brasileiro eu diria — , e reparei que nossas motos haviam sido lavadas, e que a alcateia de Erik havia sido escovada. Aqueles lobos estavam tão bonitinhos de gravata e lacinhos.
A mesa – que tinha sido armada em umas duas horas — estava um espetáculo. Uma mesa com pernas de gesso bem branco e um tampo de vidro bem lustrado foi coberta de guloseimas, bolos, doces, assados, sucos, refrigerantes, mariscos, peixes, biscoitos, chás, cafés e outras coisas desconhecidas. As cadeiras eram de madeira escura e tinham entalhes de cenas de batalha, e de Hermes-mensageiro-dos-deuses como no roda pé; Think subiu num banquinho e sentou na cadeira da ponta, eu e Lety sentamos lado a lado, assim como os meninos.
– Eae Rainha Lety? – pergunto
– De boa. Só acho que o seu vestido é mais bonito que o meu. – ri sem graça.
– Que nada – digo abanando a mão como matasse um mosquito invisível. – Sua Elfa é legal? Porque a Due é um doce.
– A Mad é um anjo. Como anda a sua vida Duquesa?
– Você descobriu! Bem, acho que nunca tive um closet com tantos sapatos. – rimos – Que música é essa? Eu adorei ( ouçam Insano ou/e Natura da banda JAMZ)
– Mad mandou eu escolher uma trilha sonora pro banquete, e eu não pensei duas vezes e escolhi JAMZ, uma banda de Jazz do Brasil. Também adoro eles – assim que Lety parou de falar, Think pediu que ficássemos em silêncio.
– Senhores, Duquesa e Vossa Majestade , o Senhor Ian tem algo a dizer e pediu um momento nesse jantar.
Nesse momento, Erik olhou para mim com uma cara de “eu sei o que vai acontecer” e sorriu. Voltei minha atenção para Lety e Ian. Ela havia se levantado – ficando do mesmo tamanho que ele pois estava de salto – e ele estava na frente dela segurando uma caixinha.
– Lety – ele começou – naquele momento em que nos esbarramos em frente ao meu chalé, você não saiu mais da minha mente. Cada segundo, cada momento distante de você é uma tormenta, um sufoco. Você é meu ar, você é meu Sol. Segundo Think, qualquer tipo de compromisso com uma rainha deve ser selado, então ele me entregou esse anel – ele abriu a caixinha que tinha um anel como se fosse feito de vários anéis emendados e grudados por uma tirinha de diamantes – para que eu pudesse te pedir em namoro. Então, você quer namorar comigo? – ele disse essa ultima frase de um jeito tão tímido, e tão fofo, que eu quase desmaiei.
– Mas é claro seu Idiota! – Lety exclamou surpresa, e alegre, e emocionada e tudo mais. Ian colocou o anel de namoro no dedo mindinho da mão esquerda dela, e eles se abraçaram. Ela dobrou os joelhos e ele girou com ela no ar, ambos rindo alegremente. Eles deram um selinho tímido, e voltaram a seus lugares, ainda estendendo as mãos para tocar as pontas dos dedos.
– Agora – disse Think – vamos aos assuntos importantes. Um de cada vez com suas perguntas, na ordem que eu disser. Se não tiverem perguntas deixem os outros perguntarem. Primeiramente Vossa Majestade, logo em seguida a Duquesa, o príncipe de Hermes, e o Príncipe de Lícaon.
– Bem, — começou Lety, enquanto pegava um pão de queijo da mesa – você, no começo desse dia, se referia a mim com A Escolhida. O que é ser A Escolhida?
– Ser a Escolhida – começou Think – é ser a união entre dois mundos. Você é a escolhida, pois além de ser semideusa, herdou de alguém de sua família o dom da Bruxaria. Talvez de um dos avós ou bisavós. Você é uma semideusa poderosa, e de tempos em tempos, alguns de vocês surgem e acabam se tornando grandes personalidades no mundo grego, bruxo e mortal. Seus poderes são tão fortes quanto os de Erik, um semideus filho de dois Deuses, pois o gene da magia se fixa em qualquer ser que ele considere forte o suficiente na família, e os semideuses sempre acabam pegando um gene que pode ter existido a 100 anos atrás. Faz cerca de oitenta anos que não temos uma escolhida ou escolhido. Mais alguma questão em relação a isso Vossa Majestade? – Lety abanou a cabeça negativamente, com uma cara tão perplexa que era quase impossível de distinguir se ela estava feliz ou com medo. – então, próximo.
Perguntei a primeira coisa que veio na minha cabeça.
– Tenho algum poder extra?
– Tem sim Duquesa, — respondeu Think, me deixando assustada – você tem o sangue de vários deuses nas suas veias. A maior parte da mulheres da sua família são filhas de algum deus. Tenho certeza que você tem mais poderes do que pensa. Enxergo em você bastante de Hermes, mas Poseidon, Ares e Dionísio também estão presentes. Tente testar seus poderes, os poderes dos outros deuses. Mais algo a respeito disso? – acenei que não, e me recostei a cadeira. Nunca pensei que Ares, Poseidon e Dionísio estavam no meu sangue. Caramba...
– Fale-nos tudo que sabe sobre onde está, e como pegar e devolver a coroa de Zeus. – falou Ian friamente, enquanto bebia um gole grande de champanhe.
– A coroa de Zeus. Poucos sabem de sua existência. No topo da coroa tem um cristal com um líquido que pode curar até a morte. Meu senhor estava a procura dessa coroa para poder curar a Mãe dos gêmeos Stoll – Meus Deuses, o que será que a mãe de Travis e Connor tem. – Ela foi a mulher que Hermes mais amou, desculpem meninas. Hermes pediu ajuda a Apolo, pois ele era o único que sabia o ritual. Um ritual que dura quase um mês. Eles roubaram, e Zeus se enfureceu, e resolveu punir os semideuses mais poderosos desses dois deuses. Lícaon queria provar que Zeus podia errar, pois o Rei dos Deuses disse que era apenas uma mera brincadeira idiota de hermes. Nós estamos sempre a dispor do nosso mestre, e então alguns de nossos elfos, enterraram a coroa já com o cristal antes que zeus explodisse o mundo. Só que Hades está a favor de Zeus para poder ter algum “crédito” no Olimpo, e a coroa está no território dele. Como ele só comanda esqueletos e almas, nenhum desses seres pode pegar a coroa para entregar a Zeus, pois ela só pode ser tocada por um ser poderoso – deuses, escolhidos, elfos magos – O lugar está cercado de armadilhas, a cidade é Hamilton, bem no centro dela tem uma fonte, e vocês tem que descer por lá. Assim que tocarem na coroa, ela os levará até Apolo, pois ele ainda precisa do líquido para finalizar o processo e salvar a Sra. Stoll. De onde Apolo e Hermes estão, vocês tem que ir para o Empire State, e entregar a coroa a Zeus, com cristal e tudo. Isso deve ser feito até uma hora da manhã do dia 11 desse mês – depois no aniversário de Lety que é amanhã – Se vocês não conseguirem, muitas pessoas vão morrer. O amor de Hermes por aquela mulher é o maior do mundo. – Think parou de falar com uma expressão como se dissesse que se ela morresse, tudo estaria acabado. Estamos com a mãe de Connor e Travis nas nossas mãos.
– Eu entendo – disse Erik com aquele sotaque francês fofo – Afrodite me disse uma certa vez, que a paixão é confusa, e que podemos deixar o amor de nossas vidas passar uma vez, mas que ele sempre estará retornando.
O silêncio reinou por alguns minutos, até que Think disse que queria falar com a Rainha e o Príncipe a sós para decidir os detalhes do reino dos Elfos.
Eu fui me sentar num banquinho de madeira debaixo de uma árvore (http://3.bp.blogspot.com/-OxNI62KOWQg/U78uKnDw99I/AAAAAAAAAWM/IXWOMh26GQE/s1600/outono.jpg ) e Erik me acompanhou. Será que ele sabe que eu gosto dele, porque com certeza dá para ouvir o meu coração bater, quando ele se aproxima, se senta a meu lado com dois copos de suco, dá um para mim e tira o blaser, voltando a exibir o tórax musculoso.
– A gente quase não comeu nada nesse banquete. – ele fala e coloca dois pratos com sanduíches entre nós dois – Eu vi como você ficou surpresa quando Think disse que você era quase tão poderosa quanto eu. Eu não sou assim tão poderoso.
– Mas com certeza é modesto. – disse para depois tomar um gole do suco.
– E você é linda . – Ele me chamou de Linda? Oi? Como? Para tudo?
O silêncio reinou por alguns minutos, enquanto eu sorria feito uma besta e ele devorava o lanche.
– Vou pegar uns cupcakes – disse a ele. Assim que dei dois passos, meu salto do pé esquerdo quebrou, e eu pensei que ia pagar o mico do ano, caindo na grama, mas ele me pegou, e me concertou. Acho que nunca vou cansar de dizer isso, mais aquele cheiro de cachorro molhado e menta era mil vezes mais estonteante de perto, e misturado á perfume de grife. Minhas mãos estavam em seu peito musculoso e coberto de cicatrizes, e as mãos grandes e fortes dele estavam em minha cintura.
– Você está bem? – ele perguntou, e eu me senti a cada segundo mais fraca. Ele me pegou no colo, e passou meus braços por seu pescoço, e eu encostei minha cabeça para ouvir seu coração descompassado. Ele me carregou até meu quarto e me colocou na cama. Due apareceu com um comprimido, e água e eu bebi. Ele se sentou na cama a meu lado, enquanto eu melhorava vagarosamente. Quando percebi que conseguia falar disse:
– Labirintite — Eu tenho isso, e as vezes ataca quanto eu to estressada ou sob pressão.
– Não se preocupe – disse ele delicadamente. – Posso ficar no seu quarto como lobo se você quiser.
– Pode ser. — respondi zonza.
Ele levantou, tirou meus sapatos, saiu por alguns minutos enquanto Due me ajudava a vestir um pijama – uma calça e uma blusa de manga cheia de florezinhas – Dispensei a Elfa, e ele entrou já como lobo, pulou na minha cama e eu o abracei, respirando aquele cheiro de menta e cachorro molhado até dormir.
Amanhã, será o grande dia.
Fale com o autor