Eu não sou um brinquedo quebrado
4 Capítulo 4 - Não te deixarei sozinho
Notas iniciais
Adentrar a escola secundária Ryonan hoje em dia era um processo que exigia um esforço tremendo.
Mesmo após quase um mês do escândalo envolvendo seu nome, todos ainda cochichavam e o importunavam a respeito.
A cada dia que passava, alguns ficavam mais ousados e tentavam a sorte. Outros revoltados por terem sido rechaçados. Então, não era raro se ver em meio a alguma comoção.
Seu único descanso dessa rotina tensa era Sendoh, que o seguia como um cachorro sem dono sempre que possível, dentro e fora da escola.
E não é como se pudesse reclamar da perseguição. De fato, estava até se acostumando com a presença constante do rapaz que tentava incessantemente puxar os mais diversos assuntos, mesmo quando nunca obtinha uma resposta.
Apesar de não participar ativamente das conversas, Ikki prestava atenção e procurava se distrair com isso de seus pensamentos nocivos e destrutivos.
Nunca tinha sido uma bolinha de alegria, mas sabia que agora ele estava de parabéns.
Não se lembrava de ter ficado tão mal assim desde a época do seu “treinamento”, e não só cometeu um desatino naquela época por causa de Esmeralda.
Ikki olhou para o garoto que o acompanhava imaginando se ele não seria sua Esmeralda da vez.
— Então, o Akagi-kun simplesmente pegou o rebote e meteu um dunk certeiro e viraram o jogo no último segundo! Sério, você tinha que ter visto, Ikki-chan. O Uozumi só faltou espumar de tanto ódio. Metade do time teve que segurá-lo quando o jogo acabou. Foi hilário! — Sendoh contava enquanto andava pela rua com as mãos nos bolsos, rindo da desgraça do seu próprio time e de seu capitão.
— O que você tem genialidade no basquete tem de falta de noção. — Comentou, quase fazendo o outro tropeçar com o susto que levou ao escutar sua voz.
— Estava ouvindo? — Akira pareceu feliz em receber sua atenção, e quando ele sorriu, Ikki pode sentir seu rosto corando.
— Estava falando comigo, não estava? — respondeu de mau jeito. — Idiota.
— Não precisa ser grosso também, Ikki-chan. Assim fere meus sentimentos. — Brincou, ao andar atrás do amigo com as mãos atrás da cabeça olhando o céu.
E quase atropelou o amigo quando Ikki simplesmente estancou próximo a entrada da escola.
Ikki tinha conseguido se livrar da conversa que, certamente, Saori queria ter a um bom tempo a respeito do que dissera ao amigo, e que os irmãos tinham ouvido, com relação a ter sido ou não consensual o vídeo, mas a cada dia que passava ela o cercava mais e mais.
E hoje, aparentemente, ela tinha perdido a paciência e mandou o seu mordomo e motorista neandertal lhe buscar na escola.
Não teria como fugir daquela carona não solicitada, por mais que quisesse.
— Por que parou?! — Sendoh perguntou, mas se ligou que Ikki disputava o pior olhar com um careca mal encarado.
— Já para dentro, moleque depravado. — Tatsumi rosnou para Ikki, que viu Sendoh franzindo a testa claramente irritado com o tratamento.
Pensando rápido, Ikki deu um sorriso de canto e puxou Sendoh pelo braço em direção ao carro.
— O que pensa que está fazendo? — o mordomo inquiriu ao ver os dois prestes a entrar no banco traseiro.
— Entrando no carro, seu velho esclerosado.
Tatsumi bufou e só não o agrediu porque estavam em público, o que certamente iria mudar assim que entrassem no carro. E isso fez com que inconscientemente apertasse o braço do outro com um pouco mais de força do que o necessário num pedido mudo de ajuda.
— Você, e não o seu namoradinho! — vociferou em resposta, fazendo os olhos de Sendoh se arregalar.
— Bom, velho. Aonde eu vou, ele também vai. Se não quiser nos levar, por mim tudo bem. Prefiro ir andando mesmo. — Disse se distanciando e arrastando o colega que ainda tinha uma expressão meio surpresa com a situação.
Muito contrariado, Tatsumi fez sinal para que entrassem no carro.
O jogador de basquete realmente estava incomodado do velho dirigir, mas toda hora ficar olhando os dois pelo retrovisor. Sentia-se vigiado. E um tanto violado.
— Veadinhos. — Akira ouviu o velho resmungar ao olhar novamente pelo retrovisor para checar os dois.
E já estava se preparando para chutar o banco do motorista quando foi distraído por Ikki, que novamente segurava seu braço.
— Deixa pra lá. — Pediu para que relevasse. — Com sorte ele morre logo. — Comentou maldoso para o motorista ouvir e os dois riram.
Pelo menos, Sendoh riu. Ikki só esboçou um pequeno sorriso quando ouviu o motorista xingando no banco da frente.
Pequeno ou não, era um sorriso. O primeiro desde toda a confusão sobre o vídeo.
E ele ficava simplesmente lindo sorrindo.
Não demoraram para chegar, e mais que depressa Ikki pulou do carro, arrastando o amigo junto.
— Err… eu não moro aqui. — Sendoh comentou estupidamente ao ver a Mansão. — Ainda bem que não. Seus irmãos são muito bizarros, cara. — Completou em voz alta quando viu a quantidade absurda de irmãos do Ikki se acotovelando para espiar nas janelas.
Ikki deu de ombros. Não tinha como defender os irmãos. Eram estranhos mesmo.
Deu um passo, já imaginando o que teria que enfrentar lá dentro. Não queria ir sozinho.
Quando viu que Sendoh não fazia a menor menção de se mover em direção à casa, suspirou fundo e falou:
— Cala a boca e entra logo.
— Isso é um convite, Ikki-chan? — perguntou com um sorrisinho provocativo. Ikki só corou e não respondeu.
Ikki tremeu um pouco quando viu a fedelha emancipada que era a sua responsável legal observando-o com seu olhar reprovador, o único que ela lhe dirigia nos últimos tempos. Se o tremor era de receio ou de raiva, ele não saberia dizer.
— Esperava que pudéssemos conversar hoje, Ikki. — Ela comentou um pouco contrariada. — Mas vejo que trouxe um amigo. — Ela o olhou de esguelha e em seguida focou em Sendoh, sorrindo. — Seja bem-vindo. Eu sou a Saori. Prazer em conhecê-lo.
Sendoh ficou sem graça e logo fez uma breve reverência.
— Akira Sendoh. O prazer é meu.
— Entre. Fique à vontade. — Ela se virou e entrou, sem esperar se eles seguiam ou não.
À contragosto, Ikki a seguiu arrastando o colega junto, na dúvida se tinha sido uma boa ideia trazê-lo.
Depois de vários minutos e um verdadeiro interrogatório por parte de Saori e todos os seus irmãos, Ikki tinha certeza absoluta de que tinha sido uma péssima ideia.
A única parte boa é que enquanto eles metralhavam Sendoh com tantas perguntas, esqueceram completamente da conversa com Ikki.
Aliás, pareciam ter se esquecido completamente da existência de Ikki ali.
E isso lhe deu uma paz tremenda!
Os olhares agora eram curiosos, e não reprovadores. Ouvia-se risadas das abobrinhas que Sendoh falava, e não cochichos e xingamentos.
O clima estava tão leve que não hesitaram para convidarem Sendoh para jantar, mas Ikki estava tão em paz que não se preocupou em participar da conversa, ou sequer prestar atenção, limitando-se a comentar um “ahã” aqui e ali.
Parou de brincar com a comida quando percebeu os olhares de todos em cima de si.
— Tão olhando o quê? — perguntou carrancudo.
— Parabéns, irmão. — Shun lhe disse com um sorriso enorme, causando-lhe confusão.
— Quem diria, hein? Faz essa cara de malvadão, mas foi todo certinho e veio apresentar. — Seiya brincou.
— Parabéns pelo quê?
— Acho que era o mínimo, depois daquele escândalo todo. — Jabu comentou mordaz.
— O importante é que agora terá alguém com quem socializar. — Shiryu ponderou.
— Você quer dizer desencalhou. Ao contrário de uns e outros. — Seiya cutucou o loiro ao seu lado, debochado.
— Alguns tem um pouco de amor próprio e preferem não pegar desesperadamente a primeira e única pessoa que aparece. — Hyoga respondeu na lata.
— De que merda vocês estão falando?! — Ikki se alterou quando viu que todos ali discutiam entre si, e nenhum deles se dava ao trabalho de lhe responder.
— Do seu namoro, Ikki. — Saori explicou faceira.
— Pare com a drogas, fedelha. Tá dando na vista. — Retrucou sério, causando alvoroço à mesa, e fazendo o amigo cuspir o refrigerante que tomava de tanto rir.
Quando todos começaram a se alterar e a gritar ao mesmo tempo Sendoh, enxugou o rosto com o guardanapo e segurou o braço do amigo, chamando-lhe atenção.
Ikki já ia se desvencilhar, mas parou ao ver que o outro negava quase imperceptivelmente com a cabeça.
— Ikki-chan, não precisa ficar sem graça. Agora todos estão cientes e temos suas bênçãos. — O gênio do basquete lhe disse, largando seu braço e segurando seus ombros.
Seu olho direito tremia, e apesar de não ver o próprio reflexo, Ikki podia jurar que estava tendo algum tipo de tique nervoso ao ouvir o futuro ex-amigo.
— Eu nunca mais vou desgrudar de você. Nem na escola, nem aqui. — Ele completou com um sorriso enorme, e só aí Ikki entendeu a jogada do outro.
Era só armação para que lhe dessem um pouco de folga.
Um teatro sem muita importância.
Tentou sorrir para dar mais veracidade, mas não sabia dizer se tinha conseguido algo além de uma careta. Não era bom com essas coisas.
— Podemos namorar em paz. — Sendoh falou e subiu suas mãos para o seu rosto, puxando-o e encostando suas testas.
Ikki nunca tinha visto o rosto do amigo tão colado ao seu. Afinal, ele era tão mais alto, tinha quase 15cm a mais que ele. Podia sentir sua respiração.
Isso mexeu consigo. Sentiu seu estômago dando sobressaltos, um nervosismo que simplesmente o travou no chão, sem reação.
Talvez por isso não tenha reagido quando Sendoh simplesmente decidiu dar mais autenticidade aquele teatro e lhe deu um brevíssimo selinho que fez seu rosto corar ainda mais.
Sendoh sorriu vitorioso quando o beijo acabou com qualquer conversa ou discussão na sala ao deixar todos em choque, e se não estivesse tão nas nuvens, teria visto o punho que se aproximava de seu rosto numa velocidade absurda.
Somente quando viu o gênio do basquete ir ao chão gemendo e com a mão no olho é que Ikki se deu conta do que fizera. Nem pensara em agredi-lo, foi só instinto!
E foi isso que passou o resto da noite tentando explicar.
Quando finalmente Sendoh conseguiu se livrar de seus irmãos, que simplesmente passaram a idolatrá-lo por simplesmente aguentá-lo, Ikki o acompanhou até a porta.
Quando viu o enorme hematoma em seu rosto, quase se sentiu mal. Quase. Afinal, ele mesmo cavara aquela situação ao lhe beijar sem sua permissão.
— Quem diria, hein? Saio quase cego, mas comprometido. — Ele comentou, colocando suas mãos em seus bolsos naquele seu jeitão jogado de sempre, o que fez Ikki sorrir. — Diria que valeu a pena. — Sorriu também. Sorrisos eram contagiantes.
— Idiota. — O cavaleiro balançou a cabeça. — Não precisava inventar isso. — Falou finalmente, agora que estavam só os dois na enorme varanda da mansão Kido.
Sendoh só o olhou e suspirou. Jogou as mãos para cima e as cruzou atrás da cabeça.
— Eles pareciam que iam te comer vivo lá dentro, e acho que você merece um descanso. — O motivo era claro e nenhum dos dois parecia querer comentar. — Além do que, não é como se eu tivesse que me forçar a parecer apaixonado. — Completou em voz baixa encarando o mais baixo.
Ikki não sabia o que responder. Saber dos sentimentos de alguém era uma coisa, mas falar dos seus era outra completamente diferente. Ele nem sequer sabia se tinha algum tipo de sentimento com relação ao amigo. Há poucos dias sequer eram amigos.
— Não precisa dizer alguma coisa. Só gostaria de ajudar porque isso é o que os amigos fazem, certo? — Sendoh sorriu e piscou, fazendo o outro dar um sorriso mínimo.
Antes que pudesse dizer alguma coisa, Tatsumi, que levaria Sendoh em casa a pedido de Saori, começou a buzinar incessantemente.
— Já vai, velho maluco! — Ikki gritou para o mordomo que xingou algo ininteligível de dentro do carro. — Só ignore qualquer asneira que ele falar.
— Não se preocupe, Ikki-chan. Acho que eu e ele nos daremos muito bem até em casa. — Sendoh tinha um brilho maldoso no olhar ao olhar de esguelha para o carro. Rapidamente deu um beijo no rosto do mais baixo e se afastou antes que pudesse ser agredido. — Ja ne.
Suspirou ao ver o outro indo embora. Tinha se livrado da dor de cabeça de ter que ter qualquer tipo de conversa desagradável com sua família.
— Ikki, agora que o seu namorado já foi, nós precisamos conversar.
Ou não.
Realmente não tinha como fugir de certas coisas, por mais que se quisesse.
Era hora de encarar a música.
E fora exatamente como previra, uma quase intervenção com Saori e todos os seus irmãos perguntando todos os mínimos detalhes sobre o que ele lembrava do vídeo e as pessoas que apareciam nele.
Não ficaram muito felizes já que ele não lembrava de absolutamente nada, exceto estar estudando e depois acordar em casa com os lençóis manchados na máquina de lavar.
— Bom, isso bate com o que os nossos advogados conseguiram apurar com os sócios responsáveis daquela empresa de vídeo. Eles afirmaram que receberam uma carta sua solicitando seus serviços e agiram de acordo. — Saori explicou, um tanto sem graça.
— Não escrevi carta alguma.
— Eu sei. Comparamos a sua grafia com a da carta. — Ela mostrou na televisão do escritório, após apertar um botão em seu laptop, a diferença gritante entre as duas grafias. — Não foi você quem mandou. E tampouco eu, como sua guardiã legal, autorizei qualquer tipo de vídeo. Logo, qualquer declaração da empresa sobre a legalidade desse vídeo é inválida e, portanto, deve ser tratado pelo que é: um crime hediondo contra um vulnerável.
— Então, está tudo resolvido. — Seiya comentou levianamente, ganhando um cutucão de Hyoga.
— Não, não está. Daremos sim prosseguimento com as medidas legais contra essa empresa, mas só isso não resolve tudo. — Ela continuou e Ikki não pode deixar de se sentir incomodado com o seu olhar. — Eu quero, em nome de todos, pedir desculpas pelos comentários e o pré-julgamento que fizemos de você. Não foi justo. Deveríamos, como uma família, ter ficado ao seu lado desde o início e não ficamos. Fico feliz que tenha tido o apoio do seu “amigo”, mas esse era o nosso papel e falhamos com você. Sinto muito.
Ela realmente parecia arrependida. Boa parte deles pareciam arrependidos.
E isso não mudava absolutamente nada.
Sua vida virara de ponta cabeça numa velocidade absurda, e tudo pelo que lutara para ter uma vida que mais se aproximava do normal tinha ido pelo ralo em questão de segundos.
Sua dignidade, sua liberdade.
— Pode enfiar esse pedido de desculpas você sabe onde, fedelha mimada. — Rosnou se levantando. Todo e qualquer vestígio de alívio pelas horas que Sendoh tinha lhe ganhado com sua presença havia sumido. — E não se engane achando que espero qualquer coisa dessa família que você tanto fala. Pra mim, essa família — o tom de escárnio era claro — não passa de uma piada de muito mau gosto.
— Não precisa de exceder, Ikki. — Shiryu ainda tentou argumentar com o leonino, em vão.
— Peça desculpas a senhorita Saori agora. — Jabu exigiu, contrariado com a atitude de Ikki, ao se colocar em seu caminho.
— Me obrigue, burro! — Ikki provocou só para aplicar um gancho quando o menor se aproximou, quase o nocauteando. — Bando de inúteis. — Saiu resmungando.
Todos estavam agitados, Shun tinha os olhos marejados e foi impedido de seguir o irmão.
— Melhor deixá-lo esfriar a cabeça, Shun. — Hyoga recomendou ao mais novo. — Sabe como ele é, um lobo solitário.
— Mas está errado. Não devíamos deixá-lo sozinho! — Seiya não tinha gostado nem um pouco da discussão e não parecia querer deixar para lá tão cedo.
— Bater de frente não vai ajudar em nada, Seiya. Ele constrói essas muralhas ao redor dele e ninguém consegue penetrar.
— O jeito é esperar e torcer para que o amigo dele tenha mais sorte que nós. — Saori comentou, acalmando os ânimos.
No dia seguinte, Ikki encontrou Sendoh em frente à escola. Com só uma olhada em sua direção, seu amigo percebeu que algo estava errado. E antes que pudesse dizer qualquer coisa, foi envolto pelo braços fortes do outro e aconchegado contra o seu peito. Era tão quente, tão bom.
Logicamente, ter o gênio do basquete da escola, que tinha o seu próprio fã-clube, abraçando tão intimamente o depravado que participava de vídeos pornográficos causou um enorme rebuliço.
— Tá olhando o que, quatro olho?! Tira o olho do meu namorado! — Sendoh rosnou para o primeiro engraçadinho que ousou dar uma risadinha na direção deles. — É isso mesmo. É meu. Se alguém mexer com ele, se olhar pra ele, vai se ver comigo! — Gritava para todos no pátio.
Ikki só queria cavar um buraco no chão e se esconder de tanta vergonha. Odiava ser o centro das atenções, e aquilo só ia piorar tudo.
— Mas é um idiota mesmo. — Resmungou ao se afastar do gênio do basquete.
— Mas Ikki-chan, eu só estava te defendendo.
— Sai fora. Não te conheço, encosto.
— Ikki-chan! — A voz chorosa de Sendoh podia ser ouvida por quase toda a escola.
E foi assim que seu fã-clube ficou a par de que seu grande ídolo, até então solteiríssimo, estava namorando. E namorando ninguém mais, ninguém menos do que Ikki Amamiya, a ave vadia do zodíaco!
— Isso não é justo, presidente! Nós assistimos e torcemos em todos os jogos do Ryonan. Nós acompanhamos toda a carreira dele. Demos todos o apoio. E ele escolhe aquele promíscuo?!
— Deve ser pelo sexo fácil, só pode. — Comentou outra membro do fã-clube, e todas dali concordaram.
No entanto, a presidente não estava lá muito interessada nos motivos. Ela sabia muito bem na fissura que seu ídolo tinha por aquele garoto horrendo que ele julgava especial. Afinal, por esse exato motivo ela escreveu aquela carta para a revista e assinou como Ikki. Imaginou que um escândalo como aquele faria com que Akira Sendoh descobrisse que Ikki não valia nada, ficasse de coração partido, e ela poderia então se aproximar oferecendo um ombro amigo.
Porém, não foi isso que aconteceu. De algum jeito, aquele urubu do zodíaco conseguiu dar a volta por cima.
Agora, só restava a ela planejar uma nova estratégia para tirá-lo novamente de seu caminho.
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