Nada era simples para Scorpius Malfoy. Nada.

Quando acordou naquela manhã fria de Dezembro, o frio demorou a tocar sua pele devido ao intenso calor que seu corpo emanava. O que estava acontecendo? Seu conhecimento acerca das características de um alfa dizia que aquele não era um cio, então o que poderia ser?

Pondo-se de pé, seu nariz farejou um cheiro adocicado. O cheiro de um ômega. Seus olhos se arregalaram, sua face corou e suas pernas tremeram. Aquele era o dia, o maldito dia. Não estava pronto, nem um pouco pronto. O que diria para a sua destinada quando a encontrasse? Merda, quanto mais ficasse parado, pior seria para encontrá-la.

Ele saiu do quarto, ainda de pijama. Ela estava na Sonserina, tinha certeza, seu faro sabia.

Passando pelos alfas mal cheirosos, ele pensou ter que subir para os dormitórios dos ômegas. mesmo que fosse impossível devido à magia das escadas. Mas não precisou, o cheiro vinha do sofá, de alguém deitado no sofá. Ele andou até lá com passos ansiosos e assustados. Quando o viu, teve certeza de que não estava pronto.

Albus Potter dormia com um pergaminho caído no rosto e a mão direita repousada ainda com a pena na barriga. Parecia um anjo de cabelos bagunçados e expressão leve.

Merda, Scorpius, seu melhor amigo, sério? Sentiu que poderia desmaiar. Seus olhos pareciam não querer focar em nada e seu estômago teria se revirado se tivesse alguma comida dentro.

Scorpius respirou fundo, Albus não era uma garota, o que seu pai diria? Merda, pensar só piorava.

Albus se mexeu no sofá e bocejou. O leve mexer disparou um cheiro ainda mais forte na direção de Scorpius, que respirou fundo e corou. Ele bufou e andou para mais perto da figura angelical. Com um leve toque em seu ombro, Albus acordou atordoado.

—-O que foi? Que horas são?

O falar afoito, o cabelo bagunçado, os lábios rachados e as bochechas coradas fez Scorpius respirar fundo. Como explicaria? Albus entenderia quando dissesse se tratar do seu destinado? Merda, Harry Potter o caçaria até o inferno. Draco… Draco o deserdaria.

—-Bom dia, Albie.--Scorpius pigarreia, tentando limpar a garganta do que quer que estivesse tornando sua voz rouca.--Ficou acordado até tarde, numa sexta de noite, fazendo trabalho?

Albus dá de ombros, levemente corado. Scorpius teve que se perguntar se estava liberando um cheiro também.

—-Hoje tem Quadribol…–Albus bocejou–- Eu não faria trabalho algum no Domingo. Mas o que você está fazendo acordado às seis e vinte da manhã de um sábado?

Scorpius puxa o ar, seu coração estava acelerado. Esperava que Albus não notasse. Ele não queria aceitar que aquilo era verdade, então por que Albus aceitaria? Deveria contar logo… Albus merecia saber.

—-É que eu senti o cheiro do meu destinado.

Albus franze as sobrancelhas.

—-E você a achou?

Scorpius dá de ombros e se senta no sofá, um pouco afastado de Albus. Ele achava se tratar de uma garota. Scorpius não queria ver a sua reação quando contasse se tratar de um garoto, ainda mais dele.

—-Sim...

—-Quem é?

Era agora... Merda, era agora. Poderia mentir, mas Albus descobriria e o odiaria por isso.

Scorpius contou até três, fechou os olhos e disparou:

—-O cheiro vem de você, Albie.

Quando abriu os olhos e fitou aquelas orbes, Scorpius espera Albus fugir, espera que ele ria, espera qualquer reação, menos aquela. Albus abre um sorriso, um sorriso estranho, mas vívido. Scorpius pisca, atordoado.

—Eu já sabia.—-Albus diz baixo, abaixando a cabeça para fitar seu colo.

Scorpius pisca sem entender, se pondo de pé em frente a figura de um Albus nervoso. Como assim, ele já sabia?

—-O quê?

—-Eu já sabia.--Albus se levanta e estende o braço, ajeitando o cabelo loiro suado.--Você demorou, já estava achando que tinha me enganado.

—-Como você descobriu e não me contou?--A voz de Scorpius soa traída.

—-Você teria acreditado?

Scorpius respira fundo... Ele não teria acreditado, acharia se tratar de uma brincadeira ou de um engano. Ômegas não possuíam a função de encontrar o destinado, essa era tarefa dos alfas.

Scorpius finalmente sente o coração se acalmar. Albus tinha as faces coradas, o sorriso ainda presente nos lábios, o cheiro ainda forte. Ele estava lindo.

—-Quando você descobriu?

—-Quando eu me tornei ômega...

—-Há seis meses?

Albus meneia a cabeça, de uma forma estranhamente fofa. Scorpius queria abraçá-lo. Não sabia se podia… E se Albus o afastasse?

—-Então, o que a gente faz agora?--A pergunta pega Scorpius de surpresa. Albus parecia estranhamente esperançoso.

E se nesse tempo de espera ele tivesse se apaixonado? Scorpius não o culparia… eles eram amigos há anos. Estavam sempre juntos em tudo, rindo de piadas sem graça, indo a Hogsmeade e enfrentando os problemas. Não estaria mentindo se dissesse estar feliz por Albus ser o seu destinado. Eles já se conheciam, não precisariam esperar por nada… e Scorpius não queria esperar, não com aquela vontade de puxar Albus e envolvê-lo em seus braços.

—-Eu não sei, o que você tem em mente?--Scorpius pigarreia de novo. A sua voz insistia em soar rouca.

—-Não sei...

Scorpius não notou que eles iam se aproximando aos poucos, com os passos curtos e os rostos corados. Ele não se importou nenhum pouco quando os lábios de Albus tocaram os seus, nem quando os braços do outro abraçaram seu pescoço. Ele gostou.

—-Meu pai vai me matar...--Scorpius se soltou, rindo nervoso. Albus massageou seu rosto delicadamente, com um sorriso calmo e fofo na face.

—-O meu também... Mas tá tudo bem.

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