Eu, filho de Severus Snape? Nunca!
18 Sem quadribol
Notas iniciais
Harry e Fred olhavam com seus corações gelados para as caras furiosas de Snape e Minerva.
–O que diabos vocês fizeram? -perguntou Snape com a cara de quem estava prestes à matar alguém.
–Nada -disse Fred.
–Mesmo? Então estavam fazendo o que no banheiro das meninas?
–Tava escrito que era dos meninos -disse Harry escondendo o livro que achara no banheiro dentro de suas vestes.
–Ah é? -disse Snape cético.- Acho que vocês estudam nesta escola tempo suficiente para terem conhecimento que aqui fica o banheiro das meninas.
–Bom -começou Fred-, com a reforma que fizeram, achamos que mudaram os banheiros.
–Não diga tolices! -disse Mcgonagall.- Por que faríamos isso?
–Eu não sei, tava escrito banheiro masculino e, como vocês podem bem ver, nós somos meninos -disse Fred com tamanha naturalidade, que chegou à assustar Harry. Se ele não soubesse que aquilo era mentira, com certeza acreditaria. Mas, pensando bem, aquilo não era um talento natural, segundo Rony lhe confidenciara nas férias, os gêmeos mentiam daquele jeito em decorrência de anos de prática.
–Saiam da frente -ordenou Snape.
–Não! -disse Harry em um pequeno grito, que surpreendera à ele mesmo.
–Por que não? -disse Snape.- Vocês tem algo à esconder?
–Claro que não! -exclamou Fred.- Mas como o senhor bem disse, aqui é o banheiro das meninas, nós cometemos o grotesco erro de entrar, o senhor não quer cometer o mesmo equívoco, quer?
–Saiam! -ordenou Snape fazendo com que Fred saísse da frente, mas Harry continuou parado encarando Snape.
–Isso também serve para o senhor também, Potter -disse Mcgonagall, fazendo com que o garoto se afastasse.
Os dois professores entraram e logo ficaram boquiabertos. O banheiro estava uma confusão. Pedaços de um um vaso espalhados por todo lugar, livros jogados ao chão, vidros, uma verdadeira confusão.
–Será que se nós fugíssemos, eles nos encontrariam? -Fred perguntou à Harry enquanto os dois ainda estavam do lado de fora do banheiro, observando às expressões nas faces dos dois professores.
–Acho melhor os senhores me acompanharem até a sala do diretor -disse Minerva aos dois garotos.
A professora, Snape, Harry e Fred caminharam em direção à sala de Dumbledore, tendo de passar pela enorme confusão que estava próximo aos banheiros.
–Os dois estão muito encrencados -disse Mcgonagall furiosa entrando na sala do diretor.
–O que estavam pensando? -Snape perguntou igualmente furioso.- Olhem o estrago que causaram! E onde está o outro Weasley?
Harry e Fred se entreolharam.
–Só tínhamos nós dois, professor -respondeu Fred.
–Não deboche da minha cara, senhor Weasley -disse Snape caminhando em direção aos dos garotos.- Eu o vi com vocês dois, mas no meio daquela confusão, ele sumiu. E eu não precisava tê-lo visto, não é? Aonde o senhor está, é certeza ele estar junto.
–Éramos só eu e Harry, senhor.
–Eu vi um garoto ruivo ao seu lado -disse Snape.
–Eu também vi -acrescentou Mcgonagall.
–Ah, sim, aquele garoto... -disse Fred.- Pois é, não era o meu irmão, era outro aluno, mas ele só estava próximo de nós, não estava envolvido na confusão.
–Ah, é mesmo ? -falou Snape.- Então quem era?
–Era um garoto ruivo, por isso o senhor confundiu, mas ele era chinês e tinha seis dedos, o pessoal faz muita chacota com a cara dele por isso -disse fazendo com que Harry olhasse assustado para ele, tamanha a ousadia da resposta.
–O que está acontecendo, professores? -perguntou Dumbledore entrando na sala.- Porque aquela confusão toda no banheiro?
–Aparentemente, senhor, no jogo entre Sonseria e Corvinal -começou Snape-, houve trapaça. Os jogadores da Corvinal disseram que Sonserina lesionou o apanhador deles de propósito, fazendo com que perdessem o jogo. Então, na hora do almoço, todos os estudantes da Corvinal foram tirar satisfações com os da Sonserina e começou uma aglomeração e quando vi, estavam se estapeando feito loucos e atirando comida para todos os lados. Quando finalmente eu e os outros professores conseguimos apartar todas as brigas, mandamos todos ao banheiro para que se limpassem.
–Mas o banheiro do piso do salão principal estava quebrado -disse Mcgonagall.- Trabalho mal-feito do departamento de reformas e reparos. Então mandamos todos ao banheiro lá de cima, mas quando todos chegaram lá, a porta do banheiro das meninas estava com a passagem impedida, então foram todos no banheiro masculino e foi uma verdadeira confusão, pois não havia espaço suficiente para tanta gente.
–E por que os dois estão aqui? -Dumbledore perguntou olhando para Harry e Fred.
–Esses dois -disse Snape-, estavam trancados no banheiro feminino, que por ventura estava com a placa dizendo "masculino", fazendo sabe-se lá o que. E como não tinha como abrir a porta, ficou um aglomerado de gente nos corredores, todos tentando entrar no banheiro masculino.
–O que o professor falou é verdade, meus jovens?
–Sim -responderam Harry e Fred ao mesmo tempo.
–O que vocês dois estavam pensando? -Snape perguntou. -Agora na falta do que fazer, ficam explodindo as coisas.
–Explodir? -perguntou Dumbledore.
–É! Quando os dois saíram do banheiro, dentro estava uma catástrofe. O vaso sanitário em vários pedaços, vidros e livros espalhados pelo chão e a Murta que geme chorando no canto do banheiro -Snape falou quase gritando.
–Nós sabemos que fizemos a coisa errada -disse Fred.
–No caso do senhor, duplamente errada, Weasley -disse Mcgonagall.- Eu mandei o senhor ir à minha sala às doze horas para o seu castigo por ter jogado bombinhas em minha aula hoje cedo.
–Eu devo ter me confundido.
–Eu falei claramente que queria o senhor às doze em ponto em minha sala.
–Mas não disse de que dia.
–Ora... seu!
–Minerva -disse Dumbledore-, por favor, vamos nos concentrar nesta situação. Por que a senhora não tenta controlar os alunos no banheiro de cima?
–Claro! -disse saindo da sala.
–O que vocês dois estavam fazendo lá? -perguntou Dumbledore recebendo apenas olhares dos garotos.
–Se não querem falar tudo bem. Severus, dê à eles o castigo que achar melhor!
–Com prazer, senhor! Me acompanhem, os dois! -disse saindo da sala e caminhando até o corredor, sendo seguido imediatamente pelos dois garotos.- Vocês dois irão ter que fazer um mês de exercícios, fora os das aulas, entenderam?
Harry e Fred fizeram que sim com a cabeça.
–E estão proibidos de irem à qualquer evento da escola durante esse tempo, inclusive o quadribol!
–O quê? -perguntaram os dois ao mesmo com os olhos arregalados.
–Sério? -disse Fred.- Qualquer outra coisa, professor.
–Não!
–Por favor -insistiu Fred- E se nós fizermos essas tarefas por um ano, qual seria a probabilidade do senhor nos liberar?
–A mesma de eu achar um garoto chinês, ruivo e com seis dedos pela escola -Snape falou dando as costas aos garotos, deixando-os inconformados com a decisão.
–Psiu!
Harry e Fred olharam para trás para ver quem disse aquilo.
–Sou eu -disse Jorge.- Vocês estão muito encrencados?
–O Snape tá achando que dessa vez eu me excedi na falta de vergonha na cara. Teremos que fazer uma montanha de tarefas e ficar sem quadribol -respondeu Fred.
–Poxa, que chato. Eu deveria ter ficado com vocês!
–Claro que não, você teve a oportunidade de fugir e fugiu -disse Harry.
–Eles perguntaram de mim? -Jorge quis saber.
–Sim, mas eu os enrolei -respondeu Fred.
–Valeu irmão!
–Imagina, é meu dever. Você é meu irmão caçula! -disse Fred recebendo um olhar de interrogação de Harry.
–Irmão caçula? Mas vocês dois não são gêmeos?
–É, mas eu vi a luz do dia alguns segundos antes que o Jorge, o que me faz o mais velho e o mais velho protege o mais novo -Fred disse sorrindo.
–Vamos para o quarto jogar xadrez? -perguntou Jorge.
–Vamos! -disse Fred animado.- Você vem, Harry?
–Não, eu tenho que ir falar com o Snape.
–Sério? Sobre o quê? -perguntou Fred curioso.
–Não é nada, é só algo que ele me disse mais cedo.
–Às vezes eu me esqueço que agora você é filho dele. Se surgir a conversa do castigo, tente nos livrar, ou pelo menos só pra ver o quadribol, tá?
–Tudo bem -disse Harry indo embora e caminhando até a sala do professor Snape e quando chegou, ficou parado na porta, sem coragem de bater.
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