Eu, filho de Severus Snape? Nunca!
22 O teste
Notas iniciais
Snape andava de um lado para o outro da sala observando os alunos fazerem a prova. A cara dos bruxinhos era de puro pavor, pois mesmo quando eram avisados que haveria teste, muitos não estudavam, ainda mais agora que ninguém fora avisado. A maioria apenas encarava o papel com as perguntas, alguns rabiscavam algo, outros apenas inventavam uma resposta que achavam que poderia valer pelo menos alguns poucos pontos. Apenas Hermione, é claro, sabia, não cem por cento, como geralmente, mas o suficiente para tirar uma boa nota.
–Vocês têm dez minutos -disse Snape o mais frio possível.
–Você respondeu alguma? -perguntou Rony à Harry, enquanto Snape estava aterrorizando Neville por o garoto ter derramado água em sua capa, de tão nervoso que o garoto estava. O pequeno não parava de falar que a avó iria matá-lo.
–Não -respondeu Harry-, estão difíceis demais.
–Vai ver é aquele tipo de prova de resistência -disse Rony.
–O quê? -Harry perguntou sem entender o que aquilo deveria significar.
–Sabe, daquele filme que o professor aplicava uma prova com o nível muito alto que ninguém conseguia responder e no final os alunos descobriam que era só um teste para ver quem conseguiria aguentar a pressão até o fim. Então nós não precisaríamos responder e mesmo assim passaríamos -disse parecendo um pouco aliviado.
–Se for assim, então eu vou ser o melhor da turma, porque não respondi nada -disse mostrando a prova toda em branco.- Eu não acho que seja isso, o que o Snape ganharia com isso?
–É, besteira, claro que não é isso- disse Rony decepcionado.- Snape que só ferrar mesmo com a gente. Talvez a Hermione saiba -disse voltando à expressar alguma esperança em seu rosto.
–Talvez, Rony? Com certeza ela sabe! Não tá vendo? -disse Harry apontando para a garota.- Ela não para de escrever.
–Então vamos pedir as respostas à ela -disse Rony cochichando.
–Não! Você está louco? Se Snape pega a gente colando, vai nos expulsar.
–Mas se não pegarmos as respostas vamos reprovar.
–Eu não sei -disse Harry observando se Snape ainda estava distraído-, acho que eu não tenho a cara-de-pau de colar.
–Mas eu tenho.
–Você já colou antes?
–Não, mas sou irmão de Fred e Jorge, alguma falta de vergonha na cara eu devo ter herdado. Irei pedir à ela e depois passo para você, tudo bem?
–Tudo bem o quê, senhor Weasley? -disse Snape aparecendo atrás do ruivo, fazendo o coração deste e de Harry ficarem que nem gelo.
–Na..da -disse Rony gaguejando.
–Mesmo? -disse Snape passando à ficar de frente para o ruivo.- Eu ouvir o senhor dizer algo ou será que estou ficando surdo?
–Acontece muito, principalmente quando não tiramos a cera direito do ouvido -disse Rony voltando à sua cor normal.
–Acha que estou de brincadeira? -disse Snape batendo as duas mãos com força na mesa, apoiando-se nela e encarando Rony bem de perto.
–Claro que não, senhor.
–Então estava conversando o que com o senhor Potter? -perguntou agora encarando Harry.
–Eu não estava conversando nada com o Harry.
–Então ele não estava conversando com você? -perguntou Snape à Harry.- Ora, para que eu ainda pergunto, você mente igual respira.
–Ele não estava conversando comigo ou com qualquer outra pessoa -disse Harry com os olhos semicerrados de puro ódio.
–Mesmo? Porque eu ouvi algo sair da boca dele.
–Vai ver ele estava pensando e pensou alto e não percebeu.
–Acha que sou idiota, Potter?
–Não, senhor, não acho. E a não ser que o senhor tenha provas que Rony estivesse fazendo algo errado, então não há muito que possa fazer.
–Se acha muito esperto, não? -disse Snape fuzilando Harry com os olhos.- Pois muito bem, não tenho como provar que o senhor Weasley estava tentando colar no teste, mas para que não corra o risco de isso ter acontecido, então eu peço que o senhor se retire da sala -disse olhando para Rony.
–Mas eu não estava colando -disse Rony se levantando bruscamente da cadeira.- O senhor não pode zerar a minha prova!
–Mas eu não farei isso -disse Snape com um assustador sorriso.
–Me expulsando de sala na hora da prova, automaticamente minha prova é zerada.
–Claro que não. Já que não possuo provas concretas de que o senhor estava colando, não posso zerar sua prova, mas não posso deixar que continue fazendo, pois se realmente estivesse pegando as respostas, não seria justo com os demais alunos.
–Não estou entendendo -disse Rony.
–O senhor fará a prova junto com os alunos da turma da tarde, para que não haja riscos de injustiça. Agora, queira, por favor, se retirar -disse com um falso sorriso.
Rony pegou seus livros e caminhou até a porta com a cara mais amarrada do mundo e na hora que saía, foi parado ao ouvir a voz de Snape, que disse:
–É melhor que o senhor esteja preparado, pois se tirar menos que a metade na prova, tirarei cem pontos da Grifinória.
Naquele instante ouviu-se um montante de reclamações dos alunos grifinórios, que acharam a atitude do professor um tremendo absurdo.
–O senhor não pode fazer isso -disse Harry.
–Mesmo? E por que não?
–Porque se fizer, nós nunca ganharíamos a competição entre as casas. Mesmo que nós vencêssemos todas as outras provas e ganhássemos pontos extras, jamais conseguiríamos alcançar Sonserina.
–Ah -disse Snape-, mas que pena! Pode ir, senhor Weasley, vejo o senhor à tarde.
Rony saiu da sala pálido, pois sabia que a prova que Snape faria para ele estaria impossível de ser resolvida, até mesmo por Hermione, e se isso acontecesse, por sua culpa, Grifinória perderia e mais um ano, Sonserina seria a vencedora entre as casas.
–Agora restam apenas cinco minutos para vocês terminarem o teste -avisou Snape.
–Harry -disse Hermione em um tom baixíssimo, quando Snape não estava olhando.
–O que foi? -disse Harry no mesmo tom.
–Toma -Hermione falou entregando a prova por baixo da mesa para o amigo.- Escreve rápido -disse recebendo um sorriso de agradecimento de Harry.
–O tempo acabou -disse Snape começando à recolher as provas, ao mesmo tempo que Harry terminara de copiar as respostas da prova de Hermione e devolvia o papel à garota.
À medida que ia pegando os testes, Snape observava que quase nenhum aluno tinha respondido às questões e ao invés de ficar furioso por saber que ninguém prestara atenção em sua aula, ficou com a cara de aparente satisfação.
–Sua prova, por favor -Snape disse estirando a mão para receber o papel do último aluno: Harry.
O menino entregou a prova com o olhar fuzilante ao pai. Ele estava com ódio do homem por ele ter feito o que fez sem aparente explicação.
Snape juntou a prova de Harry com a dos demais alunos e saiu em direção à sua sala.
–E agora, Harry? -perguntou Hermione com expressão angustiada.
–Se o Rony se der mal, nós todos iremos também.
–E sabemos que o Snape colocará uma prova impossível de ser resolvida. Temos que fazer alguma coisa!
–Temos sim. Olha, você vai procurar Fred e Jorge e explicar a situação à eles, com certeza pensarão em uma solução. E eu irei falar com o Snape -disse se levantando da cadeira.
–Nem pensar! -Hermione disse segurando a mão do garoto.
–Eu só vou falar com ele, e além do mais, ele não pode fazer mais nada para nos ferrar -disse soltando a mão de Mione da sua e saindo da sala.
Harry caminhou até a sala do professor Snape e entrou com tudo sem bater. O homem estava corrigindo as provas e pelo que Harry observou, já tinham muitos zeros.
–O que o senhor acha que está fazendo? -disse Harry encarando Snape, que não ficou nada feliz em ver que o garoto entrara sem bater e falara com ele daquela maneira.
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