Eu, filho de Severus Snape? Nunca!
12 À procura de Dobby
Notas iniciais
Rony apontava para um estranho de olhos brilhantes vindo do corredor, quando Harry, Hermione e Tobias viraram assustados para olhar. Não se via o rosto, apenas os grandes olhos claros, devido ao quase total escuro do corredor.
–Mafoy? -Harry perguntou engolindo seco.
–Intrusos! -disse o estranho saindo do escuro, descendo do batente que dividia a passagem da cozinha da do corredor.
Quando desceu, percebeu-se que aquele possuía uma baixíssima estatura. Não era Malfoy, e sim um elfo doméstico. Apesar de ter suas características gerais muito semelhantes às de Dobby, aquele elfo possuía uma expressão bem peculiar. Seu rosto transparecia raiva e amargura.
–Ufa -Rony disse aliviado-, não é o Malfoy.
–Quem são vocês e como entraram aqui? -o elfo perguntou zangado.
–Pela porta -Tobias respondeu tentando manter o controle sob a situação.
–São ladrões! -gritou o elfo.
–Não..., não -disse Harry.- Nós não viemos aqui para roubar. Queríamos falar com um dos elfos que trabalham aqui e eu acho que pode ser você.
–Você não tem uma mentira melhor, garoto? -indagou o pequeno incrédulo.
–É verdade -Rony falou.
–Viemos aqui saber do Dobby -Harry explicou.
O elfo olhou para Harry bem nos fundos dos olhos e, com uma cara mais zangada ainda, o ordenou, de maneira ríspida, à sair.
–Viemos aqui saber do Dobby e só saio quando souber dele -esbravejou Harry.
Quando o elfo ia responder, ouviu-se um chamado. Era Malfoy, o pai. O homem chamava pelo empregado aos berros, estes vindos, aparentemente, da rua.
–Se escondam -ordenou o pequeno, deixando sua expressão de raiva, dando lugar para uma de medo.- Aqui -apontou para uma porta na cozinha, a qual dava caminho à uma pequena despensa.
Harry, Hermione, Rony e Tobias se esconderam apressados na apertada sala.
–Ai, Rony -disse Hermione-, você pisou no meu pé.
–Desculpa, é que está um pouco apertado aqui.
–Shiii, dá para os dois fazerem um pouco de silêncio para eu poder ouvir o que o sr. Malfoy está falando -pediu Harry com o ouvido pregado na porta.
–Que coisa feia ouvir a conversa dos outros atrás da porta -disse Tobias mexendo nas prateleiras do canto.
Harry despregou o ouvido da porta e lançou um olhar para o avô e disse:
–Estamos escondidos em uma micro-despensa de uma casa que arrombamos para entrar. O senhor realmente acha que ouvir atrás da porta é a pior dos meus problemas? Caso o Sr. Malfoy nos descobrir aqui, se não morrermos pelas mãos dele, com certeza iremos morrer pelas mãos do Snape.
–Que homem mais cruel! -exclamou Hermione ouvindo a conversa de Lúcio com o elfo junto à Rony.- Ele gritou e xingou o pobre coitado do empregado e no final só queria um copo d'água.
–É uma pena não termos trazido nossas varinhas, assim poderíamos sumir daqui -disse Rony-, estou morrendo de medo de nos descobrirem aqui. E se Hogwarts descobrisse, nós podíamos dizer que usamos magia porque nossas vidas estavam correndo perigo.
–Se você continuar à falar alto desse jeito, com certeza nós vamos correr perigo de vida -advertiu Harry.
–Por que você não é um bruxo? -Rony perguntou à Tobias parecendo indignado, ganhando um olhar surpreso deste.
–Por que a revolta? -indagou Tobias.
–Eu tô me tremendo de medo, não está vendo? -disse mostrando as mão trêmulas.- Eu não respondo bem à pressão. Por que que você não é um de nós, hein? Assim, poderia nos tirar dessa enrascada -disse parecendo angustiado.
–Vocês bruxos se acham no direito de pisar nos outros só porque sabem fazer truques com um pedaço de madeira na mão -disse encarando o ruivo, ofendido.- Não sou um bruxo, mas para seu governo, se eu tivesse nascido um, seria o melhor, diferente de você.
–Isso foi uma indireta pra mim? -perguntou Rony, deixando o medo de lado.
–Não, foi uma direta mesmo! Você nem imagina o que Severus fala de você.
–O Snape não fala bem de ninguém.
–Concordo, mas olhando para você, eu dou razão à ele. Você não passa de uma criança chorona, olha, tá quase se molhando todo de medo. O que adianta ficar me culpando por eu não poder nos tirar dessa situação se isso não vai adiantar de nada?
–Eu não sou uma criança chorona!
–Parem com isso já, vocês dois! Parecem dois bebês brigando -advertiu Hermione.
–Parece que ele está indo embora -avisou Harry ouvindo através da porta.
De repente, a porta se abriu e uma forte luz entrou, enquanto Harry e Hermione, que estavam com seus corpos pregados à porta, para ouvir a conversa, caíram no chão. Tobias e Rony olharam assustados para a cena.
–Ai -reclamou Harry olhando para o elfo, estirado no chão.
Para a felicidade de Harry e alívio de todos, era apenas o pequeno elfo, o sr. Malfoy já tinha se retirado do cômodo.
–É melhor vocês irem embora, antes que o mestre volte -avisou virando-se com uma bandeja nas mãos, que continha um copo de água, para levar à Lúcio Malfoy.
–Por favor -pediu Harry se levantando do chão-, apenas nos diga se sabe onde Dobby está.
–Dobby é um traidor -esbravejou virando para olhar Harry.- Elfos domésticos devem servir aos metres até o fim da vida.
–Isso é besteira! -exclamou Harry.- É o que eles querem que você pense, mas todos têm direito de escolha e ela foi arrancada de você e de seu povo, mas isso não quer dizer que ela não seja sua de direito.
–Vão embora!
–Viemos até aqui para saber onde Dobby está e não sairemos até descobrir -disse Rony, parecendo ter recuperado sua coragem.- É melhor você dizer logo porque eu vim aqui para descobrir isso e não conseguir é um substantivo que não existe no meu dicionário.
–Nem no seu nem no de ninguém -respondeu o elfo.
–Idiota -disse Hermione batendo no braço de Rony-, isso é uma frase e não um substantivo.
–Que seja! O que importa é que o que eu quis dizer foi entendido. Anda, pode dizer logo -disse encarando o elfo.
–Eu vou dizer, mas assim que eu acabar de falar, ponham-se daqui pra fora.
–Combinado -concordou Rony.
–Logo que foi libertado, Dobby conseguiu um emprego em Hogwarts e pelo que ouvi, Dumbledore o mandou ao mundo dos trouxas resolver alguns assuntos pendentes em seu nome e não vai voltar tão cedo. Agora se me dão licença, eu irei fazer o que me foi destinado -disse dando as costas aos quatro intrusos com a bandeja nas mãos, pronto para servi-la à seu mestre.
–Que ótimo, viemos aqui para nada! -Rony falou decepcionado.- É melhor nós irmos embora logo, antes que mais alguém apareça.
Rony, Hermione e Tobias estavam caminhando para sair da casa, quando perceberam que Harry ficara parado olhando o pequeno elfo sumir na escuridão do corredor.
–O que foi Harry? -Hermione perguntou preocupada.
–Ah, não -disse Tobias-, você não está pensando em ajudar ele também, não é? Por Deus, ou no caso de vocês bruxos, por Merlin, nós quase fomos pegos porque você queria ajudar Winky à perceber que ela não merece ser tratada como uma escrava, não invente de incluir o senhor mau-humorado também -falou se referindo ao elfo que acabara de deixar o recinto.
–Mas ele está sofrendo! -exclamou Harry.
–Você tem que parar de querer ser o pai dos fracos e oprimidos. Ele pareceu gostar de servir aos Malfoy.
–O fato dele não dizer nada, não quer dizer que não esteja sofrendo.
–Não podemos salvar à todos. Ele não quer ser salvo. Se ele pedir a sua ajuda, aí você pode fazer o que quiser, mas agora basta de confusão. Vamos, senão Severus notará a sua ausência.
Harry fora embora mesmo que contrariado, reclamando de como tem raiva de pessoas como Lúcio Malfoy que traça o destino de criaturas indefesas sem lhes dá a chance da liberdade de escolha, que lhes é de direito.
–Pronto, chegamos! -anunciou Tobias ao parar em frente à casa de Severus. — Eu vou checar se a Winky ainda está de vigília na porta, assim você não precisará entrar pela janela -disse à Harry, que ficou esperando ao lado de Rony e Hermione no jardim.
–Pena que não deu certo o nosso plano de ajudar a Winky, Harry -lamentou Hermione enquanto Tobias espiava pela porta se havia alguém na sala.
–Vem Harry, não tem ninguém! -avisou acenando da porta.
–Já estou indo, acho que nos vemos na escola pessoal. Obrigado por me ajudarem hoje, mesmo que não tenha dado tão certo.
–Tudo bem, até mais -disse Rony se virando para ir embora com Hermione.
–Não tão rápido -disse uma voz grossa vinda da porta.
Harry, Hermione e Rony olharam surpresos, enquanto Tobias ficara pálido, pois a voz tinha vindo à poucos centímetros de si, causando-lhe um enorme susto. A voz era de Snape, que estava com a cara rígida e furiosa e para o espantos dos três mais jovens, mais do que a normal, o que pensavam que fosse impossível, causando-lhes ainda mais sensação de terror.
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