Eu estrelo você
8 Sonho para o futuro
Notas iniciais
Márcia POV
Flashback ON
— BATA A CARA NO ESPELHO, E MORRA ! — Exclamei, enquanto empurrava a cabeça do Vinícius em direção ao espelho.
Após fazê-lo sentir o gosto de "si mesmo", puxei seus cabelos com força pra trás, tirando sua cara do espelho. A pancada tinha sido um pouco forte, tanto que ele acabou cortando a testa.
— Por que você bateu no Riquelme !? — Perguntei, enquanto puxava o cabelo dele com mais força ainda.
— Aaaaaaahhh ! M-me solta !! — Pediu ele.
Continuei a puxar o cabelo dele apenas com a mão direita, e utilizei a esquerda pra arranhar sua nuca e suas costas com minhas unhas grandes.
— FALA LOGO ! — Insisti.
— Mas que putaria é essa ? — Perguntou Isabel, enquanto vinha de lá da frente por causa da barulheira.
Soltei o Vinícius e fui pro lado da garota.
— Seu amiguinho bateu no Riquelme. — Falei.
Isabel foi até o Vinícius e falou :
— Nossa ! Sua testa tá toda cortada, vamos ter que comprar alguma coisa pra passar aí.
— VOCÊ NÃO OUVIU O QUE EU DISSE ? ESSA PRAGA DE VINÍCIUS, BATEU NO MEU AMIGO ! — Exclamei.
Os dois ficaram me olhando com expressões assustadas no rosto.
— Por que você bateu no Gabriel, Vinícius ? — Perguntou Isabel.
O garoto loiro que estava machucado, não respondeu a pergunta e ficou quieto. Acho que estava pensando em inventar uma desculpinha.
— Pode deixar que eu respondo pra ele. — Falei. — Aposto que esse nojo de moleque nunca te contou isso antes, mas pode deixar que eu mesma conto !
— CALA A BOCA ! — Gritou Vinícius, inconformado.
— O Vinícius é gay, e ele namorou o Riquelme por um tempo. — Revelei à ela. — Só que depois, ele não quis manter o relacionamento e fez coisas cruéis pra ferir os sentimentos do Gabriel.
Isabel ficou quieta, mas continuou escutando.
— O RIQUELME AMA O VINÍCIUS INCONDICIONALMENTE ATÉ HOJE, E FAZ DE TUDO PRA TER UM PINGO DE CARINHO DELE, MAS SABE COMO ESSA COISA AÍ CORRESPONDE ? COM UM SOCO ! — Falei. — E VIM AQUI PRA TE DIZER ISSO VINÍCIUS, TOME MUITO CUIDADO COM O QUE VOCÊ FAZ COM AS PESSOAS QUE GOSTAM DE VOCÊ, PORQUÊ SE VOCÊ CONTINUAR ASSIM, SERÃO ELAS QUEM TRARÃO SUA RUÍNA.
Saí daquela lojinha de roupas e fui na farmácia mais próxima para comprar o curativo do Riquelme. Após comprar, voltei pra minha casa e o encontrei deitado na minha cama.
— Cheguei. — Falei, enquanto entrava no meu quarto.
— Você demorou... — Murmurou ele.
— A fila estava enorme. — Eu disse, enquanto me sentava na mesma cama em que ele estava deitado.
— A fila de uma farmácia... ?
— Ahhhh, larga de ser chato Riquelme, o que importa é que eu trouxe o bandaide. — Falei. — Vem cá, deita no meu colo que eu coloco em você.
O garoto colocou sua cabeça em cima do meu colo, com o rosto virado pra cima, e nossos olhares tiveram um encontro perfeito.
Os olhos do Riquelme são de um castanho bem claro... É a primeira vez que eu reparo neles. São olhos cor de mel...
Da vontade de comer só de olhar para eles...
— Márcia ? — Perguntou ele.
— O quê ?
— Coloca logo !
— Ahhh, ta. — Retirei a caixa de curativos de dentro da sacolinha, e depois peguei um deles e coloquei no lugar da ferida do Riquelme, em seu rosto.
— Pronto. — Falei.
— Obrigado. — Disse ele, enquanto fazia um movimento que indicava que iria se levantar.
— Espera, não levanta ainda. — Pedi.
Riquelme continuou com a cabeça em cima do meu colo e perguntou :
— Por quê ?
— Por nada, só quero que fique aí mais um pouco. — Falei.
— Tá bom. — Disse ele.
Após ficar uns 5 minutos ali deitadinho, o Riquelme fechou os olhos inconscientemente, e eu aproveitei pra ficar analisando cuidadosamente o rosto dele.
Me lembrei de tudo que ele me contou sobre o Vinícius, e também pude perceber o quanto ele o amava.
O amor que ele sentia pelo Vinícius era tão puro e inocente... O que era algo tão raro de se encontrar nos dias de hoje...
Esse amor puro também revela o quanto o Riquelme é frágil, eu tenho medo de tocá-lo, pois posso acabar o quebrando em vários pedaços...
Estava com vontade de acariciar os cabelos dele, mas hesitei por causa deste motivo.
Flashback OFF
É verdade, eu não posso deixar que o Riquelme se lembre do Vinícius, então é melhor eu não contar nada pra ele sobre essa história. Também é melhor eu fazer com que ele mantenha distância da Isabel.
Foi por minha causa que a Isabel descobriu sobre a sexualidade do Vinícius no ano passado, e mesmo assim parece que eles são amigos até hoje. Seria um problema se ela indagasse algo ao Rick. Como diabos ele iria responder ?
A resposta é : "ele não iria responder", e isso faria com que ela mesma contasse toda a história pra ele. Isso de fato seria um problema.
— Márcia ! — Chamou ele.
— Me desculpa, dessa vez fui eu quem me lembrei de algo, hahá. — Falei à ele.
— Você se lembrou do que ? — Perguntou ele.
— Nada não.
Eu e o Riquelme continuamos conversando na sala de aula, até faltar 20 minutos pra aula do professor acabar.
Várias pessoas da sala vieram falar com ele, perguntando sobre a amnésia e tentando ajudá-lo a se lembrar das coisas.
Esse povo é todo duas caras, nunca nem ligaram pra ele, e só agora quiseram vir ajudar.
Após o término da terceira aula, eu e o Rick descemos pro intervalo e eu decidi levá-lo direto pra biblioteca, pois ele adorava ficar lá.
— Você lembra daqui ? — Perguntei.
— Agora que entrei e estou vendo... Sim, sinto que já vim aqui várias vezes. — Respondeu ele. — Eu gostava de ler ?
— Gostava sim.
— Eu lia sobre o que ?
— Fantasia, eu acho...
— Hm, então eu devia ser bem alienado.
— Sim, muito. — falei.
— Eae. — Falou um garoto, que acabou de vir até nós.
Estávamos nós três ali, no meio das prateleiras na biblioteca da escola.
Esse é o Kaio, um amigo meu e do Rick, só que ele é do primeiro ano.
— Oiii. — Falei.
— Oi. — Disse o Riquelme.
— O que vocês estão fazendo aí ? — Perguntou Kaio.
— Eu trouxe o Riquelme aqui porque estou ajudando ele a recuperar a memória. — Contei à ele. — Você soube, Kaio, que ele está com amnésia ?
O garoto que acabou de chegar fez uma expressão de espanto no rosto.
Kaio é um garoto alto, mais alto do que eu e do que o Riquelme. Ele tem cabelo loiro-escuro no corte de moicano, todo espetado pra cima. Seus fios são bem lisos, pois quando ele veio uma vez sem passar gel pra escola, seu cabelo caiu todo sobre a testa.
A pele dele é branca normal, ele é magro e possui olhos castanhos
— Isso é sério ? — Perguntou Kaio.
— É sim. — Respondi com uma expressão séria no rosto para provar que não era brincadeira da nossa parte.
— Você não se lembra de mim, Gabriel ? — Perguntou Kaio.
Riquelme olhou pro garoto e analisou rapidamente o seu corpo.
— Não... — Respondeu ele.
— Hahá, ele lembrou de mim só de me ver na sala de aula ! — Contei ao Kaio.
— Aff, não tem como.
— Claro que tem.
Kaio parou de olhar pra mim e começou a olhar pro Riquelme, provavelmente iria falar com ele.
— Gabriel, conta aê, como você perdeu a memória ? Bateu a cabeça, foi ?
— Foi isso mesmo, ao que parece eu caí e bati a cabeça na guia da calçada. — Contou Riquelme. — E depois que acordei, havia me esquecido de tudo e de todos.
— Hm... Tenso... — Murmurou Kaio.
— Mas eu já consegui me lembrar de bastante coisa, a Márcia e o povo da sala me ajudaram.
— Eu acho que posso te ajudar também. — Disse Kaio.
— Se puder, será de grande ajuda. — Disse Riquelme, enquanto colocava o livro que havia pego, na prateleira, e começava a dar atenção especial ao Kaio.
— Meu nome é Kaio, eu conheci você por um amigo meu chamado Arthur, isso foi na sétima série, você lembra ? — Perguntou Kaio.
— Arthur ? Quem é Arthur ? — Perguntou Riquelme.
— O Arthur era amigo seu também, só que você não falava frequentemente com ele e nem comigo, você só ficava com o Vinícius, e ainda depois veio a separação dos intervalos, sendo que no ano seguinte você foi pro ensino médio e nós ficamos na oitava. — Contou Kaio.
Droga, ele citou o Vinícius, isso é mal, eles se conhecem.
Riquelme começou à abrir a boca, e provavelmente iria fazer uma pergunta.
D-droga, ele vai perguntar sobre o Vinícius, droga, droga, droga... Preciso dizer algo pra impedir, mas o que ?
O que eu faço ? O que eu digo ? Merda, não vai dar tempo...
— O... — Murmurou Gabriel, mas eu o interrompi.
— Lembra Riquelme, que eu, você e o Kaio ficávamos conversando aqui na biblioteca ? Sentados ali naquelas mesinhas ? — Perguntei, enquanto apontava pras mesinhas.
Riquelme não respondeu e ficou encarando as mesinhas, provavelmente estava pensando.
— Acho que estou me lembrando... — Murmurou ele.
— É cara, era da hora, ás vezes eu trazia salgadinho pra gente comer escondido aqui dentro. — Contou Kaio.
— Hm, verdade, era a sua cara fazer coisas desse tipo, Kaio, só que não pode, se eles pegassem, tirariam você daqui nas voadoras. — Falou Riquelme.
— Aê, você falava isso antes, então se lembrou ? — Perguntou Kaio.
— Sim, pelo menos disso... E me lembrei que você era meu amigo também, eu já fui na sua casa jogar xbox, não fui ?
— Já, várias vezes.
Uffa, consegui fazer o Riquelme esquecer da pergunta sobre o Vinícius, e ele ainda se lembrou do Kaio. Isso sim foi uma jogada de mestra.
— Mas tipo cara, você consegue se lembrar das coisas mais importantes ? — Perguntou Kaio.
— Tipo o que ?
— Dos seus pais, amigos mais próximos, do seu sonho para o futuro, e... — Kaio ia continuar falando, mas Riquelme o interrompeu.
— Dos meus pais e amigos eu lembro, mas... — Murmurou Riquelme.
Ele disse que se lembra dos amigos mais próximos ? Mas ele não se lembra do Vini... E se ele falou isso inconscientemente, mesmo sabendo de que há um garoto na casa onde ele está dormindo, do qual não se lembra... Então isso significa que ele não está dando muita importância em lembrar sobre o Vinícius.
Ótimo, isso é ótimo !
— Mas... Qual é o meu sonho para o futuro ? — Perguntou ele.
— Eu não sei cara, você que tem que lembrar... — Respondeu Kaio.
— Márcia, eu já te disse alguma vez qual era o meu sonho pro futuro ? — Perguntou o Riquelme.
— Acho que não, e se já disse, eu não me lembro. — Respondi.
É verdade, eu também não sei qual é o sonho dele pro futuro.
— Sonho pro futuro... — Murmurou Riquelme.
Vinícius POV
Eu estava no refeitório da escola, com o meu namorado e com a minha melhor amiga. Nós estávamos comendo.
— Eu vi o Gabriel aqui no intervalo, Vinícius. — Disse Isabel.
— Ah, eu sei. — Falei.
— Ele já está melhor ? — Perguntou ela.
— Mandaram eu trazer ele pra escola hoje, pois ele poderia se lembrar de algo. — Respondi.
— Hm...
— Que Gabriel ? — Perguntou Guilherme.
— Você não conhece, e é melhor nem querer conhecer. — Respondi.
— Teve uma vez que o Vinícius deu um soco no Gabriel. — Contou Isabel.
Droga, por que diabos ela tocou nesse assunto desagradável ?
— Mentira dela. — Falei.
— Você, esse menininho pequeno, frágil e bobo dando um soco em alguém ??? Como ??? — Perguntou Gui, de zoação com a minha cara.
— Vai, fica com essas graças que te dou um também. — Falei.
— Não, você vai me dar outra coisa... — Disse ele.
Ele só sabe falar dessas coisas, sempre que tem uma brecha ele dá o bote... Aiai Gui tarado.
— COF COF, MAS ENTÃO NÉ, o Vinícius deu um soco no Gabriel, e depois a amiguinha do garoto foi caçar a gente lá na loja. — Contou Isabel.
— "A gente" ? Ela veio ME caçar, isso sim. — Falei.
— Hahahahahahaha, foi, ela afundou sua cara com tudo no espelho. — Disse ela.
— Aff, aquilo doeu pra caramba.
— Quanta treta, mas, por que você bateu nesse Gabriel ? — Perguntou o Gui. Após perguntar, ele deu a última garfada na comida, deixando seu prato totalmente vazio.
— Porque ele era chato, muito chato. — Respondi.
— Ah. — Disse ele.
— Isa... Eu e o Gui já acabamos de comer. — Falei.
— E daí ? — Perguntou ela.
— Você é lerda pra comer e ainda está na metade. — Insinuei.
— Me deixa, quem demora pra comer é sujeito à ser mais saudável, sabia ?
— ENFIM. Eu e o Gui vamos ir andar um pouco pelo pátio. — Falei.
— Vamos ? Pra quê ? — Perguntou ele.
— Ahhhh, vai, vamos, por favor. — Pedi. — Já cansei de ficar aqui.
— ISSO, ME ABANDONA MESMO SEU FILHO DUMA RAPARIGA, TOMARA QUE A MÁRCIA ENFIE TUA CARA NO ESPELHO DE NOVO ! — Exclamou Isabel, inconformada.
— SE ELA AFUNDAR A MINHA, EU AFUNDO A TUA, SUA QUENGA ! — Exclamei.
— Hahahaha, viado, quenga é você. — Disse ela, enquanto dava risada.
Eu e o Guilherme saímos do refeitório e ficamos andando em círculos pelo pátio, o clima estava frio, provavelmente por causa do horário.
— Por que você não anda de mãos dadas comigo ? — Perguntou ele.
— Ah não, eu tenho vergonha... — Respondi.
— Você tem vergonha de mim ??
— Não, é que aqui na escola tem muito funkeiro e o povo zoa, sabe... Não quero te meter em confusão nem nada do tipo. — Falei.
— Foda-se eles, se alguém vier falar merda eu mando tudo pro inferno. — Disse ele, enquanto pegava na minha mão.
— A-aaah, tá bom... — Murmurei.
Deixei que ele ficasse andando de mãos dadas comigo, mas, não é como se eu estivesse feliz com aquilo. Era muito vergonhoso...
Passamos na frente do banheiro masculino e ouvimos alguns barulhos esquisitos vindos de lá de dentro.
— Que barulho é esse, Gui ? — Perguntei.
— Não sei... — Respondeu ele.
Puxei ele pra dentro do banheiro e fomos juntos olhar o que era.
Haviam três meninos espancando um quarto garoto, lá dentro. Dois seguravam e o outro batia com toda a força.
— O menino precisa de ajuda Gui ! Nós temos que fazer alguma coisa ! — Falei.
— Não. — Disse Guilherme.
— Por que ? Peça pra eles pararem que eu vou chamar o inspetor. — Sugeri.
Eu já ia saindo do banheiro, mas o Gui me segurou.
— Não. — Falou ele.
— Por que ? Você está com medo de apanhar ?
— Não é isso, é que veja bem, se fosse você que estivesse apanhando, acha que aquele garoto iria te ajudar ? — Perguntou ele.
— B-bom... Talvez, eu não sei... Não conheço ele... — Respondi.
— Pois eu tenho certeza que não, e outra, se o menino tá apanhando, ele deve ter feito alguma coisa pra merecer isso. — Disse Guilherme.
— M-mas Gui...
— Não se mete com essa gente, Vini... Deixa eles aí e vamos embora... — Pediu ele.
Os meninos jogaram o garoto no chão e começaram a chutar ele.
— S-só que...
— Não quero que você se machuque, aqueles meninos já viram a gente aqui dentro. Se eles marcarem o seu rosto, vão querer se vingar mais tarde, e você vai acabar machucado. — Disse Gui. — Eu não quero que nada aconteça com você, então vamos embora. — Disse ele, enquanto me arrastava pra fora do banheiro.
— T-tudo bem... — Murmurei.
Coitado do menino... O que será que ele deve ter feito à aqueles outros ?
Enquanto eu e o Gui andávamos pelo pátio, o sinal que indicava o fim do intervalo tocou.
— Vamos subir ? — Perguntou ele.
— Vamos. — Respondi.
Fomos andando até a escada, e chegando lá, olhei pra porta da biblioteca e avistei o Gabriel saindo ao lado da Márcia e do Kaio.
Kaio ? Por que ele está com eles ? Pensei que fosse raro ele ir conversar com o Gabriel.
Analisei melhor a cena, e vi que o Kaio estava com um braço por cima do ombro do Gabriel, como se fossem amigos à milênios.
Que proximidade é essa ? O Gabriel perdeu a memória, não tem como ele ter se lembrado do Kaio em tão pouco tempo...
Será que ele lembrou ? E da Márcia também ?? Por quê ?? Pensei que ele só tinha sido capaz de lembrar de mim...
Ah é, eu estou de mãos dadas com o Gui, se ele nos ver, aposto que vai ter um troço.
Gabriel virou seu rosto em minha direção, e de fato viu eu de mãos dadas com o Guilherme, mas... Foi como se não estivéssemos ali.
Era como se a trajetória do olhar dele perfurasse a mim e ao Guilherme, indo parar do outro lado do pátio... É como se estivéssemos invisíveis, é como se nossa presença naquele local tivesse desaparecido.
Após dar uma espiada rápida no pátio, Gabriel voltou a olhar pra Márcia e pro Kaio, pois estava conversando com eles.
— O que foi ? Pra onde você tá olhando ? — Perguntou Guilherme.
— A-ah, p-pra lugar nenhum. — Respondi.
Gabriel POV
Sonho para o futuro... Sonho para o futuro... Sonho para o futuro... Qual era o meu sonho para o futuro... ? Por que eu não consigo me lembrar... ?
Sinto que era algo importantíssimo, mas... O que era ??? Qual era o meu sonho nesta vida ???
Continua no capítulo 09.
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