Eu estrelo você
11 Sentimentos ocultos
Notas iniciais
Vinícius POV
Hoje foi uma longa Segunda-feira, muitas coisas aconteceram.
A primeira ida do Gabriel à escola após a amnésia, o reencontro dele com a Márcia e com o Kaio, meu almoço com o Gui no restaurante, a discussão dele com o Gabriel, o flagra da minha mãe e a terrível briga com ela.
Parece que se passaram dias e dias, mas não, tudo aconteceu hoje.
Agora são 22:45 e estou mexendo no meu tablet, deitado no colchão que está no chão do meu quarto. O Gabriel está deitado na minha cama, que fica à poucos centímetros do meu colchão. Ele também está deitado, mas está virado pro lado da parede.
As luzes do cômodo estavam apagadas, a única iluminação era o meu tablet ligado.
O clima mudou bastante nessas últimas horas, lá fora estava chovendo uma chuva pesada com uma forte ventania. Dava-se pra escutar o barulho do vento batendo na janela.
Estava tudo quieto exceto pelo vento e pela chuva, até que a Maria abriu a porta e entrou no quarto.
— Você não vai dormir não Vinícius ? Já está tarde. — Falou ela, com um tom de voz baixo. — Desliga esse tablet e aproveita que está chovendo pra pegar num sono.
— Tá, vou desligar agora. — Falei.
— Gabriel, hoje eu fiquei o dia inteiro ocupada, e acabei esquecendo que tínhamos que te levar no psiquiatra. — Disse minha avó. — Amanhã nós vamos, certo ?
— Não precisa, eu já me lembrei de muitas coisas hoje. — Respondeu o Gabriel.
— Hm... Amanhã nós conversamos melhor sobre isso então, estou indo, boa noite. — Disse ela, enquanto saía do quarto e fechava a porta.
— Boa noite. — Falamos eu e o Gabriel.
Desliguei meu tablet e o coloquei em cima da mesinha do pc.
— Ei idiota, se você está acordado, então está pensando no que ? — Perguntei ao Gabriel.
— E desde quando você tem interesse no que eu penso ? — Disse ele, friamente.
— Desde sempre. — Respondi.
— Hm... Por algum motivo isso me soa como uma mentira. — Afirmou ele.
— Fala. — Insisti.
— Estou pensando no meu sonho pro futuro. — Disse ele.
— De novo isso ? Você ainda não conseguiu se lembrar ?
— Não. O estranho é que a resposta parece estar em baixo do meu nariz, mas por algum motivo eu não encontro. — Falou ele. — Eu realmente quero lembrar qual é o meu objetivo, pois sinto que era algo de muitíssima importância pra mim.
— Eeee ? Será que você queria virar hokage ? — Perguntei.
— Cala boca. — Falou ele.
Um raio muito forte clareou o quarto inteiro, deixando tudo num brilho azul.
Milésimos de segundos depois veio o barulho altíssimo, parecendo uma explosão.
— Aahhhhh !!! O que foi isso ???? — Perguntou Gabriel, enquanto dava um pulo na cama.
— Eitaaa, esse foi muito forte. — Falei, enquanto me sentava no colchão e ficava encarando a janela.
— Um raio ? — Perguntou ele.
— Sim, não se lembra o que é um raio ?
— Claro que lembro.
— É que esse foi muito forte, será que queimou alguma coisa ? — Perguntei.
— Não sei.
Outro clarão iluminou o quarto, porém esse foi umas três vezes mais fraco que o anterior.
Novamente, o barulho veio em seguida, mas foi mais baixo.
A chuva continuava aumentando lá fora, e eu me deitei de novo.
— Com sorte, quando chegar amanhã talvez ela ainda não tenha acabado, e aí poderemos faltar na escola. — Falei.
— .... — Gabriel ficou quieto.
Ficamos em silêncio por alguns minutos, mas eu notei que o Gabriel estava quieto demais na cama, sem mover um músculo.
Me sentei de novo no colchão e cutuquei ele.
— Ai, o que foi !? — Perguntou ele.
— Por que você está todo duro aí ?
— Que pergunta desagradável, seu tarado. — Respondeu ele.
— E-eu não falei nesse sentido ! — Exclamei. — Digo, você está quieto demais, e eu sei que você se mexe muito na cama, você não gosta de ficar parado em uma posição só.
— Talvez eu apenas não me lembre que eu gostava de me mexer na cama. — Disse ele.
— Aposto que não é isso. — Falei. — Você está com medo dos raios !
— N-não estou. — Disse ele.
— Está sim.
— Já falei que não. — Insistiu ele. — Eu não tenho medo dessas coisas.
— Chega pra lá. — Falei, enquanto empurrava o Gabriel mais pro canto da parede.
Invadi a cama dele, aliás, MINHA cama, e me deitei ao seu lado.
— SAI ! — Exclamou ele, enquanto fazia força pra me empurrar pra fora.
— Para !! Eu vou cair !! — Pedi.
— Então caia !
— Não ! — Exclamei, enquanto segurava os braços dele e o impedia de me empurrar, mas ele começou a usar as pernas pra me empurrar.
Enrolei minhas pernas nas dele e o imobilizei.
— ... — Ele ficou quieto, mas percebi que estava ofegante por ter tentado me jogar pra fora.
— Deixa Gabriel, se você está com medo dos raios, eu posso ficar com você e te proteger. — Falei.
— Você só está fazendo isso por si mesmo. — Disse ele.
— Hã ?
— Você quer ficar assim comigo porquê está se sentindo solitário, uma por causa da sua mãe, e duas por causa do seu namorado. — Falou ele, friamente. — A propósito, o Guilherme não ficaria nem um pouco feliz ao ver nós dois deitados na mesma cama.
— Aff. — Falei.
— E sua mãe não quer ter um filho gay, não seria ousadia demais ficar assim na casa da mãe dela ? O que você fará se ela contar o que viu pra Maria ? — Perguntou ele.
— ... — Fiquei quieto.
É verdade, tem essa possibilidade, eu não sei como minha avó vai me tratar depois de saber sobre minha sexualidade, mas eu acho que será normal.
A Maria se adapta bastante ao mundo de hoje, e por isso eu acho que ela vai me entender.
— Para de ser chato Gabriel, vamos apenas dormir e deixar essas coisas pra lá.
— SAI CARAMBA, EU TE DEI MEU OMBRO PRA VOCÊ CHORAR, ISSO NÃO FOI SUFICIENTE ? EU NÃO QUERO SER TOCADO POR VOCÊ, SUA PRESENÇA ME ENJOA ! — Exclamou ele, enquanto se soltava de mim e me jogava da cama, me fazendo cair no colchão.
P-por que ele está tão frio assim... ?
Ele perdeu a memória, ele não se lembra das coisas ruins que eu disse à ele, então... Por quê ?
Pensei que o Gabriel era o único que estivesse realmente do meu lado, mas eu estava enganado... ?
Aliás, por que eu estou tão sentimental em relação à ele ? Droga, não era pra eu me importar nem um pouco com essa criatura !
Outro clarão iluminou o quarto, e percebi o Gabriel se encolhendo mais ainda na cama.
É, eu não devia nem ter tentado abraça-lo, eu estava doido ? Aff
Desisti de tentar aconchegar ele, me enrolei e dormi no colchão mesmo.
No dia seguinte, Terça-feira, acordamos e fomos pra escola. No caminho eu e ele mal conversamos, ele estava de cara fechada comigo.
Ao chegar na escola, eu me separei do Gabriel, ele foi ao encontro da Márcia no pátio e eu fui até a Isabel.
— Oi, bom dia. — Falei.
— Oi Vinícius. — Disse ela, me dando um abraço.
— O Gui já chegou ? — Perguntei.
— Já, ele está com um bandaid no nariz igual a você. — Disse ela.
— Mas eu já tirei o meu ontem de noite, já sarou. — Falei. — O Gabriel tinha espetado meu nariz com um grampeador.
— Um grampeador ? Por quê ?
— Porquê eu tentei tirar ele da minha cama. — Falei.
— EITAAAAAAA QUE O NEGÓCIO PEGA FOGO ! — Exclamou ela.
— Aff, nada haver.
— Foi o Gabriel que machucou o nariz do Gui também ?
— Deve ter sido, eles se debateram ontem na rua.
— Sério ?? Conte o babado. — Pediu ela.
Fui contando tudo à Isa.
Márcia POV
Eu estava subindo com o Riquelme pra sala de aula.
— Ontem de noite o Vinícius tentou me agarrar na cama. — Disse ele.
— Quêêêê ??? — Perguntei.
— É sério, nossa, aconteceu muita coisa. — Respondeu o Rick.
Saímos da escada e começamos a andar pelo corredor do segundo andar.
O Vinícius tentou agarrar ele ? Será que ele lembrou de algo ? Será que eles voltaram ? D-droga, não pode ser...
— Primeiro eu descobri que o Vinícius tem um namorado, é um cara daqui da escola chamado Guilherme. — Contou Riquelme. — E de tarde, quando eu estava saindo pra comprar pão com a mãe do Vinícius, eu e ela nos deparamos com ele se agarrando com o tal Guilherme no portão de casa.
Uffa, então o Vinícius tá em outro ? Ótimo, pelo menos isso.
Ele não pode continuar magoando o Riquelme, é melhor que ele fique com o tal namorado mesmo.
— E depois ? O que aconteceu ? — Perguntei.
— A mãe dele não sabia sobre a sua sexualidade, daí eu fui comprar pão sozinho e ela ficou em casa pra conversar com o Vinícius. — Respondeu ele. — E chegando na padaria, o tal Guilherme veio até mim e tentou me ameaçar, queria saber o porquê de eu dormir na casa do namorado dele.
— Ele fez o que ??? Você se machucou ?? — Perguntei.
— Não, eu bati nele e ainda grampeei seu nariz. — Respondeu ele.
— Cuidado, ele pode vir querer te bater depois com mais amigos. — Falei.
— É verdade. — Afirmou Riquelme.
Entramos na sala de aula, nos sentamos e continuamos conversando.
— Mas e aí, por quê o Vinícius tentou te agarrar de noite ? — Perguntei.
— Ah, então... Quando eu cheguei da padaria, vi o Vinícius discutindo com a mãe dele sobre gays e talz, e aí eu entrei na discussão e defendi ele. — Contou. — A mãe dele saiu brava, falando que a gente ia pro inferno, e ele ficou chorando no meu ombro.
— Que tenso, ser gay tem uns pontos ruins. — Falei.
— Né. — Falou ele. — E parece que o Vinícius se sentiu bastante feliz por eu ter ajudado ele na discussão, acho que ele se sentiu abandonado pelo namorado e pela mãe, por isso veio recorrer à sobra aqui no fim da noite.
— Pelo namorado por quê ? — Perguntei.
— Porquê o Guilherme deve ter deixado ele sozinho pra conversar com a mãe, sei lá. Talvez ele quisesse que o cara defendesse ele.
— Hm... Mas mesmo assim, é muita falta de sacanagem isso que ele fez. — Falei. — Ir á você quando perdeu todo mundo, aff, esse garoto não dá a mínima pra você Riquelme, você deveria sair logo de lá, pra ele você é só uma sobra mesmo.
— Estou ciente, eu sinto algo ruim vendo dele, apesar de ainda não ter conseguido me lembrar. — Falou ele.
— E na hora que ele te agarrou você fez o que ? — Perguntei.
— Chamei ele de nojento e empurrei. — Respondeu.
— Isso mesmo. Bem feito. — Falei.
— Hey Márcia, você era amiga do Vinícius ? — Perguntou ele.
— Não amiga, nós éramos todos da mesma sala do ano passado, apenas. Eu, você, ele e a Isabel.
— O Kaio disse ontem que eu era melhor amigo do Vinícius, era verdade ?
Droga... Ele não se esqueceu do que o Kaio falou na biblioteca. O que eu falo ?
Bom, se eu mentir e ele descobrir a verdade depois, ele vai ficar bravo comigo, então não posso mentir.
Tenho que ser sincera.
— Sim, vocês eram grandes amigos. — Falei.
— E ainda somos ? — Perguntou ele.
— Não, vocês brigaram. — Respondi.
— Por quê ?
— ... — Fiquei quieta.
Aff, agora já é demais, não posso revelar pro Rick que ele já namorou o Vinícius, e que aquele mejero só magoou ele.
Não quero que o Riquelme se lembra dessa história ruim.
— Olha Riquelme, sinceramente, é melhor você não querer saber dessa história. — Falei.
— Por quê ?
— Porquê é algo que você iria querer esquecer, caso soubesse. — Olhei ele seriamente.
— .... Tudo bem. — Falou ele.
O Riquelme é curioso, mais não muito.
Isso que eu acabei de falar foi em um tom bem sério, e ele me conhece.
Ele sabe que estou falando a verdade, e que então é realmente melhor pra ele não lembrar do Vinícius.
— Sério... Vai ser melhor pra você se nunca se lembrar do Vinícius. — Falei.
— A briga foi tão feia assim ?
— Ele é um desgraçado. — Falei.
— Entendo. — Disse ele. — Não vou procurar saber à respeito então.
Após o término das três primeiras aulas, eu o Riquelme fomos pro intervalo.
Ao invés de irmos pra biblioteca como de costume, fomos pra quadra e sentamos lá. Ela fica aberta durante o intervalo.
— Aaah, estou com sono. — Disse ele.
— Por quê ? Que horas você foi dormir ? — Perguntei.
— Só fui dormir quando o temporal passou, lá pras 2 da manhã. — Respondeu Riquelme. — Os raios faziam muito barulho.
— Você tem medo ?? Dessa eu não sabia.
— Não tenho.
— Ôôôôô dóóó, tadinho dele.. — Falei, num tom de manha.
Olhei pra ele e vi seu rosto vermelho. Mostrei um sorriso e dei dois tapinhas na minha perna.
Esses tapinhas eram um sinal meu pro Riquelme, apenas nosso.
— Você não enjoa disso, hein ? — Falou ele, enquanto deitava no meu colo.
Comecei a fazer cafuné nele, seus cachinhos macios dançavam nas minhas mãos.
Quando o Riquelme deitava no meu colo, eu não conseguia deixar de olhar pro seu rosto corado. Ele tinha mania de fechar os olhos, e seus pelinhos ficavam todos arrepiados.
Me lembro dele falando que sonhava que o Vinícius fizesse um cafuné nele. Deve ser de fato diferente, receber um cafuné de quem a gente ama ao invés de uma pessoa qualquer...
E essa regra também se aplica a... Fazer um cafuné em quem a gente ama. É muito diferente do que fazer um cafuné numa pessoa qualquer.
É muito melhor.
Deslizei minha mão esquerda pelo rosto do Riquelme, e ele abriu os olhos.
— Chega né, ou alguém vai estranhar. — Falei.
— Nah, aí eu digo que sou gay.
— Não se arrisque tanto bobo, gays ainda sofrem preconceito.
— ... Tudo bem. — Ele se levantou do meu colo.
— Oi Márci, eae cara. — Disse Kaio, enquanto adentrava a quadra e vinha até nós. Eu e o Riquelme estávamos sentados perto da entrada.
— Oi. — Falei.
— Yo. — Disse Riquelme.
— Cara, vem cá rapidinho, preciso conversar contigo. — Falou Kaio.
— Tá. — Falou o Rick. — Márcia, eu já volto.
— C-certo. — Falei.
Kaio levou o Riquelme pra dentro da biblioteca, o que será que ele quer com ele ?
Enrolei um pouco, mas depois de 3 minutos resolvi seguir os dois.
Adentrei a biblioteca e procurei por eles. Vi os dois bem próximos um do outro, escondidos entre as prateleiras.
O-o que eles... E-estão fazendo... ?
Vinícius POV
Estou no refeitório, comendo com a Isabel.
— E aí, você não vai ir falar com o Gui ? — Perguntou ela, fitando o Guilherme com o olhar.
Ele comia sozinho na mesa ao lado.
— Eu não, ele que me deixou sozinho lá e agora está fazendo birra ? Aff. — Falei. — Não vou mesmo !
— Eita, tá bom, tá bom. — Disse ela.
Um menino e uma menina se sentaram na nossa frente. Eram amigos.
O garoto era do tamanho do Gabriel, tinha cabelo preto como o dele, porém mais curto, mais liso e mais arrumado. Sua pele era beeem branquinha, ele tinha apenas algumas poucas espinhas no rosto, coisa besta. Seus olhos eram azuis.
Já a garota tinha cabelo preto e grande, liso só que enrolado nas pontas. Sua pele era morena e seus olhos eram castanhos. Ela usava um óculos daqueles que estão na moda entre as garotas hoje em dia. Daqueles grandes. Não sei o nome.
Esse menino é muito fofinho... Parece um bebê.
— O que foi ? — Perguntou a garota de óculos.
— O que foi o quê ? — Perguntei.
— Você não para de olhar pra gente. — Disse ela.
— E-eeh, desculpa. — Falei.
O garoto fofinho continuou quieto, apenas com um leve sorriso no rosto, de boca fechada.
— Hahaha, ele está interessado em vocês. — Falou Isabel.
— M-MENTIRA, é que eu achei legal o seu óculos. — Falei, tentando disfarçar meu interesse.
Maldita Isabel.
— Ah, quer ver ? — Perguntou a garota.
— Sim, posso ?
— Pode. — Disse ela, me emprestado seu óculos.
O coloquei no rosto e me olhei pelo reflexo do celular da Isabel.
— Não tem grau ? — Perguntei.
— Não, é só pra enfeitar mesmo. — Respondeu ela.
— Legal. —Falei.
— Meu nome é Verônica, e o de vocês ?
— Me chamo Isabel.
— Eu sou Vinícius.
— Prazer. — Disse a garota. — Esse é meu amigo anti-social, Pedro.
Pedro é o nome desse garoto fofinho ?
— Oi. — Falei.
— Oie. — Disse Pedro.
— Cara, a comida desse refeitório é muito esquisita, vocês já repararam no mingau que eles dão aqui ? — Perguntou Isabel.
— Eu nem como o mingau quando eles dão, então não sei. — Respondeu Verônica.
— O mingau daqui é do que ? — Perguntou o garoto fofinho.
— E desde quando mingau tem sabor, Pedro ? — Perguntou ela.
— Oxi, claro que tem, existe mingau de milho, de maisena, de fubá... — Respondeu o garoto.
— De maisena existe ? — Perguntei.
— Sim. — Afirmou o garoto.
Reparando melhor... Ele tem aquela voz que os meninos gays tem.
Não sei porque a maioria dos gays tem aquela voz, meio que "aiiin", mas hoje em dia, é fácil identificar um gay por causa dessa voz.
Não estou dizendo que todos eles tem, mas sim uma boa porcentagem.
Será que esse Pedro é gay ?
Porra, por que diabos tem tantos gays nessa escola ??
Eu não conseguia deixar de olhar o tal Pedro, sua fofura meio que me atraia, e agora ainda mais que tem a chance dele ser gay.
O garoto percebeu que eu o olhava sem parar, e me mandou um sorriso.
Ah, os dentes dele são meio tortos, claro, tinha que haver um defeito !
Mas ainda assim... Ele é muito bonitinho.
Ficamos conversando até o término do intervalo.
Gostei bastante deles, a Verônica e o Pedro são bem legais.
Estávamos nós quatro nos preparando pra subir as escadas, e então vi o Gabriel saindo com o Kaio da biblioteca.
Cadê a Márcia ?? Por quê ele estava sozinho com o Kaio ??
E na biblioteca ainda ??
A Márcia passou do nosso lado e foi até os dois garotos.
Os três subiram juntos conversando.
Márcia POV
Cheguei na sala de aula com o Riquelme, e de cara perguntei à ele :
— O que o Kaio queria com você ?
— Nada não. — Respondeu ele. — Coisas de garotos.
— Sério isso ?? Você não vai me contar ?? — Perguntei.
— Não posso. — Respondeu.
— Mas nós somos melhores amigos, e eu te conto tudo ! — Exclamei.
— Do mesmo modo que você preferiu não contar sobre o Vinícius, eu prefiro não contar sobre o Kaio, okay ?
— M-mas... — Tentei falar, mas ele me interrompeu.
— OKAY ?
— Okay...... — Falei.
Verônica POV
Eu estava na sala de aula com meu amigo.
O Pedro se senta na primeira carteira da fileira da janela, e eu me sento ao lado dele, nossas carteiras ficam sempre grudadas. A mesa do professor fica na nossa frente, grudada com nossas carteiras também.
Nós estávamos quase sozinhos na sala, o povo ainda estava tudo lá em baixo.
— O que achou do Vinícius ? — Perguntei à ele.
— Achei ele legal. — Respondeu o Pedro.
— E o que mais ? — Perguntei.
— Mais nada, oxi.
— Sério ? Você fica um tempão cismado com o garoto, e agora que finalmente falou com ele se sente decepcionado ?
— Não falei em momento algum que me decepcionei, caramba, falei que ele é legal. — Disse o Pedro.
— Hmmmmmmmmmm..... — Murmurei.
— Eu gostei dele, pena que ele não aparenta ser gay. — Falou.
— Nunca se sabe, as aparências enganam... — Falei.
— E você ? O que achou dele ?
— Não achei nada ainda, foi a primeira vez que conversamos, calma né.
— To calmo, oxi.
Vinícius POV
12:22 desta Terça-feira na calçada em frente o portão da escola, estávamos saindo.
— Tchau Isabel, até mais. — Falei, enquanto acenava pra ela e seguia o meu caminho com o Gabriel.
— Tchau ! — Exclamou ela. — Tchau Gabriel !
— Tchau. — Disse Gabriel.
Tsk, era mesmo necessário ela cumprimentar ele ?
— Gabriel, o que você estava fazendo com o Kaio hoje na biblioteca ? — Perguntei diretamente.
— Conversando.
— Sobre o que ?
— Não te interessa. — Disse ele.
— Pau na sua testa ! — Exclamei.
— ... Infantil. — Falou ele, friamente.
— Quê ?? Não quero ouvir isso vindo de alguém que tem medo de raios, e que até outro dia ficava chorando por tudo e dizendo : "Tam dam !".
— Nunca disse "Tam dam". — Falou ele.
— HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH, NÃO, IMAGINA. — Exclamei.
— Vini. — Disse uma voz.
Olhei pra trás pra ver quem era, e era o Guilherme.
— O que foi ? — Perguntei.
— Você não vai falar comigo ??? O que eu fiz ???
— Nada, você não fez nada. — Respondi.
— Então por que você nem olhou na minha cara hoje ?? — Perguntou ele.
Guilherme deu uma rápida olhada pro Gabriel, que estava me esperando ali parado, e depois voltou a olhar pra mim.
— Sei lá. — Falei. — Por que VOCÊ não veio falar comigo ?
— Porque eu pensei que você estivesse chateado... — Murmurou ele.
— Hm... Legal... — Falei, enquanto virava o rosto.
Guilherme me puxou pela cintura e começou a olhar dentro dos meus olhos.
— Já que não tem nada de errado, então vamos voltar ao normal logo. — Disse ele. — O que acha de irmos comer no restaurante agora ? Eu pago.
— P-P-PARA ! NÃO ME AGARRE ASSIM NA FRENTE DOS OUTROS ! — Me soltei dele. — Estamos na rua da escola ainda, olha o tanto de gente passando !
— Mas a gente namora pow ! — Falou Gui.
— Dá um tempo... — Falei, enquanto ia pra casa e deixava ele e o Gabriel pra trás.
— Não me olhe assim, eu não tenho nada haver com isso. — Disse Gabriel, ao Guilherme, mas ele também o deixou pra trás e veio atrás de mim.
— Ei, tem certeza ?? — Perguntou o Gabriel.
— O que ?
— Tem certeza que vai deixar ele sem resposta nenhuma ? Ele vai ficar com mais ciúmes ainda. — Falou Gabriel.
— Não estou nem aí. — Falei.
— ... — Gabriel ficou quieto por alguns instantes, mas logo fez uma pergunta bem chata.
— Por que não contou pra ele ?
— Contou o que ?
— Por que não falou que você não gostou do fato dele ter te deixado sozinho com sua mãe ? — Perguntou Gabriel. — Por que você não explicou pra ele, que queria que ele tivesse ficado com você e te ajudado ?
— Não sei, eu nem pensei nisso. — Falei.
— Mas é a verdade, não ?
— Sim... — Falei.
— Então por quê... ? — Perguntou ele.
— Talvez eu apenas não achasse necessário dizer, afinal, que diferença faria ? — Perguntei. — A briga com minha mãe já foi, e no fim ele não estava lá pra me ajudar.
— A-ah... Entendo.
Continuamos o caminho todo até a casa da minha avó em silêncio, apenas pensando nas coisas.
Esses dias estão sendo terríveis de alguma maneira.
Abri o portão e falei :
— Hoje eu vou lá naquele parque pra relaxar um pouco. — Falei.
— Que parque ? — Perguntou ele.
— Ah é, você não se lembra. — Respondi.
— ?????
— Nós íamos muito naquele parque, antigamente. — Contei ao Gabriel, enquanto entrava em casa com ele.
— É, eu de fato não me lembro de nenhum parque. — Disse Gabriel.
— Quer ir lá comigo hoje ? Talvez você se lembre de algo importante. — Convidei.
Talvez ele se lembre de....... Mim.
Tenho certeza que aquele parque foi um dos lugares mais marcantes na vida do Gabriel.
— Pode ser. — Aceitou ele.
Continua no capítulo 12.
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