Eu estrelo você
12 É o fim
Notas iniciais
Vinícius POV
Terça-feira, às 12:34.
Eu e o Gabriel acabamos de vir da escola juntos, e nos deparamos com uma visita inusitada em casa.
— Pai ? O que você está fazendo aqui ? — Perguntou Gabriel, enquanto olhava pro homem.
— Oi filho, vem cá dar um abraço no pai. — Falou ele.
Gabriel fez como o que ele pediu e o abraçou, mas não foi um daqueles abraços cheios de sentimento entre um pai e um filho, foi um abraço quase morto, como se o Gabriel estivesse abraçando uma pedra ao invés do próprio pai.
— Seu pai usou o horário de almoço do serviço só pra vir aqui. — Disse minha avó, Maria, enquanto preparava o almoço.
O pai do Gabriel estava sentado no sofá da sala.
— É algo importante ? — Perguntou Gabriel.
Fui no quarto guardar minha mochila rapidinho, pra não perder nenhuma parte importante da conversa.
— É pra te levar no psiquiatra. — Respondeu o homem.
— Psiquiatra ? Eu não preciso disso, já me lembrei de quase tudo.
— A dona Maria me contou, você perdeu a memória de novo, até se esqueceu do seu amigo aí, que antes era o único do qual você se lembrava. — Disse o homem. — E depois que foi à escola, se lembrou de muitas coisas.
— Tá, eu esqueci do Vinícius, mas logo eu vou lembrar dele também. — Falou Gabriel.
— Gabriel ! Você precisa ir no médico ! Você ter perdido a memória de novo é um sinal ruim ! Deve ter algo muito sério acontecendo com você !
É verdade, será que o Gabriel está com alguma doença séria na cabeça ?
— Eu odeio ir ao médico. — Disse ele.
— Aaah, mas tem que ir Gabriel ! — Exclamou Maria. — Eu sei que você quer lembrar das coisas que você esqueceu, e se for no médico, provavelmente vai se lembrar.
— Eu não vou me lembrar, se eu ficar internado num hospital aí sim que não vou me lembrar de nada.
— Então, vamos pra casa. — Falou o pai dele.
— Hã ? Pra casa ? Por quê ? — Perguntou o Gabriel.
— Se você já está bom, então não precisa mais ficar aqui dando trabalho pros outros. — Respondeu o pai dele. — A dona Maria não é nem parente sua e ainda está ajudando à cuidar de você, ela não tem obrigação de fazer isso.
Olhei pra Maria rapidamente e percebi que ela não ia falar nada.
Por que ela não está falando mais nada ?
Ela não vai defender o Gabriel ? Ela quer que ele vá embora ?
— Ele não está dando trabalho nenhum, é legal ter um amigo morando aqui, pelo menos eu não fico mais sozinho como antes. — Falei.
— Vinícius ! — Exclamou Maria.
— O que ?? Por que você não quer que o Gabriel fique mais aqui ?? Ele nem dá trabalho, dá ?? — Perguntei.
— N-não é i-isso, é-é q-que... — Maria tentou falar, mas o pai do Gabriel a interrompeu.
— O Gabriel não pode e nem precisa mais ficar aqui, ele tem uma casa. — Falou o homem.
— Fala sério ! Você trabalha o dia inteiro e só chega de noite, o Gabriel não tem mais mãe e nem ninguém, você quer que ele fique sozinho em casa, o dia inteiro e nesse estado !? — Falei.
— Vinícius, deixa. — Falou Gabriel.
— Deixa o que ??? — Perguntei.
— Eu vou com ele, não precisa tentar discutir. — Respondeu o Gabriel. — Meu pai saiu do serviço e veio pra cá com o objetivo de me tirar daqui, e nem que ele me acorrente e me arraste, ele vai cumprir esse objetivo.
— M-MAS ! — Exclamei. — E a nossa ida ao parque ??
— Pai, você pode levar minhas coisas pra casa no carro ? — Perguntou Gabriel. — Eu vou sair com o Vinícius e de lá eu vou direto pra casa.
— Você sabe o caminho desse parque ? Você já se lembrou mesmo de tanta coisa assim ? — Perguntou o homem.
— Já, fica tranquilo. — Respondeu Gabriel.
— Tá.
— Eu vou pegar as coisas do Gabriel. — Falou Maria, enquanto ia pro quarto.
— Vou chegar em casa lá pras 19:00, está bom ? — Perguntou Gabriel.
— Precisa de tanto tempo assim pra ir num parque ?
— Sim, precisa. — Respondeu ele.
— Toma, pega. — Falou Flávio, enquanto dava uma chave pro Gabriel.
— A chave do portão, a chave de casa e a chave do quarto. — Disse Gabriel, ao seu pai que se chama Flávio.
— Parece que você se lembra mesmo. — Falou o homem.
— Sim.
Maria entregou todos os pertences do Gabriel que estavam em casa pro pai dele, e o homem colocou tudo no carro.
Eu e o Gabriel fomos lá fora nos despedir dele.
— Eu vou deixar tudo em casa e depois vou voltar pro trabalho. — Falou o homem.
— Tá. — Disse Gabriel.
— E o senhor é pra estar em casa hoje, quando eu chegar.
— Eu vou estar.
O homem entrou no carro e foi embora.
Depois, eu e o Gabriel fomos almoçar, a Maria caprichou no almoço dessa vez, como se fosse um almoço de despedida.
Uma salada bem temperada, um arroz com farofa caseira, feijão fresquinho e até pizza de queijo, que havia na geladeira.
Enquanto comíamos, perguntei à ele :
— Você tem mesmo que voltar ? — Perguntei.
— Sim, eu não posso ficar aqui pra sempre. — Respondeu ele.
— Mas você vai ficar sozinho lá ! — Exclamei.
Eu realmente fiz essa exclamação, mas me arrependi completamente. Acho que foi a pior frase que eu fiz na vida, porque a resposta que ele deu à isso foi... Uma das mais tristes e abaladoras que eu já ouvi.
— Eu sempre estive sozinho. — Disse Gabriel.
Muitas pessoas são acostumadas à ficarem sozinhas, isso é normal, mas foi só agora que eu me toquei que o Gabriel era uma dessas pessoas.
A mãe dele morreu quando ele era criança, e depois disso, seu pai trabalhava arduamente pra sustentar ele. A consequência disso era que ele sempre ficava sozinho em casa, o único momento em que ele conversava com alguém era na escola.
Mas... Na escola... Eu era seu único amigo... E eu... O abandonei...
Deixei o garfo cair da mão,e o mesmo fez um barulho ao atingir o prato.
Por que eu nunca percebi isso... ? Por que eu nunca enxerguei o Gabriel ? Eu era seu melhor amigo, e mesmo assim nunca percebi sua solidão.
*Flashback ON* ~~Há um ano atrás
Isso foi o que aconteceu na última vez que fomos juntos àquele bendito parque no qual vamos hoje.
— Nossa, quanto drama, você me ama mesmo hein. — Falei.
— Não Vini, eu não te amo, eu estrelo você, pois as estrelas são mais brilhantes do que o amor. E eu acredito que meu sentimento por você seja muito... "Brilhante". Um brilho inacabável.
— Um brilho que um dia, pode morrer e se tornar um grande buraco negro, sugando e destruindo tudo ao seu redor. — Falei.
— Isso vai depender de você. — Disse ele.
— Vixi, então lascou.
— Não se preocupe, isso nunca irá acontecer, pois eu definitivamente farei você me estrelar também... É uma promessa. E depois disso, viveremos juntos para sempre. — Falou ele, enquanto tentava me dar um abraço.
O empurrei pra trás e falei :
— PARA !! ISSO É VERGONHOSO !! ESTAMOS NUM PARQUE !! TÊM MUITA GENTE AQUI, AFFE ! — Exclamei.
Algumas pessoas ficaram nos mirando com um olhar feio. Eu morri de vergonha.
— Aff, aff, olha o quê você fez... Agora tá todo mundo olhando... Maldição... — Me levantei, peguei minha bicicleta e subi em cima dela.
— D-d-desculpa V-vini... É que nós somos namorados e-eu p-pensei q-que poderia t-te dar um abraço... — Murmurou ele.
— NÃO ! VOCÊ NÃO PODE ! — Gritei.
— Você vai... Me abandonar... ? — Perguntou ele, com um tom de voz sombrio.
— Vou. — Respondi, enquanto saía dali em minha bicicleta, o deixando sozinho.
*Flashback OFF*
É... Ele se sentia sozinho, mas eu me tornei seu amigo mesmo assim.
Eu era o único amigo dele, e sempre estivemos juntos desde que nos conhecemos na sexta série.
Talvez ele tenha se apaixonado por mim porque eu era o único ser que fazia parte do mundinho dele.
Mesmo assim... Mesmo eu sendo tão importante pra ele, não ! Mesmo eu sendo o único e o mais importante pra ele, eu o abandonei.
Eu o deixei sozinho naquele parque, e depois paramos de nos falar.
Ele ficou sem nenhum amigo na escola, sempre sozinho até a chegada da Márcia.
Como ele se sentiu nesse tempo todo... ? Como ele aguentou tudo isso sozinho... ?
E mesmo com eu tendo feito coisas tão ruins, mesmo com eu ter deixado ele sozinho, ele vem e diz :
*Flashback ON* ~~ Pouco depois do Gabriel ter perdido sua memória
— Tam dam !!! — Exclamou Gabriel, enquanto entrava no quarto de novo, vestindo minhas roupas.
Minhas roupas ficaram grandes nele, e ele ainda colocou tudo errado... Não abotoou nada, não fechou o zíper da calça, e a camiseta estava do avesso.
— Mister mister, mister mister, mister mister ! — Exclamou ele, enquanto tentava dançar a coreografia da música Mr. Mr. da Girls Generation que eu adoro. Obviamente ele dançou tudo errado, mas ficou engraçado.
— Hahahahahahaha. — Ri dele.
— shanniekuu eosnanea, HELLOOOOO, Mister mister !! — Tentou cantar ele, absolutamente tudo errado, pois a música é coreana.
— HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA. — dei muita risada, ele estava muito engraçado !
— Mister mister, mister mister, mister mister.. ! — Exclamou.
O Gabriel nunca dançaria essa música se tivesse as memórias, ele achava a coreografia muito aviadada e morria de vergonha de tentar dançar.
— Não é assim que se dança, animal. — Tentei ensiná-lo a dançar.
Ficamos uma hora dançando, e ele sempre me fazendo rir com os movimentos errados.
*Flashback OFF*
Mesmo após eu destruir seus sentimentos, ele me vem com esse sorriso e com essa alegria, dizendo que me ama como se eu não houvesse feito nada.
E, pra agradecer à esse sorriso e ao perdão dele, o que eu faço ??
*Flashback ON*
— Você sempre foi de dizer aquelas baboseiras de amor... Mas eu nunca acreditei em nada... Pra mim sempre foi mentira, sempre fingi acreditar só pra você não encher o saco... — Sussurrei no ouvido dele.
— Eu te odeio, eu não gosto de você, te abandonei aquela primeira vez no parque pra você parar de tentar algo comigo. Te abandonei uma segunda vez na escola, parando de falar com você e cortando todos os nossos laços. Te abandonei uma terceira vez te deixando na chuva... E se for necessário, abandonarei uma quarta. Você é um estorvo. — Sussurrei no ouvido dele, de novo.
— Depois que eu parei de falar com você na escola, você não fez mais nenhum amigo, não é ? Exceto a Márcia. Mas saiba que nem mesmo ela se importa com você... Ninguém se importa. Se você morrer, não fará falta à ninguém. — Sussurrei.
— O quê eu preciso fazer, pra você me deixar em paz e nunca mais me perseguir !? Te matar !? — Sussurrei.
Lágrimas escorreram dos olhos do Gabriel, apesar dele estar dormindo.
Bom, ele não estava dormindo afinal de contas, ótimo.
Saí do quarto e deixei Gabriel dormindo, fui na casa do Guilherme passar o dia com ele e só voltei de noite.
*Flashback OFF*
Eu vou e digo as coisas mais cruéis que podem ser ditas à alguém, após abandona-lo pela segunda vez numa chuva gelada...
Como eu sou cruel...
Nunca tentei enxergar as coisas no ponto de vista dele, nunca tentei entende-lo, nunca dei a mínima pra ele e nunca dei a menor esperança.
Me lembro que houve uma vez que eu bati nele também... Aff...
Por que... ? Por que... ? Por que... ? Por que eu faço tantas coisas ruins à ele... E mesmo assim, ele tenta com todas suas forças me conquistar ???
*Flashback ON*
— Porquê eu estrelo você, Vini. — Disse Gabriel, com um sorriso no rosto.
*Flashback OFF*
— O que foi ? — Perguntou Gabriel.
— O-o que foi o que... ?
— Não vai terminar de comer ?
— Me distrai, só. — Falei.
— Ah, come logo, você tem que me levar no tal parque. — Disse ele.
— Certo. — Falei.
Terminei de comer e saí de casa com o Gabriel, rumo ao parque.
No caminho, ele permaneceu em silêncio sem puxar assunto.
— Você me amava muito. — Eu disse.
— Sei. — Falou ele, friamente.
— Eu acho que você vai se lembrar de tudo hoje, quando chegarmos.
— Isso será bom ? — Perguntou ele.
— Hã ? Como assim ?
Atravessamos a rua e continuamos com nosso caminho. O clima estava ensolarado com uma leve brisa, estava agradável.
Era cerca de 14:20.
— Você está namorando agora. — Disse ele. — Será algo bom eu te amar, mesmo com você namorado ?
— N-não sei... — Murmurei.
— Então vou refazer a pergunta. — Falou Gabriel.
— ... — Fiquei quieto.
— Você quer que eu te ame ? Ou melhor, "volte" a te amar ?
— Não sei... — Respondi.
— Por que não sabe ?
— Acho que eu não mereço o seu amor... — Murmurei. — Eu fiz coisas horríveis.
— Entendo. — Disse ele.
Permanecemos andando por mais uns 5 minutos, quando resolvi perguntar :
— Você não quer saber o que eu te fiz ? — Perguntei.
— Eu já não queria saber antes, e agora não quero saber mais ainda, porque a Márcia me falou que lembrar de você poderia ser um erro. — Disse ele.
— Se você não quer lembrar de mim, então por que está vindo no parque comigo ? — Perguntei.
— Porque eu quero confirmar que eu não te amava. — Disse ele.
— Hãããã ? Mas você me amava sim ! — Exclamei.
— Eu já te disse, eu amo outra pessoa. — Falou Gabriel.
— Quem ?? — Perguntei.
— ... — Ele ficou quieto.
— Queeem ???? — Perguntei. — O Kaio ??
— Não é o Kaio. — Respondeu ele. — É um garoto chamado Pablo.
Pablo..... ???
— E-e-e quem é esse P-Pablo... ? — Perguntei.
— Não sei, eu não me lembro dele. — Respondeu Gabriel.
Pablo me é um nome familiar... Sim... Eu sei quem é esse Pablo...
*Flashback ON* ~~ Há um ano atrás.
Eu e Gabriel estávamos na biblioteca da escola, no intervalo.
— Ei Vini, você não acha que já está na hora de você começar a me chamar de um jeito mais carinhoso ? — Perguntou Gabriel.
— Errr... Não. — Respondi.
— M-mas nós somos namorados agora... Seria tão bonitinho se você me desse um apelido carinhoso como Gabi... Bielzinho ou Rick... — Disse Gabriel, um pouco envergonhado.
— Rick ? — Perguntei.
— Meu segundo nome é Riquelme, você não se lembra ?
— A-a-ah... C-claro que eu lembro. — Falei.
— É ? Prove... Qual é o meu nome completo ? — Perguntou Gabriel.
— Gabriel Riquelme................
Gabriel deu um suspiro e falou :
— V-viu... V-você não se lembra... Você sabe pelo menos quando é o meu aniversário ?
— Errr..... D-dez... O-oito.. V-vinte e três... C-cinco.... Trinta... Um.... ? J-janeiro... Outubro... ? É dia 27 de Março ! — Exclamei.
— Completamente errado. — Falou ele, com uma expressão chateada no rosto.
— Ah.... Não precisa ficar triste por causa disso vai, você também não sabe qual é o meu nome completo e nem quando eu faço aniversário. — Falei.
— Pablo Vinícius Rodrigues da Alvorada. E seu aniversário é dia 17 de Novembro. Senhor escorpiano. — Disse Gabriel.
É, ele se lembra mesmo...
*Flashback OFF*
Pablo é o meu primeiro nome.....
Então ele realmente me ama, mas só se lembrou do meu primeiro nome... ?
Claro que ele me ama, não, ele me estrela. Eu sempre soube disso, porque eu sempre confiei nas palavras dele.
Era impossível ele amar outra pessoa.
O Gabriel sempre foi o garoto mais sincero que eu conheci...
Digo, ele sempre foi sincero comigo, apenas comigo, porque com as outras pessoas ele fazia aqueles jogos psicológicos.
Eu sempre fui especial pra ele, sempre...
— Você está chorando ? — Perguntou ele.
— Hã ? N-não... — Respondi, enquanto limpava as lágrimas.
Ele não mostrou interesse em saber o motivo do choro, e ficou quieto.
O que eu faço agora ? Falo pra ele que eu sou o Pablo ? Ele vai acreditar em mim ?
Não, eu não vou falar agora. Eu poderei falar tudo que quero no parque.
Andamos por mais quinze minutos e chegamos no grande parque.
Com longos caminhos para ciclistas e pedestres, playgrounds, pistas de skates, e um vasto e pleno campo com algumas árvores, o parque recebia visitas constantes todos os dias.
— Esse lugar é grande, aonde vamos ? — Perguntou.
— Por enquanto vamos andando pra ver se você lembra de alguma coisa. — Sugeri.
Andamos por 20 minutos naquela ruazinha de concreto em meio ao parque, neste tempo, pessoas andando de bicicleta ou patins passaram por nós, tais como pessoas que corriam pra malhar.
Ás 15:00 sentamos de baixo da sombra de uma árvore, e após alguns minutos de enrolação, decidi puxar assunto.
— Não lembrou nada ? — Perguntei.
— Lembrei sim, deste parque e de algumas vezes que vim sozinho aqui.
— Nós viemos várias vezes aqui. — Falei.
Me esforçava à cada segundo pra dar uma iniciativa séria na conversa, e começar a contar detalhadamente tudo que eu passei com ele, mas uma pessoa que estava andando na ruazinha, nos viu e veio na nossa direção.
Era uma mulher e eu não conhecia ela, o que ela queria ? Era conhecida do Gabriel ?
Ruiva de cabelos longos, usava um óculos e tinha uma pele branca.
Ela usava um shorts curto e uma camisa daquelas meio que de festa junina, que amarra na região da barriga e deixe a mesma à mostra. Não sei o nome.
Tal roupa deixava seus peitos grandes bem reforçados.
— Sério... Eu estava olhando vocês de longe, mas tive que vir aqui dizer isso. — Falou a mulher.
— Hã ? — Perguntei.
— Eu shippo muito vocês ! — Exclamou ela.
— Mais hein ??? — Perguntei.
— Queria ver vocês se beijando, mas nem sei se vocês namoram ! Só que eu realmente queria ! — Exclamou ela.
Uma mulher de cabelo preto se aproximou desta outra mulher, provavelmente era alguma amiga.
— O que você está fazendo ? — Perguntou ela.
— Olha Ashley, eles não são lindos juntos ? — Perguntou a ruiva.
A mulher de cabelo preto começou a nos olhar, e disse :
— Eu não vou discordar, mas acho que você está assustando eles.
— Não estou assustando !
— Deixa os meninossssss aí, larga de ser doida, vamos logo. — Disse a mulher de cabelo preto, enquanto arrastava a ruiva pra longe.
— Aaaaah, m-mas, m-mas...
— Dessssculpem por ela ! — Exclamou a tal "Ashley", enquanto ia embora com a outra.
Olhei pro Gabriel e ele estava com cara de idiota.
— Acho que era uma fujoshi. — Falei.
— Malditas fujoshis, estão dominando o mundo ! — Exclamou Gabriel.
— Pois é, hahahaha. — Dei risada. — Mas essa aí devia ter uns 20 anos, nunca vi uma mulher fujoshi.
— Nem eu, é a primeira vez. — Disse ele.
Eu e o Gabriel começamos a conversar assuntos aleatórios, e fizemos isso por uns 30 minutos.
Fazia tempo que eu não tinha uma conversa tão descontraída assim com ele. Depois nos levantamos e ficamos brincando igual duas crianças nos brinquedos do playground, fizemos isso por uma hora mais ou menos enquanto continuávamos a conversar sobre coisas aleatórias, e depois nos sentamos de novo.
Ficamos quietos, mas às vezes puxávamos um assunto. Eu tentava à cada minuto começar a contar o que eu tinha pra contar, mas sempre desistia.
— Cansei de ficar aqui sentado, vamos andar ? — Perguntei.
— Vamos. — Respondeu ele.
Nos levantamos e começamos a andar pelo parque.
Saímos de perto da ruazinha e adentramos o extenso campo.
Ao chegar numa área longe de tudo e todos, comecei a falar.
— Vou te contar, tudo que aconteceu entre a gente. — Falei.
— Eu realmente n-não quero... — Ele foi falar, mas eu o interrompi.
Fiz um sinal para que ele se sentasse comigo, e ele se sentou.
Dei um forte suspiro, e comecei a contar, às 17:00.
— Nós nos conhecemos na sexta série, foi quando você chegou na escola. — Falei.
— Você se sentou do meu lado no primeiro dia, na carteira da frente, e inevitavelmente você se tornou meu amigo.
— Sempre ficávamos juntos na escola, voltávamos juntos pra casa e visitávamos um ao outro com frequência. — Falei.
— Como era nossa amizade ? — Perguntou ele, mostrando um pouco de interesse.
Contei tudo à ele até antes do primeiro ano, citei alguns eventos especiais como a excursão ao playcenter, nossa ida à um teatro e etc.
— Hm, era mesmo uma amizade comum. — Disse ele.
— Até aí foi tudo de bom. — Falei. — As coisas ficaram tensas na entrada da adolescência.
— Me conte, agora eu quero saber. — Falou.
— Após concluirmos a oitava série, nas férias de fim de ano, eu descobri que era gay porque tive uma paixonite por um garoto que conheci na internet. — Falei. — Foi aquele ao qual eu fiz o vídeo... Errr... A-aquele vídeo você sabe qual.
— Sei, hahahaa, que feio Vinícius. — Disse Gabriel.
— Nós não nos encontramos uma vez nessas férias, só nos vimos novamente no primeiro dia de aula do primeiro ano. — Falei. — Agora estudávamos de manhã, tínhamos mais matérias e havia novas pessoas na sala.
— Eu caí na sua sala no primeiro ano ?
— Sim, sempre caímos na mesma sala desde a sexta série, isso só mudou agora no segundo. — Falei.
— Certo, e aí ?
— Eu contei pra você que eu era gay, acho que na terceira semana de aula. — Falei. — Isso estava me torturando, de algum modo eu sentia que precisava te contar.
— Qual foi a minha reação ?
— Foi normal, você disse algo como : "Ah, que besteira Vini, não era necessário tanto drama pra me contar isso, eu não ligo !". — Falei.
— Entendo, nessa época eu já havia descoberto sobre a minha sexualidade também, eu descobri isso bem antes de você. — Falou ele.
— Você nunca me contou nada e nem demonstrou nada, quando você se descobriu ? — Perguntei.
— No início da oitava série, foi quando me apaixonei pelo tal Pablo. — Disse ele.
No início da oitava série... ? Ele gostava de mim à tanto tempo assim... ?
— O que você lembra desse Pablo ? — Perguntei.
— Nada, apenas que eu o amo. — Respondeu ele.
Q-que vontade de falar que eu sou o Pablo... Mas não, ainda tenho mais coisas pra contar.
— Depois que eu te contei sobre a minha sexualidade, você começou a agir de um jeito estranho. — Falei.
— Como ? — Perguntou Gabriel.
— Você ficava vermelho frequentemente, começava a dizer algo e depois desistia, não gostava que eu saísse de perto de você, ficava se convidando pra ir pra minha casa, etc. — Respondi.
— ... — Ele ficou quieto.
— Mas aí o nível das suas ações começaram a mudar. Você começou a tentar ter contato físico comigo, ficava tocando meu rosto, minha mão, etc, e isso fez eu brigar com você.
— Hm...
— Eu falei que você estava muito esquisito, e pedi para você me contar a verdade. — Eu disse. — Claro, eu não era tão tonto assim, eu já estava ciente que você estava gostando de mim.
— E eu falei o que ?
— Na hora que eu pedi, você se declarou pra mim. — Falei. — Disse que me amava à um tempo já, que eu era seu único amigo e que queria ficar mais tempo comigo. Etc,você fez uma declaração beeem amorosa e me pediu em namoro.
— Hahahahahaha, tenso. — Disse ele. — E aí, como você ficou depois de saber tudo isso ?
— Eu fiquei pasmo, mas depois de todas aquelas palavras eu não consegui dizer um não pra você, e então começamos a namorar. — Falei.
— Sério ??? Nós já namoramos ??? — Perguntou ele.
— Sim...
— Como foi ?? Eu transei com você ??
— C-claro que não ! Apesar do nosso relacionamento, o máximo que aconteceu foi um abraço. — Falei.
— Por quê ? — Indagou Gabriel.
— P-p-porque eu... Não te correspondia. — Falei.
— A-ah... — Murmurou.
— Nós namoramos por uns dez dias, e você se esforçou ao máximo pra se aproximar de mim, pra me fazer sorrir, e talz... — Falei. — Você gostava muito, muito de mim.
— ... — Gabriel ficou quieto.
— Você me estrelava. — Falei.
— Estrelava ?
— Sim, foi um termo que criamos juntos pra usarmos. — Contei. — "Eu estrelo você", é o mesmo que um "eu te amo", mas é muito mais forte e é usado pra alguém que você quer ter ao lado pela vida inteira.
— .......... — Ele continuou quieto.
— Mas, mesmo namorando, na escola eu me afastei de você, porque tinha medo de desconfiarem de nós, e começamos a ficar cada um no seu canto. — Falei. — Só na escola, porque depois você ia direto pra minha casa comigo.
— Mas nós estávamos namorando ué, por que você não ficava comigo na escola ?? — Perguntou ele. — Era só mesmo por causa desse medo ?
— Sim...
— Mas que infantil da sua parte Vinícius, pelo que você me disse, aposto que eu fiquei bem triste por isso.
— Sim, você ficou triste, inclusive me falava direto em casa. Reclamava que queria ficar mais comigo, que queria me abraçar, me tocar, me beijar...
— E... ?
— E eu brigava com você, inventava desculpas e tentava ficar me esquivando. — Falei.
— Um típico caso de amor não correspondido, coitado de mim. — Falou ele.
— Até que um dia você inventou que queria emagrecer, e me convidou pra vir à este parque com você. — Falei. — Quando chegamos aqui, você começou a me dizer coisas muito fofas.
— Que coisas ?
— Coisas como : "Eu quero que um dia você me estrele também, aí eu vou poder te dar todo amor e carinho que sempre quis, sem ser rejeitado !" — Falei. — Isso era só uma das milhares de frases amorosas que você me fazia todos os dias.
— E você me rejeitava mesmo assim ? Por quê ? Você gostava de outra pessoa ? — Perguntou Gabriel.
— Na época eu tinha só uma paixonite pelo Guilherme, coisa que evoluiu um pouco mais tarde. — Respondi.
— Muito besta você. — Disse ele. — Se eu tivesse alguém que me amasse desse jeito eu me sentiria a pessoa mais especial do mundo.
— É...
— E depois ?
— Aí neste mesmo dia no parque, você tentou me abraçar, só que eu te empurrei e depois gritei com você. Eu disse que era vergonhoso e que tinha muita gente olhando. — Falei. — Depois disso eu fui embora e te deixei no parque sozinho, e não nos falamos mais na escola.
— Nossa... Cara, como você é fera hein, uma pessoa te ama muito, se declara pra você, tenta te encher de amor, tenta te dar um abraço... Só um abraço, porque queria sentir um pouquinho de você, um simples abraço, e você vai, empurra, xinga e vai embora. — Falou Gabriel. — Muito bem.
Ele está falando gírias ? Acho que ele se abalou um pouco com essa história...
Devo contar o resto ?
Aff... Se comecei, tenho que terminar.
— A Isabel chegou na escola pouco depois disso, e ela se tornou minha nova melhor amiga. E você por outro lado, ficou sozinho na escola até a Márcia chegar. — Falei.
— Hm...
— Depois dela chegar, nós nos falamos uma vez, eu fui com você à uma praça mas não acabou bem. — Falei. — Você começou a me dizer coisas românticas de novo, eu fiquei bravo e te bati. — Contei.
— O que ??? Você me bateu ??? E eu não fiz nada ??? — Perguntou ele.
— Não, você não reagiu. — Respondi. — Por outro lado, a Márcia veio me caçar furiosa e bateu a minha cara num espelho.
— Aff, pelo menos isso, bem feito. — Disse ele. — Ela não me contou essa história.
— Agora, há algo que eu quero te perguntar. — Falei.
— O que ?
— Quando você bateu a cabeça na guia da calçada, você estava em frente à minha casa. — Falei. — O que você estava fazendo ali, se nós ainda estávamos brigados ?
Gabriel ficou quieto, e após algum tempo falou :
— Eu não sei, ainda não me lembro.
— Você não lembrou de nada, mesmo depois de eu ter contado tudo isso ? — Perguntei.
— Não, de nada. — Respondeu ele.
Era cerca de 17:30 já, estava um crepúsculo bonito.
Gabriel se levantou e começou a andar, indo embora.
— Aonde você vai ? — Perguntei.
— Embora. — Respondeu ele. — Não ajudou em nada essa vinda até aqui.
— Espera, tenho mais coisas pra contar. — Falei.
Me levantei também e fiquei parado.
Gabriel se virou pro meu lado e ficou esperando eu falar.
Estávamos parados na frente um do outro, nossa distância era cerca de 2 metros.
— Quando você acordou após a amnésia, você estava com uma personalidade esquisita, que chorava por tudo e era muito hiperativa. — Falei. — Inclusive dizia muito "tam dam!"
— A Maria me contou algo semelhante. — Disse Gabriel.
— Então, quando você perdeu as memórias, a única pessoa da qual você se lembrava era de mim. — Falei.
— Estou ciente, ela também já me disse isso.
— E você não investigou ? Você não quis saber o porquê de ter perdido a memória por uma segunda vez ? Não quis saber a provável razão por ter se esquecido de mim ?
— Eu quis saber, mas não considerei algo muito importante. — Falou ele. — Mas então, você sabe ?
— Sim, eu sei. — Falei.
— E o que me fez esquecer de você ? — Perguntou ele.
— Bom... Com essa nova personalidade, você vivia me agarrando e dizendo que me amava, que queria casar comigo e tudo mais. Só que isso me deixava muito constrangido e irritado... — Falei.
— Você me bateu ?
— Não. — Respondi. — Eu te levei numa seção da psicóloga e te deixei lá. Depois eu fui num encontro com o Gui e esqueci de ir te buscar.
— ................ — Gabriel ficou quieto.
— Minha mãe te encontrou sentado na calçada, sozinho e tomando uma baita chuva.— Falei. — Ela te trouxe pra casa e ficou pulta comigo.
— Tá...... E...... ?
— Você ficou de cama, com uma febre alta... E por eu estar bravo por causa da bronca que levei da minha mãe, eu te disse coisas horríveis. — Falei.
— O-o que você me disse... ? — Perguntou ele.
Repeti uma a uma as palavras às quais falei pra ele naquela noite. Todas as insanas e cruéis palavras que tinham o poder de destruir qualquer coração apaixonado.
A cada frase que eu formava, mais o rosto do Gabriel ficava pálido. Parecia que ele estava vendo um filme de terror.
E quando eu terminei de contar a última frase, lágrimas escorreram dos olhos dele.
— ... V-você se lembrou... ? — Perguntei.
— Não... Mas acho que meu subconsciente reagiu à estas palavras. — Respondeu ele.
— ..... — Fiquei calado.
— Essas lágrimas são a prova de que tudo que você disse é verdade, então irei acreditar em você. — Falou Gabriel, enquanto limpava as lágrimas. — E se pensarmos que eu perdi a memória pela segunda vez, por causa de um enorme dano psicológico, tudo fará sentido, afinal, eu esqueci unicamente de você nessa segunda vez.
— Sim.....
— A Márcia tinha razão, isso era algo que seria melhor eu não saber. — Falou ele.
— Mas agora que eu te disse, é como se você tivesse lembrado, não ? — Perguntei.
— Não, não é a mesma coisa. — Respondeu ele. — No caso, eu não tenho sentimento algum por você, a não ser raiva.
— Raiva ? Por quê raiva ? — Perguntei.
— Porquê você foi muito cruel comigo, você foi o pior tipo de pessoa. — Disse ele.
— .... Mas, e-eu...
— Eu sempre fui seu melhor amigo, e você conseguiu não se importar nem um pouco comigo mesmo com este laço que tínhamos ! Que tipo de monstro você é ? — Perguntou ele. — E mesmo depois de eu ter me declarado pra você, mesmo depois de eu ter lutado tanto por você, você vai e faz milhares de coisas pra me destruir...
— ...
— Por qual motivo ? Por que você me destruiu ? Por que você me magoou tanto ? Por que você tinha raiva de mim se eu não te dava motivos ? — Perguntou ele.
— Você fazia as coisas na frente dos outros, e....
— Não seja ingênuo !! Nós éramos namorados !! Você acha que namorados ficam longe um dos outros ?? Você acha que namorados conseguem se manter afastados, mesmo com o amor que sentem gritando arduamente pelo outro ?
— Somos dois garotos, é sempre difícil. — Falei.
— Se você confiasse em mim, poderia superar as dificuldades, eu poderia te proteger ! E se você me amasse, seria você quem iria querer ficar perto de mim ! — Exclamou ele.
— MAS EU NÃO TE AMAVA, EU NÃO TE ESTRELAVA, E NADA DISSO, EU NÃO SENTIA NADA POR VOCÊ ! — Exclamei. — JÁ DEIXEI ISSO CLARO, NÃO DEIXEI ?
— Qual o motivo de conjugar todos esses verbos no pretérito !?? Está dizendo que sente algo por mim agora !??? — Perguntou ele.
— B-b-b-bem... E-e-eu n-n-não s-s-sei... — Respondi.
— Sabe sim... — Murmurou Gabriel. — A resposta para esta pergunta está no seu rosto.
— No meu rosto ? — Perguntei.
— Você não está chorando, você está com a cara e com o olhar de alguém que não liga pra nada. — Afirmou Gabriel. — Você nunca sentiu nada por mim, e isso não mudou agora, certo ?
— .... — Fiquei quieto.
— Então é ótimo não ter mudado Vinícius, porque agora sou eu quem não gosto de você, eu não te amo mais, muito menos te "estrelo". Foi ótimo eu ter me esquecido de você, foi ótimo eu ter perdido todos os meus sentimentos por você, afinal você não passa de um monstro chupador de vibradores que só se importa consigo mesmo. — Disse Gabriel, me fuzilando.
— Mentira !! Você ainda me ama !! Sabe por quê ?? — Perguntei.
— Por quê !?
— Porque EU sou o Pablo do qual você se referiu, o meu nome é PABLO VINÍCIUS, você se lembrou de mim, mesmo que vagamente !! — Exclamei.
— .... — Gabriel ficou quieto.
— ..... — Fiquei quieto também.
— E-então neste caso... Irei descartar o meu amor pelo tal Pablo, junto com o suposto amor que eu tinha pelo Vinícius, afinal eles são a mesma pessoa... Não é ? — Perguntou ele.
— Você... Vai mesmo fazer isso... ? — Perguntei.
— E daí ? Você não se importa. — Disse ele. — Você é frio, Vinícius.
Já era 18:00, o céu já estava escurecendo, e estávamos nós dois ali no meio daquele extenso campo.
— Você não vai conseguir... Nós não mandamos nos nossos sentimentos... — Falei.
— Que sentimentos ? Você de alguma maneira conseguiu destruir eles... Junto com as minhas lembranças. — Disse Gabriel, enquanto dava às costas pra mim mas continuava parado. — Agora não resta mais nada. Aliás, vou até retirar o que eu disse mais cedo, não, eu não sinto raiva de você... Não consigo sentir nem isso mais.
— ...Desculpa. — Falei.
— Acho que já é tarde pra isso, é o fim. — Disse Gabriel.
— O fim ? — Perguntei.
— O fim da nossa história. — Respondeu ele. — Vamos cada um pro nosso lado, até que você também esqueça que um dia eu existi na sua vida.
— Você não vai mais falar comigo ? — Perguntei.
— Por que eu falaria ?
— P-porque... Você me estrela...
— Tam dam ! Argumento inválido ! — Exclamou ele, tentando imitar a personalidade do qual eu havia citado mais cedo.
Ele começou a andar pra frente, se afastando de mim.
Fiquei o olhando por trás, enquanto se afastava.
— S-se você conseguiu me esquecer depois de tudo isso, então isso também te torna cruel ! — Exclamei. — Se eu fosse realmente importante pra você, você nunca se esqueceria de mim !
Gabriel me ignorou e continuou indo embora.
— SAIBA QUE EU NÃO SEREI DEIXADO NO PARQUE POR VOCÊ ! NÃO VOU TE DAR O LUXO DE REALIZAR TAL VINGANÇA ! — Gritei, enquanto me levantava e começava a andar na direção contrária, me afastando mais gradativamente dele.
Fui andando normalmente... A minha raiva inicial serviu como combustível para os meus 15 primeiros passos. Até que algo começou a drenar minhas forças, me fazendo cair de joelhos.
— A-aaah.... — Comecei a chorar.
Uma dor à qual eu nunca havia sentido antes começou a percorrer o meu corpo
— A-AAAAaaah...... — Resmunguei em prantos.
Olhei pra trás e não vi mais o Gabriel. Ele definitivamente havia ido embora...
Enquanto isso, em uma certa casa, um garoto com cerca de 15 anos estava sentado na sua cama, assistindo televisão.
Esse garoto possuía cabelos brancos, seus olhos eram vermelhos e sua pele era branquíssima.
— Filho, acabei de acertar as coisas na sua nova escola. — Falou o pai do garoto, enquanto adentrava o quarto.
— Sério ? E aí ? — Perguntou o garoto.
— Falaram que você pode começar amanhã. — Respondeu o pai do garoto.
— Mas já ? Que chato... — Murmurou o menino de cabelos brancos.
Continua no capítulo 13.
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