Notas iniciais
Desculpem a demora, mas é que tive um problema pessoal beeeem triste e fiquei sem cabeça para escrever. Mas cá estou e esse capítulo vai para SasaMellark12 que fez aniversário e me pediu de presente esse capítulo. Feliz aniversário atrasado! Espero que todas curtam o capítulo e se curtirem me façam feliz, deixem muuuuuuuitos reviews!!!!! Essa escritora agradece!!!!

Capítulo 8

No dia seguinte, Katniss acordou bem cedo. Fez o seu asseio rapidamente e escolheu para vestir um moletom de linha creme e uma calça leg preta. Entrançou o cabelo de lado, e calçou um sapatinho confortável. Depois se dirigiu até a sala de jantar, e percebeu que sua avox não brincava em serviço, pois o seu café da manhã estava todo preparado. E tinha de um tudo. Um sorriso se formou em seu rosto, afinal, estava faminta. Se sentou e começou a se servir, começando pelo chocolate quente, que havia se tornado sua bebida favorita.

Ao terminar a refeição, percebeu no relógio de pulso que já passava das oito horas. Levantou e agradeceu a sua avox pela deliciosa refeição. Foi até o sofá e se sentou, com os cotovelos apoiados nos joelhos e os dedos entrelaçados. Começou a ficar inquieta, pois se lembrou de que a qualquer momento o tal de Cinna, seu estilista oficial, entraria por aquela porta. E ela, sinceramente, não estava com muito humor para uma versão masculina de Effie.

Minutos depois, Katniss escutou quando um som estranho ecoou pela sala. Era a sua campahia, que ainda desconhecia completamente. Virou o rosto de lado e observou quando sua avox se prontificou a ir atender.

O homem que entrou pela porta era totalmente o oposto do que Katniss esperava. Era moreno e altamente discreto. A única coisa que lembrava que ele pertencia à Capital era um delineador dourado em seu olhos.

– Bom dia, Katniss. Sou Cinna, seu estilista. — Ele cumprimentou e ela se levantou para recebê-lo.

– Bom dia. — Ela respondeu, cautelosa. Então, com a mão no queixo, ele se pôs a observá-la, começando de baixo até em cima. Isso a incomodou, mas ela tentou não deixar transparecer.

– Perfeito. Esse ano não terei muita dificuldade. A natureza já fez o seu trabalho. Sua beleza é exuberante, Katniss. — Cinna elogiou e Katniss corou.

– Brigada. — Foi só o que conseguiu responder.

– Não foi um elogio. Foi uma constatação. Seu pretendente cairá aos seus pés quando vê-la esta noite. Preparei um vestido que fará história.

De início, Katniss não entendeu o que ele quis dizer, mas se limitou a protestar.

– Cinna, eu não quero fazer história nem muito menos quero que o tal de Peeta caia aos meus pés. Tudo que quero é permanecer nos Jogos pelo máximo de tempo possível.

Cinna deu um sorriso de lado.

– Está bem. Que assim seja. Mas eu posso dizer que se pudesse apostar em alguém, que ganhará o coração de Peeta, apostaria em você.

katniss não pôde evitar o sorriso que se formou em seus lábios.

– O meu tema é fogo. — Katniss falou tentando ser simpática. Cinna merecia isso. — O que você pretende fazer quanto a isso? Não vai me queimar, vai?

Cinna sorriu, divertindo-se. — Não. Claro que não. Mas essa noite você ficará conhecida como a "Garota em Chamas".

Katniss franziu a testa. Naquele momento não compreendeu o que ele queria dizer, mas logo compreenderia.

– Flavius e Octavia me ajudarão com você. — Cinna continuou.

E só aí Katniss se deu conta da presença de dois seres atrás de Cinna. Eles sim com características marcantes e berrantes da Capital. Katniss cumprimentou-os com um sorriso. Mas, ao contrário de Cinna, eles não pareciam ter gostado do que viram, e miravam-na com desdém.

– O que foi? Algum problema comigo? — Katniss se dirigiu para os dois seres, que pareceram espantados com a rudeza.

– Não. — Octavius respondeu com uma voz cantante. — Só estamos aqui imaginando como faremos para transformá-la em um ser humano.

Katniss não gostou do que ouviu e partiu para cima dos dois. Mas Cinna prevendo seu movimento, segurou-a a tempo.

– Calma, Katniss! — Pediu Cinna. — Esses dois não sabem o que dizem. — Virou o rosto em direção aos dois, repreendendo-os com o olhar. Depois voltou a encará-la. — Eles ainda não aprenderam a enxergar o potencial que um material bruto possui. Mas fique tranquila porque você mesma irá provar para eles o que uma garota do Distrito 12 é capaz de fazer. E ser. — Olhou bem fundo nos olhos dela. — Pode confiar em mim, Katniss?

Katniss teve vontade de dizer um não bem redondo. Mas Cinna, ao contrário dos outros dois, não merecia isso. Tinha se mostrado muito humano com Katniss. E ela iria retribuir a consideração.

– Posso. — Concordou não muito animada.

– Ótimo. — Cinna disse, entusiasmado. — Então vamos começar! Aonde fica o seu quarto?

– É por aqui. — Katniss respondeu e guiou-os até lá.

Dentro do quarto, Octavius e Flavius abriram as maletas que carregavam consigo. E pegaram todo o material necessário para a transformação de Katniss. Ao ver do que se tratava, a garota começou a ficar assustada. Tinha desde pinças a secadores monstruosos.

– Pode tirar a roupa, querida. — Flavius disse, arrancando Katniss de seus pensamentos.

A garota arregalou o olhar. — Isso é mesmo necessário?

Os dois seres se entreolharam revirando os olhos. Mas foi Otavius quem respondeu:

– O que você acha, meu bem?

Mas Katniss não se deu ao trabalho de responder. Em vez disso, começou a retirar a roupa, ficando nua na frente de pessoas estranhas pela primeira vez.

– É. Parece que o Cinna tinha razão. — Flavius comentou com Octavius depois de mirar Katniss de cima pra baixo. — Ela é mesmo um material bruto muito raro. Teremos que usar um dia inteiro para lapidá-la.

– O que vocês vão fazer comigo? — Katniss perguntou com um tom assustado. — Ei, vocês! — Ela tentou chamar a atenção deles que pareciam não enxergá-la ali.

Então os dois se viraram em sua direção e sorriram com um ar misterioso. O coração de Katniss disparou. Ainda mais quando eles mandaram que ela entrasse no chuveiro para que eles pudessem esfregar seu corpo para retirar toda a sujeira do Distrito 12. Katniss não sabia, mas sua aparência a partir daquele momento nunca mais seria a mesma, apesar de que eles, a mando de Cinna, conservariam traços próprios de sua beleza. Sendo assim, nada de bisturis, botox, enxertos ou coisas parecidas.

Às 21:00, todas as selecionadas vestidas com os mais belos vestidos — cada uma de acordo com o seu tema — estavam dispostas em uma fila que ficava atrás do palco. Todas ali esperando o momento em que Ceazer as chamariam para primeira entrevista. E é claro, naquela noite finalmente todas elas veriam Peeta de perto. Coisa que estava deixando a maioria delas bastante ansiosa.

– Nossa! Fizeram um bom trabalho com você, heim, doze! — Johanna elogiou quando Katniss chegou, um pouco atrasada.

Todas se viraram para ela, que ficou sem graça. E os semblantes de inveja se formaram em seus rostos. Katniss vestia um vestido vermelho-fogo e sua make-up estava impecável.

– Você também está ótima. — Katniss retribuiu o elogio, tentando ignorar as outras selecionadas.

Johanna fez uma careta.

– Ah, fala sério, doze! A vontade que eu estou aqui é de matar a minha estilista.

E Johanna tinha razão em estar com raiva. Seu vestido — apesar de muito bem recortado — era marrom, o que lembrava um caule, seu cabelo estava recoberto de folhas e sua maquiagem era bastante afetada. Se o objetivo de Portia era que ela parecesse com uma árvore... Conseguiu.

– Acho que ela ainda não chegou. — Comentou Johanna ao perceber Katniss esticando o pescoço e olhando para todos os lados, como que procurando por alguém.

Katniss franziu a testa e voltou o seu olhar para Johanna.

– Ela quem?

– A pessoa que você está procurando. — Respondeu Johanna, com um ar de malícia.

– Não estou procurando por ninguém. — Katniss falou, seco.

Johanna deu um sorriso malicioso.

– Sei. Mas agora deixa eu voltar para o meu lugar porque o "circo", ops... — tapou a boca, como se tivesse errado a palavra, mas não de propósito. — O espetáculo já vai começar. — Corrigiu.

Katniss sorriu, balançando a cabeça de um lado para o outro. E depois de uma piscadela, Johanna saiu, se posicionando outra vez na fila.

– Boa noite, senhoras e senhores! — Gritou Caesar no microfone para uma platéia enlouquecida. — Ansiosos para esta noite? — Perguntou, e a platéia gritou uma resposta afirmativa de volta. — Então vamos começar com a nossa entrevista. E a primeira a subir ao palco é... — Fez um suspense. — Glimmer! Com o tema: Pedras preciosas.

A platéia ovacionou de pé. E a garota saiu dos bastidores em direção ao palco. Ela estava vestida com um vestido cor de rosa todo cravejado de pedras brilhantes. E seus cabelos dourados desciam em cascata. Ela estava realmente linda.

Caesar fez questão de recebê-la com um beijo cavalheiresco no dorso de sua mão. Glimmer sorriu emocionada e acenou para platéia que entrou em êxtase. Depois foi conduzida a um sofá que ficava no meio do palco, de frente a um outro sofá pertencente a Ceazar.

E a entrevista começou.

Então uma por uma foi entrando, o que aumentou ainda mais a apreensão de Katniss, que não via a hora de que aquilo tudo acabasse.

– Agora por último, mas não menos encantadora, chamamos ao palco... — Caesar começou a falar. E como sempre fez suspense para dar audiência. — Katniss... Everdeeeeen!

Quando Katniss ouviu seu nome, respirou fundo tentando aspirar todo o ar possível para sustentá-la enquanto estivesse ali na frente de toda aquela platéia. Ela estava extremamente nervosa e suas pernas pareciam não colaborar, de tão moles que ficaram.

Ceazar teve de esperar um momento antes que Katniss entrasse. Ele disfarçou olhando para uma das câmeras com um sorriso aberto. A platéia ficou ainda mais em polvorosa com a ansiedade de vê-la. Esse nunca foi o objetivo de Katniss, mas aquilo acabou sendo uma jogada de mestre.

Por fim, erguendo a cabeça, Katniss engoliu a seco, e subindo um pouco o vestido, ela entrou no palco. E Caesar, como fez com todas, segurou sua mão e beijou-a. Depois conduziu-a até o sofá.

Ao se sentar, Katniss tentou olhar para a platéia, mas as luzes eram muito intensas. Teve de piscar inúmeras vezes para que seus olhos se adaptassem. Por isso, não escutou quando a entrevista começou.

– Oi? — Ela perguntou para Caesar ao perceber que seus lábios haviam mexido.

Todos riram do modo desnorteado em que Katniss se encontrava.

– Tenho a leve impressão de que está nervosa. Acertei? — Caesar perguntou olhando para ela e para platéia, alternadamente.

Katniss assentiu com a cabeça. — Sim. Um pouco.

Ele segurou sua mão em solidariedade. — Não precisa ficar. Prometo ser gentil.

Ela sorriu com ternura. — Brigada. — Agradeceu com um fio de voz.

– A primeira pergunta que quero fazer é: Como fará para conquistar Peeta Mellark?

E é porque prometeu ser gentil, pensou ela, desgostosa.

– Sendo eu mesma. — Ela afirmou sem deixar dúvidas.

Ele fez um cara de quem gostou da resposta. — Boa resposta, senhorita Everdeen. Mas... Aqui pra nós... — Ele desencostou no sofá, chegando bem perto dela, como que para contar um segredo. — Quais serão suas estratégias?

Katniss percebeu que as perguntas eram as mesmas para todas, só o que mudava eram as palavras. Se tivesse se tocado disso antes, tinha pensado em uma resposta interessante ou mesmo parecida com as respostas das outras selecionadas. Mas estava tão absorta em seu nervosismo que não conseguiu prestar atenção em nenhuma delas.

– Não tenho estratégias. A conquista vai ter de partir dele.

A platéia gritou. E Caesar se virou para ela com as sobrancelhas levantadas. O que ela disse para provocar aquela reação?

– Huuuum... Então sua estratégia é dar uma de difícil, não é?

Katniss franziu a testa. Do que ele estava falando? Não era nada disso!

– Não, Ceazar, o que eu quis dizer foi...

Mas ele não deixou ela se explicar, levantando-se e segurando a mão dela para que ela fizesse o mesmo.

– Katniss, o seu vestido é lindo. Lindo mesmo. Mas... Eu não entendi. E acho que a platéia também não... O que ele tem a ver com o seu tema?

Ela sorriu com ar de mistério. Estava esperando por aquele momento desde que chegou. Cinna a havia instruído muito bem quanto a isso.

– Eu posso mostrar se vocês quiserem. — Katniss disse atraindo a atenção da platéia, que de tão curiosa, se explodiu em gritos.

– Acho que nós queremos. — Respondeu ele para em seguida se dirigir à platéia. — Não é mesmo, senhoras e senhores? — Os gritos foram ainda mais alto.

Então, sem mais delongas, Katniss se dirigiu até um ponto estratégico do palco e diante do olhar de todos, ela começou a girar. E como num passe de mágica, a ponta de seu vestido pegou fogo. Caesar arregalou o olhar e começou a aplaudir, ele mesmo. Sendo seguido pela platéia que aplaudiu de pé, entre assobios e gritos ensurdecedores.

À medida que Katniss rodava, o fogo ia se alastrando, subindo e descendo na saia do vestido. No início ela ficou assustada, mas depois se acostumou, ao ponto de quase não conseguir parar. Caesar teve de intervir, chegando perto dela.

– Desculpa, Ceazar, acho que me empolguei um pouco.

Caesar riu. — Não precisa se desculpar, senhorita Everdeen, o que você acabou de fazer aqui foi impressionante. E tenho certeza que acabou de ganhar muitos pontos com isso. — Ele concluiu olhando em direção aos cinco jurados, compostos por Seneca Crane, Maysille Donner (a socialite mais conhecida da Capital), Tigris, Plutrach Heavensbee e Haymitch Abernathy Mellark.

Os cinco, de cabeça baixa, escreviam suas anotações a respeito de cada selecionada. E teoricamente, eram para ser imparciais. Mas todos sabiam que Seneca e Maysille escolhiam conforme a vontade do Presidente Snow.

– Bem — Caesar começou a falar. — Você já pode ir para o seu lugar, senhorita Everdeen.

Katniss sorriu agradecida e caminhou em direção às outras garotas que estavam no fundo do palco formando uma linha.

Chegando lá, ela se posicionou bem no centro da estrela com o número 10, que ficava no chão do palco. Acenou para Johanna, que voltou o aceno, sorrindo. Depois passou o olhar por toda a extensão do palco. No caminho, se deparou com o garoto do elevador, aquele que lhe oferecera torrões de açúcar. Ele estava lindo vestido à caráter, e sorriu maliciosamente quando seus olhares se encontraram. Em resposta, Katniss forçou um sorriso para reprimir a grande vontade que teve de estirar a língua. Depois retirou o olhar para seguir conhecendo os outros. Mas de cara se arrependeu do feito, pois o garoto ao lado do garoto dos torrões — um alto e forte de cabelos dourados bem curtos — encarava-a de modo estranho, como se quisesse devorá-la. Imediatamente Katniss desviou o olhar. Mas ainda conseguiu ver quando o garoto deu uma risada sarcástica parecendo se divertir as custas dela.

– Agora — Caesar recomeçou a falar, chamando a atenção de Katniss. — Quero chamar ao palco, minha querida amiga... — Ele apontou para lateral do palco. — Effie Trinket!

E como sempre acontecia, a platéia se rompeu em aplausos e gritos, enquanto ela caminhava até o centro do palco.

– Obrigada, meu querido Caezar. — Ela agradeceu depositando um beijo no rosto do amigo que sorriu, tímido. Em seguida se dirigiu à platéia. — Acho que vocês devem saber porque estou aqui essa noite, não é?

A platéia respondeu em uníssono que sim. E Katniss, de onde estava, se perguntou o porquê de só ela não saber.

– Estou aqui para chamar ao palco aquele que todos vocês, — Voltou o rosto rapidamente para as selecionadas que sorriram e suspiraram. E só aí Katniss começou a entender. — Estavam esperando. — Ela continuou. E Katniss percebeu que agora só as garotas da platéia gritaram, enlouquecidas. Então Effie se virou para lateral direita do palco. — Venha pra cá... Peeta Mellark.

Katniss seguiu o olhar de todos. Foi aí que um garoto apareceu subindo rapidamente as escadas. Ele era muito lindo, Katniss não podia negar. E era... Era... Era...

De repente o coração de Katniss disparou.

Era ele.

O garoto do Centro de Treinamento.

Katniss trincou os dentes e apertou os punhos. Ela agora tinha um novo motivo para odiar Peeta Mellark.

– Boa noite, Effie! — Peeta cumprimentou e em seguida, segurando a mão de Effie, beijou seu dorso. — Posso dizer que você está linda essa noite.

Ele elogiou arrancando um sorriso de Effie. E todas as garotas gritaram como se quisessem estar no lugar dela. Exceto Katniss, que apertou ainda mais os punhos deixando os nós de seus dedos quase brancos.

– Oh, quanta gentileza, senhor Mellark. — Agradeceu, Effie.

– Me chame de Peeta. — Pediu ele com todo seu charme levando as garotas da platéia ao delírio.

– Está bem... Peeta. — Ela disse, para em seguida olhar para platéia como que fazendo inveja.

Foi aí que todos ouviram quando Caesar limpou a garganta interrompendo o momento um tanto quanto constrangedor. Imediatamente Effie se refez e voltou a falar. Caesar piscou para platéia, que riu.

– E agora, Peeta... Será que você quer conhecer suas pretendentes...?

Peeta deu um meio sorriso de lado. E Katniss quis enfiar uma faca no peito ao perceber que aquele maldito sorriso ainda tinha o mesmo efeito da noite anterior.

– Com certeza, Effie. Estou ansioso para conhecê-las.

– Então, pode ir até lá falar com elas. Pois com certeza todas devem estar tão ansiosas quanto você.

Ele sorriu e em meio aos gritos da platéia, se dirigiu até a primeira, que era Glimmer. Logo que se aproximou, segurou sua mão e deu um beijo. Mas não olhou em seus olhos, Katniss percebeu. Ou seja, com ela foi diferente. Depois disso, ele falou qualquer coisa no ouvido dela, que deu uma risadinha suspeita. Então ela se deu ao direito de também responder no ouvido dele. E seja lá o que ela tenha dito, levou Peeta a corar. Katniss revirou os olhos. Mas a platéia adorou.

A segunda selecionada foi Clove, depois Cashmere, Lynna, Latarsha, Amber, Johanna, Gloss e antes de Katniss ainda teve Delly, que de todas, parecia a única realmente apaixonada por Peeta, pois quando ele beijou sua mão, Katniss percebeu o brilho em seu olhar. E como estava ao seu lado, sentiu que o braço que tocava o seu, ficou gelado de repente.

Peeta, como fez com todas, disse algo em seu ouvido. E ela riu. Mas ao contrário das outras, não disse nada em retribuição. Katniss estranhou pois até mesmo Johanna aproveitou o momento, apesar de que Katniss tinha certeza de que o que ela falou não foi nada bom, pois percebeu quando Peeta arregalou o olhar.

Por fim, chegou a vez de Katniss, que o fuzilou com o olhar, deixando claro como estava com raiva dele.

– Katniss, se você me deixar explicar... — Ele falou baixinho ao segurar sua mão para beijar. Mas ela não estava para brincadeira e puxou a mão abruptamente, fazendo toda platéia gritar um "ooooohhhh". — Katniss, por favor, me deixa explicar! — Ele implorou baixinho.

Mas a garota estava irredutível. E ele teve de se conformar, voltando ao seu lugar ao lado de Effie.

– Nossa! Parece que uma das selecionadas está um pouco arredia hoje, não é, Peeta? — Effie perguntou.

– Parece que sim. — Peeta respondeu sem graça. E a platéia falou qualquer coisa em solidariedade a ele.

– Mas não se preocupe porque todas as outras pareceram estar bem dispostas a ter você como marido. E se você não conseguir, acho que algumas garotas da platéia se canditariam... — Aquilo nem era uma pergunta, mas a platéia feminina gritou quase estourando os tímpanos de todos no palco. Algumas até fingiram desmaiar. Katniss teve vontade de vomitar. — Viu só?

Peeta deu um sorriso e corou com o assédio.

– Obrigado pelo carinho, garotas! — Ele agradeceu à platéia. — Prometo que se não encontrar aqui, faço outra seleção. — Ele disse jogando charme. E a platéia "morreu".

– Oh, ele não é fofo...? — Effie suspirou . Como pode ter um pai tão... — Desabafou sem sentir e Haymitch, de onde estava, deu uma risada divertida. Ela limpou a garganta, envergonhada. — Desculpe, eu não... Enfim, vamos ao que interessa. — Segurou o ombro de Peeta. — Peeta, como você sabe, neste momento você tem o direito de escolher uma, entre todas as selecionadas, aquela em que você queira ter o seu primeiro encontro. Em contrapartida, os nossos jurados terão de eliminar alguém. Então, Peeta, quem você escolhe? E para ficar ainda mais emocionante, diga-nos, o que uma garota precisa ter para te conquistar.

Uma garota vestida elegantemente saiu de detrás do palco e se dirigiu até ele para entregar uma rosa. Ele pegou, sorrindo agradecido, sabendo que teria de entregá-la àquela que ele escolhesse.

– Bom, sendo sincero, para me conquistar, a garota só precisa ser ela mesma. Ser doce, mas nem tanto. Deve ter atitude. E o mais importante, deve compartilhar dos mesmos ideais que tenho.

Effie suspirou. — Está bem. Mas agora diga quem você escolhe.

Peeta olhou para os jurados e percebeu que eles miravam Katniss. E alguns estavam com cara de poucos amigos.

– Bom, todas as selecionadas são lindas. E sabem o que querem. Isso me deixou bastante entusiasmado. Mas como eu só tenho direito de escolher uma entre vocês, eu escolho... — Fez um suspense, andando na frente das selecionadas. — Você, Katniss Everdeen, para o meu primeiro encontro. — Parou na frente dela e se ajoelhou, oferecendo a rosa.

O coração de Katniss disparou, principalmente quando seus olhares se encontraram. Ele era louco? Pensou, fulminando-o com o olhar. Ele, ao contrário, devolvia com um olhar apaixonado para ela.

– Eu quero ela pra mim. — Comentou o garoto que tinha devorado Katniss com o olhar e riu de forma sarcástica.

– Quem, Cato? — Marvel perguntou. — Quem você quer pra você?

Eles estavam lado a lado no palco. Junto com Finnick, Tresh, Landon e Augustus.

– A garota quente. — Ele respondeu olhando para ela fixamente.

– Ih, Cato, acho difícil você conseguir. O conquistador ali já está de olho. — Marvel se referiu a Peeta.

– Por isso. Mais um motivo para eu querê-la. Infernizar o conquistador... — Marvel sorriu, achando o máximo. — Vou ter de falar com o meu pai. Ele tem de mudar as regras do jogo. Peeta nunca ficará com Katniss. Ela é minha!

Os dois se entreolharam rindo de formar malévola.

Katniss e Peeta, perdidos um nos olhos do outro, nem imaginavam o inimigo cruel que fizeram naquela noite.

Notas finais
E aí? Mereço reviews ou não????