Eu sei

Mais do que ninguém

O quanto minha insensibilidade é assustadora.

Não, talvez não seja a melhor palavra

Insensibilidade.

Definitivamente não é!

Sinto em excesso

Sinto demais

Sinto tanto

Que queria poder parar.

Tanto quero

Que desisto de tentar ajudar.

Rodeio-me de indiferença

Fofoca, descrença

Fujo do ódio e da ignorância

Ao me afogar no lago profundo

E nada assustador

De indiferença.

Canso-me da humanidade de uma forma

Que passo a desejá-la morta…

Opa, soou é errado.

“Morta” talvez seja outra palavra forte demais.

Desejo-a apenas inerte, constante, calada, miúda e quieta…

Discreta, pequenina, ínfima

Assim como a minha esperança no mundo.

(Se é que ela ainda persiste).

Abraço o caos como um velho amigo.

Ele me é mais comum e familiar do que a razão.

É o único que parece permanecer na loucura da realidade…

Aplaudo o circo pegar fogo

E jogo rosas se todos estiverem dentro.

Cansei-me. Cansei-me!

Se discorda de mim, é iludido!

Se concorda comigo, te temo…

Não gostaria de conhecer

(se bem que está para nascer)

alguém tão insensível quanto eu...