Eu e minha foice
3 Shaja'at
Notas iniciais
Desde o trabalho que Shinigami-sama nos passou, e que será efetuado amanhã, eu não saio do limite das quatro paredes de meu quarto e já se faz um dia inteiro desde aquilo. Blair e Soul já tentaram descobrir o que estava acontecendo comigo por de trás da porta que nos separa, mas nada eu falava... Soul realmente não notava nada mesmo, aquele baka. Nesse dia que se passou eu já pensei em abrir meu coração para ele, mas eu tenho — como é o nome mesmo? Ah... medo!
Já na manhã do dia seguinte, Soul parecia se aprontar para ir a escola, e nem isso eu queria fazer... mas também não queria ficar depressiva. Tinha que sair, mas ainda não. Uma voz grave e que eu conheço muito bem me chama atenção, ela parecia vir bem de trás da porta.
Soul: Maka... – era a terceira vez que ele tentava falar algo para me animar ou algo assim, e eu apenas covardemente o ignoro. – Não vamos poder te ajudar se você ficar trancada nessa porra o tempo todo. – ele soca a porta, o que me assusta um pouco. – Merda... Blair já disse que ia usar um de seus feitiços para explodir essa porta, mas eu disse que você só vai sair daí quando estiver pronta para nos contar o que esta acontecendo. Humph... se é que você ainda esta aí. – seus passos se afastam da porta e param em um ponto mais distante. – Ah é mesmo! Não se esqueça do trabalho que temos para amanhã! Ja ne! – a porta de saída bate.
Droga, droga, droga! Ele tinha que falar desse bendito trabalho? Eu me deito na cama que até então estava sentada e me encolho totalmente nela, segurando ao máximo algumas lágrimas que queimavam-me os olhos. Me agarro a uma pelúcia aleatória que estava no bidê ao lado da cama, abraçando-o fortemente... desejando que ele fosse o albino de olhos vermelhos, que por sinal deve estar me odiando nesse minuto pelo terrível tratamento de gelo que eu o lhe dei. Deixo as lágrimas descerem e molhar a pelúcia.
Maka: Soul Eater Evans... – sussurrei para mim mesma mais do que para qualquer outro, desejando o tempo todo não ser tão covarde e fraca, ao ponto de não conseguir pronunciar poucas palavras que demonstram meus sentimentos. – ...seu maldito.
Depois de alguns minutos solenes de choro desnecessário, ele ponho a pelúcia em seu divido lugar, sento-me e começo a limpar as lágrimas pendentes em meu rosto, para então começar a andar rumo a saída deste cubículo no qual estive enfurnada nas últimas 24 horas. Estou faminta, saio do quarto observando atentamente a casa torcendo para que Blair não estivesse e quando averigüei que, para minha sorte, ela realmente não parecia estar, andei na direção da cozinha para pegar algo para comer.
Depois de tirar um rámen de peixe que havia preparado do microondas, abro a geladeira para tirar algo para beber e, num incompreensível movimento de olhar para cima, vejo uma linda gata roxa usando um chapéu preto de bruxa e quase caí para trás no susto, além de soltar um grito. Blair desce de cima da geladeira – afinal, quando ela chegou ali? – e toma sua forma humana usando, como sempre, roupas exageradamente chamativas.
Blair: MAKA-CHAN. – ela grita alegremente, pulando em minha direção com os braços abertos. – QUE SAUDADES. – ela me abraça fortemente, e devo de dizer que isso realmente me confortou.
Maka: Ei, ei, eu estava no quarto o tempo inteiro, não estava? – falei ainda abatida. – Ah estou com muita fome. – me desvencilhei dos braços dela me sentei na mesa, abrindo minha refeição. – Itadakimatsu. – juntei as mãos como de costume.
Enquanto comia Blair ficou o tempo do meu lado, observando-me comer com um olhar incomum para ela: preocupação. Era extremante estranho ver Blair, a Gata Mágica, com feições assim. Ela parecia querer falar, mas sua voz não saia... mas que droga. Deixei meus hashis de lado de comecei a fitá-la com um olhar indiferente. Esperando que ela falasse algo, mas parecia que não falaria então tomei fôlego para pronunciar algo como: “fale” ou “tem algo a me dizer?”, mas fui interrompida por palavras que quase pararam meu coração e que nunca sonhei em ouvir Blair as pronunciando dessa forma.
Blair: Quando vai contar pra ele? – ela tinha um sorriso meigo com um misto de sarcasmo, que deixou com um olhar sério demais para ela.
Como eu disse, meu coração quase parou com tais palavras... merda! Nem pareceu a Blair falando! Eu arfava rapidamente com os batimentos acelerados sem saber o que dizer ou o que fazer, tentando falar algo e retrucar essas palavras, mas não poderia negar algo dessa forma e que vinha da boca de uma das minhas melhores amigas. Eu... eu... eu estava chorando novamente, estava cabisbaixa e tremula ainda tentando reunir palavras inutilmente, como isso estava acontecendo? Encostei minha cabeça na mesa e comecei a soluçar mais e mais, sem me importar com a mulher ao meu lado, afinal eu sou uma covarde.
Maka: N- N- Nunca! – falo finalmente erguendo a cabeça revelando minhas lágrimas. – NUNCA. – abaixo-a novamente tornando a chorar. É muito estranho chorar por amor.
Blair se levanta e entra em meu quarto enquanto eu ainda soluçava na mesa da cozinha. Escuto-a remexer em objetos e também derrubar algumas coisas, o que chama minha atenção e me faz erguer a cabeça, cessando o choro. Depois de poucos instantes, ela retorna em forma de gata carregando algo como uma foto dobrada em sua boca. Ela sobe na mesa da cozinha e solta, olhando sugestivamente para mim. Pego-o em minhas mãos e cuidadosamente o desdobro, e quando termino de fazê-lo tenho uma surpresa... isso mesmo, eu sou muito baka, como diz Soul. Como pude chorar tanto quando tinha a resposta postada em meio peito e neste postal o tempo todo? Além de que eram simples palavras como esta.
“Shaja’at”
Blair: Você disse que isso significa “coragem”, não é mesmo? – acenei confirmando. – Então... graças a isso você derrotou o Kishin e salvou o mundo de sua loucura! E você esta com medo? Tem medo de encarar Soul sendo que você o ama? Vocês humanos são tão estranhos! – ela se próxima do cartão postal, e aponta para a palavra escrita em árabe. – Co-ra-gem. Você não é uma covarde, Maka-chan!
Maka: Sei. – eu falei de uma maneira incrivelmente determinada, amassando o postal em minha mão. – Eu vou encará-lo e revelar meus sentimentos da minha maneira, mesmo que não sejam correspondido! – sorri. – Ah... com- como você sabia? – perguntei, ficando vermelha.
Blair: Ahh Blair sabe a muito tempo! Ainda mais quando a Maka-chan fica falando o nome dele enquanto dorme a noite... – fiquei mais vermelha que uma pimenta. – E quando te ouvi chorando por de trás da porta... foi A PROVA.
Eu ri diante daquilo, mas ainda tinha em mente aquela palavra deixava por minha amada mãe que me dava forças para enfrentar tudo, mesmo em situações assim, afinal amor é uma coisa estranha e bela... sim, chorei, mas isso não importa, afinal tenho aquilo que é mais importante que lágrimas: coragem.
A palavra chave é “shaja’at”!
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