Eu e minha foice
5 Maldita foice
Notas iniciais
Soul estava em seu quarto desde que chegaram da longa viagem a Paris, pensando e refletindo. Era muito obvio que não era muito bom nisso, afinal era um garoto completamente impulsivo e bem idiota aos olhos de todos, mas ainda assim tentou buscar uma resposta para a pergunta que batia tão violentamente em sua cabeça e lhe tirava o sono...
Soul: “O que diabos foi aquilo que a Maka fez?” – perguntou mentalmente lembrado do ato totalmente ousado e nada esperado da loira de olhos esverdeados.
Lembrou de tudo o que ocorrera depois de terem derrotado o Ovo de Kishin, desde o segundo em que comeu sua alma até o momento que Maka levantou a cabeça com um olhar confuso, o que não era muito típico dela. Seu corpo formigava só de pensar no que aconteceu em seguida; os lábios sensíveis da loirinha junto aos seus, buscando – mesmo que de uma forma estranha e desajeitada – uma maneira de aprofundar aquele carinho tão novo tanto para ele quanto para ela.
E pensar que aquele fora seu “primeiro beijo’ apesar que não podia chamar aquilo de beijo... fora algo rápido demais para uma primeira experiência, mas porque será que sentia aquilo? Uma coisa nova transitava por dentro de si, algo que não lembrava de ter sentido alguma vez em sua vida. Não. Já havia sentido aquilo uma única vez: quando conhecera Maka e havia tocado piano para ela. Lembrou-se do que sentiu naquele momento: era algo estranho, porém bom, como se algo lhe alimentasse a alma.
Sacudiu a cabeça e se levantou da cama que estivera deitado até então.
Saiu do quarto vagarosamente, se arrastando até a cozinha para buscar algo para beber ou comer, na esperança de que seu sono viesse. Como já passavam das duas da manhã, tentou ser o mais silencioso possível, pois com certeza Maka e Blair estariam a dormir. Chegando no cômodo em questão, abriu a geladeira e examinou seu conteúdo. Bufou entristecido ao constatar que só havia leite, alguns iogurtes – que por sinal seria morto por Maka caso bebesse um deles – e uns depósitos organizados com alguns mantimentos. Optou por beber um copo de leite mesmo.
Serviu num copo uma generosa quantidade de leite e dirigiu-se ao seu quarto para que bebesse lá. A caminho, passou na frente da porta do quarto de Maka e lá ficou travado alguns instantes, se perguntando se deveria mesmo bater. Levou dois dedos aos lábios e os tocou, lembrando do contato que a loira havia feito neles, e, talvez, até sentindo falta dele. Sorriu levemente de lado, e tornou a andar para seu próprio quarto.
Soul: “Sério mesmo que eu ia bater naquela porta e acordar ela ás duas da matina?” – pensou entrando em seu quarto já dando um grande gole em seu leite. – “E em seguida eu ia falar o quê? Que tal: ‘Ei Maka, quer repetir o beijo?’” – pensou quase rindo de si mesmo, mas achando interessante a própria proposta. – “É bem mais provável ela me acertar uma bela duma livrada! Humph.”
Continuava bebendo calmamente seu leite a espera do sono que parecia nunca vir, mas, enquanto não dormia, pensava nas causas, razões ou circunstâncias que levaram a Albarn a fazer o que fez. Ai, ai, não conseguia pensar em nada que levasse aquela garota, inocente em sua opinião, a tomar seus lábios daquela forma tão repentina. A probabilidade de que ela estivesse apaixonada por ele até lhe passou pela mente, mas fora logo descartada, afinal eram grandes – melhores – amigos há anos. Em sua cabeça o sentimento de amizade que nutriam nunca mudaria para algo assim.
[ N.A.: Soul baka u.u ]
Quando terminou seu leite o colocou na mesa de cabeceira da cama e deitou-se, encarando um ponto fixo no teto sem conseguir tirar as lembranças daquele carinho tão repentino da cabeça nem por um segundo. Por milionésimo de segundo pensou em contar com Black Star para se abrir, desabafar suas confusões, afinal era seu melhor amigo, e os homens falam essas coisas para os melhores amigos, não é? Logo em seguida, riu internamente de si mesmo por pensar que justo o assassino escandaloso de gênio forte e impaciente entenderia essas coisas.
Soul novamente passou os dedos pelos lábios, e quase sentia neles o calor do toque de Maka. Pensava em como seria se o bendito beijo tivesse se aprofundado, em sentir mais intensamente a Albarn. Sacudiu a cabeça para negar os pensamentos cada vez mais maldosos que se formavam.
Soul: Maka, sua maldita. – sussurrou para si mesmo mais do que para qualquer outro, cobrindo os olhos, já sonolentos, com a curva interna do cotovelo. – Você me roubou meu primeiro beijo. – ainda sussurrando, porém um tanto mais alto e com um sorriso torto estampado na face quase inteiramente oculta.
Dormiu sem pensar em nada... tinha os pensamentos vazios.
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MAKA NARRAÇÃO ON
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Chegamos um tanto tarde na noite anterior e – pelo menos – eu estava bastante cansada, então me recolhi logo para dormir. Cai no sono como uma pedra e quando acordei no outro dia, me tocando que não teríamos aula, lembrei do feito idiota que realizei na noite anterior. Corei completamente, lembrando-me que Soul havia boquiaberto e sem dizer nada... eu com certeza fui imprudente em fazer aquilo sem mais nem menos. O albino idiota do quarto ao lado nunca mais vai olhar na minha cara!
Novamente – provavelmente pela vigésima vez desde que o fiz – repeti mentalmente a cena do “quase beijo” que roubei de Soul. Ele já deve ter beijado alguém, pois a expressão que ele fez quando desfiz o contato foi algo com: “que porra foi essa?” Ele certamente considerou um ato infantil e bobo, com certeza não gostou. Bufei diante desses pensamentos, mas ainda assim, me sentindo muito bem... mas por quê? Ah, sim, sim! Esse fora meu primeiro beijo com o garoto pelo qual eu estava apaixonada. Sorri sapeca. Claro que não fora a mesma coisa para ele, mas ainda assim fora algo... hm... INCRIVEL!
Estou parecendo uma criança bobinha e apaixonada pensando dessa forma, mas só lembrar boas coisas me invadiam o coração, e, em compensação, coisas ruins também me vinha a mente, como o fato de que fui atirada demais com relação a aquilo, a ausência de qualquer satisfações, como motivos por trás daquilo, e, especialmente, o fato, que eu mesma reconhecia e odiava, de eu ter negado qualquer palavra ou mesmo contato visual para meu parceiro desde que chegamos.
Agi como uma completa covarde pensando nos muitos contras que a situação me trouxe, mas esses “contras” não batiam em mim, e sim no albino de olhos vermelhos que deve estar com repulsão da minha cara. Ah, e isso me lembra algo mais: a maldita alma de bruxa que restava para que eu concluísse meu trabalho como artesã de Soul Eater Evans. Entristeci mais uma vez... estou muito cansada disso; estou cansada de ficar triste por amor, de temer mostrar meus sentimentos e, principalmente, de sentir falta dos lábios que tomei de maneira tão imprudente. Mas que grande baka eu sou! Como é possível eu ter coragem de “beijá-lo” mas não de falar o que se passa em meu coração?
Agora esses sentimentos e pensamentos estão a formar uma montanha dentro de mim que está prestes a explodir com minha ansiedade. Bati levemente em minha própria bochecha, tanto para acordar quanto para dissipar a tempestade em minha mente, e me coloquei em pé para começar o dia que seria – muito! – puxado.
Depois de um tempo, fiz minha higiene matinal e vesti meu habitual conjunto de moletom, para enfim sair do quarto e degustar de meu café da manhã. Quando fechei a porta do quarto que havia acabado de sair e virei para a mesa redonda que havia na cozinha, quase desmaiei com o que vi em frente a geladeira bebendo leite direto da caixa – como sempre ¬¬
Soul estava com uma toalha amarrada na cintura e apenas isso. Certamente havia acabado de sair do banho, pois tinha o corpo completamente encharcado e a tolha – a maldita toalha! – era com certeza de Blair, afinal era bem pequena deixando assim suas coxas torneadas bem expostas e sem conseguir em absolutamente nada sua barriga repleta de músculos delgados, rígidos e bem definidos. E se eu tivesse prestado bem atenção na parte central da toalha amarrada em sua cintura quase daria pra ver um certo volume entre suas pernas. Aquela água que escorria de seu corpo conseguiu deixar até mesmo aquela tão dolorosa cicatriz bela em contraste com todo o resto, era quase – quase ou muito? – sexy. Aquela cena quase me tirou completamente o fôlego!
Não consigo dizer o quão corada e envergonhada fiquei, como disse; quase desmaiei, mas não conseguia me mover o tirar os olhos de tudo aquilo. Estava boquiaberta... droga!
Maka: “Quando esse baka ganhou todo esse corpo?” – pensei imóvel, sem conseguir proferir uma única palavra.
Soul: Err... – gaguejou pondo cuidadosamente a caixa de leite sobre a mesa. Estava tão, talvez até mais, corado que eu. – A- Acho que v- v- vou me ve- vestir. – Engoliu em seco andando lentamente ate seu quarto, sem tirar os olhos de mim. Ele tinha no olhar um estranho, e completamente incomum para o garoto de cabelo grisalhos que conheço, misto de vergonha e sarcasmo, como se tivesse feito de propósito, pois o sarcasmo era mais evidente que a vergonha no olhar que ele esboçava.
Tomamos nosso café da manhã em silencio. Para falar a verdade, mau nos olhávamos, não tínhamos coragem para isso. Depois de algum tempo de silencio, vergonha e ansiedade, agora eu estava sentada no sofá da sala de estar, lendo – ou pelo menos tentando ler – um livro qualquer para tirar “aquilo” da minha cabeça. Tinha a cabeça quase totalmente afundada no livro buscando focar-me apenas nas palavras que passavam diante de meus olhos e quase obtive sucesso depois de um tempo, mas uma movimentação ao meu lado no sofá chamou minha atenção.
Corei novamente.
Soul sentou-se distraidamente ao meu lado no sofá e me encarou rapidamente, fazendo-me afundar mais ainda no livro.
Maka: “O que esse maldito esta tentando fazer?” – me perguntei o olhando de canto sem deixar transparecer demais meu nervosismo.
O ar em nossa volta estava pesando mais ainda e a tensão aumentando, pois ninguém falava nada, apenas trocávamos olhares afiados de canto. Os olhos avermelhados de Soul me encaravam com uma expressão estranha, como se fosse um sentimento novo se mostrando em milhares de tons de vermelho. Simplesmente não conseguia me desviar daqueles olhos que me fitavam e aquele olhar, aquela expressão; era algo quase selvagem.
O albino me segurou cotovelo, usando de uma certa força, mas não chegou a me machucar e sim a me assustar. Seu olhar, sua expressão, seus olhos eram indescritíveis... tinha um sorriso entristecido esboçado mas não encarava diretamente, apenas mexia os olhos sem parar num ponto fixo. Estava bem corado e quase tremia nas bases.
Soul: P- Porquê fez a- aquilo? – suspirou depois de fazer a pergunta que me abalou e muito! – Em Paris por quê me beijou? – não gaguejou desta vez, porém sua voz saiu um tanto mais baixa.
Eu realmente não sei o que fazer!
Maka: E- Err... a- aqui- err. – eu gaguejava, tremia, corava, hesitava, desviava o olhar de todas as maneiras possíveis. Eu realmente tinha que falar algo, e algo convincente... ou será que devia me declarar agora? Minha cabeça vai explodir! – Err... e- eu só queria sa- saber como era u- u- um b- b- bei- beijo. – proferi extremamente baixo, quase sussurrando, e gaguejando de tal que talvez ele não tenha entendido um a do que eu disse.
Ele sorriu de lado, me encarando quase que mortalmente.
Soul: Você não sabe mentir. – sussurrou juntou ao meu ouvido, vendo-me engolir em seco.
Por quê ele esta fazendo isso? Será que ele esta se vingando ou algo assim? Minha estava embaçada, tingida de vermelho... não consigo pensar em nada. Ele parecia se aproximar cada vez mais, e eu parecia não poder fugir – talvez eu só não quisesse fazê-lo. Neste momento que me pergunto se meus sentimentos são recíprocos, se ele esta só brincando comigo por descoberto o que há meu coração... maldita seja essa foice!
Meus pensamentos foram cortados... por um beijo não menos que repentino, que me tirou o fôlego devido sua intensidade, e que era correspondido por mim de uma maneira totalmente desajeitada. Ele ainda apertava meu cotovelo e usava isso para me puxar para ainda mais perto. Tentava explorar a boca dele com minha língua e ele parecia fazer o mesmo, também usava sua mão livre para tentar fazer um carinho no meu braço e ombro. Conseguia sentir todo o calor dele, cada pulsação.
Mesmo sendo um beijo bem nervoso e desajeitado, eu estava imensamente corada... esse sim é meu primeiro beijo. Nos separamos devido ao ar – maldito oxigênio – que se tornou escasso, ofegávamos. Quando tornei a olhar para Sou seus olhos tinham algo... hm... diferente. Um brilho novo!
“Mas... por quê?”
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