Eu e ele? Nunca!
9 Vai lá com as suas amiguinhas
Notas iniciais
POV Lauren
Subi atrás do loiro segundos depois, encontrando-o atirado na minha cama. Ele estava mexendo na minha mochila, separando os materiais que iríamos precisar.
–Não acho o seu caderno de matemática. Onde está?
Caminhei até a mesa no canto do quarto e peguei o caderno com a capa dos Jogos Vorazes. Me sentei ao lado de Luke e lhe entreguei.
–Está quase tudo em branco. Ok, vai ser mais difícil do que eu esperava.
Riu, pegando um dos lápis.
Para a minha surpresa, o Hemmings era um professor bem paciente e calmo. Aos poucos percebi que estava conseguindo entender a matéria e isso me deixou feliz.
Provavelmente uma hora depois de começarmos ele reclamou que estava muito calor e eu tive que concordar. O ar condicionado estava estragado e o pequeno ventilador não era suficiente.
–Droga, vou morrer desse jeito.
Resmungou, largando o caderno e tirando a camiseta.
Observei seu tronco. Ele não era daqueles caras extremamente musculosos, que passam várias horas por dia em uma academia, mas tinha os músculos definidos. Nada exagerado. Perfeito, na minha opinião.
–Você está me secando.
Falou.
Olhei para o seu rosto, seus olhos azuis fixos no meu rosto. Senti minhas bochechas esquentarem.
–Não estava.
Retruquei, orgulhosa.
–Claro que não, baixinha.
Fiz uma careta, mas não disse nada. Quanto mais eu dizia que não gostava, mais ele me chamava, então vou ver se ele para se eu ficar quieta.
–Não entendi isso.
Apontei para a última conta que ele fez.
–Já fiz essa umas quatro vezes, Lauren.
Revirou os olhos.
–Mas eu não entendi ainda. Me explica de novo, por favor!
Ele me encarou por alguns segundos e acabou concordando.
–Preste atenção.
Luke aproximou seu corpo do meu, me indicando o que fazer com os números. Juro que tentei olhar para o caderno, mas ele estava muito perto.
Acabei nem ouvindo o que ele disse, consequentemente não entendendo novamente. Quando ele perguntou se agora eu tinha pegado eu fiz uma cara de quem aprendeu tudo, como quando você está conversando na sala de aula durante uma explicação e o professor começa a te encarar.
–Estou com dor de cabeça, que tal fazermos outra coisa? Continuamos outro dia.
Sugeriu, se deitando na cama.
Como eu não queria passar mais uma hora falando sobre contas decidi concordar.
–O que quer fazer?
Perguntei, me deitando ao seu lado.
–Piscina?
Sugeriu, arqueando uma das sombrancelhas.
–Não. Que tal darmos uma volta na praia?
–Ótimo, vá trocar de roupa.
Disse, enfiando o rosto no meu travesseiro.
Ri da sua preguiça e fui me arrumar. Separei um biquíni azul escuro simples e um vestido branco.
Depois de pronta, sai do banheiro. Ouvi Luke resmungar alguma coisa.
–O que disse?
Me virei em sua direção, encontrando o Hemmings dormindo. Demorei tanto assim?
Me sentei na bera da cama, passando a mão pelos fios loiros macios. Chamei seu nome, tentando acorda-lo, mas nada.
Sacudi seu corpo com força e o idiota continuou dormindo. Se explodisse alguma coisa do lado dele, ele continuaria apagado.
Bufei e voltei para o banheiro, pegando um copo de água. Assim que atirei o líquido gelado no seu rosto ele deu um salto.
–Lauren!
Berrou, passando a mão para tirar a água.
–Eu tentei te acordar!
Me defendi, rindo.
Ele me olhou de modo assassino e começou a contar. Larguei o copo e saí correndo igual uma louca.
Não demorou muito para que eu ouvisse seus passos atrás de mim. Socorro, ele vai me matar!
Corro para o lado de fora e me escondo atrás de um vaso. Meu coração está acelerado e eu rio baixo.
Passam-se alguns minutos e a casa fica em completo silêncio. Decido sair do meu esconderijo e entro na sala, olhando o meu redor.
–Luke?
Chamei. Nada.
–HEMMINGS?
Nada.
Percebi que havia um papel na mesa de centro.
"Que brincadeira idiota, Lauren. Quando parar de ser tão infantil pode me chamar.
Luke"
Sinto algo estranho. Acho que dizer que fiquei magoada é o mais próximo do que estou sentindo. Meus lábios começam a tremer e meus olhos se encheram de água.
De repente dois braços fortes rodeiam a minha cintura e alguém grita nos meus ouvidos. Solto um berro, assustada.
–Te enganei direitinho, não foi?
Ouvi Luke sussurrar no meu ouvido, rindo.
–Seu idiota! Imbecil!
Berro, me soltando e socando seu peito.
–Calma, baixinha!
Riu, segurando meus pulsos. De repente seu rosto ficou sério e ele me fez olhar nos seus olhos.
–Você ia chorar? Lauren!
–Não ia.
Choraminguei.
Ele me puxou contra o seu corpo, me abraçando.
–Desculpa, não achei que você fosse levar tão a sério.
Apenas me encolhi ali, sentindo o seu cheiro. O perfume de Luke era algo viciante.
–CHEGUEI...! Estou interrompendo?
Dou um pulo e me solto do abraço. Droga, esqueci que já estava na hora da tia Anne voltar do trabalho.
–Não, claro que não! Como foi o trabalho?
Digo nervosa.
–Normal. Se divertiram durante a tarde, crianças?
Ela abriu um sorriso malicioso e eu fiquei mais vermelha do que um tomate.
–Na verdade, não. Estava ajudando a Lau com os conteúdos de matemática, Dona Anne.
Ah, então na frente da minha tia ele é todo educado. Idiota.
–Hum, e o Ash?
Ela foi até o sofá e largou sua bolsa, se virando para nos encarar.
–Saiu, foi... Ahn... Ver uma amiga.
Falo. O Ash não disse que não era para contar, então não tem problema, certo?
–Entendi. Bem, vou tomar um banho e começar a fazer o jantar. Por favor, liguem para o meu filho e peçam para ele vir para casa. Ah, e digam para ele trazer essa amiga, quero conhece-la.
Sorriu, subindo as escadas.
–Ok, farei isso.
Digo.
–Ainda vamos a praia?
Luke pergunta, com as mãos no bolso da calça.
–Hum... Sim. Mas não podemos demorar, Hemmings!
Pego seu braço e começo a arrasta-lo para o lado de fora.
Agora já deveriam ser umas sete e meia da noite, eu nem vi a tarde passar tão rápido. O sol já estava se pondo no mar e com certeza era uma vista incrível.
Parecia um filme romântico, o casal caminhando na praia ao por do sol. Luke estava bem calado, o que me intrigou. Olho em sua direção e percebo que ele está me encarando.
–O que foi? Tem algo no meu rosto?
–Tem. Seus olhos, seu nariz, a boca...
Riu.
–Você entendeu o que eu quis dizer, idiota! É que você estava me encarando.
Reviro meus olhos.
–Eu estava pensando e olhando para um ponto distante, daí a sua cara apareceu bem nessa direção.
Deu de ombros.
–Aham, sei. Não é por que você me acha linda, maravilhosa e diva?
Brinco.
–Muito modesta... Mas não. Se eu fosse olhar para uma garota com essas qualidades que você citou, eu olharia para elas.
Ele apontou discretamente para três garotas caminhando juntas. Elas riam bobamente e olhavam para o Luke descaradamente.
–Vai lá caminhar com elas então, Hemmings. Vai e não volta.
Bufo, apressando meu passo.
–Ciúmes, baixinha?!
Gargalhou.
Irritada, me viro e mostro o dedo do meio.
–Tem certeza que eu posso ir? Não vai chorar?
Ele me olhou desafiadoramente.
–Vai e não me incomoda! Espero que se divirta!
Grito.
Não fiquei surpresa quando ele se virou e correu na direção delas, começando um papo furado.
Desgraçado, imbecil, idiota, babaca...
Furiosa, continuo caminhando.
Depois de uns cinco minutos, quando já não enxergo o Hemmings, me sento em uma duna de areia. Ainda não liguei para o Ash... Melhor fazer isso agora.
Pego meu telefone e dígito o número do meu querido primo.
–Alô?
–Hey! É para você vir pra casa. Sua mãe já chegou.
–Já?! Que horas são... Porra, perdi a hora!
–Hum, então a tarde foi boa, Ashton?
Deixo escapar uma gargalhada travessa.
–Não é da sua conta!
–Grosso, eu só fiz uma pergunta inocente! Ah, a sua mãe disse para trazer a Claire para jantar.
–ELA O QUE? VOCÊ CONTOU ONDE EU ESTAVA?
–Não grita, vai me deixar surda! Além do mais, você não disse que eu não podia contar! Já aproveita e pergunta se ela não quer dormir aqui, seria legal.
–Ai, Ok. Mas se a minha mãe me fizer passar vergonha de qualquer maneira, a culpa é sua! Da última vez ela ficou contando histórias vergonhosas minhas para a garota que eu iria sair...
–Ok, eu me responsabilizo! Agora, bye. Te amo.
–Também te amo, praga.
Eu guardo o celular de volta no bolso e começo a encarar o mar. Amo a praia, é um lugar perfeito.
De repente tudo fica escuro. Droga, eu odeio essa brincadeirinha de tapar os olhos dos outros!
–Não sei quem é, mas saiba que eu vou bater em você!
Xingo.
Ouço uma risada. Sei de quem é, Luke.
–Oh loiro oxigenado, me larga e volta lá pras tuas amiguinhas.
Bufo e ele me larga, se sentando ao meu lado.
–Deixa de ciúmes, baixinha. Sou todo seu.
Ele pisca e eu morro. Mentira, não morri, mas foi quase! Claro que eu não deixei ele perceber.
–Então eu sou muito azarada.
–Cala a boca, Lauren!
Riu.
De repente ele se deita, apoiando a cabeça no meu colo. A principio eu tenho vontade de empurra-lo, mas mudo de ideia. Começo a brincar com seu cabelo, fazendo cafuné.
–Quer jantar lá em casa também?
–Aham, eu nunca vou recusar comida.
Reviro meus olhos.
–Eu só fui falar com elas para te irritar. Elas são fúteis demais.
Explica, se virando para me encarar.
–Não me deve explicações.
–Mas quero dar. Não quero que fique chateada comigo, baixinha.
Ele leva sua mão até o meu rosto, fazendo carinho.
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