Eu e ele? Nunca!
23 Roda Gigante
Notas iniciais
POV Lauren
Se existe uma coisa que eu detesto profundamente nesse mundo, são palhaços. Os desenhos infantis os descrevem como fofos, engraçados e alegres, mas eu sei como eles são de verdade... Monstros!
Apesar de não estarmos indo para um circo, e sim para um parque de diversões, encontramos, no mínimo, quatro assombrações coloridas. Um deles tentou encostar no meu braço, quase tive um infarto. O Ash disse que ele só queria me oferecer um pacotinho de balas, mas não sei não.
Mas tem atrações que eu amo nesses locais, principalmente as montanhas-russas. Elas fazem você sentir um nervosismo gostoso e, se você gritar, está tudo bem.
–Chega, Lauren! Nós já fomos nas duas montanhas-russas do parque, quatro vezes em cada uma!
Ashton revirou os olhos verdes para mim, que em resposta mostrei a língua.
–Ok, vamos em outro brinquedo.
Concordo, roubando algodão doce da Louise.
–Quem escolhe agora?
Zoe estava com uma cara entediada, acho que ela não estava gostando muito da maratona de montanhas russas que eu estava fazendo.
–Eu!- Calum pulou, sorrindo largamente — Vamos no túnel do terror!
Foram ouvidos resmungos de comemoração por parte de alguns, e de incomodação por parte de outros.
–Ahn... Eu não gosto muito dessas coisas não. Que tal a roda gigante?
Sugeriu Zoe, esperançosa.
–Não, na roda gigante nos vamos quando estiver escuro, para ver todo o parque iluminado.
Falou Luke.
Ele está de óculos escuros, topete e blusa xadrez vermelha. Tem como ficar mais bonito?
–Vamos fazer assim, eu, a Zoe e quem mais não quiser ir no túnel, vamos procurar outro brinquedo. Aí nós nos encontramos daqui a meia hora na lanchonete.
Digo, tentando evitar possíveis discussões.
–Acho uma boa ideia. Quem vai conosco para o túnel?
Cal abanou a cabeça, concordando.
Todos os meninos levantaram as mãos, assim como Louise e Claire. Acho que só eu e Zoe achamos chato coisas de terror.
Nos despedimos deles e começamos a caminhar devagar pelo parque. Além das montanhas-russas, havíamos andado em quase todos os outros brinquedos, sobrando apenas algumas barraquinhas de tiro ao alvo.
–Olha, é um Pikachu!- Zoe arregalou os olhos e me puxou para perto de uma barraca -Nós vamos tentar.
Ela entregou uma nota de cinco para o cara bigodudo e pegou os dardos, tentando, sem sucesso, acertar o meio do alvo. Depois de seis tentativas falhas, eu achei que ela fosse desistir, mas ele deu mais uma nota de cinco e começou a tentar de novo. Se continuar desse jeito, ela vai falir em vinte minutos.
–Podemos ir?
Reviro meus olhos, segurando uma risada ao notar sua irritação.
–Não até eu conseguir! Dessa vez vai...- ela atirou o último- Ou não.
Antes que ela estendesse mais uma nota, um braço grande e musculoso passou pelo meu lado, pagando o senhor da barraca.
–Vou ajudar elas.
A voz conhecida me fez ficar arrepiada. Não sei se foi de nervosismo, ou de irritação.
–Oi, Dean. O que faz aqui?
Me viro para ele.
Não posso negar que ele é muito bonito. Cabelo preto cuidadosamente arrumado, olhos penetrantes, ombros largos, altura boa e muito bom gosto para roupas.
–Eu? Vim trazer minha irmãzinha. Ela veio com umas amigas e eu achei legal acompanhar.
Deu de ombros, sorrindo largamente.
Acabei retribuindo o gesto. É fofo ele vir fazer companhia para a irmã mais nova.
–Bem, vi que estavam com dificuldades, posso ajudar?
Ele voltou sua atenção para Zoe, que até o momento fingia vomitar atrás dele. Ela rapidamente se recompôs e revirou os olhos.
–Você vai errar mesmo.
–Acho que não.
Riu ele, se preparando para atirar.
Todos. Ele acertou todos os malditos tiros.
Até mesmo o senhor da barraca pareceu surpreso. Como dizia em um dos avisos, caso o participante não errasse nenhum, podia escolher dois prêmios. Acabamos pegando o Pikachu para uma Zoe emburrada e um Olaf para mim.
–Obrigada.
Digo, pegando o boneco.
–De nada, Lau.
Sorriu.
Atrás dele, Zoe fingia matar o Pikachu enforcado, fazendo cara de nojo. Desconfio, apenas um pouco, que ela não goste muito do Dean.
–Tá, tá, foi muito legal a companhia, mas precisamos ir agora. Tchau, Dean.
Ele pegou meu pulso e começou a me arrastar para longe.
–Espera! Eu estive pensando... Lau, acho que sei melhor o motivo de você não querer ir ao baile comigo. Nós não fizemos a coisa do jeito certo, não tivemos encontros o suficiente.
Ele correu até nós e impediu que Zoe continuasse a me puxar.
–Por isso, se você quiser, eu gostaria de tentar. Que tal você e eu, agora, naquela sorveteria? Podemos ir na roda gigante depois.
Ele parecia esperançoso, estava quase implorando.
–Ahn... É que eu já estou acompanhada...
Digo, sem graça.
–A Zoe pode ir fazer outra coisa, não pode Zoe?
Ele se virou para a minha amiga.
–Não, não posso.
Retrucou irritada.
Dean fingiu não ouvi-la e se virou para mim novamente.
–Ora, Lauren, quando vamos ter essa chance de novo?
De repente seus olhos desviaram dos meus e pararam em alguém atrás de mim. Seu sorriso gentil, logo ficou irônico.
–Se depender de mim, nunca.
Luke estava vermelho de raiva, segurando a minha cintura com força.
–Pena que não depende.
Riu Dean, provocando Luke.
–Chega!
Digo, ríspida, olhando para ambos.
–Dean, sinto muito, mas como já disse, estou acompanhada. Luke, sei me cuidar sozinha, obrigada.
Vejo, mais atrás, Ashton vindo em nossa direção, acompanhado dos outros. Ele ria de algo que o Michael falou, mas ao ver Dean, seu sorriso sumiu.
–O que você faz falando com a minha prima?
Pelo tom furioso dele por Dean estar apenas falando comigo, decidi que não seria uma boa ideia ele saber que o moreno está me convidando para passarmos o resto do dia juntos.
–Apenas nos esbarramos no parque, Ash.
Coloco a mão em seu ombro para acalma-lo.
–Nos esbarramos?
Dean levantou as sobrancelhas, de modo irritado e irônico.
–Sim, se esbarraram. Ou por acaso marcaram algo?
Luke estava cada vez mais vermelho, com os punhos cerrados e algumas veias saltando no pescoço.
–Não, não marcamos.
Digo, firme, olhando para Dean. Faço um pequeno sinal para que ele vá embora, e, fazendo questão de esbarrar no ombro de Luke, ele o faz.
–Eu odeio ele.
Ashton resmunga.
–Eu também.
Concordou Luke, respirando fundo.
Ficamos parados alguns segundos, tentando nos acalmar. Quando todos já estavam mais relaxados, Claire sugeriu:
–Está escurecendo, vamos para a roda gigante agora?
Acabamos por concordar.
A maioria das luzes do parque já está acesa, fazendo tudo parecer mais mágico. Risadas de crianças, músicas alegres e gritos de empolgação não faltavam, tornando tudo mais divertido.
Acabamos por decidir que faríamos casais, e cada um iria em uma das cabines. Vamos dar algumas voltas e depois iríamos comer.
–Quero a azul.
Fala Luke, sinalizando a cabine escolhida.
–Ok, vamos na azul.
Concordo, sorrindo.
–Quem disse que eu estava falando com você? Ashton, amor, ela acha que vou com ela.
Riu, indo abraçar meu primo, que entrou na brincadeira.
–Que iludida, Lukezinho.
Falou meu primo, se segurando para não rir.
Reviro meus olhos e abro um sorriso sincero.
–Eu shippo.
Digo, brincando.
–Próximo!
O homem que controla o brinquedo gritou, chamando nossa atenção. Hemmings rapidamente largou Ash e pegou minha mão, me puxando para dentro da cabine azul.
A roda gigante deu algumas voltas, enquanto Luke tagarelava sobre o susto que o Mike levou no túnel do terror. Quando o brinquedo parou, conosco bem no topo da atração, eu consegui enxergar o parque todo, e mais um pouco da cidade iluminada. Com um sorriso, fiquei admirando tudo.
–Lau?
Chamou, calmamente.
–Hum?
Me viro em sua direção.
Ele já não estava mais rindo. Parecia um pouco nervoso.
–Sobre o Dean, você ia...?
–Não.
Corto antes que ele pergunte.
Um sorriso aliviado brota timidamente em seus lábios. Ele se inclinou devagar para mais perto de mim, levando de leve a mão até o meu rosto.
–Você é muito bonita, sabia disso?
Sussurrou.
–Bem,...
Eu abro um sorriso sapeca e ele revira os olhos azuis.
–Se você estragar o clima, eu abro essa portinha e te atiro.
Fala. Pelo tom de voz, poderia parecer que está dizendo algo romântico, mas não.
Deixo escapar uma gargalhada, que ele rapidamente acompanha.
–Sempre muito carinhoso e gentil, Hemmings.
Ele sorri de lado e dá de ombros.
–Eu me esforço.
Ficamos apenas nos encarando por alguns segundos, até que ele, aparentando estar mais nervoso do que nunca, levou a mão até o bolso da calça.
–Olha, eu estou muito envergonhado e sem jeito, com certeza preferiria não fazer isso, mas acho que você merece. Lembro da primeira vez que nos vimos pessoalmente como se fosse ontem, lá naquele avião. Você ficou irritada por causa da poltrona, e eu não perdi a chance de me divertir um pouquinho. Acho que lá, mesmo não sabendo nada sobre você, eu já pude sentir alguma coisa. Não amor, falar isso seria um exagero, mas teve algo. Cada vez que nós brigavamos de brincadeira, eu sorria, e cada vez que brigavamos de verdade, eu ficava triste.
Ele me encarava fixamente nos olhos, como se quisesse transmitir tudo o que estava sentindo.
–Eu senti ciúmes, Lauren. Senti ciúmes do Dean, para ser sincero, acho que ainda sinto. Mas ontem, você me escolheu. Confiou em mim, como eu confio em você. Não posso prometer que não vamos brigar, que não vamos ficar chateados as vezes, mas posso prometer que, assim que eu me acalmar, vou voltar correndo. Se eu for o culpado, pedirei desculpas, e se não for, também. Por que é isso que se faz quando se gosta muito de alguém, nós deixamos o orgulho de lado.
Ele abriu a mão, mostrando uma linda correntinha. Era dourada, bem delicada, com um pequeno pinguim como pingente. Sinto lágrimas se formarem nos meus olhos.
–Estou pedindo formalmente porque quero fazer tudo bem direitinho a partir de agora. Quero poder te apresentar para alguém como a minha namorada, sem receio que alguém vá me contradizer. Quero que você saiba que pode contar comigo sempre e me ver, além de como um namorado, mas um amigo. E então, Lauren? Quer namorar comigo?
Nesse momento, a roda gigante foi ligada novamente, fazendo um pequeno solavanco que me fez cair no colo de Luke. Olhei bem nos seus olhos, azuis como o céu, e falei.
–Quero, quero muito.
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