"Eu amo você..." (Draco Malfoy)
9 Capítulo 9
Notas iniciais
POV Malfoy:
Abandonei aquela maldita torre o mais rápido que pude descendo as escadas correndo. Esbarrava nas paredes por onde passava me sentindo desnorteado, não sabia pra onde ir, e o que menos queria ver era gente. Segui para as pedras fora do castelo, uma péssima escolha, assim que cheguei me lembrei do soco que a sangue-ruim da Granger me deu no terceiro ano.
– Foda-se... -Falei sozinho- Foda-se todo o mundo! Foda-se essa maldita escola! -Agora, gritava.
– MERDA, Malfoy! MERDA! -Bati minha cabeça com força em uma das pedras- O QUE DEU EM VOCÊ PRA BEIJAR AQUELA GAROTA?! -Esbravejei, socando a mesma pedra.
Estava tomado pelo ódio, minha vontade era jogar um Avada em mim mesmo naquele instante. Mas não tinha coragem o suficiente. Acontece que... Eu não pensei antes de agir. Esse era o meu problema. Eu nunca pensava.
Primeiro ela começou com ironia, depois aumentou o tom de voz e como a infeliz que é, se atreveu a colocar o dedo na minha cara. É claro que eu bati na mão dela e é claro também, que eu já previa que ela tentaria me bater de volta. Então simplesmente a segurei contra a parede. Esse foi o meu erro. Não deveria ter me aproximado tanto... Por mais que a Carter fosse irritante, não era de se jogar fora. Blásio e eu havíamos comentado isso na volta do Três Vassouras, mas ao contrário de mim, ele gostava dela.
Quando me vi tão próximo não aguentei. Ela usava uma blusinha fina, seus seios subiam e desciam com a respiração ofegante. Havia fios de cabelo bagunçados em seu rosto. Este que por um momento, ficou sem expressão. Planejava tirá-la apenas com palavras, como havia feito duas vezes no Salão Comunal, mas falhei.
Assim que aproximei meu rosto, nossos narizes se tocaram e seu cheiro doce me tomou, o que me impulsionou a beijá-la. Tentou resistir, mas acabou me beijando de volta. Eu estava enlouquecido, aquela garota me deixou excitado puxando meu cabelo e passando as unhas pelas minhas costas. Acontece que do nada me empurrou. E aí me toquei de quem eu estava beijando. Carter.
Tentei xingá-la mas não consegui, então o que me restou foi sair de lá. Me encontrava ali, no escuro, sem saber o que fazer. Eu não devia ter beijado aquela novata ridícula, não depois de te-la xingado. O que ela iria pensar? Que eu gosto dela? Tinha que dar um jeito de mostrar que aquilo foi um erro, a porra de um erro que nunca deveria ter acontecido, e nunca iria se repetir!
POV Autora:
Segundos depois que Malfoy saiu da torre, Marine deslisou as costas pela parede até se sentar no chão. Tocou os lábios com a ponta dos dedos ainda ofegante, mas logo um acesso de fúria a tomou e começou a limpá-los com as costas das mãos.
– AAAARRRRRRRRRGH! DROGAAAAAAA! -Gritou com a cabeça entre as mãos. Sentia ódio do Malfoy mas ainda mais de si mesma, por te-lo beijado de volta. Conferiu o relógio, eram 00:54h/12:54AM. Se levantou cambaleando, sua cabeça doía, tudo por conta da raiva que estava sentindo. Pegou os materiais e as duas bolsas, deixando a Torre Norte.
Chegando no Salão Comunal, encontrou Blásio rindo com Astoria. Passou por eles sem cumprimentá-los e assim que entrou no dormitório -onde todas dormiam — deixou as coisas em um canto e se jogou na cama, dormindo logo em seguida.
[...]
– Marine? Marine! -Astoria a cutucava no ombro- Marine acorda!
– Me deixa dormir... -Resmungou sem abrir os olhos.
– Mais?! Já são meio-dia! -Marine deu um pulo ficando sentada.
– O que?! Eu dormi tudo isso?! -Esfregava os olhos freneticamente passando a mão pelo cabelo desarrumado. Astoria riu.
–Sorte sua que temos só as aulas da tarde hoje. -Falou calma- Aconteceu alguma coisa ontem? -Marine a olhou assustada.
– Ontem? N-não! Por que?
– Nada. Você parecia nervosa quando chegou da pesquisa e...
– Droga! -A garota exclamou levando as mãos à boca- A torre, o Malfoy ele deixou... Deixou a... Droga! -Disse se levantando rapidamente. Astoria a segurou.
– Calma! O que aconteceu? -Perguntou a olhando nos olhos.
– Nada... -Falou se soltando.
–Marine, não mente...
– É que ele fez um negócio e deixou as coisas no ar e saiu e eu não sabia como fazer pra tirar aqueles negócios! -Falou rápido, andando pelo dormitório.
– Que? -Astoria indagou- Que negócios que ele deixou no ar? Explica direito.
– Me segue que eu te mostro! -Saiu correndo e Astoria foi atrás.
Chegaram à Torre Norte, sem trocar palavras pelo caminho que foi percorrido em passos rápidos
– Entre e veja você mesma! -Marine disse apontando para o alçapão. Astoria o fez.
– A torre é linda mas... Não tem nada lá. -Saiu pouco depois, mais confusa que antes.
– Como não?! -A garota exclamou, colocando a cabeça pra dentro da torre que estava normal, sem as projeções do Cosmo- Mas... Ontem tinha as Galáxias e o Espaço inteiro! A não ser que ele tenha voltado pra desligar depois que eu saí...-Murmurou mais pra si mesma.
– Por que saíram separados? -Astoria perguntou, ignorando as "Galaxias e o Espaço inteiro"- Primeiro vocês levam quase uma hora pra fazer uma pesquisa que não dura nem cinco minutos, depois você chega nervosa e agora me diz que não saíram juntos daqui? O que aconteceu, dona Carter? -Agora a encarava com um sorriso malicioso.
– N-ada! O que teria pra acontecer entre eu e a doninha quicante? -Indagou cruzando os braços. Astoria riu.
– Não sei... Que tipo de coisas acontecem entre um menino e uma menina sozinhos em uma torre, sob a luz do luar? -Perguntou fingindo inocência.
– Entre um menino e uma menina, várias coisas. Mas o Malfoy não é um menino. É uma doninha loira e ignorante! -Marine falou pausadamente, tentando esconder o nervosismo. Astoria riu novamente.
– Se você diz... -Levantou as mãos em sinal de rendição- A doninha pode ser tudo de ruim, mas é bonitinha vai...
– Para, Astoria!
– Já parei. -Riu- Agora vamos! Você precisa almoçar. -Disse, começando a descer rapidamente a escada.
[...]
– No café da tarde eu e Pansy vamos comprar roupas pra festa de hoje, você vem? -Astoria falou depois de um tempo andando em silêncio.
– Nossa, a festa, tinha esquecido... -Murmurou pouco animada- Não sei, tem que ser alguma roupa específica?
– Não...
– Então acho que não vou. -Respondeu- Preciso revisar a pesquisa. -Suspirou, chamando a atenção de Astoria.
– Tem certeza de que não aconteceu absolutamente NADA naquela torre? -Perguntou séria.
– Tenho... -Mentiu encarando o chão e sentindo a raiva voltar- Agora vamos parar de falar disso. Vamos conversar sobre você e Blásio! -Forçou um sorriso ainda raivosa.
– Sobre eu e Blásio? Zabini? Blásio Zabini? -Astoria indagou rindo.
– É! -Marine também riu- Vocês formam um casal bonitinho!
– Sai pra lá Marine! -Ria mais ainda- Somos quase irmãos!
– Se você diz... -Imitou Astoria que mostrou a língua ainda rindo.
Haviam chegado ao Salão Principal, se sentaram na mesa da Sonserina e conversaram durante todo o almoço. Blásio e Pansy haviam se sentado na outra ponta da mesa. Nenhum sinal de Malfoy.
[...]
Marine estava tentando ocupar ao máximo sua mente. Não queria se lembrar do que havia acontecido na Torre Norte, toda vez que via algo relacionado, a raiva vinha junto. Não se sentia triste nem feliz com aquilo, apenas com raiva.
Das 13h/01PM às 14h/02PM tiveram aula de Herbologia; Das 14h/02PM às 15h/03PM, Aritmância. Aulas que ocorreram normalmente, Malfoy não fez nenhuma gracinha, pelo contrário. Ele parecia tão enfurecido quanto ela.
No café da tarde Marine foi para a biblioteca, fazer o que tinha dito à Astoria. A aula de Astronomia seria a próxima e Sinistra recolheria as pesquisas.
– Tudo pela honra da casa... -Murmurou revirando os olhos quando viu o nome da "doninha quicante" no final do pergaminho.
– Falando sozinha? Temos algo em comum! -Marine se assustou quando um menino se sentou em sua mesa na biblioteca- Sou Vítor, você? -Esticou a mão sorrindo -e que sorriso!-.
– Marine. -Sorriu de volta. Assim que pegou na mão do garoto ele a virou e depositou um beijo nas costas de sua mão. — C-cavalheiro você, Vítor. -Falou gaguejando, o menino era lindo!
– Prefiro manter os bons costumes. -Respondeu ainda sorrindo- Vai fazer algo hoje à noite, depois das aulas?
– Não sei... Na verdade vou à festa da Sonserina mas ainda não sei a hora e...
– Perfeito! -Vítor a interrompeu- Nos vemos lá?
– V-você é da Sonserina também? -Perguntou.
– Sou, sétimo ano. E você é do quinto, não é? A menina que veio do Brasil...
– Sim. -Respondeu corando- Você sabe a hora que vai ser a festa?
– Começa as onze e meia, e vai atééé... -Disse gesticulando.
– Até? -Marine indagou.
– Até quando você quiser! -Riu. Ah, como aquele sorriso era lindo. Marine sorriu com o riso do garoto. — Ok! Nos vemos daqui a algumas horas! -Vítor disse se levantando e estendendo a mão para Marine. Beijou a mão da garota novamente assim que ela a entregou.
Saiu da biblioteca cumprimentando várias pessoas, ele parecia ser popular.
– Como eu nunca vi esse DEUSO antes?! -Marine perguntou pra si mesma, ainda sorrindo abobada.
Conferiu as horas, eram exatamente 15:30h/03PM.
– Marin! -Ouviu alguem a chamar em sussuro- Marin! -Olhou em direção a voz, Gina acenava freneticamente atrás de uma das estantes -Vem aqui!
Se levantou já rindo e caminhou por entre as estantes até chegar na ruiva.
– Me conta tudoooooooooo! -Gina disse baixo, porem com aquele jeito doido.
– Tudo o que Ginny?
– Não se faz de inocente Marin! Eu vi você conversando com o Vítor sexy lindo perfeito maravilhoso Murray!
– Ah, então o nome dele é Vítor Murray? -Marine murmurou.
– Marin!!! — Gina a encarou com as mãos na cintura.
– Tá, tá! -Riu- Eu não sei, estava sentada e ele chegou perguntando se eu ia fazer alguma coisa depois da aula, aí eu disse que ia na festa da Sonserina, então ele disse "Perfeito, nos vemos lá?", depois ele disse que era do sétimo ano e saiu! -Contou deixando a ruiva de boca aberta.
– Oh-Meu-Merlin! -Exclamou dando pulinhos- Você tem um encontro com Vítor Murray!!!
– Shhh! -A bibliotecária sibilou do balcão. As duas riram tampando a boca com a mão.
– Não é bem um encontro, aposto que ele nem vai me notar lá! -Marine sussurrou.
–Mas se ele veio até você, É LÓGICO que vai te notar lá! -Gina disse rindo.
As duas passaram o resto do intervalo cochichando sobre a festa e sobre o "menino do sorriso lindo", que foi como Marine o apelidou. Assim que o sinal foi ouvido se despediram, Gina continuou a procurar um livro e Marine seguiu para aula de Astronomia.
[...]
Aula essa, que também se passou normalmente. Até o sinal tocar.
– Senhores Marine Carter e Draco Malfoy. -Sinistra disse assim que os alunos se levantaram para ir embora- Queiram continuar na sala por favor.
A sala entrou em murmurinhos e a professora os repreendeu:
–Silêncio! Não irei tirar pontos da Sonserina. Apenas quero conversar com os dois. Agora, queiram sair por favor! -Os alunos não perderam tempo, saíram com um ar de alívio deixando apenas Marine e Malfoy na sala.
– Quero lhes informar, que estão de detenção. Então queir...
– COMO É?! -Os dois a interromperam em conjunto. Marine olhou para a "doninha quicante" que revirou os olhos.
– Como eu ia dizendo, estão de detenção. Queiram estar amanhã as dez horas da manhã em frente a Cabana de Hagrid, o Guarda-Caça. -Disse seca. Malfoy esmurrou uma mesa com raiva- Senhor Draco, mais uma ação dessas, e eu acrescento duas horas em sua detenção.
– Por que estamos de detenção? -Marine perguntou tentando parecer calma.
– Por terem acionado os projetores do Cosmo. -Sorriu sarcástica.
– Mas foi ELE que fez isso! -A garota agora gritou, apontando na direção de Malfoy- Desculpe. -Falou abaixando o tom de voz quando a professora a repreendeu apenas com o olhar.
– Deixa de ser idiota, Carter. Você também estava lá. -A "doninha" disse sem se mover- É só isso? Ótimo. -Saiu da sala em passos largos.
– Mas professora...
– Sem mas senhorita. Agradeça por ser apenas uma detenção. Agora queira se retirar por favor. -Continuou com o sorriso sarcástico nos lábios.
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