Notas iniciais
Boa Leitura!

Carta & Ciúmes

A noite, embora silenciosa, nunca fora tão agitada como aquela tinha sido.

Marine não conseguia dormir, agora era ela quem revirava na cama a todo instante, tentando parar de pensar no que acontecera.

Por um momento havia esquecido do beijo, assim que Malfoy a convidara. Mas quando a luz se apagou, e ambos deitaram em suas camas tomados mais uma vez pela escuridão, o gosto dos lábios de Malfoy ressurgiram nos seus. Ela pareceu não acreditar. Haviam se beijado novamente, pela terceira vez.

A diferença é que nenhum dos dois saíra correndo, com raiva, arrependido...

Draco, na cama ao lado, parecia ter adormecido. Mas na verdade seus olhos se mantinham abertos, as pupilas tão dilatadas que quase cobriam toda sua íris tão azul... Estava apreensivo, e se ela não aceitasse? Não que dependesse disso, poderia convidar outra garota, mas...

E se ela não aceitasse?

Esfregou os olhos e virou para o canto, precisava dormir.

___

Quarta-feira, não tinham aulas na parte da manhã.

Os alunos do quinto ano agradeceram mentalmente, pois o dia amanhecera preguiçoso.

Marine tentava se concentrar no trabalho de Poções que Snape passara. Seguira para a biblioteca após tomar seu café na cozinha, como fazia nos dias que não haviam aulas de manhã.

Tarefa difícil.

Estava em uma mesa afastada, próxima a Sessão Reservada, o que fazia

Madame Pince -a bibliotecária- passar por ali como quem não queria nada, a cada cinco minutos.

– Filho da mãe... -Resmungou sozinha.

A doninha, mesmo não estando por perto, a conseguia tirar do sério. Aquele convite, estivera roubando sua atenção de toda e qualquer coisa.

Suspirou, se ajeitando na cadeira mais uma vez. Então, vendo que estava sendo inútil tentar continuar lendo as inúmeras utilidades da Pedra da Lua, fechou o livro e o afastou, apanhando um pergaminho limpo sua pena e tinteiro que estavam em uma parte qualquer da mesa.

Se ela realmente fosse até a "mansão" dos Malfoy, teria que ter o consentimento de seus pais.

"Hogwarts, 21 de Setembro"

Começou.

"Oi mãe, pai, vovó...

Primeiramente quero agradecer pelos presentes que recebi na última carta, além dos galeões. Ainda não os gastei, não fui até Hogsmead depois que me mandaram.

Bem, digo que as coisas estão ótimas por aqui, estou conseguindo acompanhar as aulas e ainda não arrumei brigas, haha."

Nessa parte sorriu, se lembrando das inúmeras discussões que tinha com Malfoy, e como ele a tirava do sério...

"Hm, eu... Bom, isso pode parecer estranho, mas aviso com antecedência que não estou namorando... Certo. Um amigo, da sonserina, da minha sala. O nome dele é Draco, ele é filho dos Malfoy, e pelas minhas contas vocês devem ter conhecido os pais dele, que também estudaram aqui.

Resumindo...

Ele disse que vai ter um social na casa dele nesse sábado, e bem, ele me convidou. Então queria saber se me deixam ir até lá.

Por favor, não pensem coisas, e papai, pode parar com esse sorriso que eu sei que esta dando.

Preciso da resposta de vocês até sexta-feira. E caso deixem... Bem, eu preciso de uma roupa para ir, porque pelo que eu vejo "

Revirou os olhos lembrando das manias irritantes que a doninha tinha de se mostrar a todo instante.

" eles são "

Comprimiu os lábios, respirando fundo.

" milionários. "

Ah como doía concordar com Malfoy de certa maneira.

" É isso. Estou morrendo de saudades, espero vê-los em breve, no Natal.
Beijos, amo vocês!"

Leu e releu a carta inúmeras vezes, indecisa.

– Isso não significa que eu já aceitei. -Murmurou, finalmente dobrando o pergaminho e retomando a atenção ao livro até dar a hora do almoço.

[...]

12h/pm.

As sinetas foram ouvidas e junto a elas o barulho dos alunos deixando a biblioteca, além de Madame Pince produzindo um sonoro "Shhhhhhhhh!" incessavelmente.

Marine recolheu seus materiais e também saiu dali. Havia feito um bom progresso em sua pesquisa depois que escrevera a carta.

Seguia para o andar de cima, onde se encontrava o Salão Comunal dos Monitores, quando avistou Gina e miguel perto da escada, eles cochichavam, parecendo irritados.

– Hm... Oi, gente. -Se aproximou- Está tudo bem?

Os dois a encararam parecendo assustados.

– Oi, Marin! -A ruiva a abraçou, enquanto Miguel apenas acenou com a cabeça- Não, não está nada bem.

– Eu vou... Vou almoçar com os caras da minha casa. -Disse ele, olhando fime pra Gina- Depois a gente se vê.

Se despediram com um selinho, o que deixou Gina corada. Marine riu.

– Não ri! Não tem graça! — Retrucou a ruiva mais corada ainda.

– Ah tem sim. -Falou ainda rindo e começando a andar, sendo seguida pela amiga- O que aconteceu?

– Você não viu? A sapa velha desfez todos os grupos que tem pela escola!

– Sapa velha você diz a Umbri...

– Umbridge, aquela... Argh! Ela acabou com tudo, até mesmo com os times de Quadribol! Agora temos que pedir autorização a ela pra ver se ela deixa o time voltar!!!

E era verdade, Umbridge se tornara Alta Inquisidora de Hogwarts uma semana atrás. Desde então, resolvera aplicar a cada dia que passava regras e mais regras por Hogwarts, além de inventar de interrogar todos os professores em suas aulas. E agora essa de desmanchar todo e qualquer grupo de estudos ou ou qualquer outra coisa que fosse.

Marine não se preocupara muito com aquilo, pois não participava de nenhuma "sociedade" ou algo assim, além de não estar no time de Quadribol. Aquilo podia parecer egoísta, mas, de certa forma, era verdade.

– Eu vi. Sinto muito. -Falou. Embora não a afetasse sentiu pena de Gina e também dos amigos que jogavam Quadribol.

– Nós daremos um jeito, a sapona não perde por esperar! -Respondeu Gina, retornando ao seu jeito normal.

___

POV Marine:

Após deixar os materiais da pesquisa no dormitório e pegar os das aulas da tarde, fomos almoçar. Sentei na mesa da Grifinória com a ruiva, Hermione, Ron e Harry. Eles pareciam preocupados com alguma coisa.

– Então, gente. Como vão? -Perguntei, tentando quebrar o silêncio.

– Péssimos. -Respodeu Ron na mesma hora, recebendo o olhar dos outros dois- O que? -Indagou com aquele jeito bobão, ri pelo nariz.

Por um momento os três abriram a boca e tornaram a fechar, como se quisessem arrumar uma desculpa, encarei Gina, que comia o purê com salsichas totalmente avulsa.

– É que o Rony, -Começou Hermione- Ele não faz os trabalhos que os professores pedem, deixa tudo pra última hora. Aí quando eu chamo a atenção dele...

– A qual é, o Harry também não...

– Ei! Estávamos falando de você, não tente mudar de assunto. -Rebateu Harry, rindo.

– Como eu estava dizendo -Retomou Hermione elevando um pouco a voz- Quando eu chamo a atenção dele-es, deles. -se corrigiu, fazendo Harry cerrar os olhos para o Ruivo- Eles ficam de cara virada pra mim, me ignorando.

Aquilo embora parecesse verdade, não fazia o mínimo sentido, agora tive certeza de que estavam me escondendo alguma coisa, mas ao ouvir "me ignorando" me lembrei imediatamente de Blasio e Astoria, esquecendo totalmente deles.

Tinha que pedir ajuda para a Gina.

– A-ah... -Murmurei, me fazendo de entendida.

Pareceram relaxar um pouco a partir dali.

Comi em silêncio, pensando em como abordar Gina a respeito de Astoria e Blasio sem ter que tocar no nome da Mione.

[...]

POV Autora:

As sinetas foram ouvidas mais uma vez, já eram 13h/01PM.

Marine, que agora estava sentada com eles, próximos a uma árvore no jardim, se despediu, saindo dali. O dia havia refrescado, e provavelmente choveria durante a tarde e noite.

Subiu desanimada para o primeiro andar onde se encontrava a sala de Historia da Magia, sua primeira aula da tarde.

Assim que se sentou, o Professor Binns entrou flutuando pela lousa como sempre fazia.

– Hoje irei dar continuidade à Revolta dos Duendes de 1365 a.C. ...

A sala toda suspirou como se fossem um só, desde a primeira aula daquele ano o Professor Binns estava dando continuidade à leitura sobre a Revolta dos Duendes. Marine, assim como a maioria ali apoiou a cabeça nas mãos, totalmente deprimida pela longa aula que viria a seguir.

– ... poderoso Vampiro das Trevas, Junglon, ...

Era impossível ouvir o professor por mais de dez minutos sem dispersar, a garota estava quase caindo da cadeira, pegando somente algumas partes da leitura monótona.

– ... Junglon e Silvarrom conseguiram derrotar ...

Respirou fundo, coçando os olhos e se sentando corretamente, se continuasse naquele estado, acabaria dormindo, ou caindo no chão... Ou os dois.

– ... porque Drumfartico e Junglon sumiram e nunca mais ...

Astoria, ao lado dela, parecia ser a única interessada, lembrava muito Hermione nas aulas que tinham junto com a Grifinória. Seus olhos brilhavam, não desgrudavam do velho fantasma, enquanto parecia copiar fervorosamente cada palavra ditada por ele.

– ... para essas criaturas mágicas.

O professor parou por um momento, fazendo todos saírem de seus devaneios e olhar em volta, depois para ele. Binns apenas virou a página e continuou:

– Silvarrom criou então o Banco Gringotes...

Imediatamente os alunos voltaram a se largar em suas cadeiras. Marine discretamente passou os olhos pela sala, tentando ganhar a aposta que fizera mentalmente com ela mesma, sobre Astoria ser a única interessada.

Teria ganhado, se não tivesse se desconcentrado após seus olhos se encontrarem com os de Malfoy, que parecia a fitar com interesse. O loiro que fazia dupla com Blásio, estava sentado a duas mesas à frente dela na fileira ao lado. A menina deglutiu em seco, Draco sustentou o olhar por um momento, antes de voltar sua atenção ao professor.

Desconfiou que ele estivesse imaginando se ela já teria aceito convite, mas será que ele, Draco Malfoy, o garoto com a maior auto confiança de Hogwarts, estaria aflito por causa disso?

"Acho que não."

– ... graças a um deles que até hoje os Duendes...

Procurou Pansy institivamente, mas ao invés de estar inspecionando ela e Malfoy como sempre fazia, a garota estava dormindo com a cabeça caída para o lado, um fio de baba pendia de sua boca. Marine se segurou para não rir, e então, rasgou um pedaço de pergaminho, escreveu oito palavras e passou para Astoria na mesa ao lado.

Greengass a repreendeu com o olhar, mas teve de abafar a risada ao ler e olhar pra trás, vendo a situação de Pansy. Amassou o pergaminho e tacou na cabeça de Draco, que pareceu se assustar.

– ...Silvarrom foi o maior bruxo de antes de Cristo...

Marine ficou apreensiva por um momento, e se Malfoy resolvesse entregá-la para o professor por pura pirraça?

Para sua surpresa, o loiro ao olhar de relance para Parkinson, riu, passando o pergaminho amassado para Blásio.

Em menos de cinco minutos, a sala toda já havia lido e abafava as risadas. Exceto Pansy, que continuava a dormir e babar.

"Um limpa-babas para a Parkinson, por favor."*

[...]

Finalmente a aula acabou, os alunos se levantaram animados, já que as duas próximas aulas eram de Feitiços.

– Sua relaxada! -Blásio se aproximou rindo -Todo mundo vai zoar ela agora.

– Fala baixo! -Marine o repreendeu também rindo, Pansy havia acordado com o barulho da conversa e observava as pessoas rindo, totalmente confusa- Eu não fiz por mal, era pra ficar só entre mim e a Astoria, mas ela foi passar para o M...

– Quem diria que a Carter sem-graça sabe zoar alguém. -Draco se aproximou dos dois, sorrindo desdenhoso.

Marine revirou os olhos, balançando a cabeça negativamente.

– Isso aqui não foi nada. -Disse arqueando as sobrancelhas e saindo em direção a Astoria, mesmo com Pansy ao lado dela. Não pode deixar de escutar Malfoy soltar um muxoxo enquanto Blásio fazia um longo "Ui!" cheio de malícia.

A aula dupla de Flitwick passou rápido. Naquela aula aprenderam o Feitiço Silenciador.

Diferente do Abaffiato, para executar o Feitiço Silenciador você tinha que apontar a varinha, dizer em claro e bom som "Silêncio!" e o alvo perdia a som.

Parecia até simples, mas se o executasse de forma errada, corria o risco de amplificar a som do alvo, como aconteceu com o coaxar do sapo em que Malfoy praticava o feitço. O bixo coaxou tão alto que todos largaram suas varinhas para tampar os ouvidos. Marine não aguentou e começou a rir, o deixando nervoso.

– Pelo menos eu consegui silenciar uma vez! -Rebateu ela quando Malfoy disse que conseguia ouvir os piados do pássaro em que ela praticava.

[...]

Após degustar um pouco dos pães e chás que foram muito bem-vindos no intervalo da tarde, cujo tempo estava realmente esfriando, Marine subiu ao Corujal para enviar a carta à Londres.

O local estava calmo, muitas corujas dormiam com as cabeças entre as asas. Não foi difícil localizar Miush, que estava em um poleiro baixo.

– Ei. -Murmurou, acariciando a cabeça de sua coruja e recebendo leves bicadinhas como resposta. -Leve essa carta à Londres, ok? Você sabe, na casa da vovó.

Miush aprumou as asas, se arrepiando toda. Marine estendeu a outra mão que continha pequenos pedaços dos vários pães servidos no intervalo e a coruja comeu com gosto. Logo depois pegou a carta com o bico, voando até uma das aberturas.

– Espera! -Marine chamou, tensa. Não sabia direito o que estava fazendo. E se seus pais permitissem que ela fosse até a casa de Malfoy e ela se arrependesse? E se... -Se chover, -disse em um tom firme- pare em um lugar seguro. Não tenha pressa e só saia de lá quando eles responderem.

A coruja aprumou as asas pela última vez, e então, alçou voo.

"Não vou deixar de fazer as coisas por medo." Pensou, decidida.

Esse era um dos problemas de Marine, ela sempre deixava de aproveitar várias oportunidades por puro medo. Sempre que pesava demais, nada dava certo. Daquela vez, resolveu não pensar antes de agir.

[...]

A noite chegara rápido, quando eram 17h/05pm e pouco da tarde, o céu já se tornara escuro, por conta da chuva que se aproximava. Pelo que Marine ouvira dizer nos corredores, aquele tinha sido o último dia quente do ano.

Após a aula das 19h/07pm, os alunos do quinto ano da Sonserina se viram livres até a meia-noite, pois teriam aula de Astronomia naquele horário.

Marine não perdeu tempo em procurar Ginevra

– Gina! Preciso de você. -Disse quando achou a ruiva no Salão Principal.

– Dez Galeões. -Brincou a outra.

– É sério. -Rebateu a sonserina rindo e revirando os olhos- Blásio e Astoria.

– Espera. -Murmurou Gina se virando para as colegas quartanistas- Eu vou atender minha amiga necessitada, daqui a pouco volto.

As garotas riram, deixando Marine frustrada, ela odiava quando pessoas mais novas a...

– Vamos para o saguão. -Gina interrompeu seus pensamentos, a puxando dali.

Marine então contou o que se passava com os dois. Tomando cuidado para trocar o nome de Hermione por o de uma menina qualquer. Gina indagou se não era por causa da castanha "mesmo", e Marine negou fervorosamente. Afinal, aquilo não importava, ela só precisava arrumar um jeito de fazer Blásio e Astoria se acertarem de uma vez.

– Certo, eu vou precisar de tempo. Mas acho que já sei como fazer. -Concluiu a ruiva, pensativa.

– Ah obrigada! -Agradeceu Marine, a abraçando- Já não aguentava mais um saindo quando o outro chegava!

– Como eu disse, dez Galeões. -Disse Gina, estendendo a mão com uma sobrancelha levantada.

Marine não soube o que fazer por alguns instantes, até que a ruiva caiu na risada. Murmurando algo como " ... a sua cara... Fred e George iriam amar ver sua reação..."

A outra riu meio sem graça, levando uma pontada de frustração novamente.

Após mais alguns minutos conversando e aceitando as desculpas pedidas porr Gina pela brincadeira, a ruiva voltou para o Salão Principal e Marine subiu para tomar um banho e dar continuação à Pesquisa de Poções na biblioteca.

Grande erro, aquilo a fez lembrar da carta enviada à Londres mais cedo, e também que seus pais provavelmente já haviam recebido, e que poderiam estar escrevendo a resposta, qual seria a resposta? O que Malfoy estaria fazendo agora?

– Merda. -Resmungou ela tentando se concentrar na leitura do livro.

[...]

O tempo passou demasiado rápido, a chuva havia chegado bem na hora do jantar, fazendo o teto encantado do Salão Principal deixar cair minúsculas gotas de orvalho sobre os alunos, o que deixou muitos felizes.

Marine se sentou com os sonserinos. Novamente, assim como na aula de Historia da Magia, Malfoy a fitou com uma expressão indecifrável no rosto, a deixando até mesmo desconfortável.

Durante o tempo que permaneceu na mesa conversando com Astoria, pôde ouvir Malfoy cochichando com Blásio e mais alguns meninos, não conseguiu escutar muita coisa, pois Greengass falava animadamente sobre a neve que poderia aparecer até o final de semana.

– ... depois da aula de Astronomia... -murmurou Malfoy.

– Então a gente pode ir até Hogsmeade porque...

– ... com os moleques, vai ser da hora ...

– ... Ah! Também tem as caldas de chocolate na Dedosdemel que...

– ... porque aí cê consegue com os caras do sétimo...

– E tem a cerveja amanteigada que eles servem quentinha no inverno! Fica...

– ... to doido pra ver a cara deles quando ...

– Marine! -Astoria bateu no prato da amiga com o próprio garfo- Ta aí?

– A-ah, oi! Tô! É uma ótima ideia, eu também gosto. -Disfarçou sorrindo- Eu, hm... Tenho que finalizar a pesquisa de Poções antes da aula de Astronomia. -Falou, se levantando.

– Ainda não acabou?!

– Falta pouco! E nem vem que você é boa com Poções e provavelmente já sabia tudo de cor! -Rebateu com uma careta, saindo dali.

Marine, na verdade, queria era se livrar da pesquisa para poder quem sabe seguir Malfoy depois da aula de Astronomia. Desconfiava que ele poderia estar planejando amedrontar mais calouros, como sempre fazia. E se realmente fosse isso, mal podia esperar para lembrá-lo da briga com Miguel.

[...]

Após mais quarenta e sete minutos na biblioteca, se revezando entre copiar informações do livro, tentar adivinhar o que Malfoy poderia estar planejando, pensar na resposta de seus pais e imaginar como deveria ser a "mansão" da doninha, finalmente terminou a pesquisa de Poções.

Suspirou, aliviada.

– Menos um. -Murmurou. Embora as pesquisas se resumissem apenas em copiar do livro para o pergaminho, eram penosas a maioria das vezes.

[...]

A medida em que a aula de Astronomia se aproximava, a chuva de ventos ia ficando mais intensa, até que deu meia-noite em ponto e a aula finalmente começou.

Mas não durou mais que dez minutos, por conta do temporal que tomara conta do céu, seis minutos depois do início da mesma.

– Bem, -Começou Sinistra, um tanto quando indignada- Já que não tem condições de observarmos o céu neste estado... Peço para que me tragam para próxima aula um...

Um clarão forte adentrou a torre que estava na penumbra, um raio havia caído nos terrenos de Hogwarts.

– O salgueiro lutador! -Berrou alguém olhando para fora de uma das aberturas da torre.

Muitos se levantaram para ver, até mesmo Sinistra se aproximou discretamente, porem o trovão que veio em seguida fez todos voltarem aos seus lugares, assustados.

– Hm... É. Não é de meu costume mas, estão dispensados. -Disse a professora, parecendo temerosa.

Ficaram todos muito felizes mas ninguém tardou a sair dali, pois a Torre Norte como a torre mais alta, corria um grande risco de ser atingida por um raio, embora dissessem que havia um feitiço protetor por toda a escola.

Marine andou atrás de Malfoy, Blásio, Theodore, Crabbe, Goyle e mais alguns meninos enquanto não chegava no quinto andar, numa tentativa de descobrir o que eles planejavam. Para seu desagrado estavam indo para algum tipo de reuniãozinha que aconteceria no comunal da Sonserina. Reuniãozinha essa, que ela parecia não ter sido convidada.

Revirou os olhos, ficando pelo quinto andar e seguindo para o Salão Comunal dos Monitores, onde encontrou Hermione enfiada em livros, como de costume.

Não estava com tanto sono, mas resolveu se deitar.

Se remexeu na cama algumas vezes, até que parou, e fitou a cama da doninha, vazia.

Por um momento, um enorme ciúmes de Malfoy tomou conta dela. Ela havia se acostumado com ele ali toda noite quando se deitava e teve que se controlar para não ir atrás, ver o que ele estava fazendo naquela "reuniãozinha".

Não deveria se sentir assim, mas sabia porque estava.

"O que eu te fiz, Merlin?" Pensou sozinha, no dormitório vazio. Estava criando muitas hipóteses do que poderia estar acontecendo no comunal da Sonserina, e uma delas era deles estarem se divertindo... com garotas. Não conseguia deixar de imaginar a doninha sendo assediada por Pansy. O ciúmes só faltou sair pelo nariz.

Seus pensamentos foram interrompidos por mais um raio seguido de outro trovão.

O inverno finalmente havia chegado.

"E quando o idiota do Malfoy vai chegar?"

Notas finais
Obrigada novamente pelos comentários! ♥ LIMPA-BABAS: O "limpa-babas" seria um babador do mundo bruxo. Você coloca no pescoço do neném, assim como um babador, mas ao invés de servir para a baba escorrer ali, ele a limpa sozinho. (Baba e afins. No mundo bruxo só tem filho com caca de nariz escorrendo pela boca quem quer.) Continuem comentando, plz! ♥