"Eu amo você..." (Draco Malfoy)
19 Capítulo 19
Notas iniciais
POV Autora:
Terça-feira.
Apenas uma aula vaga.
Dia de ronda noturna... Com o Malfoy.
Malfoy? Se encontrava apoiado na porta do quarto que dividia com Marine, os braços cruzados sobre o peito já vestido com o uniforme, e uma expressão vazia no rosto.
A fitava com descaso, decidia se deveria acorda-la ou não. Sim, Marine dormia em um sono profundo e não demonstrava sinal algum de que acordaria a tempo de assistir as aulas da manhã.
Havia adormecido na mesma posição na qual caiu quando se jogou na cama, logo depois de "discutir" com Malfoy. Pensou não estar com sono, porém foram necessários apenas alguns minutos para que suas pálpebras começassem a pesar e se fechassem sem sua permissão. Draco entrara no quarto um tempo depois, sonolento. Tanto que usou magia para apagar a luz do cômodo. Assim que a luz apagou, Marine se mexeu em algum reflexo inconsciente, emitindo um som não entendível. "Cala a... boca... imbecil." A doninha babucilou, antes de adormecer profundamente. Mesmo morto de sono, Draco não perdia a oportunidade de perturbar os outros.
Durante a noite, Malfoy teve breves pesadelos com o acontecido na Floresta Proibida, teve o sono cortado em várias partes, o que o deixou frustrado e irritado. Em um certo ponto, assim que virou de bruços sentiu a bexiga apertar. Precisava ir ao banheiro. Abriu os olhos vagarosamente e se surpreendeu com a claridade do dormitório. Havia amanhecido e ele provavelmente estava atrasado para a primeira aula do dia.
Após levantar totalmente contrariado e fazer as coisas mecanicamente, reparou que Carter ainda dormia. Agora se encontrava ali, a observando sem saber o que fazer.
Caminhou lentamente até parar ao lado da cama. Marine tinha a expressão tranquila, desceu os olhos para os seios da garota que subiam e desciam conforme sua respiração. Estava ficando entretido com a visão, quando ela virou-se de bruços fazendo-o revirar os olhos.
O tempo estava passando e Malfoy não conseguia decidir se devia acordá-la ou não. Estava em uma guerra interna. Em seu ponto de vista, eram muitos os motivos pelos quais ele não faria este "favor" à ela.
"Primeiro, só me irrita. Segundo, ela é irritante. Terceiro, não consigo ficar perto dela sem ficar irritado... " Não havia mais no que pensar.
O loiro coçou a cabeça bagunçando seus fios loiros e os colocando pra trás, perda de tempo, as mechas lisas e sedosas deslizaram novamente para sua testa. Virou-se para a porta, ainda tentando se decidir.
– Merda, Carter! Por que você é assim!? -Disse em alto e bom som, como estava de costas não percebeu que Marine havia acordado. Continuava deitada e imóvel, porém, com os olhos abertos e ouvidos atentos.
Malfoy decidiu deixá-la "se foder sozinha", após se irritar consigo mesmo, por causa dela. Pegou seu material e quando se aproximou da porta, parou de súbito. Apertou os olhos, e, bufando, girou sobre o próprio calcanhar aproximando-se rapidamente da cama da garota.
Hesitou por alguns segundos, mas curvou-se a tocando com os dedos médio e indicador no calcanhar. Marine segurou o riso, até mesmo o sorriso. Queria ver até onde a doninha chegaria. Malfoy revirou os olhos, bufando mais uma vez.
– Carter, acorda, você tem aula.
Nada.
– Carter. Porra.
Marine se mexeu, deitando de lado. Tentou abrir os olhos o mínimo possível, para poder enxergar o rosto da doninha. Draco estava com uma mão na cintura, e a outra coçava a nuca. A encarou, incrédulo.
– Menina idiota, vai perder aula. -Murmurou- Carter!
Novamente, nada.
– Porra, por Salazar! -Gritou, fazendo Marine rir. A doninha estava tão irritada que Marine não conseguiu conter a risada, enfiando a cara no colchão- Imbecil! -Gritou a fazendo rir mais ainda- Você me paga! Quem pensa que é pra me fazer de idiota?
– Ca-alma, doninha. -Falou em meio ao riso.
Malfoy estava tão nervoso que não conseguiu fazer outra coisa a não ser abandonar o dormitório. Marine se sentou em sua cama passando a mão pelo rosto e ofegando por causa da risada.
– Merlin, qual é a dele? -Murmurou se espreguiçando. A situação fora engraçada, porém confusa ao mesmo tanto- Droga! Droga, droga, droga! -Exaltou-se, levantando. Se deu conta de que estava atrasada, e muito.
Em apenas cinco minutos Marine se colocou dentro do uniforme e prendeu o cabelo em um rabo de cavalo alto, deixando alguns fios rebeldes penderem sobre seu rosto. Não havia tempo para detalhes.
Feito. Ao fitar o relógio, os ponteiros apontavam 08H/AM.
POV Marine:
– Onde eu estava com a cabeça pra dormir daquele jeito?! -Murmurei enquanto saia correndo do comunal, não podia chegar atrasada em mais uma aula.
– Bom dia, senhorita Carter. -Ouvi a voz de Dumbledore enquanto andava apressada pelo corredor. Parei, me virando.
– Bom dia, Pro... Professor Dumbledore. -Respondi um tanto quanto ofegante.
– Algo com o qual eu deva me preocupar? -Indagou sereno, se referindo ao meu estado.
– N-não, não. Eu só... -Não poderia dizer que estava atrasa...
– Deve estar atrasada para sua primeira aula. -Não foi necessário- Se não se importar, compareça à minha sala juntamente com o senhor Malfoy no horário de almoço.
– Claro. -Sorri sem graça. Dumbledore assentiu com a cabeça, dando um leve sorriso. Virou-se, e com os braços atrás das costas tornou a caminhar lentamente, assoviando- Professor?
– Sim? -Parou, ainda de costas.
– É sobre o acontecido na Floresta Proibida? -Indaguei receosa.
– Apenas compareça, minha cara. -Dizendo isso, voltou a caminhar assoviando.
Arqueei uma sobrancelha, sem entender nada.
– Marin! Vamos! A aula já deve ter começado! -Ouvi a voz de Astoria no mesmo instante em que me senti sendo puxada em direção a sala de aula- Eu estava indo atrás de você, achei estranho o Draco chegar primeiro.
– E-eu só... Não. -Respondi confusa.
– Não o que?
– Depois eu falo! -Sussurrei enquanto entrávamos na sala. A maioria das pessoas nos encarou desinteressadas, Malfoy me fitou ainda irritado, não pude deixar de rir, baixinho, mas ri. A doninha revirou os olhos voltando a olhar pra frente
Aquela aula passou devagar, assim como as outras. Astoria me cutucava insistindo para que eu contasse, enquanto tudo o que eu fazia era sussurrar dizendo que contaria depois. Na verdade, não havia nada pra contar, não o que ela estava esperando que eu contasse.
Hora do almoço.
Todos levantaram eufóricos pra sair da sala, como eu estava sentada em uma das últimas carteiras consegui ser uma das primeiras a sair. Já ia indo para o comunal dos monitores quando me lembrei do Professor Dumbledore, o que me fez voltar para a porta da sala, tensa.
– Marin! Você não vem? -Chamou Astoria ao lado de Blásio do meio do corredor, andando de costas.
– Depois eu vou! Preciso fazer uma coisa antes! -Gritei de volta. Astoria assentiu, fazendo um "joia" com as mãos.
– Vai ficar gritando no corredor mesmo, animal? -Reconheci a voz da doninha saindo da sala. Ouvi duas risadas distintas.
– Droga, Malfoy! -Gritei, me virando para encará-lo- Você me assustou!
– Você que é feia, e eu que te assusto? -Indagou, fazendo Crabbe e Goyle rirem novamente. Arqueei as duas sobrancelhas encarando os três. Os dois gordos pararam de rir, recebendo cada um, uma cotovelada da doninha- Idiotas! Tem medo dela? -Esbravejou nervoso. Os dois fizeram que não com a cabeça. Os encarei novamente, fazendo-os desviar o olhar. Malfoy revirou os olhos-Sumam!
– Qual o seu problema, Malfoy? -Perguntei enquanto observava Crabbe e Goyle correrem para longe dali.
– Você, Carter. -Respondeu passando por mim. Corri para alcançá-lo.- O "sumam" também serve pra você.
Revirei os olhos, ainda caminhando ao lado dele.
– Não entendeu, Carter? -Disse me encarando incrédulo.
– Aff, dexa de ser infantil por favor?! -Reclamei nervosa- Por mim eu mudaria de CASA pra não ter que te aturar! -A doninha me imitou com uma voz desafinada e irritante- Malfoy!
– Não estou pedindo pra você me seguir, Carter. Vaza. -Disse tirando a gravata.
– É o Dumbledore, ele pediu pra gente ir na sala dele, agora.
Ele, por sua vez, deu uma risadinha sarcástica, balançando a cabeça negativamente. Estávamos agora no segundo andar -no qual se encontrava a sala de Dumbledore.
– Faça o papel de boa aluna por mim. Adeus, novata idiota. -Disse com descaso. A doninha ia ao encontro da escada que levava para o terceiro andar, quando segurei em sua camisa, mais exatamente na cintura.
– Me solta, Carter. -Disse, dobrando as mangas da camisa.
– Malfoy, é sério. -O encarei, me senti completamente idiota ao fazer aquilo. Odiava implorar as coisas, principalmente para alguém como o loiro estúpido -já que ele me chamara de novata idiota-.
–Carter, eu vou dizer só mais uma vez. Me...
– PORRA, MALFOY! -Gritei, o empurrando- SERÁ QUE VOCÊ NÃO CONSEGUE DEIXAR DE SER IDIOTA UMA VEZ NA VIDA?!
A doninha me encarou assustada e incrédula. Algumas pessoas nos encararam, rindo. Outras pararam pra ver.
– O QUE FOI, ENXERIDOS? -Malfoy gritou, abrindo os braços- SEI QUE MINHA VIDA É MAIS INTERESSANTE QUE A DE VOCÊS, MAS ISSO NÃO QUER DIZER QUE TENHAM QUE CUIDAR DELA POR MIM.
O grupinho que havia se formado foi se dissipando rapidamente. Muitas pessoas o xingavam baixinho. Segurei o riso, tentando parecer séria.
– E você, Carter? Ta vendo o que você faz?! -Murmurou estupefato.
– EU!? -Gritei.
– Cala. Essa. Boca! -Esbravejou, tampando minha boca com a mão, e me arrastando para o final do corredor, onde já não haviam mais pessoas.
– Mmmrm Solta! -Grunhi, me desvencilhando e o empurrando- Qual o seu problema?!
– Já disse que é você! Além de idiota é surda?
– Ha. Ha. Ha. Muito. Engraçado. -Falei sarcástica- Você vai vir ou não? -Cruzei os braços, o encarando. Malfoy revirou os olhos passando por mim em direção a sala de Dumbledore. Sorri vitoriosa e comemorei em silêncio.
– Por que você não me deixa em paz, Carter? -Falou quando eu o alcancei.
– Porque te encher é a única coisa interessante por aqui. -Respondi sem o encarar. Senti o olhar dele sobre mim e sorri, fazendo-o resmungar.
Ao nos aproximarmos da porta do escritório de Dumbledore, a mesma se abriu sozinha, nos fazendo dar um passo pra trás.
– Damas primeiro. -Disse a doninha, sorrindo ironicamente. Revirei os olhos e entrei, com ele logo atrás de mim. Subimos a escada em espiral e paramos em frente as duas estátuas.
– Qual é a senha? -Indaguei baixinho.
– E você acha que eu sei, Carter? Não sei nem que merda eu estou fazendo aqui! -Reclamou, encostando-se na parede. Revirei os olhos.
– Professor Dumbledore? -Chamei.
Nada.
– Professor? -Chamei novamente.
– Vamos embora, o velho deve estar dormindo, é isso que velhos fazem depois do almoço. Dormem e peidam. -Malfoy disse com descaso. O encarei sem saber o que fazer ou falar. A doninha desceu o primeiro degrau, quando as estátuas se abriram. Se virou, me encarando com os olhos arregalados.
– Tsc, tsc, tsc. -O encarei, rindo. Entrei na sala e Malfoy veio logo atrás.
– Olá, senhorita Carter e senhor Malfoy. -A voz rouca de Dumbledore foi ouvida segundos depois. Ele se encontrava atrás de uma das pilhas de livros que haviam na pequena sacada- Que bom que vieram.
– O que você quer, Dumbledore? -Malfoy indagou irritado. O encarei gesticulando "PARA!" com os lábios, revirou os olhos.
– O que ele... O que queremos saber, professor, é porquê o senhor nos chamou aqui. -Falei, tentando ser o mais educada possível. Querendo ou não, eu estava com fome, e as vezes o diretor parecia estar viajando mentalmente para longe dali.
– Oh sim. -Murmurou. Dumbledore agora se encontrava de pé perante uma estante de livros ao nosso lado. Parecia estar a procura de algo incerto, sempre alternando entre as prateleiras. O acompanhávamos com os olhos.
– E então? -Malfoy insistiu segundos depois, tomando a atenção do professor para si.
– O que me fez convocá-los até aqui, foi o que ocorreu na Floresta Proibida- Falou enquanto caminhava até sua mesa. Eu e a doninha nos entreolhamos- Hagrid me informou sobre aquilo, e eu gostaria de saber de vocês, o que exatamente aconteceu?
– Bom, -comecei- estávamos colhendo as frutas e escutamos alguns barulhos. Fomos ver o que era e tinha um... -Engoli em seco, me lembrando da cena- Centauro... Ele... -Meu coração acelerou, respirei fundo tentando me acalmar.
– Isso não importa, Carter. -Malfoy falou- O bicho disse "ele está vindo" e morreu.
Como ele conseguia ser tão frio? Parecia não se importar com aquilo.
– Somente isso? -Dumbledore idagou, me encarando. Assenti com a cabeça- O que tenho a dizer para vocês não é nem um pouco animador. -Eu e a doninha nos encaramos novamente- O centauro foi morto por um comensal da morte. Com ajuda de Hagrid, me comuniquei com os outros, e eles disseram que este centauro estaria tentando me dar um aviso. Algo de errado está acontecendo nesta escola.
A voz do diretor era pesada, e ao dizer isso a sala ficou em completo silêncio. Eu passava as mãos pelos meus braços e os apertava de vez em quando, tentando transmitir um pouco de segurança à mim mesma. Mas não funcionava. A ideia de saber que o perigo estava DENTRO da escola me deixava extasiada. Malfoy se remexeu ao meu lado.
POV Autora:
No Salão Principal, Astoria, Blásio e Pansy almoçavam tranquilamente.
– Será que a Marin e a loira não vem almoçar hoje? -Indagou Blásio, chamando a atenção de Pansy.
– Não sei. -Disse Astoria- A Marine disse que tinha que fazer uma coisa primeiro.
– Uma coisa? -Blásio riu malicioso, Astoria o encarou sem entender- Ela diz que tem que fazer uma coisa, e então, misteriosamente, o Draco não vem almoçar?
Astoria riu. Pansy bufou, chamando a atenção dos dois.
– Nada a ver. Vocês acham que eles tem alguma coisa? -Falou, tentando parecer desinteressada.
– Ué e por que não? -Blásio disse com descaso, recebendo um discreto chute de Astoria por baixo da mesa- Quer dizer... Sei lá.
– Argh, não consigo imaginar aqueles dois juntos! Eles não podem ficar juntos! Não! -Pansy repetia mais para si mesma que para os outros dois.
– Relaxa, Pansy.-Falou Astoria- Ninguém disse que eles estão juntos, foi só uma brincadeira, não é mesmo Blásio? -O moreno a encarou- Não é mesmo? -Repetiu entre dentes, sorrindo.
– Sim! Claro. Sempre. Não, com certeza. -Gesticulava com as mãos.- Mas isso não quer dizer que eles não possam ficar juntos um dia. -Pansy o encarou incrédula, se levantou da mesa:
– O Draquinho sempre foi meu, e sempre vai ser! Entendido?! -Falou esganiçada- Entendido!? -Repetiu. Blásio fez que sim com a cabeça, rindo.
Pansy saiu nervosa, fazendo os dois rirem.
– Blásio, você sabe que ela e obcecada pela loira e ainda faz isso? -Astoria disse.
– Ah, qual é, é engraçado e... Eu vou ali, depois a gente se fala! -O moreno disse se levantando. Astoria não entendeu e o acompanhou com os olhos. Blásio caminhava em direção a mesa da Grifinória, onde Hermione se levantava.
A garota o observou, agora séria.
POV Blásio.
Estava decidido em conversar com Hermione. Assim que a vi sair de sua mesa corri até lá para ver no que dava.
– Hermione! -Chamei, e ela me encarou.
– Oi, Blásio! -Disse sorrindo, a cumprimentei com um beijo no rosto. Como ela era cheirosa!
– Então, er...
– Oi, Blásio! -A ruiva se colocou ao lado da castanha- Tudo bem? -Me cumprimentou com um abraço.
– Oi, Gina. -Respondi sem graça.
Hermione me encarou, encarei Gina, e Gina encarou Hermione.
– Então gente, sobre o que estavam falando? -A ruiva indagou, sorrindo.
– Ah... É... -Comecei, mas não sabia o que falar. Seria muita falta de educação se eu convidasse somente a Hermione pra sair na frente da ruiva? Sim. Acho que sim.
– Ginny. Você pode ir chamar o Ron, por favor? -Hermione disse, percebendo minha confusão. Gina nos encarou, agora séria.
– Claro. -Sorriu fraco. Assim que ela se afastou, Hermione me encarou.
– Então? -Disse.
– Você quer sair comigo? Ir no Três Vassouras. Qualquer dia desses. Conversar, pra gente se conhecer.-Perguntei rápido. A castanha me encarava com a boca aberta, com uma expressão de "o que eu falo?"- Se não quiser tudo bem, eu só...
– Não, é que... Eu... É... Ta.
– Sim? -Perguntei estupefato- Você aceita?
– Acho que sim. -Sorriu, vermelha- Sim.
– Ah Merlin! Certo, a Gina está voltando, depois nos falamos! -Disse me despedindo e a fazendo rir- Até depois! -Acenei, Hermione acenou de volta.
Não conseguia parar de sorrir. Hermione havia aceitado sair comigo! Ok. Eu estava parecendo gay. Mas e daí? Iria sair com Hermione! Hermione!
– Hermione! -Gritei no meio do corredor, atraindo alguns olhares.
POV Autora:
Gina fechou a cara no instante em que a castanha a mandara chamar Ron. Ela era esperta o suficiente para saber que isso era apenas um modo para que eles ficassem sozinhos. E no fundo, não havia gostado nem um pouco disso.
Assim que se aproximava com o ruivo, viu Blásio se afastando. E foi aí que as coisas pioraram.
– E então, Hermione. Aqui está o Ron. -Falou séria, dando as costas.
– Ei, Ginny, calma! -Hermione chamou. A ruiva a olhou- O que você tem?
– Eu? Nada, por quê? -Falou, tentando esconder o ciúmes. A castanha a fitou com aquele olhar que só elas entendiam- É sério.
– Por quê mandaram me chamar? -Ron indagou confuso.
– Ginny, você não sabe mentir. -Hermione continuou, ignorando o ruivo.
– Não é nada ta legal? Agora se me derem licença eu preciso terminar minha tarefa. -Dizendo isso deu as costas, saindo do Salão Principal.
Hermione suspirou, passando a mão pelo rosto. Ela mais do que ninguém sabia que seria difícil conversar com Gina, mesmo não sabendo o motivo pelo qual ela havia ficado daquele jeito.
– E então? -Disse o ruivo, ainda mais perdido.
– Ah, Ron... -Hermione o encarou sorrindo, parecendo só agora ter notado a presença do garoto ali- Tenho que ir para a biblioteca terminar a pesquisa de Herbologia, até mais tarde.- Disse, indo em direção às escadas.
– Mas... Por que me chamaram aqui? -Indagou Ronald, a seguindo.
– Porque... Pra você segurar os livros, vem! -O puxou escadaria acima.
POV Marine:
Depois de dizer e repetir mil vezes para tomarmos cuidado, não comentarmos com ninguém sobre o ocorrido e não nos aproximarmos da Floresta Proibida, Dumbledore nos liberou.
Malfoy ainda que tentasse não demonstrar, parecia meio tenso com aquilo. Caminhamos em silêncio, ele na frente e eu atrás. Sabia que aquela não era a hora mais oportuna, mas reparei que por ele ser magro e alto, rebolava um pouco quando caminhava. Ri pelo nariz, balançando a cabeça negativamente.
– Qual a graça, Carter? -Indagou por cima do ombro.
– Nada... -Respondi, ficando séria.- Malfoy?... -Chamei minutos depois, quando chegávamos ao quarto andar- Por quê você me acordou hoje?
A doninha soltou uma risada forçada, enquanto parecia arrumar tempo para pensar na resposta.
– Porque não queria ninguém me enchendo depois. -Respondeu ainda caminhando.
– Ninguém...?
– Ninguém do tipo você, Carter, e seus amiguinhos pobretões.
– Mas eles nem sequer tinham aula com a gente. -Falei.
– Foda-se. Quem se importa? -Foi tudo o que disse. Sorri maroto.
O silêncio voltou até nos aproximarmos da porta do Salão Comunal dos Monitores, no quinto andar.
– Você. -Falei, assim que adentramos o comunal.
– Como é? -Indagou, seguindo para o dormitório.
– Se importa. Você se importa. -Repeti, fechando a porta e escorando-me nela com os braços atrás das costas.
Malfoy suspirou, arqueando uma sobrancelha.
– Não aprende mesmo, não é, Carter? Sempre achando que eu me importo com você. -Disse com descaso.
– Até agora, você só me deu motivos pra acreditar nisso. -Falei, tentando parecer calma. A doninha não me encarava, apenas ia tirando o uniforme e me deixando quase sem ar com aquele corpo, Santo Quadribol!- Me de um motivo que tenha levado você a me acordar, a não ser este. -Falei, quebrando o silêncio.
Malfoy me encarou incrédulo.
– Eu já disse. -Se aproximou da porta, pegando na maçaneta- Agora se não se importar, tenho que almoçar e ir pro treino de Quadribol. -Sorriu sínico.
–Não me convenceu. -Sorri de volta.
– Foda-se. -Girou a maçaneta e tentou abrir a porta, porém forcei meu corpo contra a mesma, fazendo-a fechar novamente- Qual é a sua, garota?! -Esbravejou, socando a porta bem ao lado do meu rosto.
– Não vai me responder? -Indaguei tentando manter a calma, mas já estava ficando difícil, a doninha estava perto demais.
– Eu disse que já respondi. -Repetiu, me encarando. Seus olhos cinza azulados tinham as pupilas em um fio, e alguns fios loiros pendiam sobre eles. Engoli em seco. Malfoy umedeceu os lábios, nervoso. -Vai me deixar sair ou não?
– Não. -Cruzei os braços. A doninha riu sarcástica, me arrependi quando senti suas duas mãos em minha cintura, me puxando para si abruptamente. Espalmei minhas mãos em sua barriga, tentando me afastar, mas ele foi mais rápido ao descer suas mãos para minha bunda e a apertar descaradamente.
– Malfoy! -Gritei, o empurrando e correndo para o outro canto do quarto.
– Obrigado pela passagem, Carter. -Sorriu, saindo dormitório.
– Merda! -Pisei forte o chão- Merda, merda, merda! -Repeti.
Apalpei minhas nádegas um pouco doloridas, com certeza ele havia deixado uma marca ali. Balancei a cabeça negativamente, irritada.
Não iria negar que ele tinha uma... pegada, um tanto quanto... boa. Mas também não me permitiria gostar daquilo, até porque era muita falta de respeito, mas vindo de quem veio, não era de se espantar.
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