"Eu amo você..." (Draco Malfoy)
12 Capítulo 12
Notas iniciais
POV Malfoy:
Depois de ter que me sujeitar à levantar a novata -o que não foi um grande esforço, pois era magra e tinha umas perninhas lindas-, continuamos ali. Ela havia trazido maçãs e me "deu" uma. Comi, limpei uma parte do chão e me deitei. Afinal, ainda faltavam alguns minutos pra que a detenção acabasse e eu não estava nem um pouco afim de colher aquelas frutas. Carter continuou andando ao redor, parecia um cachorro se ajeitando antes de dormir.
– Ah não... Eu deveria ter trazido minha varinha. -Resmungou.
– Ah, é mesmo? -Perguntei irônico.
– Fica quieto, eu não estou falando com você Malfoy.
– Está falando com quem então, Carter? Sozin...
– Co..mmm..iiigo...–Respondeu, me interrompendo.
– Muito engraçadinha, Carter. -Falei ainda de olhos fechados.
– Malfoy... -Sussurou. -Abri os olhos e a novata caminhava de costas em minha direção.
– Qual é o seu problema, garota? -Perguntei me pondo de pé- Primeiro fala sozinha e agora anda de costas imitando vozes?
– Malfoy... -Disse ainda sem se virar, me apalpando com as mãos.
– Ssaaiiamm... Saiamm...
– Carter, deixa de ser idiota. -Falei me soltando.
– Malfoy, não sou eu. -Murmurou. Só então percebi pra onde ela olhava. Ou melhor, para O QUE. Havia um centauro... Ou parte dele. Sua face estava totalmente desconfigurada, havia arranhões e cortes que pareciam profundos, espalhados por todo seu corpo. Um de seus olhos haviam sido arrancados.
– MAS QUE MERD...
– Saiamm... Raaapido... Ele está vind... -O bicho não terminou de falar, caiu morto.
– Carter... Vamos sair daqui! -Falei a puxando pelo braço.
– N-não... -Respondeu chorando- Malfoy, o que fizeram com ele? Quem está aqui? -Se aproximou do centauro sem vida.
– Carter. Vem, agora! -Peguei minha varinha, ficando alerta.
– Meu Deus... -Chorou mais ainda ao vê-lo de perto- Q-quem fez isso?
– CARTER, VAMOS SAIR DAQUI AGORA, CACETE! -Gritei atraindo sua tenção para mim. Seus olhos jorravam lágrimas e ela soluçava feito uma criancinha de cinco anos- Pega sua bolsa e vamos sair daqui. O que fez isso com ele pode fazer isso conosco.
O que era aquilo, eu não sabia. Carter se abaixou lentamente pegando a bolsa e correndo em minha direção. E quando se aproximou... Me abraçou.
– Carter... -Falei levantando os braços. Ela soluçava, tremia, chorava, tudo ao mesmo tempo. Eu também estava assustado, mas não era motivo pra ficar daquele jeito- Carter, vamos. -Tentei desgrudá-la de mim. A a garota estava me apertando e tinha o rosto enfiado no meu peito, já estava sentindo as lágrimas atravessarem o tecido. -Você está molhando minha camiseta. Vamos, me solta.
Me soltou com um olhar incrédulo. Saímos dali correndo. Eu sabia como voltar à cabana do Hagrid, graças às várias detenções que eu tomei. Enquanto nos afastávamos do local, olhamos para traz várias vezes. Queria ter a certeza de que não estava sendo seguido.
[...]
– O horário da detenção ainda não acabou. -O barbudo disse quando viu que nos aproximávamos da cabana. — O... O que aconteceu?! Porque ela está chorando? Se machucaram? -Perguntou assim que chegamos mais perto.
– Hagrid! -Carter correu e o abraçou ainda chorando- Hagrid, tinha um centauro... Ele... Ele tinha sangue tava machucado... Ele estava muito machucado, por favor, por favor, faz alguma coisa! -Um ar de preocupação tomou a face do meio-gigante.
– Onde exatamente ele estava? -Perguntou, me fitando.
– Foi lá perto do riacho. -Respondi tenso.
– Vamos para o castelo. -Falou dando leves batidinhas nas costas da novata- Vamos, aqui não é seguro pra vocês. -Carter o soltou, um pouco mais calma. Olhava assustada ao redor. Limpou as lágrimas e subiu na frente.
[...]
– O que fez isso com o bicho? -Perguntei quando já nos aproximávamos do castelo.
– Eu não tenho certeza, não posso afirmar nada agora. -Parou e segurou meu braço- Senhorita Marine! -Carter nos encarou, Hargrid fez um sinal para que ela se aproximasse- Peço para que não comentem isto com nenhum aluno desta escola, nem mesmo com professores e outros funcionários. Conversarei com Dumbledore ainda hoje. Ele verá o que podemos fazer a respeito. Mas enquanto isso, por favor, não comentem.
– Tudo bem...
– Entendido, Draco? -Me encarou. Fiz que "sim" com a cabeça- Agora subam e vão para seus dormitórios ou para onde quer que seja, não saiam do castelo e mais uma vez, não comentem com ninguém.
– Hagrid? — Carter o chamou- Algo ruim está acontecendo, não é?
O meio gigante não respondeu, apenas franziu os lábios e voltou para a cabana. A novata respirou fundo e foi em direção ao castelo. Fiquei um tempo parado naquele posto, hora observando os arredores da Floresta Proibida -que agora parecia calma e silenciosa-, hora pensando se Hogwarts realmente era segura. Eu não tinha a mínima ideia do que estava acontecendo. Mas, desde que eu estivesse a salvo, nada mais importava. Segui para o meu dormitório, não queria correr o risco de ser pego pela Sinistra e ganhar mais duas horas de detenção, sendo que faltavam apenas quinze minutos para o meio-dia.
Assim que entrei no corredor que dava acesso ao dormitório, vi Carter e uma das garotas que eu havia pegado na Festa da Sonserina, conversando ali próximo. Dei dois passos pra trás, afim de ouvir o que diziam, ainda conseguia enxergá-las.
– Eu já disse que não sei onde ele está! -Carter falou, parecendo nervosa.
– Como não sabe? É logico que você sabe! Vi vocês saindo juntos!
– Sim, mas eu não voltei junto com ele. Eu não sei onde ele está! Agora se me der licença eu vou almoçar. -Tentou sair, mas a outra a puxou pelo braço.
– Escuta aqui menina, sei que a detenção de vocês dura até o meio-dia. Se você não me disser ONDE ele está, serei obrigada a contar para a professora que saiu vinte minutos mais cedo e ela te dará mais duas horas. -Que garota ridícula o que ela estaria querendo comigo? Nem o nome dela eu sei.
– Me solta... -Carter falou com a voz embargada.
– Vai dizer onde ele está ou não? -A garota pareceu apertar mais o braço da novata.
– Eu n-não sei... -Derramou uma lágrima.
– Ah por favor né? Não vai chorar! -Resmungou soltando o braço dela- Se eu souber... Que está me escondendo alguma coisa... Eu acabo com você. Não é porque é recém-chegada e da mesma casa que eu, que está protegidinha. -Falou batendo o dedo contra o peito de Carter, que agora derramava mais lágrimas.
– O que você quer com ela, garota? -Falei caminhando em direção à elas.
POV Marine:
Fiquei horrorizada com o que tinha visto na Floresta Proibida, nunca vi algo igual. Por puro medo abracei Malfoy, que pareceu não ter gostado muito da ideia. Esqueci de quem se tratava.
Hagrid pediu para guardarmos segredo e concordamos. Mas alguma coisa me dizia que não era somente aquilo. Subi para o castelo e Malfoy continuou parado no mesmo lugar.
Desci para o Salão Comunal. Deixei minha bolsa e dei um jeito no meu rosto que estava inchado por causa do choro. Não queria ninguém fazendo perguntas. Estava saindo em direção ao Salão Principal, quando dei de cara com uma menina que não me era estranha.
– Ei! Você! -Caminhou ao meu encontro- É a garota da detenção não é?
– S-sou, por que? -A reconheci, era a magricela que a "doninha" havia beijado de propósito na Festa. Mas como ela sabia da minha detenção?
– Cade o Draco?
– Eu não sei, ele...
– Vocês foram pra detenção juntos, claro que sabe! -Me interrompeu, eu já não estava gostando dela.
– Estou falando a verdade... -Comecei caminhar, mas se colocou na minha frente, revirei os olhos- O que você quer?
– Quero saber do Draco. -Colocou as mãos na cintura, que ridícula.
– Não sei dele. -Tentei andar e novamente ela me impediu, a raiva começou a tomar conta de mim- Qual é a sua garota?
– A minha, é descobrir onde o Draco está. Ou você é surda? -Me encarava, ela era do tipo barraqueira e com certeza não exitaria em me bater. Ela até poderia ser mais alta que eu, mas não era muita coisa, além de ser praticamente pele e osso.
– Não sou surda e não sei onde ele está. -Pela terceira vez tentei andar e ela se colocou em minha frente. A raiva veio e senti meu rosto arder, sabia que ia chorar. Ainda mais depois do que aconteceu na floresta, eu definitivamente não estava bem.
– Aonde...
– Eu já disse que não sei onde ele está! -A interrompi demonstrando meu nervosismo.
– Como não sabe? É logico que você sabe! Vi vocês saindo juntos! -Insistiu.
– Sim, mas eu não voltei junto com ele. Eu não sei onde ele está! Agora se me der licença eu vou almoçar. -Tentei sair pela quarta vez, mas a magricela puxou meu braço.
– Escuta aqui menina, sei que a detenção de vocês dura até o meio-dia. Se você não me disser ONDE ele está, serei obrigada a contar para a professora que saiu vinte minutos mais cedo e ela te dará mais duas horas. -Por que ela estava implicando comigo!? O que eu fiz Merlin!? Senti minha garganta coçar, o choro estava vindo.
– Me solta... -Falei tentando não chorar.
– Vai dizer onde ele está ou não? -Apertou ainda mais meu braço, não aguentei.
– Eu n-não sei... -Senti uma lágrima escorrer.
– Ah por favor né? Não vai chorar! -Resmungou soltando meu braço- Se eu souber... Que está me escondendo alguma coisa... Eu acabo com você. Não é porque é recém-chegada e da mesma casa que eu, que está protegidinha. -Chorei. Estava prestes a xingá-la e provavelmente sairíamos no tapa, quando Malfoy apareceu:
– O que você quer com ela, garota? -Falou caminhando em nossa direção. A magricela se afastou de mim na mesma hora. Agradeci mentalmente por ele ter chegado ali.
– Dracooo! -Correu ao encontro dele sorrindo- Saudades de você!
– Saudades? -Malfoy me encarou- Eu te conheço por um acaso? -Voltou a encará-la com desprezo. O sorriso da magrela morreu de imediato. Limpei minhas lágrimas.
– C-claro que conhece. -gaguejou super sem-graça- A gente ficou na SParty, lembra?
– Eu fiquei com você? -Malfoy falou rindo- Tem certeza? -Eu estava começando a gostar daquela cena.
– A-absoluta, p-por que está falando isso, Draco? -A magricela gaguejou mais ainda.
– Eu só podia estar bêbado. -A encarou de cima a baixo- MUITO bêbado... -Soltei um risinho. A garota me olhou com lágrima nos olhos, agora seria era ela quem iria chorar.
– Vem, Carter. Esquece essa escrota. -Malfoy disse passando o braço em volta do meu pescoço, o que me fez estremecer- Um aviso -Se virou para a magricela- Se você relar UM dedo nela, EU acabo com você. -Sua voz saiu mais fria que nunca, a garota não se pronunciou, apenas chorou, como havia acontecido comigo minutos atrás.
Malfoy se virou e caminhou em direção à escada ainda com o braço em volta do meu pescoço. Olhei pra trás e a magrela entrou no Salão Comunal, chorando. Assim que chegamos no primeiro degrau, ele se afastou de mim.
– Toma cuidado com quem se mete, Carter. Eu não estou disponível toda hora. -Falou com aquele jeito metido e sorrisinho convencido já subindo os degraus, sem olhar pra trás.
– Uau... -Foi tudo o que consegui dizer. Não sabia se ria ou se chorava. Um sorriso bobo tomou conta dos meus lábios. Isso, por causa do... Ah não... Isso não poderia estar acontecendo.
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