Notas iniciais
Obrigada pela ajuda, Mari ♥Vamos l, espero que gostem.

Depois da “morte” de Sherlock ele iria ficar um tempo na casa de Molly até que as coisas se acalmassem. Ela já havia ajudado com a farsa mesmo, por que não ajudar com mais isso também?

Então logo depois da queda, Mycroft e Sherlock apareceram no apartamento dela.

– Não se preocupe, Molly, meu irmãozinho querido ficará duas semanas no máximo. Até lá, você – ele apontou o guarda-chuva para Sherlock, que estava parado na porta – tente não destruir a casa. E você – agora ele olhava para Molly – por favor, tente não matá-lo de verdade, sim? Adeus. – e saiu, sem dar tempo de Molly responder.

Sherlock então entrou no apartamento e já foi invadindo o quarto de Molly, sem nem mesmo cumprimentá-la. Enquanto ela tentava associar o que estava acontecendo, sentiu seu celular vibrando.

“Eu falei sério quanto a matá-lo. – MH”.

Não. Ele estava na casa dela, as coisas não seriam do jeito dele.

– Sherlock, você não pode ficar com o meu quarto... – mas quando alcançou a porta, ele já estava saindo, passando como um foguete por ela e foi se sentar no sofá, com as pernas encolhidas. – Você não vai poder ficar com meu quarto.

– Por que você nunca me disse que tinha um? – ele estava pálido.

– Um o que? – Toby então deu o ar da graça, pulando no sofá, ao lado de Sherlock.

– AAAAAAA UM GATO! – e saiu correndo de novo, subindo em uma cadeira da cozinha.

Por um momento Molly ficou sem reação. Mas logo passou e ela explodiu numa gargalhada. Riu tanto que teve que sentar no sofá, e sem querer sentou no rabo do pobre gato, o que só fez com que gargalhasse ainda mais.

– Ai, minha barriga. – e limpava as lágrimas, tentando se controlar. Enquanto isso Sherlock ainda estava encolhido na cadeira, encarando Toby.

– Miau. – Toby falou para Sherlock, e foi lentamente se aproximando dele.

– Molly, você pode... Por favor... Pegar esse bicho? – ele estava completamente descontrolado. Aquilo era fascinante. Sherlock ria na cara de criminosos, mas não conseguia aguentar um gatinho.

Ela pegou Toby, e só então ele desceu.

– Por que medo de gatos?

– Quando eu tinha cinco anos fui explorar uma casa abandonada. Mas ela não estava abandonada. Estava tomada por vários gatos famintos e raivosos. Pelo menos isso é o que diz Mycroft, eu não me lembro. Então, como será?

– Como será o que?

– Esse gato tem uma gaiola, uma casinha, alguma coisa?

– Não, é claro que não. Ele é um gato.

– Então você vai deixa-lo solto?

– Claro que vou deixá-lo solto! O que você esperava? Que eu o trancafiasse? – ele concordou, acenando. – Sinto muito. Mas ou você convive com ele, ou procura outro lugar para ficar.

Vendo que não tinha muita opção, ele concordou.

– Tudo bem. Só... Não deixe-o chegar perto de mim.

– Como quiser. – Mas não pode conter um sorriso. Isso poderia ser muito divertido.

–-

No dia seguinte, quando Molly levantou para tomar café da manhã, Sherlock ainda estava trancado no quarto.

– Quer café?

– Isso depende, onde está O Gato? – uma voz sonolenta respondeu.

– O Gato tem nome, e é Toby. E ele está dormindo no meu quarto, não se preocupe.

Saiu para fazer café e logo em seguida Sherlock se sentou à mesa.

– Meu Senhor, o que foi que aconteceu com você? Achei que você tivesse abandonado o boxe.

– Engraçadinha. Eu não consegui dormir por causa desse gato.

– Mas ele dormiu comigo.

– É, mas e se ele decide sair? E abre a porta?

Ela ia dizer que Toby não conseguia abrir a porta, mas deixou para lá. Não ia adiantar nada mesmo.

– Tenho que ir trabalhar. Até mais tarde.

– Você não vai prender o animal?

– Ah, é claro. – então agarrou Sherlock pelo braço e o arrastou até o quarto, fechando a porta na cara dele. – Bom dia, Sherlock.

Os dois dias seguintes se passaram da mesma forma. Quando ela chegava, Toby estava arranhando a porta para conseguir chegar até Sherlock, mas não conseguia, é claro.

No quarto dia Molly prendeu Toby em seu quarto, deixando dessa vez a casa livre para Sherlock.

– E se ele abrir a porta?

– Não se preocupe. E se isso acontecer, você sempre tem a opção de se trancar no quarto.

Quando chegou do trabalho, se arrependeu amargamente de ter deixa Sherlock solto. Haviam buracos na parede da sala. Buracos de bala.

Desesperada, Molly saiu à procura de Toby e quando o encontrou – ele estava brincando com alguma coisa em seu quarto – se sentiu extremamente envergonhada do pensamento. Sherlock podia ter medo de gatos, mas ele não mataria Toby.

E então aquilo caiu como uma bigorna em sua cabeça. Por que diabos Sherlock atirou em sua parede?

– Você pode me explicar aqueles buracos na minha parede? – ela tentava se controlar para não fazer buracos na cabeça dele, mas era bem difícil, principalmente com ele aparentando tamanha indiferença.

– Eu estava entediado! Na verdade, ainda estou entediado.

– Ah, e o que a minha parede tem a ver com isso?

Ele se levantou da poltrona que estava sentado no quarto da Molly – que tão gentilmente tomou sem pedir – segurou nos ombros dela e a chacoalhou.

– Tééééééééééédio! – e saiu para a sala. Ela resolveu que seria melhor contar até mil antes de pegar a arma e acabar com tudo ali mesmo. Podia até estar apaixonada por ele, mas Sherlock sabia irritar como ninguém.

Depois de contar até mil, resolveu que seria para o bem maior ignora-lo. Foi comer, limpar a casa, tomar um banho, dar banho no gato, ler um livro, criar a próxima atualização para um sistema operacional de celular, QUALQUER COISA contanto que não tivesse que ficar olhando para a cara de Sherlock.

Mas uma coisa ela tinha que admitir: era divertidíssimo vê-lo ficar mudando de lugar toda vez que Toby se aproximava. Ela até tentou fazer com que o gato o deixasse em paz, mas era impossível, ele estava tão apaixonado quanto a dona. Ops.

– Boa noite. – finalmente Sherlock se rendeu ao sono. Saiu correndo até o quarto, fechando a porta antes que Toby pudesse segui-lo. Faziam três noites que não dormia, e com isso ela demorava para dormir, porque ele insistia em ficar andando pela casa.

Frustrado que Sherlock não gostava dele, Toby pulou no colo dela e decidiu que Molly não precisava mais ler.

– Tudo bem, tudo bem, faço carinho em você. – e ficou encarando a parede, pensando em mandar a conta do concerto para o Mycroft. Mas não pensaria nisso por hora.

Por hora ela seria uma criança e iria ser vingar de Sherlock.

Lentamente abriu a porta de seu quarto – ele nem se mexeu, estava mais fácil acordar uma pedra – colocou um Toby sonolento em cima da cama e saiu de lá rapidinho. Agora era só esperar.

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Duas horas depois um Sherlock suando frio e desesperado entra no quarto de hóspedes.

– Molly, socorro, acorda! – de novo ele a chacoalhava.

– Sherlock, QUE PORRA É ESSA? – acordou gritando com ele, mas quando entendeu o que estava acontecendo, relaxou e olhou no relógio. Até que demorou para ele surtar. – Tudo bem, Sherlock, calma, o que foi?

– S-s-s-eu gato, e-e-ele entrou no meu quarto e sentou n-n-no meu travesseiro e então... – Molly nunca havia visto alguém tão pálido. E ela é legista. – ele estava lambendo o meu rosto! – e caiu desmaiado ao lado dela na cama.

A princípio ela até ficou com dó, mas se lembrou dos tiros e a dó passou.

Com muito esforço colocou Sherlock de pernas para o ar, apoiado na parede. Checou a pulsação e foi buscar álcool.

Pouco tempo depois ele acordou.

– Mas o que...

– Você desmaiou. Boa noite. – virou de costas pra ele e se cobriu.

– Mas, Molly, e o gato?

– O Toby não vai te morder, Sherlock.

– Mas Molly, ele...

– Sherlock, chega! Ele é um gato, não uma cobra! Ele não vai te morder. Já não basta os tiros na parede, eu não preciso de você me torrando a paciência por causa de um bicho que só quer você faça carinho nele! Boa noite.

Só então ele percebeu que havia passado dos limites.

– O que você está fazendo? – ele estava sentando na cama, se preparando para deitar.

– Eu vou tentar me acertar com seu gato, mas no momento estou apavorado demais para sair daqui. – mas ela não ouviu nada, já estava dormindo.

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– AAAAAAAAAAH que susto! Não faça isso de novo! O que você está fazendo aqui? – Molly acordou com Sherlock deitado ao seu lado, olhando para ela. Ia ficando cada vez mais vermelha. Ela não era exatamente uma atriz de cinema que acorda linda de manhã. Além do pijama de girafas, é claro.

– Estava esperando você acordar para sair daqui. – Molly respirou fundo e se levantou para abrir a porta. Sherlock ficou ao lado dela, esperando Toby entrando voando no quarto, o que não aconteceu, pois ele estava esparramado na cama no outro quarto, dormindo tranquilamente.

– Viu? Você ai todo desesperado e ele dormindo. – e se trancou no banheiro.

– Aceita café? – ouviu ele gritando alguns minutos depois. Desde quando Sherlock Holmes fazia café?

– Claro.

Quatro dias que ele estava na casa dela. Aquilo definitivamente não estava sendo como ela imaginava. Tudo bem, por mais que ela tentasse, foi inevitável pensar que de repente poderia acontecer alguma coisa entre eles nesses dias, o que já era bem difícil só os dois, ainda mais tendo o Toby.

Ele tinha que ter medo justo de gatos?

Saiu do banho e sentiu cheiro de comida.

– Ovos? E feijão?

– Sim, eu sei cozinhar. Não cozinho, mas sei.

– E está bom!

– É claro que está bom! – pareceu ofendido, mas logo passou, porque Toby pulou na cadeira ao lado dele.

– Ele não vai te...

– Eu sei. – respirou fundo, tentando não ficar olhando o tempo todo para Toby. E virou para conversar com Molly.

– Obrigada pelo café, estava ótimo. Mas agora eu preciso ir. – e deixou propositalmente os dois soltos.

E mais uma semana se passou assim. Até que um dia Molly chegou em casa e encontrou Sherlock deitado no sofá, vendo televisão, com Toby deitado em seu pé.

– Mas o que foi que aconteceu aqui? Vendo televisão? E com Toby perto de você? – largou as compras da cozinha e foi até eles. – Quando foi que isso aconteceu.

– Ah, olá, Molly. Pois é, não estava dando certo fugir dele, e pelo bem da minha sanidade, decidi quando dar uma chance quando estávamos só eu e ele. Confesso que quase desmaiei de novo quando ele começou a se esfregar no meu pé, mas aos poucos consegui me acostumar com isso. Até consegui fazer carinho nele. – e como prova coçou a cabeça do gato, que ronronou e se afastou.

– Para um detetive demorou bastante pra você descobrir que ele só queria a sua atenção rapidamente. Ele precisa que todo mundo gosta dele. É um exibido.

– É, eu notei. Agora que já não me incomoda tanto, ele me deixa em paz. Mas ainda não quero dormir na mesma cama que ele, então por favor, não o coloque lá de novo.

Molly fez a melhor cara de inocente que conseguiu.

– EU? Mas não fiz nada, ele que abriu a porta e entrou.

– Não abriu não, ele não consegue.

– Claro que consegue. – levantou para preparar a janta. Se ficasse ali, iria se entregar.

“Não, Molly, a maçaneta era redonda. Ele não conseguiria.” Foi o pensamento de Sherlock, que sorriu convencido por ter acertado mais uma vez.

– Deixe-me ajudar com isso.

E entre uma troca de ingredientes, esbarradas de mão e troca de olhar, alguma coisa mudou. E quem diria, a culpa era do gato.

Notas finais
E ai?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!