Eu achei que nós chegamos tão perto
1 our love is a ghost
Notas iniciais
Então, pela primeira vez eu trouxe um angst do meu otp, porque estou me despedindo deles, é isso mesmo... eu estou me despedindo de Zorobin e fechando um longo capítulo de amor, carinho e gratidão por esse ship. Foram eles que me incentivaram a postar pela primeira vez. É com tristeza que me despeço dos dois, mas hoje não vejo mais sentido em continuar a história de ambos e é também por esse motivo que eu decidi dar um final digno para esses personagens os quais amo tanto, antes que a obra original o faça e me deixe em pedaços!!
Enfim, eu espero que vocês gostem, apesar do tom triste e melancólico da fanfic.
─ Algo em você mudou. ─ a voz suave ressoou no ambiente e não era uma pergunta, mas uma constatação.
Zoro parou por um momento o exercício que fazia e refletiu sobre o que ela disse. Sua mente viajou por vários acontecimentos no tempo e primeiro, notou com surpresa, que não era um flerte. Robin falava com uma honestidade avassaladora, sem segundas intenções. Tão séria como nunca estivera antes em sua companhia. Por fim, ele percebeu que aquela voz que por vezes fez seus sentidos falharem e seu coração vacilar batidas, agora lhe causava um violento nada.
Aquilo o perturbou de uma forma inédita lhe deixando inquieto. Como poderia uma sensação de vazio ser tão inquietante? Deixou de vez de praticar sua rotina e se pôs por inteiro a pensar. Então, com espanto, compreendeu o significado de tudo aquilo, sua paixão por Robin, chegara ao fim. Sim, ele havia mudado.
─ É. ─ por um instante foi tudo que conseguiu dizer, encarando-a de frente e como um exímio leitor dos olhos de Robin, percebeu neles a mesma sensação melancólica de vazio, o mesmíssimo sentimento de nada. O crepitar elétrico daquele par de orbes azuis não estava mais ali era como uma energia morta, apagada, se é que uma energia pode morrer.
─ Você mudou também. ─ Zoro completou e Robin sorriu com tristeza, desviando o olhar para as próprias mãos.
Dessa vez não havia nenhum livro para fingir que lia enquanto provocava o espadachim. Não havia necessidade de provocar ninguém, porque aquela vontade não existia mais e ao compreender isso, Robin sentiu seu coração se afundar e diminuir, ficar pequenininho como há tempos não ficava. Isso a fez se lembrar das vezes nas quais se pegava fazendo planos para os dois, mesmo sabendo que não deveria, ela se permitia imaginar um futuro juntos. A infelicidade a preencheu porque aquele futuro também não existia mais e por um instante, sentiu pena de si mesma.
Por um longo momento o silêncio imperou, diferente de tantas outras vezes, enquanto ambos estavam a sós e a tensão entre os dois era tão forte que parecia prestes a explodir. Zoro ainda podia se lembrar da adrenalina que sentia quando estava perto da arqueóloga e de como seus dedos pareciam levemente eletrificados ao se arrastarem sobre a pele dela. Agora, eram ecos do passado, como a sensação do fim da tarde, quando o sol se põe e a brisa sopra sem calor. O clima entre os dois era resignado, repleto de desalento e conformação, permaneceram calados antes de admitir que estavam terminando.
Robin se aproximou devagar e o fitou como se pudesse ver através dele, sua mão alcançou a face do espadachim e repousou ali. Zoro inclinou-se sobre a mão dela e fechou o olho por um segundo. Ela encurtou a distância e beijou-lhe os lábios suavemente, quando suas línguas se tocaram, Robin buscou pela emoção que a envolvia por inteiro e a deixava sem fôlego, mas agora essa era uma sensação fantasma. Percebeu decepcionada que o tal sentimento que esperava, simplesmente havia desvanecido. Aquela seria a última vez que se beijariam.
Permaneceram um tempo com suas testas coladas, como se pudessem transmitir um ao outro coisas as quais não cabiam em palavras. Agradeciam-se imensamente pelo que haviam vivido juntos, foram tão felizes quanto puderam, no entanto, ela estava indo embora e ele estava a deixando ir, porque não havia motivos para fazê-la ficar. Com a mesma rapidez que esse pensamento se formara em sua cabeça, o atingira de um jeito brutal. Foi então, a vez de Zoro sorrir com tristeza.
─ Me desculpe… ─ o espadachim começou, mas foi interrompido pelos dedos dela em sua boca. Robin balançou a cabeça em negação.
─ Não é culpa de ninguém, Zoro. ─ ela lhe disse com doçura e afinal não era mesmo. Com o tempo o futuro daquela relação era cada vez mais nublado e mesmo que isso não fosse um problema para os dois, afinal faziam de tudo para se manterem no presente, o sentido de fazerem aquilo também foi se perdendo.
Era realmente doloroso chegar ao fim e estavam cada vez mais cientes de precisariam abrir mão e simplesmente deixar ir. Por outro lado, era ainda mais doloroso manterem-se presos a algo que já não funcionava mais. Amavam-se demais para causar um sofrimento imperdoável como aquele. Enfim, os acontecimentos recentes esclareceram de vez que seus destinos deviam seguir rumos distintos.
A morena se afastou e foi andando em direção à porta da sala de observação do submarino de Trafalgar Law. Antes que ela se fosse e se recolhesse aos seus aposentos, o espadachim lhe perguntou:
─ Robin, eu fui bom para você?
Ela o encarou com aqueles oceanos azuis e tão sincera quanto a pergunta feita, a arqueóloga lhe respondeu:
─ O melhor.
Notas finais
Beijas pras senhoras!!
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