Eu & Você
5 Destinados
Notas iniciais
P. O. V. Bella
Saí do carro depois que o Dr. Cullen abriu a porta para mim e observei o restaurante.
As portas de vidro estavam abertas possibilitando a visão de quase todo o espaço. Mesas com toalhas vermelhas e cadeiras da mesma cor, garçons servindo os clientes usando terno preto e gravata borboleta e, para completar, lustres enormes eram dispostos pelo teto sobre as mesas iluminando todo o restaurante.
Muito chique.
— Isabella... — Começou Carlisle.
— Só Bella, por favor — Disse sorrindo um pouco sem graça.
Eu não queria que ele me chamasse de Bella, mas, o fato era que eu odiava ser chamada de Isabella.
— Ah, Claro. Bella, você pode se dirigir a recepção e dizer que veio se encontrar com Edward Cullen. Ele estará a sua espera — disse ele.
— Ta bem...
Então saiu, entrou no carro e foi embora me deixando plantada sozinha na frente do restaurante.
Tentei reunir toda minha coragem e adentrei o local.
— Boa noite — Disse a recepcionista.
Quando a vi, me senti imediatamente muito mal vestida e desarrumada.
Ela usava um vestido preto que mesmo sendo simples era deslumbrante em seu corpo perfeito.
O cabelo muito vermelho e cacheado formava um lindo penteado no alto de sua cabeça.
Senti uma pitada de inveja.
— É... Boa noite... Eu vim me encontrar com... Edward Cullen. Ele está aqui?
— Sim, e ele está a sua espera. Acompanhe-me, por favor.
Sua voz soava como sinos em meu ouvido. Na minha cabeça era mil vezes mais fácil esse Edward se apaixonar por ela do que por mim.
Segui ela até uma mesa, onde um homem cheio de postura estava me esperando virado de costas então fui para o meu lugar a sua frente. Não olhei diretamente para ele, primeiro observei a mulher sair e depois sim...
Dei um grito.
— Você?!
— Você?
Edward Cullen!! Ele? Não podia ser, era engano com certeza.
— Você é o Edward? — perguntei indignada olhando para o "cara do Volvo", que estava sentado na minha frente.
— Óbvio... E você é...?
— Sou a garota da Picape que você teve a capacidade de não ver na sua frente!
Ele olhava pros lados, as pessoas do restaurante todas nos observando.
Sua calma me assustava.
— Ah... Sente-se, por favor. Não quer chamar a atenção de todos não é mesmo?
Sentei-me olhando para as pessoas. Elas voltaram a comer e conversar.
Olhei para Edward.
— Eu deveria ter imaginado que você era o Cullen — Disse a ele — Com aquele carro eu deveria saber que era rico.
— Então você julga as pessoas pelo carro que elas têm?
— Você me entendeu.
— Escute aqui, eu posso até ser rico e tudo mais, mas eu juro que por mim eu não teria nada disso. Seria muito melhor — Ele olhou pra mim — Pode me dizer o seu nome?
Não respondi.
— Por favor?
— Isabella Marie Swan.
Ele sorriu. Um sorriso lindo e perfeito...
Aff.
— Muito prazer sou Edward Cullen — Ele disse, com sua voz calma de veludo, me estendendo a mão para um cumprimento.
Olhei pra ele e apertei sua mão rapidamente.
O mínimo de contato era necessário.
— Posso pedir o jantar? — Ele me perguntou.
— Por que você acha que quero jantar com você?
— Por que não temos escolha. Não é mesmo?
Era verdade. Nossos pais que tinham nos obrigado a fazer aquilo.
Mas, tinha que ser justamente aquele cara?
— Pode pedir o jantar — disse de uma vez.
Depois de pedir a comida e nós conversarmos bastante, fiquei sabendo de muito mais coisas sobre ele.
Pais adotivos, filho único, dono de toda herança.
Eu não gostaria de estar no lugar dele, parecia ser triste morar sozinho e quase não ter amigos de verdade.
Olhei pelas janelas do restaurante e vi que recomeçara a chover. Como iria pra casa? Ele ia me levar? Eu podia confiar nele?
— A conta, por favor — Edward disse a um garçom depois do jantar.
— Como estava? — Ele perguntou.
A minha vida? Perfeita, tirando a parte de que tive que jantar com você, respondi mentalmente como se ele pudesse realmente ouvir.
— O que?
— O jantar.
— Ah... Ótimo — Disse distraída.
Eu nem conhecia ele direito. Ia entrar num carro e ficar junto com ele? Só nós dois?
— Vou levar você até sua casa — Ele disse enquanto assinava um cheque e pagava a conta — Pode ser?
— Não sei... Eu acho que posso chamar um taxi...
— Não, sem problemas eu levo você — Insistiu.
Lembrei que havia um spray de pimenta na minha bolsa que tinha sido presente do meu pai.
— Tudo bem então... — Disse eu.
Fomos até o carro correndo por causa da chuva e vi que o carro parecia ser o mesmo volvo que tinha batido em mim. Sabia que não era o mesmo por que aquele estava intacto.
— Arrumou o carro? — Perguntei quando ele dava a ré pra sair do estacionamento.
— Não, não. Pedi emprestado esse.
— Hum...
Exibido.
No caminho para casa percebi por que foi que ele batera na minha picape. Na rua não se via nada e ele parecia estar andando acima de 100 km/h.
— Não da pra ir mais devagar? — perguntei me segurando com força no cinto de segurança.
— Não estou tão rápido Isabella. E já estamos perto não é?
— É... É ali naquela casa — Disse apontando para a minha casa no final da rua.
Não via a hora de sair do carro.
Ele chegou em frente a minha casa e parou o carro.
— Foi muito legal conhecer você — Disse ele olhando para a rua.
— Gostaria de poder dizer o mesmo — Disse eu.
Edward pareceu um pouco triste ao olhar para mim.
— Escute, eu não sei por que, mas você me odeia. Isso é óbvio. Eu só queria que você soubesse que nos conhecemos da pior maneira possível, então... Que tal tentarmos outra vez?
Esse Edward não era o cara do volvo. Definitivamente não. Deixei me envolver em suas palavras por alguns instantes, ele estava certo, tínhamos começado com o pé esquerdo e o pior é que a culpa era minha.
— Realmente não foi um belo começo. — Comecei — E eu estava errada sobre você. Só queria pedir desculpas... Eu fui uma grossa, afinal não foi culpa sua.
Só um pouquinho bem grande.
— Não precisa se desculpar, — Ele dizia — só vamos tentar novamente, pode ser?
— Ah... É... Não sei — eu nem conheço você né — Tenho que ir. Boa noite.
— Boa noite Isabella.
Saí correndo do carro e entrei em casa. Olhei pela janela ele ir embora e fui em direção ao meu quarto. Parei antes de subir a escada. Minha mãe estava parada na cozinha olhando pra mim com muita raiva.
— O que foi? — Perguntei.
— O que foi? O que foi?! — Ela se aproximou de mim — São dez e meia da noite!
— Ah mãe, me desculpe eu não queria demorar tanto, só que...
— Demorar? Era isso que eu queria garota! Você nem deveria estar aqui. Deveria estar com o Cullen ainda!
— Por que isso?
Não acreditava naquilo... Ela estava louca, só podia.
— Vocês precisam se conhecer melhor — Agora, magicamente, o tom dela era de uma mãe carinhosa — Vocês estão destinados um para o outro.
— Destinados? Só se isso significasse que um dia nós ficaríamos juntos, e isso, pode ter certeza que nunca vai rolar.
— Não seja boba.
Aff.
— Me deixa.
Fui para meu quarto e me joguei na cama.
Por um momento imaginei como seria se eu e o Cullen ficássemos juntos. Não era uma possibilidade, não tinha chance. Ele era um bonitão metido a besta, que se fazia de coitado pra todo mundo e eu odiava ele. Odiava o sorriso perfeito dele, o cabelo perfeito dele, os olhos, os lábios...
Mas que droga, pensei indignada comigo mesma.
O que é isso Bella?
Pare de pensar nele.
Nem adiantou parar de pensar nele. Assim que dormi, sonhei comigo vestida de noiva andando por um tapete vermelho. Parado ao lado de um altar estava Edward vestido de branco e sorrindo pra mim. Mas, quando cheguei perto dele, ele virou uma pilha de dinheiro e no meio dela minha mãe surgiu pulando de alegria.
— É isso aí filha! Continue fazendo tudo o que eu mando que seremos ricas!
Ela dizia jogando dinheiro pro alto e depois desapareceu.
Acordei assustada com o pesadelo. Comecei a pensar na possibilidade de ele ser real, mas será que era isso que ela queria de mim?
Não podia ser... Ela só queria me ver feliz e namorando alguém legal. Não era?
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