Eu Tenho Um Sonho.
1 A Carta.
CLARA
Mais uma semana passando e nenhuma novidade, fui caminhar, fui nas aulas de dança, apesar da implicância que minha mãe tinha com isso, sai com o pessoal, sai com a minha mãe. O de sempre, e hoje, quinta feira não ia ser diferente.
Acordei sete horas, tomei um banho me arrumei, tomei café da manhã e fui caminhar no parque do lado de casa.
Depois de umas duas horas caminhando e fazendo alguns exercícios voltei para casa. Antes de subir meu porteiro me chamou dizendo que tinha umas coisas para levar pra cima, esperei e o mesmo voltou com alguns envelopes na mão, contas provavelmente, fui passando os envelopes até que parei em um com o meu nome, olhei bem o envelope e a ansiedade me dominou, abri na mesma hora e li a carta de dentro. A felicidade me consumia.
— Eu não acredito! Eu consegui. — Meu porteiro me olhou com uma cara de quem não estava entendendo nada — Seu Welinton, eu consegui. — Saí em disparada até o elevador.
Entrei em casa berrando.
— Minha nossa, mãe, eu consegui! — Subi as escadas de casa tão rápido que devo ter tropeçado várias vezes — Eu passei mãe, eu passei!
— Passou o que garota? Roupa? — Esse tom de sarcasmo e desinteresse era o que eu mais odiava nela.
— Não mãe. — Disse desanimada
— Então o que?
— Deixa quieto. — Falei — Vai sair?
— Sim, vou encontrar um cliente — Isso não era novidade — Sabe aquele que gastou quase três mil reais da ultima vez que veio? — Afirmei com um gesto com a cabeça. — Então, ele está em São Paulo e marcou uma reunião.
Ela continuou a falar sobre o tal cliente, mas eu estava presente ali apenas de corpo. Não a ouvia mais, estava presa em meus pensamentos. Precisava falar sobre isso com alguém. Lara? Olhei para o relógio, não, ela ainda estava em aula. Minha avó? Talvez ela ficasse orgulhosa, porém ela iria começar a falar coisas que com certeza me desanimaria. Meu pai? Acho que ele sequer sabe que eu danço, e se souber, com certeza também não apoia, enfim não sou muito chegada nele. Já sei! Meus professores de dança. Eles seriam os primeiros a saber disso, afinal eles me ensinaram tudo que sei, sem falar que são grandes amigos.
— Mãe, vou sair. — Corri para o quarto peguei a bolsa que sempre uso para as aulas de dança.
— Vai para onde? — Perguntou minha mãe aparecendo na porta do quarto enquanto eu me arrumava.
— Para a aula de dança. — Disse — Hoje começa mais cedo.
— Você não vai sair antes de lavar aquela louça que você sujou. Vai arrumar seu quarto hoje, porque eu cansei de tanta bagunça e eu preciso que você leve isso aqui para mim no correio.
— Mas mãe, eu preciso muito falar com o Lucas!
— Seja o que for, namoradinho pode esperar, né Clara?
— Ele é meu professor, sua sem noção. — Me irritei
— Você não vai pra dança hoje, me ouviu?
— Finja que eu não existo. — Falei largando a mochila na cama.
Ela saiu do quarto, me deixando sozinha. Tá bom que eu não vou na aula hoje. Quantas vezes ela já disse isso e mesmo assim eu fui? Várias vezes. Arrumei meu quarto, que no caso já estava arrumado com exceção de algumas roupas jogadas em um canto e uns copos na escrivaninha. Próxima missão: lavar a louça que ela tinha deixado ontem a noite. Fui até a cozinha, ensaboei, enxaguei e sequei toda a louça. Agora só faltava uma coisa: Correio.
— Mãe, o que é para levar no correio? — perguntei
— É essa caixa azul que está em cima da mesa, tem que colar o papel e levar. — Ela gritou de dentro do quarto.
Olhei para o relógio da sala, ainda faltava uma hora para a aula começar, fui para o quarto peguei a mochila, coloquei o envelope dentro e voltando pra sala colei o papel na caixa e disse:
— Depois do correio vou direto pra aula.
Não obtive uma resposta, apenas um resmungo, ela estava no telefone marcando detalhes da reunião, sai de casa e fui correndo até o correio que para o meu azar estava com uma fila imensa. Fiquei mais ou menos vinte minutos esperando, despachei a correspondência e sai correndo para chegar logo no metrô, depois de um tempo cheguei na estação que ficava perto do estúdio de dança, desci correndo e fui. No caminho esbarrei com alguém.
— Lucas… minha nossa me desculpa — disse -— Oi.
— Com pressa Clara? — falou sorrindo
— Um pouco na verdade, queria chegar logo pra contar a novidade pra você e para o Bruno.
— Novidade?
Tirei o envelope da mochila e entreguei em suas mãos.
— Isso é? — disse fixando o envelope
— Sim — disse calma e sorridente.
— Minha nossa Clara, meus parabéns — falou após ler o que estava dentro
— Mas… eu não sei se eu vou — comentei desanimando
— Como assim? — indignado —Clara poucas pessoas no mundo tem a oportunidade de entrar na MD&T da Califórnia, é a mais…
— Importante e influente faculdade de Dança do mundo, eu sei. — Completei
— É a sua mãe, não é? — Perguntou
— Exatamente
Chegamos no estúdio de dança e todos estavam lá, inclusive Bruno, me posicionei perto dele para começar o alongamento, a aula correu normalmente, a coreografia foi ótima e no fim das aulas Lucas escolhia algumas pessoas para gravarem um vídeo dançando pra ser postado na página do estúdio.
— Clara, eu e Bruno
— Eu? — perguntei
— Sim, é algo como meus parabéns, vai logo.
Me posicionei no meio, Bruno me olhou com uma cara confusa como se perguntasse “meus parabéns pelo que?”, ignorei e gravamos o vídeo, Lucas agradeceu a todos pela aula, e assim que todos saíram veio em direção a mim e a Bruno.
— Eu tenho uma novidade, Lucas já sabe por que falei com ele vindo pra cá.— Entreguei o envelope nas mãos de Bruno que se quer falou uma palavra abriu com pressa o envelope pra ler o que estava dentro.
— Clara, caramba. — disse Bruno — Sempre soube que você é talentosa garotinha.
— Obrigada, mas…
— Bruno, preciso falar com você sobre uma coisinha — disse Lucas me cortando — Desculpa Clara, é importante.
— Tudo bem Lucas. — disse — Vou ficar mais um pouco, vejo vocês depois.
Enquanto Bruno e Lucas saiam da sala fui até minha mochila, bebi um pouco de água e aproveitei que não tinha ninguém na sala para colocar Suffer no som mais alto que pude, comecei a dançar a coreografia que eu tinha criado para a música, era uma coreografia mais puxada para contemporâneo sexy, sem dúvidas a melhor coreografia que eu já criei em todos esses anos dançando, digamos que é a coreografia na qual eu entrego toda a minha alma.
Notas finais
Em breve tem mais.
Poong-gwa Kiseu Curin
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