O corpo de Robin era colocado em cima de uma cama confortável, seus sentidos ainda permaneciam suspensos, mas sua respiração era regular. Tudo estava bem por hora. A pouco o menino passara por uma dura batalha, tendo como resultado a sua derrota. Fora poupado de um destino pior, e agora repousava na casa de seu adversário.

-Acho que peguei pesado demais com ele...

-Estávamos em combate, Rock Star, eu teria feito o mesmo.

Teddy jogava os braços para trás e bufava, estava despreocupado em relação à saúde do garoto desmaiado. Sabia que este ficaria bem, e agora queria mais era arrancar respostas sobre a razão de todo o alvoroço.

-Connor não? Quer explicar a causa de tudo isso?

O outro herói, que também perdera em combate, jazia sentado perto do companheiro. Sua expressão era distraída e seu ar tinha um toque provocador. Revirava os olhos e estralava os dedos, aceitara cooperar então tinha que responder as interrogações.

-Somos membros de uma organização de Super-heróis em treinamento, e monitoramos todo o país em busca de anomalias.

-Anomalias?

Billy ficara curioso com as razões e a procedência de seus adversários. Olhava Super-boy atentamente, se aproximando um pouco de Teddy e o segurando pela mão. Tinha um pouco de medo de ser surpreendido por um ataque inimigo, logo no momento que estava de guarda baixa.

-Isso, caso algum bandido ou vilão resolva quebrar tudo por ai. Ai saímos em campo e damos porrada nele.

-Mas o que isso tem a ver conosco?

Uma das sobrancelhas de Teddy se erguia, fitando seriamente a situação. Ele e Billy não eram malignos, e fizeram muito bem para a pequena cidade, com suas aparições. Não tinha porque serem abordados de maneira hostil, como foi feito antes.

-Acontece que vocês dois aparentemente tiveram uma briguinha, não? Uma briga séria, entre pessoas com poderes, pode mandar uma cidade como essa pelos ares. E até onde sei, o carinha que voa ali, foi espancado cruelmente, não?

Super Boy não gostava nem um pouco do tom de voz de Teddy, aquele ar de valente só incitava mais ainda, uma vontade de brigar novamente. Percebera com satisfação, que a menção do ocorrido incomodara ao outro rapaz, que fez uma careta de desgosto.

-Verdade, nós brigamos e eu machuquei o Billy... Mas isso não justifica o jeito que nos abordaram.

-Apenas queríamos ter certeza que o garoto alado estava bem, e que ambos não representavam ameaça para a cidade. Se tivesse cooperado, responderia algumas perguntas e estaria liberado!

-Responder porque? Quem foi que deu o poder de fiscal na mão de vocês? Não devo satisfação para ninguém! Até onde sei, faço o que bem quiser, é um país livre!

-Ora seu...

Uma aura violenta ardia entre Super-boy e Teddy, os dois rangiam os dentes e cerravam os punhos, estavam a instantes de matarem um ao outro com as mãos. Ambos os heróis tinham cabeça quente e eram extremamente irritadiços, o que só aumentava a tensão do ambiente.

-Certo, certo Teddy, deixa isso pra lá.

Billy intervinha, pedira para abrigar Robin em seu quarto, e não queria ver seu novo dormitório virar ringue. Suspirava e tentava acalmar ao namorado, depois voltando a atenção para o outro rapaz, tão brigão quanto.

-Peço desculpas por não termos cooperado, e lamento o nosso incidente.

-Billy?! Não temos que lamen...

A boca de Teddy era tapada pela mão do companheiro, que resolvera tomar a voz momentaneamente. Procurava uma solução amigável, que não causasse problemas em um futuro próximo.

-Escute, sei que a princípio nos agredimos, mas acredito que não somos ameaça para a população local. E que em qualquer situação, podemos nos conter e achar uma solução que vise o bem geral.

Suspirando fundo, com um ar de impaciência, Connor virava o rosto para o Robin adormecido. Aquela situação toda o irritava, e Teddy o irritava mais ainda, mas com Billy era diferente. Sentia alguma estranha empatia pelo desconhecido, e não conseguia se irritar (muito) com ele. Sabia que o garoto tinha equilíbrio para saber parar uma luta, e não brigar mais que o necessário.

-Olha Billy, você eu sei que posso confiar, já o loiro-gorila que te acompanha... Não duvido que ele acabe demolindo toda a cidade!

-Ora seu...

Aquilo bastou para arrancar a última gota de paciência de Teddy. O loiro já arregaçava as mangas, pronto para sair no braço se fosse provocado novamente.

-E estou mentindo? O que me garante que se aparecer outro herói aqui, de passagem, você não vá soca-lo também? Até onde sei, você é uma ameaça em potencial!

-Não vou permitir que fale isso dele!

As faces de Billy agora estavam mais sérias, parecia que voltara a usar sua máscara de combate. A expressão, bondosa e tímida, que ostentava a pouco mudara bruscamente. Não gostara nem um pouco do que escutara sobre o namorado, e se colocava prontamente a defende-lo.

-Você não o conhece direito, não sabe o quão bom ele é! Não sabe nada a respeito do Teddy, e se sente no direito de julga-lo assim? Vocês atacaram primeiro, e são tão perigosos quanto qualquer outro vilão.

Touchet, Super-boy lembrou-se que investira contra Teddy primeiro. Robin também sacara suas armas, e as apontara para o garoto. Realmente a argumentação de Billy era válida, e não tinha contra-argumentos para rebate-la.

O herói mirim tentava pensar em alguma resposta, mas só se aborrecia enquanto tentava. Cruzava os braços e ficava impaciente, olhava para Billy nos olhos, não sabia como responde-lo, optando por desistir.

-Eh... Sobre isso... Talvez você tenha alguma razão...

-Alguma?

-Tá bem, falha nossa na abordagem. Somos aprendizes, e não profissionais, ok? Desculpe-me por isso.

Todos no quarto se aquietavam, a discussão por hora estava encerrada. Super-boy olhava para todas as paredes e notava posters de Thor e da feiticeira escarlate. Estava emburrado, mas curioso com isso, então resolvia perguntar.

-Seu quarto é uma espécie de templo para esses heróis?

O rosto de Billy corava, nem percebera que tinha tantos objetos de seus ídolos. Pigarreava e olhava com pesar pras paredes, notando que tinha coisas em excesso.

-Eu os admiro, o que tem de errado?

-Nada de errado, mas quero que tenha fotos minhas, na sua parede também. Do contrário, vou morrer de ciúmes, Rock Star.

Teddy resolvera provocar um pouco o namorado, estava feliz que este o havia defendido-o de maneira ferrenha, diante as argumentações de Super-boy. Sorria feito uma criança, acariciando o parceiro nos cabelos e depois encostava os lábios suavemente nos dele.

-Teddy, aqui não...

-Ora, mas porque não?

Super-boy sentia-se constrangido por ver o casal de namorados, que demonstrava afeto sem nem uma cerimônia. Desviava os olhos para o Robin adormecido, suspirava um pouco e cruzava os braços. Queria saber por que não conseguia manter uma relação assim com seu parceiro.

Teddy notava a expressão decaída de Super-boy, percebera que ele se preocupava muito com Robin, e que esse laço talvez não fosse só amizade. Sentia um pouco(bem pouco) de pena do outro rapaz, então pensava em algo que pudesse faze-lo se sentir melhor.

-Ah... Connor, acho que o Robin vai acordar com fome, por isso vou na minha casa pegar algo para ele comer. Vou confiar em você e deixa-lo com Billy... Se fizer algo de mal a ele...

-Não tenho intenção nem uma de machucar seu namorado.

A resposta vinha tão rápida quanto a ameaça, Super boy ainda não se sentia bem ao ser chamado de Connor. Tentava se acostumar ao nome fantasia, prestando atenção para responder, quando chamado por ele.

Um último olhar de desgosto, e Teddy se voltava para o namorado. Beijava-o na face, e o abraçava pela cintura. Aproximava os lábios dos ouvidos do amante, e sussurrava algumas palavras.

-Pode ajudar a ele? Não sou tão bom com palavras quanto você.

Billy corava com o toque do amado, sentindo um calor passando por seu corpo. Assimilava a mensagem confidencial que Teddy passava, instintivamente voltava o olhar para Connor, ficando sem idéias do que fazer.

Bem depressa, Teddy saia do quarto e corria para a própria casa. Não sabia direito como lidar com as emoções de outras pessoas, mas tinha fé que o parceiro fosse melhor nisso. Resolvera abrir espaço e dar um tempo para que Connor conversasse com alguém, se assim desejasse.

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Billy estava parado no quarto, seu tornozelo o incomodava um pouco, olhava ainda com indecisão para Connor. Queria poder ajuda-lo de alguma forma, não sabendo direito qual meio seria eficiente para isso. Dava um passo na direção do garoto, mas acabava desequilibrando-se por conta da dor no pé.

Sentado e imóvel, com um olhar distante e distraído na janela. Connor não pensava em nada e em tudo ao mesmo tempo, seus pensamentos divagavam para todos os lados possíveis. Por reflexo notara a queda de Billy, correndo para impedir a ação, se levantando e o segurando nos ombros.

-Cuidado ai!

Antes de ir ao chão, Billy sentira que foi segurado e impedido de machucar-se. Estava grato à Connor, e um pouco sem graça por viver se machucando. Pigarreava um pouco e tentava manter-se em pé, mas o pé doía. Gentilmente o outro herói ofertava o banco perto da janela, para que pudesse sentar um pouco.

-Seu pé parece machucado, então acho que você precisa mais do banco que eu.

Robin e Billy eram muito diferentes, o garoto prodígio tinha um certo orgulho e decisão em suas ações. Nunca aceitaria ajuda daquela maneira, tudo seria tão mais fácil para Connor se a pessoa amada fosse um pouco mais amistosa, igual ao rapaz em sua frente.

Ainda com o olhar fixo em Billy, era notável que ele queria dizer algo. O corpo do herói estava inquieto, e o olhar girava para vários pontos no quarto. Finalmente o rapaz tomava coragem e abria a boca.

-Eu sei que isso é meio repentino... Mas parece que tem algo... Algo te chateando... Quer conversar sobre isso?