Notas iniciais
Awn, será que alguém vai ler? É um casal tão diferente *-* Só leio deles em romances ingleses, mas adoro!
Bom, o capítulo ficou um pouco fora dos meus padrões normais que eu escrevo, porque esse é bem menos narrativa e mais ponto e vista.

Eu tenho medo de baratas

(SaahYumiko)

-AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH...

Sim, eu sei o quanto é humilhante um jogador de futebol do primeiro ano do Ensino Médio ter medo de baratas. Mas só pra me justificar, elas são nojentas, asquerosas e voam! E essa em específico era enorme e está demarcando meu quarto como se fosse território dela. Óbvio que eu estava em cima da cama, como aquelas garotinhas assustadas que seguram a saia pra cima quando veem rato, porém não vai adiantar muito, porque a maldita, além de ter a cara do Leatherface sem máscara, ainda pode voar.

O bom é que ela finalmente pousou na minha penteadeira. O ruim é que qualquer coisa que eu pensei em usar como arma estava lá em cima. Ou seja, não havia jeito de matar aquela versão mini-Hitler a não ser que eu me aproximasse. O que não ia acontecer nem se chovesse Tsurugi’s. A não ser se fosse Tsurugi’s sem camisa... Ai talvez... Ahh bosta! Perdi o foco. Foco, Mitsuyoshi, foco. Ah sim, a barata.

Olhei para os lados, em busca de uma mínima coisa que eu pudesse usar como arma e meus olhos pousaram em uma bola de futebol no criado mudo. Bingo. Peguei o livro, sem perder o meu alvo de vista, agarrei a bola e vi-a mexer uma anteninha. Estava me provocando, né, desgraçada? Vou te matar. Outra anteninha se mexeu e eu vi que ela estava me provocando, então é uma guerra?

Fixei meus violetas nela. Coloquei a bola à altura dos meus pés, como eu estava em cima da cama as chances de eu errar era grandes, mas... Eu me posicionei e toquei com a ponta do tênis a bola. Encarei novamente aquela maldita alma enviada por satanás, e eu dei uma risada, a risada ecoou pelas paredes daquele quarto e naquele momento acertei a bola aos meus pés que voou em direção a barata.

A bola bateu na parede um centímetro ao lado da barata, naquele momento eu queria me matar com a lâmina do apontador de lápis. Bom, voltando, o impacto da bola assustou a barata que levantou voo e veio direto na minha cara, eu estava cercado, a única que me restava fazer é a mais humilhante e catastrófica das coisas. Sorte que minha dignidade não existia mais desde daquele dia da festa que eu dei em cima do Shinoyama. Então...

-AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH...

Até eu fiquei surdo depois dessa, mas nem deu tempo de pensar muito, pois depois de um segundo e meio a porta do meu quarto foi escancarada, o ser ignóbil pousou no meu livro, que por uma vez estava no meu criado mudo. Pela minha porta apareceu o meu querido capitão, Isozaki Kenma. Sorri desgostoso. O convidei para ficar aqui em casa de companhia enquanto meus pais viajavam. É, eu ia ficar roxo mais tarde. Bom, o fato é que Isozaki estava lá com uma calça de moletom azul e uma regata branca, colada ao corpo deixando perfeitamente desenhado o tanquinho perfeito e babável.

-O que aconteceu, Mitsuyoshi? –Perguntou ele em um tom preocupado enquanto olhava em cima da cama.

- Tem uma... Uma... – Ótimo, gagueja idiota. Como se a situação já não fosse constrangedora o suficiente. – Uma barata no meu livro. – Fechei os olhos esperando o golpe certeiro que me tiraria daquela vida, porque com certeza Isozaki me mataria por tê-lo preocupado a toa. Mas nenhuma bola perfurou o meu cérebro, e nenhuma soco acertou em algum órgão vital. A não ser que a morte fosse indolor, eu ainda estava vivo.

Abri um olho, ainda assustava, talvez ele estivesse afiando a faca ou recarregando a 9mm. Eu apenas encontrei meu capitão com uma sobrancelha arqueada e com um sorriso divertido naqueles lábios deliciosamente convidativos. Ah, se não fosse meu capitão.

-O que foi? –Perguntei saindo da minha posição defensiva que eu nem sabia que havia adquirido. Medo de morrer dá nessas coisas.

-Você tem medo de baratas, Mitsuyoshi? –Sua voz saiu como deboche, eu mirei seus ônix com hostilidade. Ok, eu tenho motivo pra ter medo dessa peste, olha pra ela, tão diabólica. Ele soltou um riso baixo quando sentiu meu olhar feroz.

-Não é uma barata qualquer! –Disse com convicção, minha voz saiu bruta, eu tinha que me defende, afinal, já não basta eu estar tremendo de medo de um inseto e me fazendo de idiota na frente do Isozaki. –Ela é inteligente, rápida, forte e quer dominar o mundo!

Ok, ele está gargalhando. Onde será que foi que eu exagerei? Talvez na parte do 'forte', baratas não são tão fortes assim, apesar daquela ter uns músculos tonificados nas patinhas marrons. Certo, mas gargalhar? Desde quando o Isozaki sabe gargalhar? Não era pra ele ser frio, insensível, grosso, distante, impotente, cruel, calado, arrogante, malvado, bonito, divino, gostoso, machão,... ‘Tá bom, eu parei. Desculpa o descontrole.

-Ela não tem nem três centímetros direito, Mitsuyoshi. –Respondeu ele, continuando a gargalhar como se ele estivesse no circo e o palhaço fosse eu. O que eu de fato era, mas nunca admitiria.

Cruzei os braços e fiquei lá, esperando o ataque de riso passar. Durou mais ou menos uns dois ou três minutos, mas passou.

-Então, já riu o suficiente? Se quiser eu pinto minha cara de branco e vermelho, ai ficamos quites. –Disse em tom óbvio de ironia, com os braços cruzados e a testa franzida em irritação. Ele começou a rir de novo, ótimo.

-Sua cara está impagável! –Disse entre risos enquanto tentava se recuperar, levou uma mão no torço, segurando-o firme e a outra nos olhos, limpando a lágrima que escorria. Ah, se eu não tivesse dó de estragar esse rosto tão perfeito. –Então, onde está a barata?

Eu apontei para o meu livro de matemática, não iria dar a ele o gostinho de ouvir minha voz, uma vez que eu ainda estava irritado e chateado de eu ser motivo de riso. Ele olhou a barata e, surpreendentemente, foi até a minha penteadeira e sentou-se com todo seu charme e esticou as pernas, como se estivesse naquelas casas cheias de gueixas que mafiosos costumam frequentar.

-O que está esperando? –Perguntei enquanto ele relaxava no banquinho, visualizando a barata. Ele iria matar a barata com o olhar? Agora ele era mutante? X-Men? Tinha visão de raio-x? Ah, vai tomar no cú.

-Coragem. –Como assim coragem?! É pra ele me proteger! E não pra ficar fugindo que nem uma menininha. Se bem, que eu estou fugindo que nem uma menininha, mas é diferente.

-Desde quando não é corajoso? –Perguntei com a sobrancelha arqueada, para um cara que quase explodiu o Tenma, ele tinha que ser um mínimo mais macho, né.

-Não estou esperando a minha coragem, Mitsuyoshi, a sua. –Ótimo. Que bom que ele está sentado então, porque ia ficar lá por um bom tempo. Esse não era o plano! Era pra eu ser uma vítima indefesa e ele ser o meu herói, e que belo herói.

Cruzei os braços novamente e o olhei sério e irritado. As esferas escuras encontraram meus violetas e ele sorriu sarcástico, também cruzou os braços, naquele momento eu tive a nítida sensação que ele me imitava.

-Não é justo, Isozaki! –Estiquei os braços para baixo e cerrei os punhos, logo bati o pé no edredom vermelho-violeta, em claro sinal de birra. Fechei a cara e fiz um bico com o lábio inferior, eu estava parecendo àquelas crianças mimadas que ouvem um ‘não’ dos pais. –Você tem que me proteger! Tem que matar a barata e dizer que me ama no final para vivermos felizes para sempre. –Quando terminei a frase, percebi que ele me olhava corado. Foi ai que eu tomei consciência do que diabos eu havia dito. Idiota! Você estragou tudo!

-Não vou levantar daqui até você matar essa barata. –Seu herói de araque! Que tipo de herói deixa a donzela indefesa sujar as mãos em uma luta? Só na mente de Isozaki mesmo.

Olhei para o meu capitão, e depois olhei para a barata. Acho que ficamos em silencio mortal quase uma hora, e nenhum dos dois mudava de posição. Talvez eles estivessem se comunicando psiquicamente pra ver até quando eu aguentava. Talvez eles estivessem juntos no plano de dominação mundial. Talvez eles fossem amigos. Arregalei os olhos, o perigo me cercava por todos os lados.

Se eu matasse a barata o Isozaki me atacava e se eu matasse o Isozaki a barata viria pra cima. Estava em duvida de qual dos dois eu sentia mais medo, mas percebi que eles estavam empatados nesse ranking. Então eu revi as opções, se eu atacasse o Isozaki, ele provavelmente se defenderia e a barata viria pra cima de qualquer jeito, já se eu atacasse a barata primeiro, talvez tivesse alguma chance. Além do mais, se eu matasse a barata primeiro, quem viria pra cima era o Isozaki super sexy e babável com aquela camisa. Certo, eu era idiota, mas nem tanto.

Suspirei fundo e desci na cama lentamente, estava me preparando mentalmente para ficar cara a cara com meu inimigo. Fui lentamente para o canto do meu quarto, sem movimentos bruscos, não quero que aquela coisa perceba meu plano. Isozaki apenas me olhava com um sorriso de canto, juro que ele estava parecendo àqueles pervertidos que vê as moças fazerem polidance. Peguei minha pantufa de urso panda. Ai, meu lindo ursinho, desculpa por isso.

Fiquei em posição de ataque, a barata estava ali, pousada no livro, balançando suas anteninhas. Estava semi-pronto para dar a chinelada e quando bati o chinelo no livro, pro meu terror a barata começou a voar em direção a mim com sua força descomunal e suas patas peludas estranguladoras.

Soltei um grito de horror como o de alguém que estava sendo esfaqueado como ao filme Pânico, a última coisa que me lembro de é me inclinar pra trás a fim de me esquivar do ataque mortal da barata e o legal é que eu não consegui voltar. Depois eu só senti uma tontura na cabeça como se meu cérebro deslocasse de lugar e pronto, quando vi, eu tava no chão.

Olhei para Isozaki. Ele estava praticamente chorando de tanto rir da minha situação. Oh desgraçado, não está vendo que eu estou caído? Eu posso ter uma hemorragia cerebral, um traumatismo craniano, vem me acudir idiota, idiota gostoso.

Eu me levantei e comecei a correr pelo quatro gritando, mas ela me seguia, sedenta por sangue. Em algum canto do quarto eu ouvia as gargalhadas quase maníacas de Isozaki, mas não tinha tempo de olhar. Devia ter olhado já que, em algum momento da correria eu tropecei no pé da penteadeira e cai em cima de Isozaki, que por sua vez caiu do banquinho. E eu cai em cima dele, o idiota ainda estava rindo descontroladamente daquela estúpida situação. Eu ia me levantar, mas quando vi a barata deu uma rasteira no meu cabelo, me obrigando a me aproximar ainda mais daquela boca cheia de dente que apenas ria.

Estranhamente quando fiz isso ele parou de rir, apesar de ainda manter um sorriso nos lábios. E que lábios. Suas esferas miravam intensamente nas minhas. E que olhos. Eu estava tão perto que podia sentir seu hálito de chiclete de morango que ele mascava há pouco. Certo, ou o oxigênio foi retirado bruscamente do mundo, ou eu não conseguia respirar.

Ele era tudo de bom e mais uma pouco. Um sonho de consumo. O cara mais fodasticamente perfeito que eu já tive o prazer de admirar de perto. Acho que me apaixonei.

Senti um braço masculino e forte rodearem a minha cintura e meu coração falhou uma batida. A outra mão segurou o meu rosto e me aproximou daquele sorriso magnífico. E eu estava hipnotizada, completamente sem rumo, olhando para os olhos convidativos dele. Então eu simplesmente fechei os olhos aproveitando daquela situação deliciosa, quando finalmente senti seus lábios nos meus.

Começou bem calmo. Eu sentia várias baratas voando em meu estômago, visto que era meu primeiro beijo. Sua outra mão foi novamente para a minha cintura e ele segurava firmemente com as duas mãos e eu entreabri a boca para receber aquela língua aveludada que passeava por todos os cantos da minha boca.

Isozaki beijava muito bem. Imaginam quantas mulheres (ou homens) ele levou a loucura com aquela língua dele, mas eu não queria dividir ele com ninguém, seja o sexo que for, eu queria ele só pra mim.

Mas aquele minuto infinito que nos beijamos tinha que acabar. Foi ele que separou a boca da minha, me deixando na sensação de quero mais. Abri os olhos e me deparei novamente com o olhar hipnotizante dele, ele ainda sorria, eu devia estar mais corado que um tomate.

-E-Eu n-não s-se... p-perdão! –Eu não entendo porque gaguejava, eu sempre foi tão extrovertido, o que será que esta acontecendo comigo?

Eu tentei me levantar, mas pude notar que suas mãos ainda seguravam minha cintura, colando nossos corpos em um encaixe delicioso. Maldita barata que nos deixou nessa situação adorável, mas constrangedora.

Por falar no monstro voador, fazia um tempinho que ela não praticava seus planos o mal comigo e estranhei isso. Isozaki também notou a falta da barata, já que ambos estávamos procurando um ponto marrom pelo quarto. E lá estava ela, sorrindo para a gente da janela do quarto e levantou voo e saiu dali. Com certeza para dar uma de barata-cupido em outra casa.

-E então? –A voz grave de Isozaki veio debaixo de mim e eu corei ao sentir sua respiração no meu ouvido. –Ainda tem medo e baratas?

Eu estremeci só de ver seu sorriso, corei mais ainda quando senti que ainda estava em cima dele e me levantei rapidamente, segurando seu braço e o puxando para levantar-se também.

Não respondi à sua pergunta, eu apenas o mirei nos olhos e sorri. Desde quando eu sorria que nem idiota pra ele? Ótimo, me internem, porque eu acabei de perder completamente a sanidade. Mas isso parecia agradar meu capitão, já que ele sorriu ainda mais e me trouxe novamente para mais perto, para seus lábios de novo.

Talvez fosse início de alguma coisa, talvez fosse apenas um segredo que ele e eu compartilhamos. Nada disso importa naquele momento. Segurei em seus ombros e correspondi ao beijo, dessa vez eu já tinha certa noção de como funcionasse a coisa. Minha mente estava em branco, vazia. Eu tinha que agradecer àquela barata.

Após longos minutos, ele separou seus lábios dos meus e me olhou. Eu sei que tinha um rubor em meu rosto, afinal, ainda era iniciante. Ele encostou a minha testa na dele e sussurrou.

-Me chame se vier outra barata. –E depositou um beijo em minha testa antes de se virar e sair do quarto, me deixando totalmente atordoado e corado. Eu fiquei olhando para a porta de madeira que nem retardado e sorri.

Por favor, que apareça outra barata!

Fim

Notas finais
E então? O que acharam?
As palavras não ficaram muito boas, porque eu fiz essa coisa quando era de 3:00 da manhã, junto com meu trabalho de neurologia -o-
Espero que gostem *-*
Sabem como eu sou!
!Flores ou Pedras!
.Reviews.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!