Eu Te Odeio Porque Te Amo!
29 Ser ou não ser? Eis a questão...
Notas iniciais
PDV SOPHIE...
Dois dias já haviam se passado desde o ultimo dia na casa de praia. Nade de demais aconteceu no decorrer desses dias. Hoje era Quinta-feira, faltava apenas mais um dia pro baile. Não que eu esteja ansiosa porque acredite, eu não estou. Não sei onde que eu estava com a cabeça quando aceitei o convite do Lucas. Eu agora sou outra pessoas, outra Sophie, e essa Sophie não vai pra bailes de boas vindas. Esses bailes só servem pra definir quem você vai ser ao decorrer do resto do colegial. Miranda faz seu “recrutamento” das novatas no baile, os atletas escolhem qual garota vai ser o alvo do ano, quem iram zoar, com quem iram se enturmar, tudo isso em apenas uma noite. E é claro, a coroa idiota de rainha do baile. Quem ganhar a coroa é dona da escola, é a mais bonita e é a que todas admiram. Mantive esse cargo por 2 anos, mas não é nada que eu queira comentar.
(...)
Bebia meu suco de caixinha olhando Jade, Luke e Jake conversarem sobre algo que não estava prestando atenção. Depois daqueles dias na casa de praia Jade e Luke então ainda mais próximos, deixando eu e o Jake para trás. Não que eu me importe.
Depois de tudo na casa da praia Jake e eu voltamos ao normal, brigando e implicando sempre. Pelo menos por fora era o que acontecia.
–Você vai não é Sophie? – Jade se referia ao primeiro jogo do Jake como integrante do time de futebol.
–Você acha que eu perderia ver o Jake perder? Ou pelo menos ser espancando pelos zagueiros do Weastlee? –Sorri. Ele me lançou um olhar feroz.
–Sinto muito desapontar você Sophie, mas eu não perco. E nem apanho. – Ele sorri perverso. – Eu ganho e bato.
–Sua autoconfiança é impressionante. – Falo irônica. – Uma pena serem apenas palavras.
–Você duvida de mim? – Ele arqueia as sobrancelhas.
–Quero ver na pratica. – Sorrio diabolicamente. Sem chance, o time de Weastlee tem os maiores e violentos jogadores, podem não ser os melhores, eles sempre perdem, mas sempre deixam a marca em algum, sempre a briga. Jake não tem chance.
–Jake não caia na provocação dela, você não vai querer um briga com Weastlee. – No fundo eu sabia que Luke se divertia com aquilo.
–Vamos ver. – Jake me lançou um olhar desafiador, na verdade eu acho que era pra ser um, ele não olha mais nos meus olhos.
O sinal para voltar ás aulas tocou logo em seguida.
PDV JAKE...
Simplesmente era assim ela me desafiava e eu caia, mesmo sabendo que era uma burrada. Esses dias na casa de praia me fez muito mal. Fiz coisas que não devia ter feito, senti coisas que não devia ter sentido, soube coisas que eu não deveria saber. Como que eu posso odiar uma pessoa se eu sei da sua dor? Do seu desespero? Se eu sei que tudo o que ela mostra ser é apenas uma barreira para não sentir a dor?
Refleti sobre isso esses dois dias, e não deu em porra nenhuma. Não pensem que estou apaixonado ou gostando ou qualquer coisa do tipo por ela. Eu não estou não sou capaz de sentir esse tipo de coisa. Eu não posso ser capaz, não de novo.
(...)
Porque que a cenoura que é laranja não se chama laranja e a laranja que é amarela se chama de laranja? Quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha?
Era tudo o que se passava pela minha mente enquanto almoçava. Minha mãe gostava de aproveitar quando meu pai estava em casa em hora de almoço para fazer comidas especiais e juntar a família.
–O Baile é esse sábado certo? – Assenti. – E quem você vai levar Jake?
Minha mãe as vezes era tão sem noção. Que mãe fala com filho sobre bailes de escola.
A olhei com a cara de “sério mãe?”
–Sophie, você vai levar a Sophie não é JJ? – Eu não enxerguei a minha irmã nessa hora. Eu queria dá nela agora mesmo. Porque ela tinha que mencionar a Sophie no meio da porra do almoço em família e ainda usar esse apelido de bosta.
–Você convidou a Sophie? – Vi os olhos da minha mãe brilhar.
–Quantas vezes eu já disse pra você não me chamar de JJ porra! – Falo com raiva e minha irmã se encolher na cadeira.
–Não fale palavrão na frente da sua irmã Jake. –Minha mãe me repreende.
Meu pai olha pra mim com a sobrancelha arqueada.
–Você chamou a Sophie ou não?
–Claro que não pai, porque eu faria isso? – Disse como se fosse obvio.
–E quem você vai levar?
–A Miranda logico.
Minha mãe fez careta. Ela não gostava muita da Miranda.
–O seu jogo é amanhã certo? – Meu pai muda logo de assunto.
–Sim.
E o rumo da conversa vai para o meu grande jogo contra weastlee amanhã.
PDV SOPHIE...
Sophie! Sophie!
Acordei com alguém gritando o meu nome. Abri os olhos lentamente, peguei meu celular debaixo do travesseiro e olhei a hora. 6:00 horas. Caralho porque a Harper tá me acordando essa hora?
–Porra Harper o que foi? – Digo abusada.
–Seu irmão está lá em baixo querendo falar com você. – Sua expressão era séria. Ela saiu do quarto logo em seguida.
O que é que Sammy quer comigo a essa hora da manhã?
Levantei-me e fui ao banheiro e escovei meus dentes. Não iria trocar de roupa nem tomar banho agora. Desci as escadas lentamente, não estava com pressa.
Sammy estava em pé ao lado do meu pai na sala de estar, nenhum dos dois estavam com uma cara boa.
–Quê que foi agora? – Pergunto um pouco irritada.
–Bom dia Soph.
–Não começa Sam, fala logo o que é que é tão importante pra você me acordar a essa hora?
Ele olha pra o meu pai. Meu pai está totalmente sem expressão alguma no rosto, como na maioria das vezes.
–Bom... Estou indo pra Nova Jersey.
–O que você vai fazer lá? – Pergunto sem muito interesse.
–Er... – Seus lacrimejaram. – A... Mamãe vai precisar ser transferida de hospital, seu caso não está um dos melhores e eles não tem mais recursos para trata-la.
Fiquei quieta, sem emitir nenhum som, sem expressar nada.
Aquele hospital é um dos melhores de Nova York , como não teriam recursos para tratar dela?
–Ela piorou não foi? – Engulo em seco com medo da resposta.
–Ela está com um tumor no pulmão. – Lagrimas correm pelo seu rosto agora.
Ainda continuo quieta. Por fora não expresso reação nenhuma, mas dentro, dentro minha alma grita de dor, eu quero chorar até morrer. Olho para o meu pai, seus olhos estão cheios de lagrimas e uma desce pelo seu rosto. Eu sei que ele se arrepende, eu sei que ele sente culpa, eu sei que ela a amava mais que tudo, e eu também sei que ele também sente a minha dor, a dor do Sam, talvez ele sinta até pior. Eu sei que ela precisa de mim. E eu preciso ser forte, não quero sentir a dor da perda de novo, eu preciso não ligar.
–Quero perguntar se você quer ir comigo. – Eu o olho e vejo cansaço nele. – Todas as vezes que eu vou visita-la ela pergunta por você Sophie. Ela sente a sua falta.
Engulo em seco. Não posso chorar.
–Desculpa, eu não posso. – Minha voz sai como um sussurro.
–Como não pode? – Ele grita com raiva. – Eu já estou farto de você menina, desse seu orgulho, dessa sua raiva, dessa sua magoa. Estou farto de ter que carregar isso sozinho, você também é filha dela. Eu não posso obrigar você a não odiá-la, mas você tem seu dever como filha. Esse seu orgulho não vai levar você a nada, só vai te deixar vazia, ainda mais do que você é. – Eu estava em choque, ela nunca tinha falado assim comigo. – Ela vai morrer agora, vai morrer com a culpa por nada, ela vai morrer sem o amor da filha, ela vai morrer por causa do seu orgulho e da sua mágoa. Ela vai morrer por sua culpa.
Subo as escadas correndo, não consigo mais escutar mais nada. A verdade dói em mim como se vários pequenos cacos de vidro perfurassem meu coração lentamente, como uma tortura. Eu não conseguia chorar, eu não consegui sentir. Eu estava vazia agora.
Tomo um banho lento, sem pressa alguma. Visto-me (http://www.polyvore.com/sem_t%C3%ADtulo_432/set?id=104748863), penteio meus cabelos e faço uma trança, paço delineador nos olhos e perfume.
Ainda não sinto nada. Ainda não quero chorar, mas a dor é quase que insuportável.
Desço lentamente as escadas, escuto Harper falar alguma coisas, mas apenas digo pra ela que vou andando.
Talvez andar faça amenizar a dor.
(...)
O resultado de ir andando pra escola, foi nada, a não ser o meu atraso se 30 minutos.
–Está atrasada senhorita Jobs. Mas ainda está no limite, vá direto pra sala. – O Sr. Maicon, o porteiro era um cara legal, ele sempre acobertava minhas saídas no meio das aulas.
Fui direto para o meu armário, peguei o didático de sociologia e fui com calma até a sala do professor Martin.
Ao abrir a porta da sala todos olharam pra mim e o professor Martin parou de falar e dirigiu-se a mim.
–Atrasada senhorita Jobs. – A voz dele era Sexy. O professor martin era o mais bonito e cobiçado entre as professoras e funcionárias e algumas alunas até, mas todos sabem que ele só tem olhos para Amber do terceiro ano.
–Pois é. – Digo ainda parada na porta.
–Ok, Por favor sente-se, estamos no ato lll.
Corro meu olhar pela sala e ele se encontra com o do Jake que na mesma hora eu desvio. Jade não tem essa aula comigo.
–Ok.
Sento-me numa cadeira no fundo e faço o que ele mandou.
E eles recomeçaram a leitura.
...
–Sophie leia a próxima fala por favor.
Suspiro antes de começar.
– Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre na mente sofrer as pedras e setas da fortuna enfurecida ou tomar de amas contra um mar de provações e em oposição pô-las a termo? Morrer, dormir, não mais, e supor que com um sono eliminemos a dor no coração e as mil mazelas naturais de que a carne é herdeira. – Fiz uma pausa. O cacos de vidros tentaram acertar meu coração novamente. — É uma consumação a ser devotamente desejada. Morrer, dormir... Dormir! Porventura sonhar: sim, eis o problema, já que nesse sono mortal os sonhos que possam sobrevir, quando já livres deste turbilhão da existência, devem fazer-nos hesitar: eis o respeito que dá vida tão longa à calamidade, pois quem suportaria o açoite e o escárnio do tempo, o agravo do opressor, a arrogância do orgulhoso, as chagas do amor desprezado, a tardia da Lei, a insolência da autoridade e o desdém que têm pelo mérito paciente os indignos, quando ele próprio poderia seus quietos engendrar, com um simples furador? – Suspirei novamente antes de prosseguir. — Quem carregaria tais fardos, grunhindo e suando sob uma vida fatigante, não fosse o pavor de algo após a morte! Da terra inexplorada de cujas raias viajante algum retorna, a confundir a resolução, e fazer-nos antes suportar as dores que temos que voar até outras as quais ignoramos? Assim faz a consciência de todos nós covardes, e assim o matiz saudável da determinação é acometido pelo pálido verniz da cogitação e empresas de grande vigor e importância, com tal consideração, seus cursos desviam-se do rumo, e perdem o nome de ação. Cala-te agora! A bela Ofélia Ninfa... Em tuas orações sejam lembrados todos meus pecados.
Assim que terminei e finalmente olhei pra a classe, todos olhavam pra mim. Professor Martin olhava fascinado pra mim. A sala estava em silencio absoluto. Até o professor Martin bater palmas.
– Parabéns Sophie, foi impressionante. Você lê com a sua alma, você se emociona. Eu poderia te dar A somente por essa leitura. Você lê como se soubesse e sentisse cada palavra. Isso é fascinante. – Eu devo ter corado com as palavras dele, mas eu não liguei, pois, uma lagrima pingou no meu livro me fazendo perceber que estava chorando.
Eu ainda não sentia nada a não ser os vidros tentando perfurar meu coração.
(...)
Trin, trin, trin...
As pressas as pessoas iam saindo de sala para o intervalo. Mas eu não tive pressa. Me levantei devagar como um zumbi e fui andando até a porta da sala, mas eu fui parada no meio do caminho pela ultima pessoa que eu queria ver, ou falar no momento.
Jake parou na minha frente me empatando de passar.
–O que você quer garoto? – Digo irritada.
–Posso saber por que se atrasou? – Ele não pareceu ter certeza do que perguntava.
–Sério? Poupe-me Jake. – Disse empurrando ele da minha frente e andando pelo corredor.
– Porque você chorou? – Ela parou na minha frente novamente. Ele encarou meus olhos pela primeira vez em 2 dias.
– Gosto de Hamlet. – Disse simplesmente. Não diria a verdade, mesmo sabendo que talvez se eu dissesse pra ele, ele faria passar a dor como na casa de praia.
–Tem certeza? Você não parece que chora com livros. – Ele arqueia as sobrancelhas. Droga, Jake e as suas crises de bipolaridade.
Eu iria responder se não fosse a Miranda(http://www.polyvore.com/miranda/set?id=104751985 ) que tivesse pulado em seu pescoço e lhe dado um beijo na bochecha.
–Oi lindinho. – Ela lhe deu um selinho.
–Oi. – Ele sorrio pra ela.
– Sophie. – Ela pareceu me notar.
–Se me dão licença, não quero ficar pra ver o sexo explicito de vocês. – Digo com humor. — Vejo você perder no jogo Jake. – Sorrio maldosa e vou em direção ao refeitório.
Às vezes minha mudança de humor me surpreende.
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