Eu Te Amo, Amy - CIP
1 Capítulo Único - Eu te amo, Amy
Reagan estava saindo da boate ao fim de mais uma ótima noite de trabalho como DJ e se sentindo muito bem com pelo sucesso de sua performance, mas sua paz estava prestes a cair por terra graças a uma garota irritante sentada de braços cruzados no capô de seu carro.
— O que faz aqui, “Carmen”? — perguntou a DJ, tentando parecer calma.
— Pela milésima vez, o meu nome é Kar-Ma. — replicou a ruiva entredentes. — E eu vim aqui falar com você.
— Oh uau. Eu to super ansiosa pra conversar com a minha não amiga mais instável em um estacionamento deserto as quatro e pouco da manhã, mas infelizmente eu tenho mais o que fazer tipo ir pra casa. Tipo dormir. — disse Reagan em tom irônico. — Eu agradeceria se descesse do capo do meu carro.
— Você me acha instável, garota? Fique sabendo que você ainda não viu nada. — Karma saltou do capô com os olhos muito abertos e apontou o dedo na cara de Reagan. — Escuta aqui, eu vou dizer só uma vez, sua vadiazinha de quinta categoria: fica longe da Amy.
A DJ ignorou seu coração acelerado e o medo crescente, forjou um sorriso debochado e respondeu. — Eu não vou ficar longe da minha namorada, “Carmen”. Pode ir se conformando com o nosso namoro por que já tá começando a ficar patético isso. Você perdeu, ruivinha. Aceita que dói menos.
— A Amy é minha! Sempre foi e sempre vai ser. Ela vai voltar pra mim mais cedo ou mais tarde. — a Ashcroft replicou fechando os punhos com tamanha força que as unhas cravaram na pele da mão. —Só que vai ser muito melhor pra você se ficar fora do nosso caminho.
Reagan tomou ar para responder, mas outra voz soou na escuridão do estacionamento, interrompendo a conversa. — O que é que tá acontecendo aqui?
— Amy? O que faz aqui a essa hora? — as outras duas perguntaram quase em uníssono.
— Eu vim te fazer uma surpresa, amor. — a Raudenfeld respondeu, passando por direto por Karma para beijar a namorada.
— Amor, a sua amiguinha “Carmen” veio aqui me dizer pra ficar longe de você, acredita? Mas pelo que parece você não tá muito a fim de ficar longe de mim, né? — a DJ passou os braços ao redor da loira e lhe beijou a bochecha.
— Isso é verdade, Karma? — Amy olhava para Karma com um semblante tão sério que a deixaria intimidada se ela estivesse com a mente estável.
— Amy, você me ama. Eu sei que ama. Volta pra mim. — Ela implorou em desespero.
— Eu nunca vou deixar de te amar, Karma, mas só como amiga. Você precisa entender isso. — A loira respondeu tentando não se exaltar com a toda a situação. — Tivemos milhões de chances pra dar certo e você não quis. Agora já é tarde pra sermos algo mais.
— Eu estava confusa e assustada...
— Só que eu também tava! — Amy interrompeu ainda fazendo esforço para não gritar. — Te pedi pra enfrentarmos isso juntas e você fugiu, me deixou sozinha. Não vou te agradecer porque sofri muito, mas era pra ser assim mesmo. E foi bom. Eu encontrei o meu porto seguro na Reagan e nós nos fazemos felizes agora. Você também vai achar o seu quando entender que o meu é ela. Espero de coração que seja feliz.
— Você vai me pagar por isso, vadia. — Karma não falava com loira, e sim, com Reagan, olhando-a com todo o ódio que conseguir transmitir. — Guarde as minhas palavras, você vai se arrepender do dia em que cruzou o caminho da minha Amy.
Dito isso, a ruiva sumiu pela escuridão da noite, deixando apenas o som de seus passos fortes ecoarem pelo estacionamento vazio.
— Amy, você acha que ela vai mesmo fazer alguma coisa? O jeito que ela fala me dá até arrepios na espinha. — disse Reagan ainda com os braços ao redor de Amy.
— Relaxa, amor. A Karma tem ideias mirabolantes de vez em quando, mas é inofensiva, ela só precisa de tempo pra se acostumar com a gente. — respondeu a loira virando-se de frente para a DJ. — E arrepios eu que vou te causar quando chegarmos na sua casa e você vai gostar muito deles.
Reagan se permitiu relaxar quando os lábios de Amy tocaram os seus de forma suave e carinhosa, ainda que bem sexy.
Dois Meses Depois...
Farrah já tinha aceitado, mesmo que muito relutante, a sexualidade de Amy e começou até a se acostumar com Reagan frequentando sua casa. Era uma boa garota e elas até tinham longas conversas quando a firmeza da DJ em certas pautas feministas permitia que achassem algum assunto para debater sem discutir.
Com isso, Amy se sentia bem mais segura para ser quem era e expor o seu amor, então o facebook e o instagram ganhava novas fotos, gifs e pequenos vídeos Reamy praticamente todo dia, já que as duas adoravam fazer coisas juntas, embora brigassem pelo menos 35% do tempo.
Com Liam Booker longe em um colégio de artes, Karma não tinha mais nada para gastar seu tempo além de fuçar as redes sociais da ex-melhor amiga e ficar criando fakes para mandar mensagens ameaçando Reagan.
A DJ já havia decidido inúmeras vezes denunciar Karma à polícia, mas cedia quando Amy pedia para deixar para lá, dizendo que aquilo tudo era só fogo de palha e que qualquer dia desses a ruiva retornaria a sua antiga obsessão: ser popular.
Mas infelizmente, ela estava errada.
Como geralmente fazia as terças-feiras (suas folgas no emprego de garçonete), Reagan estava acompanhando Amy até Hester High a pé para terem mais tempo juntas. Karma estava em seu carro no estacionamento da escola e observou de longe a cena desde chegada do casal, o beijo de despedida e a DJ se afastando da loira.
A Ashcroft já havia se imaginado fazendo aquilo centenas de vezes antes e ali ela viu a oportunidade perfeita, sua mente estava perturbada demais para discernir o certo e o errado. Sem se dar tempo para mudar de ideia, virou a chave na ignição e acelerou em direção a Reagan.
A cena a seguir foi muito rápida, a ruiva estava com os olhos tão vidrados na DJ que não percebeu que Amy observava sua namorada indo embora e viu o carro se aproximando em alta velocidade a tempo de correr para empurrá-la, mas não conseguiu sair do caminho e foi atingida com toda força, voando alguns metros à frente e capotando do chão, deixando grandes manchas de sangue por onde quer que tocasse.
Em poucos segundos uma rodinha já havia se formado ao redor da Raudenfeld, Reagan logo saiu empurrando todo mundo e se ajoelhou ao lado dela, se inclinando sobre ela para deitá-la direito, porém foi interrompida Lauren.
— Quer matar a minha irmã, sua idiota?! Não mexe, você pode agravar alguma lesão! — Gritou ela com seu típico jeito autoritário, dessa vez com um toque de desespero. — Ninguém vai toca nela! Lisbeth, liga pra ambulância AGORA!
Enquanto Elizabeth obedecia a ordem, Shane ligou para a polícia, pois aquilo claramente havia sido proposital.
Karma estava tão atônita pelo fato de ter atropelado Amy que ficou parada ainda com as mãos no volante e o olhar vidrado até que os policiais chegassem e a removessem do carro, levando-a para a delegacia, onde ela acordou de seu torpor e começou a chorar de desespero.
O caso de Amy era muito grave, da ambulância ela foi levada para a sala de cirurgia assim que chegou ao hospital. Ferrah, Lauren, Reagan e Shane tiveram que ficar aguardando notícias na sala de espera por horas.
Longas e torturantes horas.
— Alguém aqui é parente de Amy Raudenfeld? — disse um médico, finalmente, fazendo os quatro se levantarem mais rápido que uma piscada. — Todos são parentes?
— Eu sou a mãe.
— Irmã.
— Namorada.
— Irmão.
— Não é não. — Lauren desmentiu Shane na cara dura.
— Foda-se a porra do parentesco, quero saber como está a minha melhor amiga. — O garoto resmungou indignado. — Pode anotar aí, doutor. Irmão.
— Tudo bem? — o médico perguntou à Farrah sem vacilar o tom sério e calmo, já estava acostumado com pessoas desesperadas na sala de espera do pronto-socorro.
— Sim, eles são muito próximos, acho que podemos considera-los irmão e irmã. — ela respondeu, mais interessada em acabar com a confusão para saber logo qualquer notícia.
— Certo. — antes de prosseguir, o doutor pigarreou e passou a mão pelo cabelo, tirando a touca cirúrgica. — Eu não posso mentir, a situação da senhorita Raudenfeld é grave.
— Ela corre o risco de... o risco de... — Farrah não conseguia nem concluir a frase, dava pânico só pensar na possibilidade.
— De morte? Não mais senhora. Felizmente, nós conseguimos estabilizá-la antes que perdesse mais sangue e ficasse em um estado crítico com riscos maiores. — tranquilizou-a.
— Oh, graças a Deus.
— Mas... É com pesar que digo, ela sofreu danos gravíssimos na coluna e, como vocês já devem ter presumido ao ouvir isso, a senhorita Raudenfeld não conseguirá mais andar.
— O que? — todos exclamaram ao mesmo tempo.
— Para ser mais específico, ela não vai poder mover ou mexer as pernas nem os pés.
— Mas... Mas... — Farrah sentia como se o chão tivesse sumindo sob seus pés. — Ela é só uma menina, esse tipo de coisa não devia acontecer com alguém tão jovem.
— Eu sei, mas infelizmente aconteceu. — disse o doutor, ainda em seu tom ameno. — A boa notícia é que apesar de ter perdido dos movimento, a senhorita Raudenfeld ainda mantem sensibilidade nos membros inferiores. Se quiser, podemos sentar e eu explico com mais detalhes o que aconteceu com a coluna da sua filha e os danos que isso causou.
— Sim, por favor. — Ela pediu, devastada e em choque demais até para chorar.
O médico explicou em termos simplificados a nova condição de Amy e enfatizou que ela precisaria do máximo de apoio ao voltar para casa para não desenvolver depressão ou qualquer outra doença psicológica, recomendando acompanhamento de um profissional de saúde mental para todos nessa fase difícil que estavam prestes a enfrentar.
Cinco Meses Depois...
Karma perdeu o que restava de sua sanidade ao saber que causara não só a quase morte da ex-melhor amiga, como também sua paraplegia permanente e precisou ser internada em um hospital psiquiátrico ao invés de pegar a real pena de cadeia pela tentativa de homicídio contra Reagan.
Farrah, Lauren, Reagan e Shane ficaram muito abalados, mas ajudaram Amy a se adaptar à nova vida como puderam e ela realmente estava se saindo bem, aprendendo rápido como se virar com a cadeira de rodas e ganhando força nos braços para precisar do mínimo possível de auxílio.
Todas a acharam tão forte pela forma como ela estava lidando com a situação de cabeça erguida. Só Reagan percebeu que sua antiga Rainha do Sarcasmo ficava mais e mais para baixo. E àquele dia, quando estava sozinha com a loira no quarto, finalmente decidiu dizer alguma coisa sobre isso.
— Amy, meu amor.
— Sim?
— Você está tão triste. — Afirmou em tom delicado, tentando ser o menos invasiva que conseguia. — Não quer conversar comigo?
— Eu to bem.
— Mas tá triste. Sei que tem alguma coisa presa na sua garganta querendo sair, porque eu te muito bem conheço, Amy Raudenfeld. — Sentenciou, firme.
— É só que... — Amy hesitou, respirando fundo e desviando o olhar para suas próprias meias. — Eu não só to paraplégica. Eu sou paraplégica. Pra sempre. Sei que você tá aqui comigo agora, me ajudando e tal, mas você é jovem. Eu não quero ser um fardo de namorada que você vai ter que carregar pro resto da vida.
— Você acha mesmo que é isso pra mim? Um fardo? — Reagan estava tão em choque com aquela confissão que nem sabia como reagir.
— Qual é? Não usa esse tom de surpresa. — a loira resmungou, voltando a encarar a DJ. — Você tá vindo aqui todo dia só pra cuidar de mim e me ajudar a aprender de novo a fazer um monte de coisinhas simples que qualquer outra garota normal faz sozinha.
— Eu acho que além dos movimentos das pernas, você deve ter perdido uma parte da memória nesse acidente, garota camarão. — ela replicou, agora deixando transparecer ainda mais sua indignação.
— Como assim?
— Você mesma disse há uns meses atrás: “Eu encontrei o meu porto seguro na Reagan”.
— Sim, eu me lembro disso.
— Então porque duvida de mim agora que posso por isso a prova? Ninguém me obrigou a ficar do seu lado, eu fiquei porque quis. Eu sempre quis estar aqui por você momentos bons e ruins. Meus planos eram passar o resto da minha vida com você pra construir nosso futura juntas e falhar juntas. Eu queria comemorar o seu sucesso no emprego ou te acalmar quando os seus colegas de trabalho te deixaram putaça. Ficar coladinha com você nos seus dias mais carinhosos e aturar as suas TPM’s. Tentar não ser assassinada no tempo entre o seu mau-humor matinal e uma refeição tranquila depois de você tomar a sua dose de café. E meus planos continuam sendo passar o resto da vida do seu lado, só que com dificuldades diferentes. Acha mesmo que eu iria simplesmente te abandonar?
— Não! Eu só...
— Se você precisa que eu fale com todas as letras, eu falo: Você não é e nunca vai ser um fardo pra mim, garota camarão. — Reagan fez questão de olhá-la nos olhos para enfatizar a intensidade que seu tom já demonstrava. — Eu te amo, entendeu? Eu te amo mais do que tudo e qualquer coisa no mundo. A minha vida passou a ser linda e feliz de verdade só quando você passou a fazer parte dela. Eu não vou abrir mão de você por nada. Nunca!
— Eu... — os lábios de Amy tremiam e as lágrimas começavam a turvar sua vista, ela sentia toda a sinceridade de sua namorada inundar seu coração, seu cérebro não conseguia nem formular palavras o suficiente para expressar o que estava sentindo, as únicas que saíram de sua boca foram. — E-eu também te amo, Reagan.
Reagan sentou no colo de Amy na cadeira de rodas, encostou a testa na dela enquanto acariciava o cabelo loiro com as duas mão, então sussurrou. — Nunca vou te abandonar. Nunca, nunca. Vou estar aqui aconteça o que acontecer.
— Então que comece o nosso sempre. — Amy sussurrou de volta inclinando a cabeça e beijando Reagan.
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