Notas iniciais
Aqui o one shot de comemoração dos 250 comentários da minha outra fic, 'Depois de Tanto Tempo'. Eu quis escrever sobre um assunto que eu acho que não foi muito explorado tanto no anime quanto no mangá, como o Ciel passa pela puberdade e essas coisas sobre o próprio corpo, quando a gente não gosta de alguma coisa dele, ou ele todo né, e quer mudá-lo. Ele não tem mãe nem pai (TADINHO) para conversar dessas coisas com ele, entããão por que não né? Ah, e eu coloquei também um personagem que só aparece no mangá, então se alguém não conhece ou não sabe muito dele, desculpa!!! Espero que voces gostem (e é bom mesmo que eu levei tres dias para escrever!!)!

A neve caia suavemente contra a janela do quarto do conde, quem encarava o mordomo a seus pés com olhos cansados. Era final de novembro e o inverno era rigoroso nos arredores de Londres, mas nada insuportável para o nobre, já que tinha mais do que maneiras suficientes para se manter confortável.

Já com treze anos, quase quatorze, Ciel Phantomhive encontrava-se numa fase importante de sua vida, lidando com várias mudanças em seu corpo (mesmo que muitas delas não são percebidas por ele).

Uma das mais notáveis sendo seu aumento de apetite, que, na opinião pessoal e secreta de Sebastian, era adorável.

O jovem rapaz passará a repetir seu prato de janta, mesmo tendo um farto lanche da tarde, e, de vez em quando, até mesmo do almoço. O demônio ainda se lembrava de seus primeiros dias na mansão, quando o menino tinha que se esforçar para comer um prato completo.

Com mãos ágeis e gentis, Sebastian sorria para si mesmo ao ver seu mestre segurar um bocejo enquanto desabotoava o paletó do mesmo.

“Cansado, Jovem Mestre?” Perguntou, dobrando a peça azul delicada, agora se movendo para as botas altas e as meias pretas.

“Não.”

O mordomo assentiu, notando que era a verdade. Afinal de contas, seu mestre estava adquirindo um gosto por dormir, ou seja, mesmo que não estivesse cansado, bocejaria e diria que estava com sono. Outro traço normal de sua idade.

Sebastian abriu a camisa branca do menino e segurou um riso rouco, mas não pode fazer o mesmo ao ouvir um suspiro de alívio quando ele abriu a bermuda do rapaz.

“Ora, ora. Veja isso, Jovem Mestre. Sua bermuda estava realmente apertada, não? Talvez o senhor não devesse ter comido tanto na janta.”

Ao dizer isso, o demônio pressionou seu dedo indicador enluvado na barriga de seu mestre, por cima do obviamente inchado estômago.

“Tsc. Cale a boca.” O menino respondeu, virando o rosto, que ficou um pouco quente devido à vergonha que sentia ao comentário.

Outro riso baixo deixou os lábios finos do mordomo enquanto vestia seu mestre em sua camisa de dormir.

Após cobrir o garoto e ter certeza que ele não sentiria frio, desejou seu mestre uma boa noite e bons sonhos, pedindo sua licença antes de deixar o quarto.

“Ciel, o que acha de ir conosco para a França? Mamãe vai caçar por lá e adoraria que você se juntasse a nós!”

“Adoraria, Lizzy, mas eu tenho muito trabalho a fazer. Prometo que, da próxima vez, eu irei.” Ciel disse com um sorriso meio falso, tomando um pequeno gole de seu chá.

O conde já estava pronto para confortar sua adorada prima, mas não foi necessário. Para sua enorme surpresa, é claro.

“Tudo bem, então. Caçar não é nada fofo. Diferentemente de você!” A menina disse abraçando seu noivo. “Olhe as suas bochechas! São tão cheinhas e fofas!”

As palavras tocaram na sua cabeça e o nobre piscou enquanto elas se empregavam em sua mente.

‘Cheinhas?’

Elas se juntaram com o (extremamente desnecessário) comentário de seu mordomo na noite passada e fizeram o rapaz suspirar em frustração.

“Notei que o senhor gostou do jantar de hoje, mi lorde.” Sebastian comentou, abotoando a camisa de seu mestre para que ele pudesse descansar.

“Gosto de pato.” Murmurou, encarando o chão de seu extenso quarto.

“Farei mais vezes então.”

A janta de hoje fora talvez uma das favoritas da semana de Ciel. Pato assado ao molho de laranja com salada verde refrescante, com algumas folhas de menta.

De repente, o mordomo parou de abotoar quando chegou perto dos quadris do garoto, olhando curiosamente para a pele com um sorriso de canto de boca.

“Olhe isso, Jovem Mestre.”

O demônio gentilmente apertou com a ponta dos dedos um quase não existente excesso de pele acima da roupa intima do menino, o que fez o corar de leve.

“Cale-se, idiota. Não é nada.”

O mordomo riu e assentiu as palavras, repetindo o processo de todas as noites antes de sair do quarto. Ah, seu mestre era extremamente adorável.

Ciel acordou um tanto mais cedo do que o normal. Na verdade, ele quase acreditou que não dormiu nada, já que quando abriu seus olhos o céu ainda estava escuro e a lua alta no céu.

Como poderia dormir? Depois dos comentários de seu mordomo e das palavras de Elizabeth, sua mente estava a mil.

Será que realmente estava... Será que seu corpo realmente estava tão... Grande?

Correu as pequenas mãos pelo rosto e pelo cabelo liso azulado antes de se levantar e caminhar até o banheiro acoplado ao seu closet.

Parou em frente ao espelho, encarando-se com olhos severos, olhando-se de lado. Passou a mão direita pelo peito e torso vestidos, pressionando de leve.

Trouxe sua mão esquerda ao quadril direito e fez o mesmo com a mão e quadril opostos, apertando-se, resultando em uma expressão de nojo em seus traços levemente infantis.

Nunca fora de se importar muito com sua aparência. Claro, mantinha uma higiene sublime e sempre andava arrumado, mas não era muito vaidoso. Mas só agora pode notar no que resultou sua falta de interesse em manter seu próprio físico.

O menino precisava ver por baixo da camisa, precisava tirá-la de seu corpo para ver como estava o estrago. Tentaria desabotoá-la ele mesmo, não chamaria Sebastian em uma situação como essa.

Sebastian... Ele esteve vendo seu corpo por todo esse tempo.

Rangendo os dentes em frustração, Ciel começou a desabotoar seu pijama de baixo para cima, assim não teria tanto trabalho, já que não iria ter que abrir a camisa por completo, apenas até sua barriga ficar completamente visível.

Mesmo com um tanto de dificuldade, conseguiu abrir sua camisa até seu peito e mordeu seu lábio inferior enquanto se olhava no espelho. Ciel correu suas mãos pelos lados de seu corpo, sentindo as imperfeições que tinha, rolando sua pele extra que encontrava entre seus pequenos dedos.

Com um suspiro, o menino fechou seu pijama novamente, recusando-se a olhar mais uma vez ao espelho em sua frente. Por quanto tempo estava assim? Com essa imagem ridícula que muitos ririam ao ver? Não mais.

O jovem Phantomhive seguiu em direção a sua cama, deitando-se novamente e se enterrando no meio dos lençóis e cochas. Como iria voltar ao que era antes? Muitas vezes não conseguia nem terminar a papelada diária da companhia, como iria fazer exercícios?

Não importava, teria seu corpo normal de novo, custe o que custar. E um Phantomhive sempre conseguia o que queria.

Maldição. Sebastian sempre tinha que fazer um desjejum ótimo. Hoje, fez um curry de camarão, que estava perfeitamente cozido, e duas fatias de rabanada com gengibre.

Mas o menino se esforçou e deixou mais da metade na comida no prato, empurrando-o um pouco para longe de si para sinalizar para o mordomo que havia acabado enquanto tomava o restante de seu chá Keemun. Resultando no demônio olhá-lo estranhamente.

“Algum problema, Jovem Mestre? Sei que o senhor não gosta muito de comida apimentada, mas tenho certeza que o curry está no exato padrão de seu pala—”

“Não estou com fome, Sebastian, apenas isso.” Resmungou, terminando sua bebida deliciosamente quente. Teria que se contentar apenas com ele.

“Mas o senhor sempre está com fome pela manhã.” O mordomo comentou ao começar a retirar os pratos e os talheres da mesa, encarando o jovem com olhos curiosos.

“Hoje não.” Disse ao se levantar, discretamente lambendo o restante do curry de seus lábios, tentando conseguir mais do alimento que mal comeu. “Estarei em meu escritório.”

“Jovem Mestre, trouxe seu almoço.”

O conde levantou os olhos de seus documentos ao ouvir as batidas leves na porta de mogno.

“Pode entrar Sebastian.” Falou com um suspiro, se reclinando em sua (muito grande) cadeira.

O demônio entrou com o carrinho de prata, parando ao lado do menino e já servindo seu chá.

“Para o almoço de hoje preparei torta de bife e rins e um sanduíche de salmão. Espero que goste.” Sorriu para o rapaz, colocando o prato em sua frente.

Sebastian havia se esforçado mais que o normal para preparar o almoço de seu adorável mestre. Era óbvio que o pequeno não gostou do café, já que deixou quase toda a comida no prato (o que não era normal, principalmente pela manhã quando o rapaz estava sempre extremamente faminto). Então, preparou um dos favoritos do mais novo, torta.

O garoto beliscava na comida, movendo os pedaços de torta de um lado para o outro do prato luxuoso. Não iria comer muito, apenas o suficiente para não parecer suspeito.

“Pode levar.” Murmurou após alguns minutos, tomando um pequeno gole de seu chá, limpando os cantos da boca com o guardanapo de linho.

“Mi lorde, há algo errado?” Sebastian perguntou, com um tom de preocupação, encarando o prato de comida e franzindo a testa para este. “A torta está muito gordurosa? Ou talvez o sanduíche esteja muito salgado? Se está, peço perdão. Prepararei outro prato agora mesmo.”

“Não é necessário. Estou satisfeito.”

Assentindo, o mordomo se retirou do escritório com o carrinho e o prato e os talheres sujos. Será que havia perdido seu toque na cozinha? Suspirando, o demônio esperava apenas que o lanche da tarde agradasse o jovem.

Ciel passou as mãos pelo rosto, segurando sua franja com força. Sentia o peso da comida em seu corpo, estufando seu estômago e fazendo-o... Gordo. Pesava e fazia-o zonzo, com ânsia de vômito.

Respirou fundo, se levantado para andar pelo seu escritório lentamente. Precisava se acalmar, não havia comido muito... Certo?

Em poucas horas, Sebastian traria seu lanche, mas não iria comer. Teria que tirar o demônio do escritório para arrumar algo o que fazer com a comida.

“Para o lanche de hoje, preparei um bolo de merengue com limão acompanhado do chá japonês Uva de leite. Espero que lhe agrade, senhor.”

“Hum...” Cortou um pequeno pedaço do bolo e levou a sua boca, provando o delicioso gosto doce do merengue e o delicado azedo do limão. Não, só este pedaço e nada mais. Agora o que faria com o resto? Precisava primeiro tirar Sebastian daqui, se não o demônio iria lhe torrar a paciência por não querer comer.

Podia dar o resto para um de seus empregados, mas sem o mordomo saber. Mey-Rin? Absolutamente não, era muito escandalosa e Sebastian iria saber. O mesmo para Finny e Bard. Nenhum dos três. Na última vez que os mandou fazer algo sem Sebastian saber, acabou sendo humilhado por esse.

“Sebastian, eu quero que anote os gastos da companhia do mês passado e traga-os aqui. E diga ao Snake para vir aqui antes disso.”

“... Como quiser mi lorde.”

...

“Pode entrar.” Ciel falou alto ao ouvir as batidas na porta de seu escritório, tentando ainda manter a respiração presa para não sentir o delicioso aroma do pedaço de bolo na sua frente.

“Chamou-me, Smile? Diz Oscar.” Snake perguntou ao pisar no cômodo, parecendo estar tentando esconder a expressão de surpresa sem seu rosto. Não era comum de o garoto chamá-lo, ainda mais pedir para o senhor Sebastian chamá-lo.

“Sim. Pode dar esse bolo para seus amigos, Snake.” Ciel disse, gesticulando para o prato na sua frente.

“Tem certeza, Smile? Disse Wilde.”

“Absoluta. Ah, e não diga nada para Sebastian.”

O garoto pressionou suas mãos contra seu estômago, se revirando na cama. Ele havia se recusado a jantar também, alegando estar muito cansado e desejar ir direto para sua cama. O que não era completamente mentira, já que parecia que estava mais cansado que nunca.

Seu corpo parecia pesado apesar da falta de comida e o menino teve que se esforçar para ficar de olhos abertos enquanto lia seus documentos. Sua cabeça rodava e sua ânsia de vômito cresceu com o passar das horas.

Mas estava tudo bem, lembrou-se, porque ele iria voltar ao normal.

Olhou mais uma por ambos os lados do corredor de seu escritório antes de sair com o prato de seu almoço em mãos, andando rapidamente até o banheiro mais próximo.

Não comeria aquilo.

Abriu a torneira da pia de mármore e, sem pensar duas vezes, jogou o creme de cebola e queijo pelo ralo, assistindo a água lavar as evidencias do que acabara de fazer.

Fazia-o mal ver aquilo. Sebastian havia feito-lhe o prato já que acreditava que o conde estava doente, com febre ou um resfriado. Se Ciel queria ir longe, poderia alegar que fora uma refeição feita com carinho, com a esperança que iria lhe fazer se sentir melhor.

Ele engoliu o seco ácido que subiu por sua garganta junto com sua bile. Não queria admitir, mas sentia-se culpado. Era comum de si mentir, não sabia por que estava com esse sentimento em relação a algo tão ridículo.

Precisava fazer isso. Não podia comer aquilo. Seu corpo iria voltar ao normal.

“Jovem Mestre.”

“Jovem Mestre.”

O garoto virou o rosto para encarar o mordomo com uma expressão fechada.

“O que foi?”

Estavam quase saindo da mansão para ir a uma reunião sobre os gastos da companhia na Ásia, mas Sebastian estava seriamente preocupado com o pequenino. Ele parecia menor do que o normal e estava ainda mais pálido, e estava agindo diferente havia alguns dias. Principalmente com o mordomo, ignorava-o e falava com ele com hostilidade. Traços não muito comuns de seu mestre.

Sem falar que, nas duas últimas semanas, seu menino havia pedido que Snake o vestisse não dando espaço para discussões. O que irritou o mordomo, já que vesti-lo era uma de suas atividades favoritas.

“Está se sentindo bem senhor?”

“É claro que sim. Por que não estaria?” Resmungou, sentindo-se um tanto irritado pelo fato de Sebastian estar falando. Sua cabeça doía e estava extremamente cansado, por que o maldito demônio não podia entender isso?

“Simplesmente porque— Jovem Mestre, cuidado!” O mordomo exclamou, chamando a atenção do rapaz antes que esse batesse na parede.

Os olhos escarlates de Sebastian se arregalaram ao notar que seu mestre estava quase a ponto de desmaiar. Mas ele segurou o pequeno e este abriu os olhos, encarando o mordomo surpreso.

“Já chega. Finnian, avise Tanaka para ligar para o Sr.Mountbatten e dizer que o Jovem Mestre não poderá comparecer a reunião. Diga que o Jovem Mestre sente muito mas não está em condições de sair.” O tom de voz do demônio era grave e seu cenho estava franzido enquanto encarava o rapaz em seus braços.

“Está louco, Sebastian? Deixe de bobagens e vamos logo.” O conde tentou rebater, mas não adiantou em nada.

O mordomo pegou o menino no colo, seu braço esquerdo por baixo dos joelhos do mais novo enquanto seu direito apoiava a cabeça do mesmo.

Seus olhos se estreitaram ao notar o quanto o menino parecia mais leve desde a última vez que o pegou.

“Seu idiota! Ponha-me no chão neste instante.” O garoto indagou sério, fechando os punhos e encarando o demônio com ódio. Balançava as pequenas pernas e começara a bater nas costas do mordomo, mas nada surtia efeito.

“O senhor vai ficar em casa e ponto. A sua saúde é mais importante que qualquer outra coisa.” Sebastian disse, já caminhando pelas escadas, subindo para o quarto do menino.

“Chame Snake.” Ciel murmurou ao se sentar na beirada de sua cama, encarando o mordomo que estava a fechar a porta.

“Não. Eu mesmo vou ver o que está errado com o senhor.”

As palavras foram como um tapa no rosto do garoto. Ele já estava tão repulsivamente enorme que Sebastian pensava que havia algo de errado com ele?

O demônio se ajoelhou a seus pés e retirou-lhe suas botas de cano alto, notando o fato das panturrilhas do menino estarem assustadoramente menores do que eram e do que deveriam. Removeu a jaqueta azul do rapaz e seu tapa olho antes de se levantar.

“Acredito que aquela sua febre deve estar voltando. Vou lhe fazer uma sopa. Descanse enquanto isso, Jovem Mestre, por favor.” O mordomo disse, ajudando o conde a se ditar e ajeitando as cobertas a sua volta. “Volto logo. Com sua licença.” E com isso, deixou o menino.

Ciel esperou alguns segundos antes de se levantar e ir até ao banheiro, parando em frente a seu espelho. Fazia isso todas as noites.

Encarou-se, levantando a barra de seu short para ver suas cochas. Franziu o cenho e sua expressão tornou-se uma de nojo ao ver como eram roliças, excessivas em pele e gordura.

Com um baixo ‘tsc’, voltou a sua cama, esperando o demônio.

“Aqui, Jovem Mestre. Uma sopa para lhe fazer se sentir melhor. Legumes e cubos de frango, com raspas de menta.” Sebastian sorriu ao entregar o prato na bandeja para o menino. Sorte do mordomo que ele havia encomendado essa bandeja com descanso há alguns meses. Sabia que seria útil para quando seu mestre estivesse de cama.

Um barulho baixo deixou a garganta do garoto e ele encarou feio para a refeição. Tinha um cheiro tão bom...

Não. Não iria comer, não até voltar ao normal.

“Já que irei ficar aqui, traga-me alguns documentos para que eu possa fazer alguma coisa.”

“Pelo menos prove a sopa para ter certeza que gosta, Jovem Mestre. Se não, já preparo outra coisa para o senhor comer.”

O conde assentiu, mordendo o lábio inferior. Droga. Com a colher de prata, pegou um pouco do conteúdo do prato e levou até sua boca. O gosto salgado da sopa atacava seu paladar, fazendo-o sentir sua cabeça rodar com a presença de alimentos em seu ser.

Só não sabia se era por que a presença não era bem vinda ou pela entrada de comida em si depois de tanto tempo.

“Está ótima, agora me traga os papéis.”

“Como quiser mi lorde.”

“Ah, e ligue para Nina Hopkins. Minhas roupas estão ficando muito apertadas.” Disse, brincando com a colher.

O demônio olhou estranhamente para o menino. As roupas dele estavam ridiculamente largas. Há alguns dias, Sebastian até teve que por um cinto no conde, já que seu short recusava-se a ficar no lugar e grande parte de sua roupa íntima estava de fora.

Mas não disse nada mais, apenas sorriu e pediu licença antes de deixar o quarto. E, assim que o fez, o garoto saltou da cama. Pegou o prato de sopa e correu até o banheiro.

Dirigiu-se até a pia e jogou mais da metade do conteúdo do prato pelo ralo, mas não era suficiente.

A colherada que havia ingerido agora pesava em si e ele não agüentava mais.

Colocou o luxuoso prato de lado e se apoiou na bancada, deixando seu rosto em direção ao ralo. Engoliu um seco antes de levar uma mão ao seu cabelo, segurando sua franja e alguns fios mais longos antes de levá-la aos seus lábios.

Hesitou por um momento, mas acabou fechando os olhos e adentrou sua boca com seu dedo do meio. Continuou seu doloroso e lento caminho até engasgar.

Tossiu forte duas vezes antes de retirar seu dedo da cavidade e grunhir em frustração antes de repetir o processo.

Dessa vez com sucesso. Vomitou na pia, o cheiro forte as suas delicadas narinas. Forçou para sair mais, o excremento ácido devido à falta de qualquer coisa em seu estômago, e nem notou a bile que acabou deslizando pelo seu queixo.

Em poucos segundos tinha acabado, respirando pesadamente e ligou a torneira, lavando qualquer possível evidencia (e nem se lembrou que seu vômito tinha um odor que poderia lhe entregar).

“Jovem Mestre.”

O garoto arregalou os olhos e olhou rapidamente para trás de si, encontrando seu mordomo com olhos igualmente arregalados, numa expressão mista de preocupação tristeza.

“Ah, Jovem Mestre.”

Ciel pressionou-se contra a pia, fechando seus olhos, apenas agora sentindo a fina linha de vomito escorrendo pelo seu queixo.

Mas se surpreendeu quando ouviu um som que parecia ser algo caindo ao chão e braços fortes ao redor de seu torso.

Depois de ter seus dentes escovados e seu rosto limpo, Ciel estava novamente sentado na beirada de sua cama, encarando a parede, não querendo encontrar o olhar do mordomo a seus pés.

Sebastian retirou a gravata do conde e sua meias, seguidas do short azul royal do mesmo. Seus olhos se arregalaram de novo ao ver as cochas do menino.

Aquelas lindas cochas que normalmente eram sempre deliciosamente roliças agora estavam extremamente secas, o osso da perna de seu mestre estava quase visível.

“Minha nossa.” Murmurou para si mesmo, levantando a perna do garoto para inspecioná-la devidamente. Correu os dedos pelo calcanhar fino, subindo pela panturrilha até chegar novamente na cocha, apertando-a gentilmente.

Agora, com um pouco mais de urgência do que antes, Sebastian desabotoou a camisa branca do rapaz, que facilmente caiu de seus ombros.

O demônio correu as mãos pelos lados do menino. As costelas dele estavam absurdamente visíveis, deixando-as facilmente contáveis, assim como sua clavícula, os ossos de seus ombros estavam mais protuberantes.

“Estou tão ruim assim?”

A voz fraca de seu mestre fez o mordomo olhar em seu rosto, que estava contorcido numa mistura de raiva e angústia.

As mãos de Sebastian no torso do menino foram trocadas pelas pequenas do mais novo, que se abraçava como se estivesse se escondendo do olhar do outro.

“Eu estou tão... Gor...” Até mesmo a palavra assustava o rapaz, fazendo-o soluçar baixo e soltar um barulho de frustração.

“Gordo? Mas é claro que não, Jovem Mestre. Olhe para você, está pele e osso.”

O menino apertou-se, tentando manter-se um pouco longe do demônio.

“... Não.” O conde murmurou, levemente abaixando a cabeça para fazer com que sua franja tampasse seus olhos. “Você mesmo mostrou-me como eu... Estava. Eu tenho que voltar ao normal. Não posso ficar assim.”

Ouvir o rapaz dizer isso, como se ele fosse algum tipo de aberração, fez com que Sebastian franzisse seu cenho, colocando suas mãos nos calcanhares do menino novamente, acariciando-os suavemente.

“Não sei como pedir perdão por isso, Jovem Mestre. Pensei que o senhor sabia que era uma brincadeira. Vejo agora como foi de mau gosto e como lhe afetou.” O mordomo moveu seus dígitos para o joelho do menor, massageando-lhes, sempre olhando nos olhos de seu pequeno mestre.

“Você é perfeito, Jovem Mestre. Sempre foi e sempre vai ser.”

Após uma discussão, o demônio conseguiu fazer com que o mais novo tomasse dois pratos de sopa e um pedaço de torta Cottage. O mordomo pediu perdão por seus comentários e foi perdoado, tirando um grande peso de seus ombros.

Se for amor ou não o que sentia, pouco importava ao demônio. Apenas queria fazer o pequeno se sentir melhor com ele mesmo. Ainda mais quando foi ele que pôs as idéias absurdas na cabeça do menor.

Naquela mesma noite, Sebastian disse palavras doces a Ciel. Acariciou-lhe o corpo gentilmente, fazendo elogios (sempre verdadeiros) e beijou-lhe cada pedaço de pele. Não pode agüentar quando o garoto disse o que pensava de si mesmo, frases como ‘Sou repugnante’ e ‘Meu corpo é nojento’ foram proibidas de serem ditas pelo mais novo.

Após duas semanas do acontecimento, Sebastian estava estranhamente feliz. Talvez não estranhamente, já que sabia exatamente o porquê de sua felicidade.

Seu Jovem Mestre havia voltado a se alimentar, mesmo que nos primeiros dias que estava voltando a fazê-lo, hesitou, mas o mordomo assegurou-lhe que estava tudo bem. Assim, o rapaz ganhou seu peso novamente com o tempo, o tom corado natural de suas bochechas, o brilho rosado de seus lábios e a cor pálida mas bela de sua pele voltando lentamente.

Agora todas as noites, ao em vez de fazer comentários desnecessários, Sebastian sempre elogiava seu pequeno mestre. Beijava-lhe os lábios, acariciava-lhe a pele e fazia com que Ciel se sentisse a pessoa mais bela do mundo.

“Nng... Ah, Se-... Sebastian...!”

“Shh... Estou aqui, Jovem Mestre...”

Um gemido alto deixou a garganta do menino quando Sebastian deu outra estocada forte, acertando aquele ponto dentro de si, que lhe fazia ver estrelas.

“Você é tão lindo, Jovem Mestre...”

Ciel apertou os ombros do maior, pressionando seu rosto na curva do pescoço a sua frente. Era tão bom. Sentia-se completo e Sebastian fazia-o se sentir tão bem. E ainda assim, queria mais.

Mais dos toques, mais dos lábios, mais das estocadas. Mais de Sebastian.

Admitiu para o demônio há algum tempo atrás que tinha alguns sentimentos inexplicáveis por ele e, a partir daí, suas noites sempre foram assim.

Com pura e selvagem paixão.

“Uhn... Ah!” Desceu suas unhas pelas costas do mordomo, que lhe mordiscava a orelha, uma parte de seu corpo que descobriram facilmente que é muito sensível.

“Juntos, Jovem Mestre... Vamos gozar juntos...” O maior murmurou rouco, suor descendo pelo lado de seu rosto, uma de suas mãos movendo-se do quadril do menino para seu membro ignorado e extremamente rijo, fazendo o rapaz tremer de prazer.

“Sebastian... Ah... Ah! Sebastian!” As palavras surtiram efeito rapidamente. O menino fechou seus olhos com força, abraçando o mordomo e puxando-o mais perto de si enquanto gozava, um gemido (e o conde até podia negar, mas o mordomo ouviu um choramingo) alto deixando seus lábios inchados.

“Ah... Ciel...” Sebastian gemeu rouco, um rosnado baixo rasgando por sua garganta ao se desfazer dentro do pequeno, enchendo-lhe por completo.

Com mais algumas estocadas lentas, Sebastian retirou-se de dentro do menor, beijando-o amorosamente, trazendo sua mão limpa (a outra suja com o prazer do conde) para acariciar o rosto de seu adorável mestre.

“Sebastian...” Ciel disse gentilmente, abraçando o outro com mais força ainda, falando palavras desconexas e gentis contra a pele do mesmo.

“Ciel... Você é perfeito.”

O rapaz suspirou com um sorriso tímido nos lábios. Era até engraçado o fato de Sebastian falar isso dele. Para o conde, o mordomo era a perfeição completa. Ombros e peito largos, pernas e braços longos e fortes, físico definido (mas não excessivamente), cabelo tão liso quanto seda, grande e olhos escarlates que lhe tirava o fôlego.

“Sempre foi e sempre vai ser.” O demônio continuou, colocando beijos breves e doces pelo rosto do garoto.

E, apesar de que de em vez quando ainda discordar do maior, era nessas horas que Ciel se sentia realmente especial e belo.

Quando Sebastian mostrava exatamente o quanto lhe amava.

Notas finais
E então, o que acharam? Bom, ruim, desiste da vida? :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!