Eu Talvez (Não) Te Odeie Tanto - 2ª Temporada
13 Um pouco dos outros.
Notas iniciais
Eu demorei um pouco para processar como todo mundo presente na sala, mas quando eu entendi, não demorei a sair correndo. Lily sofreu um acidente e eu espero que não seja nada muito sério.
Capítulo 13 — Um pouco dos outros.
Quando nós chegamos ao local do acidente, Lily estava sentada em uma ambulância e parecia bem. Uma enfermeira fazia alguns pontos em sua testa e sua mão direta estava cortada e parecia estar sangrando bastante. Eu olhei para James que soltou um suspiro de alivio e correu até ela. Quando ela nos viu, ela sorriu fracamente. Eu me aproximei e vi melhor a calça jeans rasgada e alguns pontos na perna direita.
—Lily o que aconteceu? – James perguntou preocupado, mas a ruiva sorria parecendo que acabava de sair do Starbucks com uma garrafa de 2 litros de cappuccino de chocolate branco.
—Tive uma batida, não aconteceu nada sério comigo.
—Mas passou até no jornal! – Dorcas exclamou. Eu tomei um susto. Desde quando esse ser está do meu lado? Surgiu do além!
—Eu sei! Mas alguns jornalistas estavam passando por ai e como estavam sem matéria, filmaram essa baboseira e colocaram na TV. – ela explicou dando de ombros.
—E o cara do outro carro, está bem? – Remus perguntou aparecendo do meu outro lado. Saltei para a direita. Esse povo tá vindo de onde? Socorro!
—Nha – ela disse fazendo desdém com a mão. – ele tá bem sim. Mas ele terá de pagar o meu carro e o dele.
—Ué, mas não foi você que bateu nele?
—Não – ela respondeu negando rapidamente. – Eu estava na minha mão. Estava distraída sim, mas estava na minha mão. Ele além de estar bêbado, estava na contra mão. O impacto foi tão forte que eu bati com a cabeça no retrovisor, o mesmo quebrou e minha cabeça cortou então eu apaguei e quando acordei já estava dentro da ambulância.
—Mas você tá bem agora? – James perguntou subindo na ambulância ignorando os xingamentos da enfermeira.
—Claro. – ela sorriu.
Senti Sirius me puxando pelo braço, logo que os pais da Lily chegaram. Eu olhei para ele e sorri. Meu Deus! Eu nem percebi o quanto eu sentia falta desses olhos azuis. Ele segurou minha cintura e me beijou. Eu retribui. É claro!
—Já que a Lily tá bem, a gente bem que podia ir para casa em? O que acha? – ele sugeriu com um sorriso malicioso estampado na cara. Eu gargalhei.
—Estrear a nova cama? – perguntei mordendo o lábio inferior.
—Claro. – ele falou sorrindo.
—Amor, lembra que nós não tivemos lua de mel? – perguntei e ele assentiu fazendo biquinho. – bem que nessas férias a gente podia ver se a mamãe ficava com a Ella, e ai a gente podia fazer uma super viagem. O que acha?
—Concordo. Para onde em? Rio de Janeiro? Nova York? Paris?
—Não – disse negando com a cabeça. Ele me olhou assustado. – Spring Break.
—Como? – ele perguntou boquiaberto.
—Ah, qual é amor? – perguntei. – Todo adolescente tem esse sonho e outra, nós nos direcionamos a fase adulta tipo, logo de cara, temos de curtir nosso ultimo verão como adolescentes.
Ele sorriu e concordou me beijando. Logo em seguida, ela me puxou e só deu tempo, eu gritar um ‘’Tchau’’ para o pessoal que me olhou com caras maliciosas.
Dorcas P.O.V
Depois que a Lily foi liberada, Helena chegou ofegante e preocupada. Mas eu não estava nenhum pouco a fim de ouvir bronca da mãe de ninguém. Dei um breve tchau e sai caminhando em direção ao Big Ben ou ao Palácio de Westminster – chame como preferir – meu lugar favorito em Londres. Antes eu passei no Starbucks e comprei um cappuccino com chantilly. Assim que cheguei ao monumento, me sentei nas escadas e passei a observar a rua. Mas eu não era a única, muitos adolescentes gostam de vim aqui quando precisam pensar ou se estão somente no tédio.
Eu gostava de vim aqui somente para ver o movimento, para ver como Londres é cheia de pessoas e todas elas são vazias: vazias de amor, de compaixão, de carinho, de inteligência. Só para ver como cada capa perfeita esconde uma ganancia, uma maldade, um sofrimento.
Suspirei e me concentrei em um casal de lésbicas que se beijavam do outro lado da rua. Uma era alta, 1,75 mais ou menos, cabelos longos loiros com as pontas pintadas de verde. Alargador na orelha direita vestia roupas estilo hip-hop. Já a outra parecia uma bonequinha. Cabelos longos negros com cachos perfeitos. Olhos azuis, baixinha e corpo bem desenhando.
As pessoas que passavam as olhavam estranhamente e torciam o nariz. Outras sorriam, e mais, algumas batiam fotos como se aquilo fosse à coisa mais exótica do mundo! Mas elas não pareciam ligar, continuavam com as caricias e os beijos. Sorri.
—Com licença? Posso me sentar? – um rapaz perguntou e eu olhei para cima. Sorri mais ou ver Remus parado em pé no meu lado. Concordei e ele se sentou.
—Me seguiu até aqui? – perguntei.
—Você está me devendo um encontro. – ele respondeu dando de ombros.
—Eu sei – suspirei. – a gente pode sair agora se quiser.
—Não – ele negou. – eu quero saber porque veio para cá.
—É bom ficar aqui, observar as pessoas cheias de expectativas, cheias de sofrimento, de amor, de ganancia e de um grande nada.
—Você é diferente Meadowes. – ele comentou.
—Diferente como? – perguntei o encarando.
—Você é profunda, fala tentando transmitir o que sente, olha para a gente como se tentasse ver a nossa alma. – ele explicou.
—Do que adianta viver se não for intensamente? – perguntei desviando o olhar. – Eu fico me perguntando o que essas pessoas vêm em ter tanto dinheiro, ou em tanta fama. O que eu mais queria, ou talvez até quero, é poder colocar um monte de roupas na mochila, três libras e sair por ai sabe? Encontrar um cara que me mostre a maior montanha do mundo, ou uma garota que me mostre o prazer de ser lésbica. E você?
—O que eu quero? – ele perguntou e eu assenti o olhando. – quero ser ao contrário, quero poder ter uma casa no campo e me casar numa praia, ter três filhos e cuidar deles. Correr pela grama e brincar de balanço enquanto minha mulher trabalha e quando ela chegar em casa nossos filhos correrem para ela e dizer ‘’estava com saudade’’ e então eu poderia beija-la e perguntar como foi o trabalho. Então nós colocaríamos eles para dormirem, iriamos assistir algumas temporadas de The Big Bang Theory, ou iriamos para o quarto e transar até o dia seguinte.
—Você parece querer um futuro muito calmo – eu disse e ele sorriu assentindo. – e eu? – perguntei.
—Você o que? – ele perguntou de volta, dessa vez olhando e meus olhos.
—Vou fazer parte de seu futuro?
—Se você quiser, você pode chegar em casa de noite e a gente vai assistir The Big Bang Theory ou transarmos até o dia seguinte.
Eu gargalhei e ele sorriu também, dessa vez se aproximando de mim. Eu bebi um gole do meu café – que já estava quase frio – e ele passou um braço em torno de meus ombros.
—É estranho que a gente seja assim – comentei.
—Assim como?
—Eu sou tão estranha e anormal e você é gentil e perfeito.
—Talvez seja por isso que nós combinamos tanto, não se pode encaixar duas peças iguais em um quebra cabeças.
Eu sorri assentindo e ele beijou minha bochecha.
Alice P.O.V
Frank estava deitado na cama comigo em sua casa. Eram umas duas da manhã e nós estávamos sem sono e eu não estava com a mínima vontade de transar. Suspirei ao pensar na minha irmãzinha. Eu havia prometido algo a ela e eu não cumpri.
—Frank. – chamei baixinho.
—Oi amor.
—Eu preciso te contar algo.
—Fala. – ele disse me olhando.
—Amanhã eu preciso que vá a um lugar comigo – comecei e ele assentiu. – preciso que vá comigo ver a Mary.
—Sua irmãzinha? – ele perguntou e eu assenti. – eu vou, é claro, mas por quê?
—Os médicos dela, disseram que ela não está bem e ela me pediu para que eu levasse você lá.
—Como assim não está bem?
—Que ela tem poucas semanas de vida, Frank.
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