Eu Sou o Cara mais Sortudo do Mundo!
7 O Primeiro beijo Arc !
Notas iniciais
Último ano, finalmente serei livre! Andarei sem destino em busca de mim mesmo, terei empregos cansativos, conhecereis mais gente escrota, não terei comida quentinha, nem roupa lavada. Pensando bem... Acho que liberdade não tem nada de bom. È melhor eu ficar em casa jogando vídeo-game, no meu quarto bagunçando enquanto ouço minha mãe me chamar de vagabundo!
-Hélio, cara. –O meu melhor-amigo me apontou o professor com uma jogada de cabeça. Ichi! Me ferrei de novo.
-Sim professor?
Ele estava vermelho de raiva com a minha calma, eu sempre tinha essa habilidade irritar os professores sem fazer nada. Logo vejo que o seu dedo ossudo aponta a porta, não entendo, será que ele me pediu pra buscar algo.
Eu sai confuso e sonolento, com aquele jeitão de não to-nem-ai-para-vida. Quando chego na porta, eu pergunto tentando refrescar a memória:
-O que o Sr. pediu mesmo? –Pá! O professor de matemática bate a porta na minha cara, como seu eu tivesse xingado sua mãe, ou coisa parecida. Os professores de hoje em dia são tão pavio curto, lamento comigo mesmo.
Está certo eu estou meio desatento ultimamente, minhas notas nunca mais fora as mesmas depois da professora Grasiela, ou melhor, voltaram ao normal. Notas como sempre, tediosamente baixas. No fundo os professores queriam ser ver livre de mim, tanto quanto eu deles. Mas, o que havia de mal em ouvir mp4, tirar um cochilo e desenhar caricaturas na mesa? Não adianta o que dizem, pra mim eu era um bom aluno, ficava na minha comendo uma batatinha ....
De devaneio em devaneio o tempo passou, a aula mudou e eu resolvi ficar andando de bobeira pelos corredores da escola. Era como um jogo, eu tinha que desviar dos monstros, lê-se aqui diretora, professores e serventes ingeridos... Era divertido! Pena que meu erro foi topar com um grupo, de encrenqueiros no banheiro do primeiro andar.Eles estavam todos fumando, a fumaça impregnava todo o lugar, parecia até uma neblina. Não pude fugir, quando dei por mim já estava agarrado pelas mãos grandes e medonhas do líder. Seu nome ninguém sabia, mas todos o chamavam de Malibuu, eu sabia disso. Mas na hora o medo:
-Calma Madinbuu eu...
Ele cresceu pra cima de mim, parecia uma fera.
-Tá doido cara!!!Meu nome é Malibu!!!Malibu vê se não esquece!!! –Parecia que a qualquer momento ele ia apagar o cigarro na minha cara.
-Malibu eu sei não vou me esquecer... -Olhei com cara de arrependido a procura do perdão. Não é que deu certo?Aquele trouxa...
-Só porque você é bonitinha, vou deixar passar. –Bonitinha?!O que ele queria dizer com isso?Não fiquei para esperar, assim que sua mãozarrona afrouxou da minha camiseta gola pólo eu fugi como um rato. Só pude ouvir a gargalhada do bando por ter me intimidado. Nesse dia vi que o mais seguro era ficar na sala fingindo que copio o quadro negro.
O tempo passou e nem vi mais o tal Malibu, parecia que ele tinha evaporado e eu não sentia nenhum pouco.Corri a minha vida normalmente, esquecendo do fato.
Assim numa segunda qualquer do 3° Ano sentado junto com meu único e melhor-amigo nos degraus da arquibancada o convite surgiu:
-Ai cara vamos matar as duas últimas aulas? –Disse meu recente melhor-amigo Túlio, o cara era gente boa, um pouco zueira, mas bom amigo. A gente não pode ser muito exigente não é?Ninguém é perfeito, era como minha mãe dizia quando trocava o óleo por vodca no arroz.
-Há cara não sei não...
-Qual é? Você vai dispensar um convite meu?! Cara já está no esquema, tem uma cerva geladinha escondida lá no terraço. Cara o Brew disse que é sossegado lá nas segundas!
-Haaaa....- Fiz suspense –Tá bom, uma cerva até que vai bem pra animar essa segunda braba!
Antes que o sinal batesse, fomos nos encontrar com o tal Brew que ainda só conhecia de vista. Era um cara franzino, negro feito noite, com um sorriso largo e despreocupado, era amigável e extrovertido.
-Cara tudo em cima? Esse é o cara que te falei, pode o chamarele de Hélio. –Túlio me apresentou.
-Fala cara! Você é só zueira eu soube da última, a velha Dolores ficou roxa quando viu aquelas respostas sem noção na prova! –Ele apertou minha mão forte, que quase tenho uma gangrena. De onde um garoto franzino podia tirar tanta força?
-Só fui sincero, não fui eu que matei o cara...
-KKK pode crê, num sei por que temos que apreender essas chatices do século passado.
-Ai vamo subir já deu o sinal. –Túlio cortou o papo.
Nos mandamos para o último andar, depois de fininho subimos a escada do terraço, passamos pela porta de ferro. A vista era incrível, dava para ver toda a cidade que ficava na baixada.
-E ai onde você escondeu a cerva Brew?
-Ali debaixo daquela lona. –Enquanto eu admirava a vista Brew e Túlio já puxaram a caixa de isopor de debaixo de uma lona, cada um com uma latinha sentaram na sombra.
-Ai cara, pega uma!! –Gritou Brew invadindo meus pensamentos.
-Oh –Assenti, peguei minha cerva.Estava geladinha e perfeita –AAAhhh tá ótima.
Passamos as duas últimas aulas de papo para o ar, falamos de motos, futebol, professores, boatos e feitos.Então já um pouco altos veio o tema ‘Mulheres’ algo que para mim era quase um tabu, nunca confessei a ninguém a minha sorte ou falta dela, porém a bebiba inebria os sentidos e acabei soltando tudo:
-Ai cara KKKK quer dizer que num deu nem uma bitoca?
-Nãooo... As mulheres são difíceis demais, esse negócio de amor...Elas complica tudo...-Parecia que só eu falava como um bêbado.
-É, mulher é cheio de onda... –Disse Túlio que no fundo não era muito diferente de mim, afinal não conta beijar a prima!
-Cara então você é um p%$@ de um bv!! –Brew se jogou no chão, rindo alto e repetindo como rádio quebrado “Você é um bv!” .Me arrependeria de ter dito aquilo na hora, mas acabei achando engraçado, entrei na onda e gritei:
-È isso ai sou um p¨%¨$# bv e virgem!!! –Proclamei como um rei a plenos pulmões.
-Eu também sou um p%¨#@ virgem, só peguei a feia da minha prima por que ela me agarrou!
-KKK O quê, pensei que você tinha dado em cima dela cara kkkk!!! –As gargalhadas de Brew eram sonoras.
Nada como beber com os amigos, para tornar coisas idiotas e escrotas em engraças. Era muito bom rir com eles, me sentia leve e tranqüilo, pena não ter conhecido os caras antes, talvez lá no primeiro ano, minha vida teria sido muito mais feliz.
Ouvi um barulho, como eu era o único de frente para a porta me joguei de lado e olhei, só vi um pedaço do corpo, o suficiente para saber que era um aluno. Tranqüilizei-me como havia dito mais tarde Túlio, muita gente freqüentava o lugar para beber e fumar por isso e por estar chapado não dei atenção ao fato.Voltei a rir com eles da professora Dolores, ela realmente achara tão insultante minha prova e ao mesmo tempo hilário que lera para todas as outras salas, eu me tornei quase uma lenda!
Na sexta feira estava passeando pela escola, após de ter pedido para ir ao banheiro, a escola estava com menos alunos, a maioria era só aqueles que estavam perigando de não passar ou eram nerds mesmo.Como a aula de física estava um saco resolvi dar uma volta, só tinha mais dez minutos para sermos dispensados, não parecia haver problema de me dar essa folguinha.Se eu não aprendi em um ano, como aprenderia em um dia? Fiquei um pouco no terraço imaginando que eu era o dono do mundo, quando a brincadeira perdeu a graça, desci para esperar o recreio que não tardava a vir, estava tranqüilo como sempre andando passo a passo sem pressa pelos corredores quase vazios do Colégio.Quando sinto uma mão forte me puxar para dentro do banheiro masculino,bati as costas na parede fria, não posso me expressar nem com todas as palavras do mundo o que vi.
Era Malibu, alto, forte, truculento e de feições duras.Minhas pernas tremia só por ser encarado por aqueles olhos maldosos.Ele tinha um pirulito de melão na boca em vez do detestável cigarro, eu não gostava da expressão estranhamente de satisfação dele.E não sei porque senti um frio percorrer a espinha por constatar que estávamos a sós no banheiro do primeiro andar.E a porta fechada só me dava um estranho sentimento de claustrofobia, estava tão perto e ao mesmo tempo tão longe, não pode me mover. E não tinha nenhuma coragem de gritar.
-E ai cara? –Tentei parecer confiante, como se fosse possível tendo-o perigosamente perto de mim. Mamãe!
-E ai bonitinha... -Sua voz era provocante, mesmo sendo tão escrota –Fique sabendo....
Não queria perguntar, mas me vi obrigado. Tinha que me afastar dele logo.
-Do quê?
-KKK Vejamos que você é um p#%% bv e virgem KKK
-I daí ...mui...muita ...gen...gente é. –Dizia me mostrando altivo, enquanto minhas pernas tremiam loucamente.
-KKK verdade? –Ele faz uma pergunta retórica, e eu apenas sorri com medo, já me preparando para rezar. Ave Maria cheia de graça....
-Não tenha medo... Não quero lhe fazer mal algum kkk.-Dizia enquanto me olhava, de cima a baixo como se fosse algo apetitoso.- Afinal andei-te observando...
Observando o quê?! Estou quase subindo pelas paredes para tentar me livrar daqueles olhos de gatuno pervos.
-Você é legal, não entregou a gente naquele dia... –Ele me olhava de cima a baixo. Parecia um guepardo pronto pra abocanhar sua pressa, e morrer não era a pior parte da história.
-É eu sou um cara legal, podemos ser amigos então...
-Claro....-Ele aproximou colou sua face a minha e soprou ao meu ouvido- Verdadeiros amigos...
Eu gelei.queria fugir, mas como?Eu era só um fracote e ele um bombado de quase 1,90, de cabeça raspada, tatuagens e uma baita cara de bandido juvenil, eu não tinha a menor chance... Ave Maria cheia...
O fortão Malibu sorriu, pegou meu queixo com suas mãos grossas, ai ai não dava pra fugir!! Os lábios finos e maldosos estavam perigosamente pertos... Ave Maria cheia de Graça...
Já era, fechei os olhos prevendo o pior, nosso lábios já estavam prestes a se tocar quando... Báh!!! A porta se abre com a força de um trovão. O cara me solta, respiro aliviado, estou salvo!
Era um cara que até hoje nunca tinha visto, nem sequer notado.Um palmo mais alto do que eu, cinco quilos mais pesado, e uma bela coleção de pircings no rosto, um no supercílio, um ponto no nariz e uma argola no canto da boca. Possuía também alguns colares e pulseiras negras finas nos punhos. Seu olhar era gélido e parecia não se abalar com o porte atlético de Malibu.
-Solta ele. –O rapaz sequer me olhava, como se fosse insignificante demais para ele.
-Comé que é? –Malibu pavio curto como era, já foi pra cima com seus punhos cerrados e sua cara de mal.
Bem quem Malibu tentou, mas nenhum de seus socos sequer acertaram o rapaz, todos acabaram atingindo o vácuo, enquanto o estranho desviava facilmente.Impressionante então é assim que a velocidade vence a força?Talvez você se pergunte porque eu ainda estou aqui, realmente era para eu estar longe numa hora dessas, mas por azar eles se interpunham entre mim e a porta de saída..A janelas do banheiro eram pequenas demais para passar até mesmo para um magrela como eu. Então fiquei ali apenas me escorreguei para detrás do lixo, rezando para haver alguma brecha para poder sair.
Mas não houve, depois das investidas do bandido juvenil Malibu, o garoto mandou um belo de um chute que o fez cair de costas na parede do box do banheiro.Não contente pisou firme na barriga de Malibu que nada fez além de tentar segurar os pés do rapaz.
-Não me toque!! –Mandou o rapaz, um belo chute nas fuças de Malibu que pendeu para o lado,segurando a boca tentando estancar o sangue que escorria vermelho e vivo pelo canto da boca.
Naquela hora vi que tinha que parar o cara, ele era doido ia acabar matando Malibu, não que eu não gostasse da idéia, mas concerteza não queria me envolver em um caso de assassinato estudantil.
O puxei pelo braço.
-Já está bom cara, quer matar ele!?
-É o que um verme como esse merece! –Ele ainda o chutou mais uma vez.
-Não cara, a diretora ta vindo, vamos embora!! –Menti para tirá-lo dali.
Descemos as escadas pela outra ponta correndo, o sinal já havia dado. Não havia muitos alunos pelos corredores o que foi ótimo, em estantes passamos o portão e só paramos quando chegamos ao ponto de ônibus na praça, a um quarteirão da escola.
Eu estava quase morrendo quando paramos, e ele parecia que nem tinha corrido!
-Cara valeu... Você me salvou... –Não tinha fôlego, me apoiava nas pernas tentando me recuperar respirando rápido.
-Não foi nada. Não deixaria que ele fizesse aquilo com você...
Hã?Ele me olhava com carinho.
-Como não deixaria isso acontecer com mais ninguém. –Emendou ele cruzando os braços.
-Aqui. –Era meu caderno. –Eu peguei na sua sala antes de achar-lo no bainheiro.
-Nossa valeu! -Não que eu liga-se muito para um caderno de dez matérias e um estojo velho.
-Eu sento na outra ponta da sala. –Disse sem jeito.
-Há... –Isso explica tudo, mesmo assim eu não fazia idéia de quem era. -Você é um cara legal valeu a ajuda.
-Você também é um cara legal. — Disse com sua voz rouca e outra vez aquele ar carinhoso.
Que seja estendi a mão e falei como a maioria faria, para se despedir e dar o fora.
-Valeu mesmo se um da precisar de algum...
Ele pegou minha mão com certo contentamento trouxe-me para junto de si e... Smack!
Queeeeeeeeeeê?!!O que era isso?! Sem perceber eu estava de lábios colados com um desconhecido!!! Meu primeiro beijo com um homem!!! De tantas barangas que podiam me agarrar tinha que ser justo um homem?!!!
Eu petrifiquei, parecia de concreto de tão duro. Não estava acreditando!! Fiquei sem fala, sem ação.
E a última coisa que captei foi o som do ônibus indo embora levando consigo meu precioso primeiro beijo!
E assim termino minha adolescência, não mais BV e graças a deus, ainda virgem!! O_O
Notas finais
Até uma proxima!!
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