Eu Sou Sua Escuridão
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Enfiim, eu consegui escrever este capítulo, eu espero que vocês gostem pq não falta muita coisa pra fic acabar, ficarei feliz com qualquer sugestão, comentário ou critica.
Bjos e até mais :)
Foi como engolir um bloco de gelo. Seu estômago congelou e Bill se sentiu obrigado a se afastar e olhar para Eric, como se o estivesse vendo pela primeira vez.
– Morto?! Como assim morto? – Gaguejou finalmente, encarando o garoto como se ele tivesse acabado de dizer que um dinossauro havia passado pela janela, imaginando que aquilo poderia ser mais alguma brincadeira ou algum tipo de metáfora. Porém, olhando a expressão que havia no seu rosto, ele sabia que era a verdade. Sabia pela tristeza nos seus olhos e pela forma culpada com que o encarava.
– Eu morri, Bill. – Eric olhava para baixo, se recusando a encará-lo nos olhos. Levantou um dos pulsos para que Bill visse uma das cicatrizes que se destacava sobre as outras – Eu... não pude agüentar. Era demais, você não pode imaginar algo assim, não pode imaginar como é cansativo e doloroso tudo por que tive que passar. Não havia ninguém para me ajudar, para todos os efeitos eu sempre fui o depressivo esquisito, por toda a minha vida. Então em decidi que pelo menos uma vez eu seria forte o suficiente par acabar com tudo. Me cortei tão fundo que acabei perdendo o movimento da mão e precisei cortar o outro pulso segurando a lâmina com a boca... E sangrei, agüentei cada minuto da dor, ansiando para que tudo acabasse finalmente, que tudo fosse embora, os pulsos, os problemas dos outros, minha vida... – Pausou, como se fosse muito difícil continuar falando sobre aquele assunto – E para quê? Nunca acaba. Eu morri e voltei, exatamente igual. Continuam me ignorando como sempre. Porém agora ninguém pode me ver, ainda que eu consiga sentir tudo de ruim de todos eles da mesma forma... Estou morto, e não há nada que você possa fazer para me ajudar. Sou um fantasma. Um estúpido fantasma.
Bill não podia pensar em nenhuma resposta para aquilo. Encarou o garoto pálido a sua frente e o abraçou tão forte que imaginou que poderia estar machucando-o. Não sabia ao certo o que sentia, se dor ou compaixão, medo ou apreensão. Tudo o que queria era consertar a alma daquele garoto, trazê-lo de volta da escuridão que o havia sugado.
– Eric, nós temos que sair daqui antes que aquele assassino nos encontre. – Bill disse, se afastando para olhar o outro. Percebeu que Eric podia não ter nada do que temer, afinal já estava morto, embora toda aquela escuridão que ele poderia absorver do assassino pudesse vir a ser uma ameaça.
– Eu não tenho para onde ir. E nem você, Bill. Ele irá te encontrar, não importa o quê...
Bill interrompeu Eric, sentindo o sangue queimar o seu corpo e só então percebeu que estava com raiva.
– Eu não vou desistir! Não vou me entregar, e nem você deveria. – Disse, elevando o tom. Entendeu que estava nervoso por Eric estar morto, por ser apenas um fantasma. Não queria que ele desistisse de novo, ou que voltasse a se ferir, mas se obrigou a se controlar. – Vamos sair daqui.
Puxou o garoto pálido pela mão, sem se atrever a olhar para trás e ver sua expressão. Não sabia para onde deveriam ir, mas não ficaria parado esperando a morte chegar.
Por fim, ele decidiu ir em casa e pegar o próprio carro para viajar o mais longe que conseguisse dali. Entraram em um táxi para chegar até a casa de Bill. Eric nada dizia, constantemente levando uma mão até a cicatriz no pulso do outro braço e correndo os dedos distraidamente por ela.
O caminho demorou pouco mais de meia hora. Bill adormeceu sem perceber, sonhando estar sentado na quina de um quarto assustadoramente branco com uma única porta á sua frente. A maçaneta da porta girou lentamente e quando abriu, Bill viu o corpo putrefato de Eric entrando no aposento com os braços estendidos na sua direção. Percebeu que todo o quarto ficava negro em torno de si e quando olhou para suas mãos, percebeu que ele próprio estava se decompondo.
Acordou de sobressalto, ainda sentindo o grito preso na garganta. Eric estavava ao seu lado tentando acordá-lo e o motorista do táxi olhava-o pelo retrovisor com as sobrancelhas unidas. Pagou com o pouco dinheiro que ainda restava em sua carteira e saiu do táxi.
Bill olhou para o rosto de Eric e por um momento tudo o que viu foi o rosto em decomposição do garoto do seu sonho, com a pele caindo e os ossos sobressalentes. Então agitou a cabeça de um lado para o outro, percebendo que ainda estava abalado com tudo o que estava acontecendo. O garoto na sua frente estava absolutamente normal, seu rosto estava perfeito, mesmo que estivesse morto, era exatamente como deveria ser se estivesse vivo.
Eric inclinou a cabeça olhando-o sem entender a hesitação e Bill piscou, voltando a realidade.
Entrou na casa sem se demorar. Gostaria de poder levar uma mala com roupas, mas quanto mais tempo demorasse, mais as chances de seu assassino encontrá-lo. Se Tom estivesse em casa, isso poderia se tornar um problema. Partia seu coração ter de sair sem falar com o irmão e nem mesmo um bilhete ele ousou deixar. Apenas pegou a chave do seu carro e algumas notas de dinheiro e saiu para a garagem, onde Eric o esperava.
Deu a partida e antes que percebesse, estava fora da cidade, dirigindo sem rumo pela rodovia.
Era noite. Não sabia quanto havia percorrido quando seus olhos começaram a piscar demoradamente. Eric estava no banco do passageiro, olhando pela janela, sem jamais voltar a cabeça para ele. Bill começou a pensar se Eric não gostava mais dele, se ele apenas piorara tudo. Mas não, ele havia salvado sua vida, não havia? Tinha impedido que ele continuasse se cortando, tinha feito curativos, tinha...
Tinha se esquecido de que ele já estava morto quando o conheceu. Ao lembrar-se disso, Bill sentiu o coração pesar e teve vontade de chorar. Permitiu que seus olhos se fechassem por tempo demais, se esquecendo que segurava o volante em suas mãos.
– Já imaginou... – Bill ouviu Eric falando baixinho em seu ouvido. Ele parecia estar longe e perto ao mesmo tempo. Sua voz era tudo o que ele queria ouvir e só de sentir o timbre dela em seu ouvido o fazia arrepiar. – Se tudo isto aqui não passasse de um sonho?
Um sonho... um sonho...apenas um sonho. Bill... Acorde...
– BILL!
Bill abriu os olhos e viu que o carro havia virado e parado no acostamento. Suas mãos seguravam o volante com força. Eric o encarava perplexo do banco do passageiro.
–Ficou maluco? Tá querendo se matar? Por que se está, toda essa fuga será em vão.
– Acho que peguei no sono...
– Ah você acha? – Eric elevou o tom enquanto falava. – Ah saia daí, deixe que eu dirijo essa coisa.
Eric o puxou pelo braço e passou por cima de Bill para trocarem de posição. Bill se sentia meio abobalhado, mas estava feliz por Eric estar falando com ele, mesmo que fosse por ter feito a besteira de dormir ao volante. Tentou se manter acordado enquanto o outro dirigia, mas a visão de um hotel se aproximando logo animou o seu sono e ele precisou pedir para que Eric parasse para que eles descansassem. Faltava pouco mais de duas horas para o nascer do sol.
Ficaram com um quartinho sujo no meio do corredor. Duas camas de solteiro, um pequeno guarda-roupa e um frigobar velho e enferrujado. As cortinas na janela estavam desgastadas e um pouco manchadas. Bill não se importou, já estava caindo de costas na cama, pronto para dormir.
– Ei. – Eric chamou, enquanto entrava na porta. Havia ficado para trás para terminar de fazer o check-in. Bill parecia estar cansado demais, sem nenhum motivo aparente. Suas pálpebras pesavam, implorando por uma noite bem dormida. Eric franziu o cenho, preocupado. – Não durma.
– Por que não?
– Porque eu não quero que você durma. – Disse, enquanto pulava sobre o outro na cama e retirava a própria camisa.
– Fantasmas não dormem? – Bill perguntou, surpreso com o garoto em cima de si.
– Tenho toda a eternidade para dormir.
– Mas eu não ten...
Foi interrompido por um beijo de Eric e, de repente, não teve vontade de falar mais nada. Tudo o que sentia era o corpo do outro sobre o seu, a língua do outro brincando com o piercing da sua. Era tudo o que importava naquele momento.
– Eric, essa cama é pequena demais para nós dois. – Conseguiu dizer, ofegante.
– Eu sei...
– Eric, o que você... AHH – Parou a frase quando o outro abriu seu zíper e deslizou uma das mãos por dentro da sua roupa. Sentiu-se envergonhado tão logo notou a tensão na sua virilha.
Por um momento pensou ter ouvido uma espécie de bipe tocando em algum lugar por perto. Parecia constante e Bill observou que se sentiu apreensivo ao ouvi-lo.
– Está ouvindo esse bipe? – Perguntou. Eric o ignorou e moveu a mão no pouco espaço que a calça apertada de Bill permitiu, fazendo com que este gemesse alto.
– A única coisa que eu quero ouvir está bem aqui.
Bill fechou os olhos, se concentrando apenas no peso do corpo dele em cima de si e do movimento da sua mão. Não havia mais nenhum bipe. Tudo o que ele sabia era que Eric beijava seus lábios e afastava seu sono. Sentiu-se vivo. Sentiu-se bem.
– Bill você quer viver? Ou quer estar comigo?
Ouviu a voz de Eric mas não teve certeza se era real ou se estava sonhando. Abriu os olhos e notou que ele o encarava com expectativa.
– Os dois. – Murmurou.
– Os dois você sabe que não pode ter. Eu não pertenço mais ao seu mundo.
– Mas está aqui comigo agora, como qualquer outro poderia estar. Não é um fantasma, eu posso senti-lo.
– Não, não como qualquer outro. – Desceu a roupa íntima de Bill, expondo-o e satisfazendo-o até que o outro fosse dominado por um espasmo, tremendo sob o corpo de Eric. – Estou aqui agora, mas não sei por quanto mais tempo eu ou você estaremos juntos, Bill. Durma. Mas lembre-se de voltar para mim pela manhã.
Deu-lhe um beijo na testa e Bill dormiu, sem que nada no mundo o preocupasse.
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