Eu Sou Sua Escuridão
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Comecei bem as notas aoehaghao
Não gente, sério, esse é o último capítulo e eu não estava conseguindo terminar, é meio tenso... Demorei, mas enfim tá aí, não deve ter ficado muito bom, mas pelo menos eu terminei.
Eu comecei essa história por estar me sentindo triste, e ainda estou, portanto, creio que isso fez com que ela tivesse todo esse ar melancólico. Espero que mesmo assim vcs que estavam acompanhando tenham gostado e, espero que ninguém chore ou queira me bater, o básico kkkk
Bjos e até qualquer hora ^^
– Então se eu sou o Lestat – Bill disse assim que Eric concluiu o livro. – Você é meu Nicolas?
–Se com isso você quer dizer que nós dois nos matamos, sim. – Eric disse em tom de brincadeira. Sabia que o outro queria dizer que os dois se amavam assim como aqueles dois personagens se amaram, antes de coisas terríveis acontecerem á eles. – Mas a parte do ser seu, isso eu posso garantir que sim.
Bill suspirou.
– Queria ser forte como o Lestat então, por que eu sinto que meu tempo está acabando.
Eric inclinou a cabeça de lado e segurou as mãos de Bill entre as suas.
– Vamos tentar algo novo. Feche os olhos.
– Pra quê?
– Feche os olhos, Bill. Ótimo. Onde você queria estar agora? Não precisa me dizer, só imagine esse lugar na sua cabeça, com todos os detalhes de que você se lembra. Pronto? – Bill balançou a cabeça afirmativamente. – Agora abra os olhos.
– Uau. C-como isso aconteceu?
– Eu imaginei que como tudo isso está na sua cabeça, talvez com uma forcinha você conseguisse nos fazer sair daquele hotel velho. Onde estamos?
O quarto em que eles estavam havia aumentado de tamanho. O piso se transformou em mármore e a cama era pelo menos quatro vezes maior que a anterior e estava coberta com um edredom negro e macio, junto de vários travesseiros, e um tapete felpudo branco ao redor da cama. Uma mesa se encontrava num canto com um notebook e um abajur ao lado. Em uma das paredes, inúmeras folhas de papel estavam pregadas com letras de futuras músicas escritas. Bill foi direto até aquelas folhas olhando com saudade.
– Estamos no meu quarto na Alemanha.
– Bonito. Nunca consegui enfeitar o meu porque nunca me senti feliz com nada então não tive motivo para isso. Se eu tivesse te encontrado antes...
Eric se interrompeu quando o ar se movimentou de forma estranha ao redor deles. De frente para os dois algo começou a se formar, criando braços, pernas, tronco e cabeça através da matéria escura que surgia do nada. Era o ceifeiro de Bill, com o rosto parcialmente coberto por uma capuz negro que fazia com seu rosto se assemelhasse ao bico de uma águia. Imediatamente Eric se pôs defensivamente na frente de Bill.
– Não. Não vou deixar que o leve. Ele não tem que ir. Isso não é certo, é muito cedo! – Gritou para a criatura que não esboçou nenhuma emoção.
– Não é você quem decide isso. Saia daqui. – Disse com uma voz grave e assombrosamente baixa.
– NÃO.
– O seu lugar não é aqui. Vá embora. Agora. – Ordenou o ceifeiro, levantando sua foice e dirigindo á para Eric. A foice atingiu a lateral do seu corpo e imediatamente Eric começou a desaparecer conforme a lâmina transpassava o seu corpo horizontalmente. Virou-se e olhou para Bill no último instante antes de desaparecer por completo como se seu corpo não fosse mais sólido do que um monte de fumaça.
Bill caiu de joelhos. Queria chorar, mas seus olhos estavam secos. Quis implorar, mas sabia que o ceifeiro não o ouviria. Olhou para cima, para o rosto daquele que o levaria para o outro mundo e não encontrou nada que pudesse ajudá-lo. A foice havia retornado para sua posição vertical ao lado do corpo do ceifeiro. Uma mão velha e ossuda segurava o cabo de madeira da foice, que devia ter pouco mais de dois metros, com uma lâmina com metade desse comprimento.
– Bill Kaulitz, chegou a sua hora. – O Ceifeiro disse.
– Para onde ele foi? – Bill murmurou, sem conseguir pensar em mais nada além de Eric se esfumaçando n ar.
– O lugar dele não era aqui. E o seu também não é mais.
– Para onde eu irei, então?
– Isso você é quem deve descobrir. Ache o lugar a que você pertence. – Falou, através dos lábios cadavéricos que se igualavam aos de Bill. – Eu sou a Morte; O Ceifeiro Negro. Eu sou a sua escuridão e agora é a sua hora de deixar o mundo dos vivos.
A foice percorreu o caminho que a separava de Bill, que abaixou a cabeça perante o olhar imponente da Morte, selando para sempre o seu destino.
~~*~~
Sonhar que estava dormindo era uma sensação que lembrava remotamente a de Bill quando voltou a abrir os olhos. Nada daquilo parecia real. Ele havia se acostumado com a realidade em que estava durante o coma e acordar num quarto todo branco não ajudava em nada a sensação de ainda estar dormindo.
Todo o seu corpo estava dolorido. Sentia a faixa que rodeava a sua cabeça, isolando os ferimentos do contato com o ar. Notou que sua perna direita e o braço esquerdo estavam engessados e que seu peito doía sempre que ele precisava inalar o ar. Ao seu lado direito, encontrou-se com o olhar de seu irmão, sorrindo, feliz por vê-lo finalmente acordando.
– Bill. Você está bem, finalmente!
Bill tentou falar, mas sentiu que toda a sua garganta estava ressecada. Suspirou e desviou do olhar de Tom, reparando na sombra ao pé da cama.
Eric.
Ele estava ali, parado ao pé da cama. Bill mal conseguia enxergar a forma transparente do garoto, mas ele estava realmente ali. Tom olhou para o lugar em que Bill encarava, mas não enxergou nada além do próprio quarto.
– Bill? – Tom perguntou, passando a mão em frente aos olhos de Bill para saber se ele estava consciente de que encarava o nada.
Bill sentiu os batimentos do peito acelerarem. Eric estava ali. Eric não foi apenas a sua imaginação. Eric não havia sido mandado para outra dimensão pelo...
O ceifeiro. Se Eric era real, o ceifeiro também era.
Seu tempo está acabando, garoto. Uma voz assombrosa sussurrou na orelha de Bill enquanto seus batimentos continuavam a aumentar. Essa é a sua hora de deixar o mundo dos vivos.
– T-T-Toom – A voz saiu engasgada.
– Shh, não precisa falar nada agora Bill.
– N-não. Me ouça. E-eu o amo, sint- sinto muito. Parece q-que não iremos envelhecer jun-juntos.
– Bill, do quê diabos – Tom começou a dizer, mas a máquina que monitorava os batimentos de Bill começou a apitar e então Tom notou o sangue se espalhando lentamente pelo lençol do colchão. – NÃO. BILL. SOCORRO. UM MÉDICO, ALGUÉM FAÇA ALGUMA COISA. BIIIILL!
A sensação de flutuar dominou todo o corpo de Bill. Foi como se ele piscasse e num instante estivesse deitado, com Tom gritando em pé ao seu lado. No instante seguinte estava parado ao lado da cama, sentindo-se leve, livre, etéreo.
Eric veio para junto dele, parecendo mais sólido do que na visão de Bill quando estava na cama e só então Bill notou que ele também havia se tornado aquilo que Eric devia ser.
– Parece que eu fui apenas expulso da sua mente, Bill. – Disse. – Sinto muito que tudo isso tenha acontecido.
Duas enfermeiras transpassaram por eles enquanto Eric falava e correram na direção da cama em que o corpo de Bill estava. Tom chorava e gesticulava com as mãos gritando para as paredes até que mais enfermeiras chegaram e o levaram para fora do quarto sob o olhar dos dois garotos que ninguém sabia estarem ali.
– Vamos sair daqui, Bill. Não quero que você fique mais triste do que já está.
Eric o empurrou para fora do hospital, embora Bill estivesse relutante em sair. Não havia nada de bom nas cenas que se seguissem a morte de Bill.
– O que fazemos agora? – Bill perguntou quando chegaram ao lado de fora.
– Não faço a menor ideia. Não estou nessa a muito tempo, você sabe. Não sei para onde devemos ir, por que estamos aqui ou por que isso teve de acontecer. – Eric respondeu, dando de ombros. – Mas sei que estou feliz por não estar mais sozinho. Estou feliz por você estar aqui comigo, e, se você quiser, teremos todo o tempo do mundo para fazermos o que quisermos. – Estendeu a mão para que Bill a pegasse – Estava pensando que talvez devêssemos ir até a França, assim você talvez pegue um pouco do sotaque daquele povo e eu possa chamá-lo de Lestat enquanto dançamos embaixo da torre Eiffel.
Bill conseguiu espremer um sorriso no canto da boca. Estava deixando uma vida para trás, estava sofrendo e sentia que metade do seu coração havia ficado dentro daquele hospital com seu irmão. Aquela metade ele não iria recuperar, mas a metade que estava com ele não precisava sofrer tanto por isso. Ele não estava sozinho, havia encontrado alguém que o amava, alguém que seu próprio corpo havia trago para junto de si. Não importava mais para onde iria, estariam juntos e enfrentariam qualquer coisa que o destino colocasse no caminho deles.
Estendeu o braço e pegou a mão que Eric lhe havia oferecido, se lembrando da vez em que fizera um show embaixo daquela mesma torre, há tanto tempo atrás.
– França parece ótimo para mim.
Fale com o autor