Notas iniciais
Na verdade, eu só era doida para usar essa fanart em uma fic, então criei uma história que desse para usar a fanart~~ Eu normalmente escrevo e caço a fanart depois, mas no fim, eu espero que essa fic tenha ficado boa! Boa Leitura

Aquela textura de folhas e pétalas que eu sentia era agradável, mas me deixava confuso e assustado. Já estava a vários dias preso dentro daquele lugar, e não lembrava nem como eu tinha chegado ali. Tudo era apertado, mas ao mesmo tempo, eu via o mundo por dentro daquele lugar. As paredes transparentes me permitiam tal sensação, mas o que eu enxergava era apenas uma enorme sala.

Em meu corpo, estava sobreposto um grande vestido branco com um laço vermelho próximo ao pescoço. Não usava óculos e nem sapatos. E a única época que eu lembrava não os ter comigo era quando eu era um projeto de pessoa. Isso era muito estranho.

Faziam-se anos que eu não me via daquele tamanho, nem pegava em fotos ou algo do tipo para relembrar esse meu tempo de infância, e agora, eu tinha voltado para aquele minúsculo tamanho. Como fora possível? Nem eu mesmo sei. As últimas coisas que eu me lembro antes de ficar desse jeito, fora de testemunhar longos cabelos loiros e um sorriso. Após isso, eu apaguei.

Aquelas características não me eram desconhecidas, mas me remetiam a um passado que eu não queria voltar mais. Talvez fosse um dos motivos para eu não gostar de olhar fotos de quando eu era criança.

Eu me levantei para olhar, mais uma vez, o salão vazio que me era posto de paisagem durante esses dias. Apoiava as minhas mãos nas grandes paredes de vidro que me mantinham separado do mundo exterior e olhava fixamente para o único ponto que chamava minha atenção: uma porta.

– O que será que existe atrás dessa porta? – eu me via fazendo essa pergunta todos os dias desde que eu tinha ficado preso.

Tentei voltar a minha atenção para as pequenas folhas e flores que estavam disposta em meu pequeno espaço, todo dia elas eram trocadas, mas eu nunca sabia quando a pessoa que me colocou ali fazia isso. O mais provável é que ela fizesse isso enquanto eu dormisse, mas mesmo assim, eu nunca sentia quando ele ou ela vinha. Parecia que era apenas eu naquele enorme espaço.

Coisas como voltar a infância, flores e grandes espaços vazios eram muito assustadores. Mas de algum modo, aquilo se tornava um tanto familiar. E por ser tão familiar, eu chegava a ter medo do que poderia vir.

Mas acho que já tenho uma pequena ideia do que está acontecendo.

–-- x ---

They had years of life

And their cup overflowed

It came time for him to walk some of them alone

And he said

"You were my best friend. The only one I really had.

Oh how I wish you could have heard me say those words."

And he put some flowers in her hands

As he layed her in the sand

And cried that he loved her

On his knees

By the river.

–-- x ---

Passaram-se mais alguns dias e nada de alguma coisa acontecer. Eu estava para ficar louco por tanta ansiedade e frustração. Com o tempo, eu fui juntando certas informações das coisas que estavam ao meu redor, e delas eu pude fazer algumas ligações.

A primeira delas foi essa roupa que eu estava usando. Eu nunca mais tinha me vestido daquele jeito. Esse era o meu jeito especial de se vestir quando eu era mais novo. Essa longa peça de roupa branca era extremamente confortável, e eu a usava quase todos os dias.

O segundo fato que eu pude perceber eram essas flores. Todos os dias elas eram substituídas por novas. Mas essas novas flores eram sempre da mesma espécie. E todas eram as que eu mais gostava. Ao menos, elas me tranquilizavam enquanto eu ficava preso naquele lugar.

E por último, era a mensagem que estava presa nesse imenso pote no qual eu me encontrava. A mensagem foi escrita à mão, e aquela letra me remetia a uma certa pessoa que eu já não via desde a época da escola primária.

Tal pessoa que sabia do meu gosto por essas flores e que me via usando essas vestes brancas quando eu era criança. Essa pessoa já tinha me falado aquela frase que estava pregada no pote, sendo que fora as últimas palavras que eu tinha ouvido de sua boca antes de nos separarmos. Todas as informações faziam sentido, mas a dúvida maior ainda permanecia.

Por que ele ainda não apareceu?

–-- x ---

Eu tentava, incansavelmente, pegar o momento em que ele trocara as flores do pote quando eu fingia dormir, mas eu nunca conseguia. Sempre era uma frustração. Se ele teve todo o trabalho de me encontrar e me jogar nesse pote, por que ele não aparecia?

O que será que eu fiz para ele não mostrar a cara? Será que durante aquela época, ele não era tão feliz assim comigo? Ou eu só lhe causei problemas?

Essas perguntas eram frequentes até demais depois que as coisas começaram a fazer sentido. Eu já estava chegando a ficar louco só por fazê-las saírem de minha boca. E por causa disso, eu já não estava mais com raiva por ele ter me trancafiado. Para ser sincero, até sei as suas razões para isso.

– Francis, se você está do outro lado dessa porta, venha falar comigo...

Não se tinha outros recursos além de implorar que alguma coisa acontecesse. Fiquei clamando seu nome algumas vezes depois daquilo, e o mais surpreendente é que escutei um barulho vindo do lugar atrás daquela porta de madeira.

Será que ele vai me perdoar pela promessa não cumprida?

–-- x ---

Já não se tinha a noção do tempo que eu permanecia naquele lugar. Eu só sabia que já haviam passado semanas, mas isso era o de menos. Desde aquele dia, eu venho escutando barulhos de passos e até alguns grunhidos que lembram vozes. Só queria poder identifica-las melhor. E tentava a todo custo, ouvir a voz de Francis quando elas surgiam.

Eu só esperava, dia após dia.

Em algum momento eu iria desistir de esperar, mas não saberia o que aconteceria comigo depois disso. Cheguei a um ponto que eu só queria vê-lo e falar com ele de qualquer jeito.

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Quando eu fui abrindo os meus olhos para mais um dia naquele lugar, a primeira coisa que eu vejo era um grande orbe azul me encarando. De primeira, eu levei um grande susto, mas depois de ver que o orbe tinha saído e dado lugar a um grande sorriso, eu me acalmei e comecei a lembrar do dia antes de eu cair naquele pote de vidro.

– Por que você demorou tanto para aparecer?

– Eu queria evitar que você ficasse com raiva de mim.

– De certa forma, eu não estou. Mas não aguento mais esse pote.

– É compreensível. Mas você fica adorável nele estando desse jeito.

– Eu também não aguento mais ficar na forma de criança.

– Não se preocupe. Eu te transformarei de volta. Mas deixe-me apreciar essa sua aparência por mais algum tempo.

– Desde que você me traga de volta ao normal, eu espero.

– Eu agradeço.

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Desde que eu comecei a fazer as ligações das coisas, eu sabia o que estava acontecendo. Eu sabia o motivo dele ter me prendido naquele pote. Por um lado, foi muita irresponsabilidade dele, mas por outro, foi um castigo para mim por não ter cumprido a promessa que fizemos.

A promessa de nunca nos separarmos.

Eu sabia que Francis era um grande mago e naquela época, quando criança, ele me ensinava as coisas que ele aprendia. Eu nunca pensei que ele pudesse ficar tão forte na magia quanto ele ficou. Estou até feliz de certa forma.

Eu só não aguento ser mais uma criança e ficar nesse pote.

–-- x ---

– A quanto tempo você sabe que eu te amo?

– Desde aquela época. Era muito fofo como você me encarava quando eu lhe mostrava um truque novo.

– Entendo... E você? A quanto tempo me ama?

– Desde aquela época. Eu me encantava como seu jeito de me encarar.

– Você gosta de se lembrar daquele tempo, não é mesmo?

– Sim. Era o momento que eu tinha você comigo. Era o período que não tinham me feito de idiota e tirado você dos meus braços.

– Mas já passou, e eu estou aqui agora.

– Eu sei, mas eu quero me lembrar de como você era para poder me acostumar com o seu eu de agora depois que o encanto acabar.

–-- x ---

A mesa estava cheia de papéis e pedaços de sacos com pós coloridos e cheiros diferenciados. A mesa de Francis era sempre uma bagunça. Ele estudava toda noite para melhorar as suas habilidades mágicas, e isso o deixava exausto todos os dias. Eu simplesmente ajeitei os meus óculos, ajeitei a minha roupa e comecei a arrumar aquela bagunça. Não gostaria que ele se prejudicasse em alguma coisa com aquela bagunça.

E arrumando sua mesa, eu descobri que ele mantinha guardado o pote que ele tinha me mantido preso alguns meses atrás, e nesse pote, a mensagem ainda era bem clara. Eu soltei um riso ao descobrir que ele ainda guardava aquilo, mas não reclamei. Apenas coloquei no lugar e continuei arrumando suas coisas.

–-- x ---

“Eu sou louco por você.”

Notas finais
Espero que tenham gostado da fic~~ Ficou um pouco grandinha, mas mesmo assim , eu espero que tenham gostado. Até outras histórias! --- X --- Letra em inglês é da música "Flowers In Her Hand" do cantor Dean Brody (ele é canadense e canta country). TRADUÇÃO: Eles tiveram anos de vida E seu copo transbordou Chegou a hora de ele andar alguns deles sozinho E ele disse: "Você era meu melhor amigo. O único que eu realmente tinha. Oh como eu gostaria que você pudesse me ouviu dizer essas palavras. " E ele colocou algumas flores em suas mãos Como ele deitou-a na areia E gritou que ele a amava De joelhos Pelo rio
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!