Eu Serei Sua Força

1 Ill Be Your Strength


- Ah! Eu não quero mais ver esse filme horrível! – disse.

- Nem eu! Melhor irmos jantar. – Jess sugeriu.

- Vocês são medrosas mesmo. – disse Nathan.

Então fomos jantar na noite de sexta-feira depois de um filme de terror que parecia uma tortura pra mim e pra Jessica, minha melhor amiga, e pelo que pareceu, não foi para o Nathan, irmão dela. Fui posar na casa de Jess já que os pais dela tinham ido viajar e Nathan ia sair com os amigos.

- Ouvi a campainha. Pode abrir a porta para mim Emma?

Afirmei com a cabeça e fui abrir a porta.

- Meu Deus.

- Ah, oi, o Nathan tá ai?

Eu não conseguia dizer nada, quando eu vi aquele homem na minha frente, meu corpo todo tremeu, senti minhas bochechas avermelharem, mas... Quem era aquele maravilhoso ser?Eu não sei, só sei que meu mundo parou quando vi ele.

- Posso entrar? Ei! Você ainda está viva?

- Desculpe-me, pode entrar. – eu disse me sentindo uma idiota e ele riu. Droga! O que eu estava fazendo? O que estava acontecendo?

- E ai Jay! Vamos fazer um esquenta antes da festa? – disse Nathan com muito entusiasmo.

- E ai, claro, trouxe tequila pra nós. Oi Jess. – disse Jay, como Nathan o chamava.

- Oi, vocês vão aonde hoje?

- Não sei. Daqui a pouco o resto dos meninos vai passar aqui pegar a gente e vamos ver aonde vamos ficar, quer vir junto?

- Querer a gente queria, mas ainda somos menores de idade. – Jess explicou a ele.

- Ah, é uma pena. – Depois de uma pausa eu pude ver que ele me encarava com seus olhos azuis. — Não vai me apresentar sua amiguinha Jess?

- Desculpa James, essa aqui é a Emma, minha melhor amiga.

- Oi... James. – Olhei para ele meio sem jeito, na verdade, totalmente sem jeito. Porque diabos ele me deixava desse jeito?

- Você praticamente paralisou ali na porta, está melhor agora?

- É eu acho que preciso mesmo ir ao médico, mas agora estou melhor. — Ele riu, e isso me fez parecer muito mais idiota e infantil.

Os amigos do Nathan chegaram e eles saíram, então, eu e Jess terminamos a noite conversando e eu fui dormir pensando no James. Eu ainda não conseguia entender o que aconteceu quando eu abri a porta, o que passou pela minha mente. Eu simplesmente paralisei, fiquei lá, de pé, parada! Eu nem cumprimentei o menino! Ele deve ter pensando que eu era uma ignorante, e isso me deixou com um grande peso na consciência. Espero tentar concertar isso.

- Bom dia meninas lindas do meu... Coração! – Sim, era o Nathan bêbado de manhã cedo.

- Nathan! Você está louco? Sorte sua que seus pais estão viajando pra não te ver nesse estado. O que você pensou que estava fazendo?

- Eu só sei que eu te amo e só preciso de você pra ser... – Foi interrompido pelo vômito, que eu, com certeza, iria ter que fazer o favor de limpar.

- Fala baixo Nath! Vai acordar a Jess. Vem, vamos tomar um banho.

- Isso! Vamos juntos tomar banho.

- Não, você não entendeu. É só quem tá bêbado aqui que vai tomar banho.

- Ahhhh, por favor, Renna.

- Chega Nathan, vai agora pra baixo do chuveiro! — Que menino teimoso, e ainda mais bêbado!

Coloquei-o embaixo do chuveiro e fui à cozinha preparar um chá, que ele ama. E com quem me deparo deitado em cima da mesa de jantar? O James!

- Bom dia. James? Você está acordado? — Eu tentei perguntando, mas acho que ele estava mesmo dormindo. Deixei-o no mesmo lugar e fui preparar o chá.

- RENNA! CADÊ MINHA TOALHA?- Era o Nathan gritando lá do banheiro. Fui correndo pra não acordar Jess.

- O que foi Nathan?

- Cadê minha toalha?

- Merda! Você tá louco? Porque tá pelado? Ah meu Deus, vou procurar a toalha, e tapa essa coisa ai, por favor! — Ele estava bem bêbado mesmo, mas eu nem liguei, fui pegar a toalha e entreguei pra ele fechando os olhos.

- Emma.

- Até que enfim acertou meu nome. O que foi?

- Eu te amo, e sempre te amei.

- Eu sei Nath, vem, vamos tomar um chá.

- Mas é verdade! -Ele insistia, mas eu nem prestei muita atenção, já que ele estava bêbado, e Nathan não era um menino de ficar expressando sentimentos.

- Aham.

- O que está acontecendo aqui? Posso saber? – Jess tinha acordado com o gritou do Nathan, com certeza.

- Ah, bom dia Jess. O Nathan chegou bêbado da festa, falei pra ele tomar um banho, agora ele está melhor. E o... James, não acorda de jeito nenhum. — Eu estava evitando falar o nome dele, pois quando eu mencionava-o, algo acontecia comigo, algo como um frio na barriga, um nervosismo inexplicável.

- Que ótimo Nathan! Parabéns mesmo. Por onde você andou ontem hein? – Jess disse irritadíssima.

- A gente... Foi no... O James que é culpado, eu vou dormir. Beijo pras minhas lindas. – E ele saiu em direção do seu quarto mandando beijos no ar. Era hilário de ver ele daquele jeito, Nathan é bem tímido, então não é algo comum de o ver assim.

- E agora? O que vamos fazer com o Jay? Meus pais vão chegar a qualquer hora! E se eles descobrirem que o Nath chegou bêbado?

Realmente nós não sabíamos o que fazer em relação a isso. Acordar o Jay? Levar ele até em casa? Mas aonde era a casa dele? Ligar para os pais dele? Nós tínhamos que chegar a um acordo.

- JESS, VEM AQUI NO MEU QUARTO! –gritou o menino bêbado lá do seu quarto. Provavelmente chamando a Jessica pra limpar o vômito ou dar um remédio pra ele.

- Emma, eu vou lá, te vejo amanhã então? Depois eu te ligo.

- Sim, só vou pegar minhas coisas e ir. Cuida bem do Nath. – Eu ri. Peguei minhas coisas, e quando eu estava abrindo a porta da casa da Jess, o James se acordou.

- Ei... Desculpa. Como é seu nome mesmo? Emma, não é?

- É sim.

- Eu preciso sair daqui. Me ajuda?

- Mas é que eu já estou indo.

- Eu te levo pra casa, só me ajuda a levantar. Por favor. – Ele fez uma carinha irresistível, então eu fui ajudá-lo para ele não ter mais falsas imagens sobre quem eu realmente sou.

- O que aconteceu com seu pé? — Ele estava mancando, por isso que pediu ajuda, fiquei preocupada, pois se fosse grave, nós deveríamos ir ao hospital.

- É que acabei brigando com uns caras ontem, e acabei torcendo meu pé. Mas logo ele melhora, é normal ocorrer essas brigas.

- Normal? Eu acho que não, mas enfim, vamos então? Não posso me atrasar.

- Tá, desculpe-me. — Coloquei o braço dele em cima do meu ombro e abri a porta. A minha casa não era tão longe, era quase umas seis quadras da casa da Jess, então fui andando, quieta ao lado dele, tentando não desmaiar por ver aqueles olhos azuis lindos.

- Meu apartamento é por aqui perto, na próxima quadra, vamos para a esquerda. – Já que ele começou falando, eu já fui puxando um assunto que estava me intrigando.

- Tá bem. Ei James, diga-me uma coisa, o que o Nathan tomou ontem pra ficar tão bêbado daquele jeito? Porque você não está bêbado, e ele falava nada com nada. Ele disse até que me amava. – Eu ri lembrando do acontecimento e ele ergueu sua sobrancelha, meio confuso.

- Mas ele não te a... Esquece. Eu fiquei praticamente a festa inteira com o Siva, não sei onde ele estava, mas se estava com o Tom... Foi por causa disso, pode ter certeza. O Tom quando bebe, bebe até o limite, ou até a Kelsey pedir pra ele parar. Eu bebo, mas eu bebo até ver que estou ficando bêbado, e ainda mais que a gente fez um esquenta... Bebi bem pouco. Mas não se preocupe depois que ele acordar vai ficar bem.

- Eu espero. Coitada da Jess, os pais dela estão chegando de viagem, e se vissem ele daquele estado... Com certeza a gente estaria ferrada. – Ele ficava me observando com atenção, e eu ficava encantada com aqueles olhos.

- Verdade... Chegamos! Obrigado por me trazer até aqui.

- De nada. Seus pais não vão brigar com você por estar nesse estado?

- Se eles morassem comigo, sim. – Nós rimos juntos, e ouvir a risada dele me fez rir muito mais. – Então Emma, vamos nos ver mais uma vez?- AI MEU DEUS ELE ESTÁ ME CONVIDANDO PRA SAIR? O QUE EU FAÇO? VOU SAIR CORRENDO E SER ATROPELADA! EU NÃO ACREDITO NISSO, ELE QUER SAIR COMIGO!

- É... Não sei, pode ser. – Eu já estava tremendo de nervosismo e ao mesmo de frio, a fria Londres de sempre. Tentei parecer difícil, eu não queria mostrar que era daquelas que não tem nada pra fazer e só querem ficar com meninos, mesmo eu não tendo nada pra fazer.

- Se você não quiser tudo bem, mas eu posso ter seu número? Caso você mude de ideia. –MUDE DE IDEIA? É ÓBVIO QUE EU QUERO SAIR COM VOCÊ JAY!

- Não é isso... – Dei meu número pra ele e quando fui me despedir dele, ele me agarrou pela cintura e me deu um beijo ardente que fez meu coração bater muito mais rápido do que o normal. Quando ele me beijou, eu não conseguia me mexer, eu não sabia o que estava acontecendo comigo, eu não conseguia pensar em nada, e parecia que eu nem sabia direito o que estava fazendo. Foi tudo tão rápido!

- Foi um prazer em te conhecer. Te vejo por ai menina. – E assim ele entrou no seu apartamento e eu parecia uma retardada parada na frente tentando pensar no que realmente tinha acontecido. Porque ele fez aquilo? Ele mal me conhecia!

“Alô.”

- Jess! Tudo bem?

“Sim, onde esteve? Liguei pra você umas cinco vezes!”

- Sério? Desculpe-me, mesmo! Eu preciso te contar o que aconteceu hoje quando eu estava indo pra casa. – Aí contei todo o grandioso fato de que aconteceu comigo e depois de uma pausa ela falou.

“Mas como vai ser sua reação hoje em relação a ele?”

- Como assim?

“Esqueceu que o Max convidou nós para irmos ao ensaio deles?”

- Ah! É verdade. Eu esqueci totalmente. E agora? Não tenho nem roupa!

“Tudo bem, passa aqui que eu te empresto aquela jaqueta azul de couro que você ama.”

- Eu já te disse que te amo? Estou indo agora pra ai!

“Okay, tchau.”

Fiz uma make bem leve, coloquei uns acessórios, peguei minha bolsa e fui praticamente correndo para a casa dela. Chegando lá coloquei aquela maravilhosa jaqueta, ela já estava pronta, e ai Nathan levou a gente para o ensaio.

Eles já estavam ensaiando quando chegamos. Jay nem tinha visto que nós tínhamos chegado, tentei ignorá-lo, mas foi meio difícil, pois eu ficava fitando-o o tempo todo. Apenas depois de eles serem interrompidos pelo Martin que Jay me viu, e então ele piscou pra mim.

- Emma, reaja naturalmente!

- Está tão na cara que eu estou com vergonha dele? – Ela afirmou com a cabeça e eu ri. – Vou tentar então. — Mas isso não durou muito porque depois de eles terem ensaiado “Last To Know”, que é uma das músicas que ele começa a cantar eu não conseguia desviar meu olhar dele e sentir aquele frio na barriga.

Aquela foi a última música do ensaio, então eles resolveram se reunir na casa do Tom, e nós fomos juntos. Antes de chegarmos a casa dele, os meninos passaram no supermercado pegar umas cervejas e vodka, e locaram uns filmes. Estava tudo indo muito bem, eu estava bebendo pouco, mas parei quando comecei ficar meio tonta. Mas a Jess, no terceiro copo de vodka passou mal, só que o Nathan, Siva, Max e Tom tinham ido buscar pizzas para nós comermos, então praticamente estava só eu e o James pra cuidar dela, e ainda que ambos estávamos meio bêbados.

- Jess toma esse remédio aqui. – Dei á ela um remédio que encontrei na cozinha e pareceu não melhorar nada.

- Tem certeza que isso ai melhora? – James meio cambaleando quando me perguntava.

- Certeza não, mas em mim sempre ajuda. O problema é que ela não pode chegar tarde em casa e nem desse jeito.

- Vou ligar para o Nath. – Ele pegou o celular e ligou, enquanto eu fiquei cuidando da minha melhor amiga.

- Jess, você está melhor?

- Não sei. – Ela me olhava como alguém que logo iria desmaiar.

- Deita lá na cama do Tom. Vem que eu te ajudo. – A coloquei no quarto dele. Acho que ele não iria se importar. Deixei ela deitada dormindo, e voltei a cozinha falar com Jay.

- Eles estão vindo?

- Sim, já estão trazendo as pizzas. Quer começar a ver um filme? – Eu não sabia o que responder, era só eu e ele na sala, sem mais ninguém, ele com aqueles olhos, aquele cabelo, aquele cheiro, e aquela risada. No momento que eu responder, ele já estava colocando o filme no DVD.

- Vem, senta aqui no sofá. Eu não mordo. Isso só se você pedir é claro. – Eu ri pra disfarçar e sentei do seu lado.

Depois de uns dez minutos do filme ter começado, Nathan ligou dizendo que tinha dado um problema do motor do carro deles, e iriam demorar pra chegar, no mínimo umas duas horas.

- Não estou muito a fim de ver esse filme, é depressivo demais. – Eu disse sinceramente, já não bastava minha vida ser depressiva, eu tinha que ver filmes depressivos?

- Se você quiser... A gente pode fazer outra coisa. – Ele falou chegando mais perto de mim, e eu paralisada novamente o deixei fazer o que bem queria. Ele pegou na minha nuca e aproximou com a dele e então foi que aconteceu de novo aquela sensação maravilhosa que eu tive no outro dia. O beijo dele era tão bom, e eu estava tão confortável ali com ele, mas a coisa foi ficando mais quente. Em um segundo ele foi colocando as suas mãos por dentro da minha camisa e já estava desabotoando o meu sutiã e eu fui tirando a camisa dele, e logo estávamos deitados no sofá.

Aquilo tinha acontecido, comigo e Jay. E eu mal podia pensar nisso. A nossa atração era tão forte, e foi tão amável o que tinha recém acontecido.

- O que foi isso? – Eu perguntei confusa.

- Foi sexo meu bem.

- Eu sei, mas... Mas... E agora?

- E agora que aconteceu.

- É... Melhor a gente arrumar aqui e fingir que nada aconteceu.

Logo depois de nós termos arrumado aquela bagunça que tinha ficado, os meninos tinham chegado com as pizzas frias.

- Eu não acredito que a gente ficou perdendo tempo lá! – Max estava super irritado e já estava ligando pra namorada dele, a Michelle.

- Relaxa Max, agora vamos esquentar as pizzas, chamar as meninas e ver os filmes. – Siva já estava ligando pra Nareesha também e assim fez Thomas ligando pra Kelsey.

- Vou esquentar as pizzas pra vocês então. – Eu sugeri. Vi que o Nathan estava procurando pela Jess.

- Cadê a Jessica?

- Ela está no quarto do Tom. Você não se importa, não é Tom?

- Tudo bem. Mas o que aconteceu? – Ele perguntou todo preocupado.

- Ela tomou uns três copos de vodka e passou mal vomitando, aí eu dei um remédio e falei pra ela deitar. – Estava explicando quando Nathan estava tão preocupado que saiu correndo ver como ela estava. Eu amava a conexão que eles tinham. O amor entre eles. Eu os conhecia há tanto tempo, mesmo eu sendo mais velha que a Jess, o Nathan é quase meu melhor amigo, pois o conheci primeiro e eu admirava muito a afetividade que ele tinha com a família dele.

- Ela já está acordada. – disse ele.

- Está melhor?

- Sim, será que ela poderia dormir na sua casa Emma?

- Pode sim. Meus pais já devem estar dormindo, nem vão perceber que cheguei em casa. Avise seus pais.

- Vou sim, só vamos comer as pizzas. – Nathan me encarou olhando dos pés a cabeça e sorriu então em agradecimento, eu acho.

- Eu vou ficar para os filmes. – disse Max não mais irritado, mas sim empolgado. – Quero tanto ver o de ação, e a Michelle já está vindo.

- É, a Nareesha também. – disse Siva. Nunca vi um irlandês tão lindo como ele. Até porque não é do nada que ele foi modelo.

- Então vai ser só os casais aqui. – disse Tom. – E o solitário James.

- Tudo bem, eu, a Jess e a Emma vamos embora, não estou num clima pra ver filmes. – Nathan explicou e os meninos deram risada dele.

- O bebezinho vai ir pra casa dormir é? – Tom era o mais engraçado de todos, sempre fazendo piada com o Nathan.

- Ah velho, parem com isso.

Comemos as pizzas, peguei minhas coisas e ajudei Nathan levar a Jessica até o carro. Ele me ajudou a trazê-la até meu quarto.

- Obrigada Emma, por cuidar dela. – Abriu um sorriso, aquele sorriso verdadeiro, confiante, amigo.

- De nada Nath, você sabe que pode contar comigo pra tudo. Além disso, ela é minha amiga!

- É... Amanhã de manhã eu passo pegar ela, ela tem que descansar. Boa noite Emma.

- Boa noite Nath. – Ele se aproximou e me deu um beijo em meu rosto, mas não foi um beijo normal, foi demorado, e eu pude sentir algo nele, foi estranho. Depois disso ele foi embora e eu fui dormir, porque ainda havia muito por vir.

O que foi aquilo? Era eu tendo atração por James, e Nathan tendo por mim? Eu não entendia mais nada. Nem o que fazer. E se eu contasse pra Jess o que tinha acontecido ela provavelmente ficaria muito brava comigo. Mas eu deveria contar a ela. Se eu não contasse, ela ficaria muito mais.

Ela acordou, e eu contei tudo para ela. Confesso que ela ficou um pouco assustada, mas como uma amiga, ficou feliz por ter acontecido comigo, e também um pouco confusa em relação ao o que aconteceu com o Nathan. À tarde fomos ao cinema e depois passamos em uma cafeteria que demarcamos como a nossa favorita. Daqui uma semana iria ocorrer àquele grande evento que a The Wanted, a banda dos meninos, ia tocar, e nós já estávamos planejando como, aonde e o que iríamos vestir para ir, é claro. Como ainda faltavam sete dias, resolvemos sair às compras em busca de uma roupa perfeita para cada uma. Jess escolheu para ela um vestido azul escuro com renda, e para mim ela escolheu um vestido preto de couro bem justo, ela disse que aquilo serviria para “provocar” James.

- Você tem que mostrar pra ele que não quer nada sério, porque eu conheço Jay bem a ponto de saber que ele não é desses caras que ficam em um relacionamento longo. – Ela me explicava parecendo que era minha mãe.

- Se você diz... – Olhei pra baixo, pensando como era boba. Eu nunca fui capaz de me apaixonar por alguém que também gostasse de mim, de alguém que valesse a pena, de alguém confiável.

- E além do mais que tem que provocar ao meu irmão, pra sabermos mesmo o que ele quer com você. – Ela me olhou dando um sorriso malicioso e eu ri daquela expressão ridícula.

- Ele só me deu um beijo no rosto! Não tem nada pra sabermos a mais em relação a isso.

- Por favor! Nath não é desse tipo de ficar dando beijos demorados, e você conhece-o melhor que ninguém. – Ela estava totalmente certa. Nathan era com certeza meu melhor amigo, na verdade éramos nós três.

Passaram-se os dias e quem diria! Já estava na hora do grande show dos meninos, e nós iríamos ao show junto com eles para pegar camarotes.

Na parte da manhã pude escutar Nathan treinando sua voz e no piano.

- Sabe que minha música preferida de ouvir no piano é “I’ll be your strength”, não sabe?

- Claro que sei, até parece que não te conheço. – Ele se virou me olhando e deu um sorriso.

- Muitas coisas você não sabe mesmo. – Eu o desafiei e dei um sorriso torto que o fez rir.

- Ou você, Emma, pensa que eu não sei. – Sei que foi uma indireta, mas não queria brigar, então ri e troquei de assunto.

- Mas então, vão tocar que músicas?

- Só do nosso álbum Battleground. Você vai vir conosco?

- E você acha que eu iria perder esse show incrível que vocês irão fazer hoje? De jeito nenhum! E perder de ver meu melhor amigo tocando as minhas músicas preferidas no piano? Você está muito enganado! – Ele sorriu, aquele sorriso bobo que eu sempre conseguia tirar dele, e me deu um abraço e sussurrou:

- Você pode esquecer o que aconteceu ontem?

- O que aconteceu ontem? – Olhei para ele com uma cara de confusa, de desentendida.

- Ah. Esquece. – Mas eu sabia o que tinha acontecido, mas queria ter ouvido dele.

- Vou me arrumar. Te vejo em duas horas? — Ele afirmou com a cabeça e saiu ensaiar mais um pouco. Ele se dedicava tanto, na verdade não era só ele, eram todos eles, e eu os admirava, e ainda acredito que eles irão muito longe.

- Emma, o que você ainda está fazendo com essa roupa? E com o cabelo desse jeito? Ah meu Deus, nós vamos nos atrasar!

- Calma Jess, falta muito tempo ainda, espera ai que vou tomar um banho.

Prontas para o grande show dos nossos meninos, e nervosas, já estávamos a caminho, ia ter mais de cinquenta mil pessoas, iria ser algo extremamente grande.

“When your lips touch mine

It's the kiss of life

I know, I know

That it's a little bit frightening...”

Eles sempre ensaiavam Lightning no caminho e eu amava a capella que eles faziam. Eles realmente tinham uma capacidade imensa em suas vozes. Mas a cada quilômetro dado meu nervosismo aumentava. Eu estava nervosa pela apresentação com grande público. Estava nervosa porque Nathan e James me fitavam no refrão da música e também porque eu estava me sentindo uma verdadeira vadia com aquele vestido.

- Hey Max, eu estou uma vadia, não estou?

- O que Emma? Eu sou sua vadia? – Eu ri e dei um tapa nele, que homem mais bobo.

- Não Max! Eu sou uma vadia?

- Claro que não Em, porque seria?

- Essa roupa. Estou me achando ridícula.

- Quer minha opinião? Todos os homens nessa van gostariam de um dia se quer te ter. Você está linda! Não tem o porquê de se achar uma vadia.

- Sério mesmo? – Ele piscou pra mim. – É esse um dos motivos que te amo Max, muito obrigada!

- Você sabe que pode contar comigo Em. – Max era um cara que eu realmente cofiava, ele era sincero comigo, o que poucas pessoas eram comigo, eu o admirava.

- E pode contar comigo também! – Interrompeu Seev . – Mas depende do que também. – Rimos, e enquanto isso ia acontecendo, nós já estávamos chegando ao backstage.

- Em, você está bem? Está tremendo. – Tom veio todo preocupado, ele viu o meu estado de nervosismo e me abraçou tentando acalmar. – Na verdade era eu que deveria estar nervoso, porque na verdade é eu e os outros vamos estar em cima do palco na frente de todas essas pessoas. – Ele me olhou bem nos olhos e rimos da minha situação, mas eu estava totalmente nervosa.

- Desculpe-me Tom, mas é que por esse pouco tempo que os conheci, pude conhecê-los tão bem que estou me colocando em seus lugares, e isso é um grande orgulho pra mim.

- Muito obrigado Emma. Mas tente se acalmar. Quer que eu chame Nath? – Fiz que sim com a cabeça, pois Nath era o único que conseguia me acalmar nos piores momentos.

- O que houve minha mulherzinha? – Ele costumava a me chamar assim.

- Estou muito nervosa por vocês, queria que você tentasse me acalmar, como sempre consegue.

- Ah, entendi. Vem aqui que vou te levar em um lugar especial. – Fiquei desconfiando, mas o segui e ele me levou em um lugar que tinha um piano “reserva” e então ele começou a tocar a minha música favorita de ser ouvida no piano, e assim lágrimas saíram de dentro de mim. – Não mulherzinha, não é pra chorar. É pra ficar bem, é pra sorrir, é pra dar risada, não pra chorar. Vou te levar lá na Jess, em vinte minutos estou indo apresentar. Eu te amo, escutou? Fica bem.

- Eu te amo. – Foi o que eu consegui dizer, sorri para ele, e ele para mim.

- SIMPLESMENTE INCRÍVEL! Estou tão orgulhosa de vocês! Foi fantástico. Parabéns!

- Muito Obrigado! – Eles disseram em meio que em um coro.

- Só quero saber de cervejas agora. – Disse Jay, para variar. Só pensava em cerveja depois de um show.

- Vamos trocar de roupa e ir a um bar então. – Sugestionou Tom.

- Vocês vêm? – Nathan tinha dito aquilo para mim e para Jess.

- Eu... Eu não sei, não sei se vão nos deixar entrar... – Eu falei, porque ainda faltava um ano para os meus dezoito anos, mas Jess ainda tinha dezesseis anos.

- Tudo bem, vocês estão com a gente. Nós somos a The Wanted, quem liga se vocês são de menores? Nem vão ver vocês! – Claro que era Tom, o engraçadinho.

- Olha Tom, eu acho que eles só vão ficar olhando para nós... Sabe como é, quem resiste a isso? – Todos riram, e eles foram trocar de roupa. Mas Nath estava vindo em minha direção.

- Ei, você está melhor agora?

- Você sabe que sim. Você é o único que sabe me acalmar.

- Que bom então, fiquei muito preocupado durante o show. Fiquei te procurando na plateia, mas foi sem sucesso.

- Ainda bem que não conseguiu me encontrar, porque eu estava chorando muito! Eu até parecia uma fã!

- E não é? – Rimos, e em seguida Siva estava nos chamando para entrar na van.

- O que os pombinhos estavam fazendo?

- SIVA! – Fiz uma cara de brava e ele riu.

- Desculpa Em, mas nada pode, ou vai acontecer entre vocês? – Siva falou no meu ouvido, para que Nath não escutasse e eu ri.

- Siva, vamos logo. – Nathan já foi cortando o assunto.

- Oito garrafas de cerveja, faz favor.

- E vai tomar quatro sozinhas James? – Fazia tempo que não conversava com ele. Não era só porque algo aconteceu entre nós que tínhamos que parar de ser amigos.

- Se você me ajudar. – Ele riu, e deu uma piscada pra mim.

- Vem, eu te ajudo a levar até a mesa.

- Obrigado. Sabe Emma, sinto sua falta.

- Eu também Jay, mas sabe que nada mais pode acontecer entre nós. Um dia eu irei explicar.

- Eu sei, calma. Só senti sua falta como... Amiga.

- Ah, desculpe-me. A propósito, ótimo trabalho hoje no show.

- Obrigada, você está... Absolutamente linda.

- Isso eu já tenho que discordar... – Ele riu e me encarou, mas mesmo assim já tinha acabado a conversa, pois já tínhamos chegado à mesa.

- A Em não está literalmente uma gata?

- Nem precisa perguntar. Todos os caras desse bar estão encarando-a. – Tom disse e eu ri e abaixei a cabeça. Eu ficava toda envergonhada, porque nunca me senti bonita o bastante, e vindo daqueles cinco lindos e perfeitos homens, era mais que um grande elogio.

- Ela está ficando vermelha! Acho melhor pararem com esses elogios meninos. – Jess falou e riu.

Logo depois da minha aula, ia passar na Jess pegar uma camisa que havia um bom tempo que queria emprestada. Mas quando cheguei lá, ela não estava, só estava Nath em casa.

- Oi Nath, a Jess está?

- Não, ela ainda não chegou...

- Okay, passo depois. – Quando me virei, ele me agarrou pelo braço me impedindo de ir.

- Ei Em. Eu estou saindo, não quer ir comigo? Faz um bom tempo que não saímos... Sozinhos e juntos. – Ele sorriu e eu concordei, pois não parecia uma má ideia.

- Onde você está me levando?

- Surpresa! – Ele riu da minha cara de preocupada. – Estamos quase chegando. – Ele estava entrando em um prédio, mas parecia que nós não estávamos indo a um apartamento. – É aqui. Eu nunca trouxe ninguém aqui. Esse é o lugar que me inspira, nas músicas.

- É tudo muito... Lindo. – Ele tinha me levado ao terraço do prédio, e como estava no fim da tarde, vimos o sol se pôr. Eu nunca tinha visto Londres daquele ângulo, era muito diferente, lá parecia tudo muito calmo e um lugar pacificado. – Nathan...

- Eu sei. É o lugar mais lindo que já foi. – Ele tirou as palavras de mim. Realmente era um lugar incrível.

- Eu te trouxe aqui por que... Preciso lhe contar algo. – Então meu coração parou, eu o fitei e ele estava olhando para o chão, só depois percebeu que eu estava olhando para ele.

- Então diga. – Confesso que fiquei um pouco nervosa e ansiosa com o que ele iria falar, e parecia que eu já sabia o que ele iria dizer. Eu fui uma tola em não perceber, não perceber o que sentia em relação a ele, e não perceber que ele sentia a mesma coisa por mim, que ele era um menino que valia a pena, um menino que me amava, que eu amava.

- Não sei se você notou, mas... – Interrompi beijando-o. Aquele menino que eu sempre conseguia tirar um sorriso bobo, sempre me fazia bem estar ao lado dele, sempre foi um amigo leal, e eu sei que nunca vou encontrar um menino daquele jeito, que me deixasse completamente bem ao seu lado. Eu era a única que não tinha visto que ele também me amava, que nós éramos perfeitos um para o outro.

- Em... Porque fez isso?

- Você não... Queria? Não era isso que queria?

- Não... Quero dizer... Eu queria dizer que... – Ele deu uma pausa e disse confiante. – Eu te amo. E desde sempre te amei e não sabia disso. – Ele me olhou envergonhado, então eu sorri e respondi.

- Eu também te amo. Sempre te amei e não sabia disso. – E ai que ele me puxou pra perto dele me beijando apaixonadamente. De algum jeito, pude perceber que aquilo, era tudo o que ele sempre quis, e para mim também era. Eu o amava, e nada ia mudar isso.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!