Notas iniciais
P.D.V da Sofia.
De manhã acordei com muito frio, olhei para o céu e vi como o mesmo estava nublado cairia um pé d’água a qualquer momento. Peguei meu papelão e corri para debaixo de uma barraca abandonada e de repente a chuva desabou e eu comecei a admirar os pingos caindo lá do céu me lembrei repentinamente de quando descobri que tinha uma doença grave.
Flashback on:
Eu estava correndo pro lado e pro outro, a minha amiga tinha ido perguntar a o meu médico sobre o resultado do meu exame. Me escondi atrás da parede e comecei a ouvir a conversa.
- E então doutor, o que a Sô tem? – Renata indagou e eu comecei a tremer.
- Olha Renata isso que eu vou te dizer não vai te agradar e nem a Sô mais eu vou ter que lhe contar mesmo assim, pois mais cedo ou mais tarde vocês iriam descobrir de qualquer jeito mesmo. – gelei nessa hora, o que será que ele vai dizer?
- Pode mandar doutor. – Rê falou roendo as unhas.
- A Sofia tem leocemia crônica!
Meu mundo desabou naquele instante travei totalmente ali não sabia se me matava ou fugiria. Quando recuperei a noção gritei totalmente alterada:
- DOUTOR, O SENHOR SÓ PODE ESTA DE BRINCADEIRA NÃO É? COMO É QUE EU POSSO TER LEOCEMIA CRÔNICA? POR FAVOR, DIGA QUE TUDO ISSO É MENTIRA!!
- Não é mentira Sofia é a mais pura verdade. – dei um grito e sai correndo, pulei o muro do orfanato e sai correndo eu não vou voltar nunca mais para aquele inferno.
Flashback off.
Ai, aquele dia foi terrível pra mim eu cheguei ao ponto de querer me matar se jogar de um penhasco só que na hora H desisti e agora resolvi deixar a doença me matar.
A chuva parou e eu sai de trás da barraca seria hora de sair pedindo esmola.
Cheguei perto de um carro vermelho e pedi logo um dinheirinho.
- Ei moço, cê tem quanto aí? – perguntei.
- Tenho nada não garota agora sai daqui. – o cara disse curto e eu sai triste, todo dia era assim eu só ganhava cinqüenta centavos. Eu sei, é triste.
Voltei para o meu posto e sentei no meio fio e abaixei a cabeça chorando. Isso piorava ainda mais a minha doença e eu ficava a cada dia mais perto de morrer.
De repente sinto uma sombra.
- O que houve garota? – ergui a cabeça e vi um homem que aparentava ter 33 ou 34 anos, por essa faixa. Ele estava com cara de preocupação.
- Eu sou uma órfã esse é o problema, meus pais me abandonaram em uma merda de orfanato que acabou com a minha vida e eu fugi de lá, agora eu estou aqui lascada sem ter o que comer e trabalhando em dia de sol, chuva e etc.
Seus olhos estavam marejados parecia que ele tinha se emocionado com as palavras que eu disse e isso jamais aconteceu.
- Vem comigo. – ele puxou e meu braço e saiu correndo comigo, fiquei nervosa e com medo dele me levar a uma casa abandonada e me estrupar.
- O q-que você vai fazer comigo?
- Não pense besteira eu vou lhe levar ao shopping.
Respondeu e nós paramos em um shopping super famoso da cidade, já tinha sido expulsa dele quando fui pedir esmola lá dentro.
- Vamos comprar roupas para você e eu vou te matricular em um colégio interno! – disse empolgado, abri um sorriso feliz o meu sonho era voltar a estudar e eu não me importava se o colégio fosse interno, construtivista, público, federal, militar, particular o importante era que eu iria aprender.
- Então, que estilo de roupas você gosta? – ele me perguntou.
- Gosto do estilo skatista é muito legal!
Falei com os olhos brilhando e seu sorriso foi de orelha a orelha. Ele me puxou para uma loja chamada “Girl Skateboarders”, surtei de felicidade.
- Pode pegar as roupas que quiser tudo vai ficar por minha conta.
Eu não podia acreditar este cara era um anjo em minha vida e um verdadeiro pai coisa que nunca tive. Mais tudo bem agora não é hora de tristeza e sim hora de comprar.
Peguei mais quarenta roupas praticamente assaltei a loja, finalmente nós fomos para o caixa pagar.
Saímos da loja e eu caminhava hiper feliz.
- Agora nós vamos comprar os tênis, botas, maquiagem, jóias e etc.
Assenti com a cabeça enquanto caminhava com ele, mais algo nele me chamava atenção como seus olhos que eram super iguais aos meus mais isso é só apenas uma coincidência, tem várias pessoas por aí que são a cópia do Justin Bieber.
Compramos vários all stars lindos e perfeitos, eu via várias garotas passarem para ir ao colégio com esses tênis e eu ficava triste por não ter nenhum mais agora eu poderia ter.
- Me diga Sofia, o que você queria ganhar em relação a tecnologia?
Fiz cara de pensativa para brincar mais eu já sabia o que queria.
- Um iPad!
- Okay, vamos comprar!
Ele me puxou novamente e eu fiquei desorientada eu iria ganhar um iPad? CARACA, eu só podia estar sonhando mesmo. Alguém me belisca?
Entramos em uma loja cheia de notebooks, computadores, iphones e outras coisas e o que foi que ele comprou? O iPad, um iPhone e um macbook e eu não conseguia acreditar, eu nunca estive tão feliz em toda a minha vida.
- Nossa Caio, obrigada mesmo! Você foi tipo um p-pai pra mim!
Falei emocionada e abracei ele extremamente forte, eu não iria contar da doença, pois ele iria ficar marcando em cima e isso me deixa nervosa.
- Eu fiz o que tinha que fazer Sô. – ele disse baixo e retribuiu o abraço, era reconfortante abraçá-lo e sentia como se ele fosse meu pai biológico, ignorando esses pensamentos eu sai do abraço apertado.
- E o colégio? Quando vou conhecê-lo? – perguntei animada.
- Quanta animação hein, aposto que você vai amar lá.
- Já estou amando! – eu ri.
- Vem, vamos para o carro por todas essas coisas lá e vamos conhecer a sua escola.
Concordei com a cabeça, antes de entrar no carro olhei para cima e sussurrei.
- Obrigado meu Deus!
E entrei, próxima parada: Colégio Interno.
Continua...
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